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Rendimentos (?)

22 Outubro 2017 13:16:00

Carlos Homem


"Como contratos bancários nunca são lidos antes de serem assinados, o investidor só vai saber o tolo que é quando for fazer o resgate" (Crédito: Divulgação)

Digamos que você tenha uma graninha sobrando. Não importa como conseguiu. Mesmo que tenha sido de forma honesta, vão desconfiar. Mas, preocupado que aquele dinheirinho não desapareça sob o efeito corrosivo da inflação, você vai procurar um banco. Deseja acumular o capital. São tantos e oferecem várias vantagens de rendimentos. Um mais atrativo que outro. Pois bem. Não é bem assim que se vê a saracura piar. Há um abismo entre o discurso sedutor do funcionário que quer captar os teus trocados, e a verdade dos números. Como a caderneta de poupança paga uma mixaria de rendimentos mensais, a vontade é investir em outras aplicações. Aí que mora o embuste!

Os bancos cobram taxas para "administrar" o teu dinheiro. Daí, então, com exceção da caderneta de poupança, você vai pagar despesas denominadas de taxas de administração, performance, tarifas, corretagem, spread(?), e vai por aí afora. Mas, como as instituições bancárias vivem em razão do dinheiro do povo, acenam para o investidor incauto com índices de rendimentos convidativos. Via de regra omitem que há sempre o desconto do imposto de renda. Como contratos bancários nunca são lidos antes de serem assinados, o investidor só vai saber o tolo que é quando for fazer o resgate. Ao contrário do imposto de renda que incide apenas sobre os rendimentos do capital, a taxa de administração é cobrada sobre o total do valor aplicado e seus rendimentos.

Mas há aplicações sobre as quais não tem desconto do imposto de renda.

É aí que o canto da sereia com essa isenção fisga o investidor.

Só que tais investimentos não são remunerados nos finais de semana. Apenas sobre os dias úteis. São os denominados de agrários. Portanto, os juros aqui não são mensais. Feitas as contas, acabam nos mesmos índices da poupança. Os cálculos feitos pelos bancos são também um engodo. Quase impossível entendê-los. A rentabilidade bruta não é informada, e, assim, o investidor não consegue ver o montante das despesas que está pagando. Na verdade, aplique-se aqui ou acolá, no frigir dos ovos dá tudo na mesma coisa. Uma miséria! Empatam tais investimentos, no final, com a bagatela da caderneta de poupança. Algumas aplicações, inclusive, se o investidor sacar antes de noventa dias, que apelidam de carência, vai receber menos do que aplicou. O banco cobra a "taxa" dele de forma antecipada. Agora o paradoxo: banco pega dinheiro do usuário sem custos, ou com custos de 0,6% e empresta também para outros usuários com taxas de 11% ao mês, ou mais. Mas, neste país, banco não é agiota! Nem pratica enriquecimento ilícito!

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