35anos barrra.png
35anos barrra.png
  
CarlosHomem.jpg

PINHEIRO

18 Novembro 2017 23:00:00


(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Na região Sul do país todos me conhecem. Faço-me mais presente no Inverno. Depois me esquecem por uns tempos. Quando digo meu nome "Pin", imediatamente vem a pergunta: De origem chinesa? Não, sou brasileiro legítimo, respondo. Mais brasileiro do que nossos índios! Meu sobrenome é "Heiro".  

Esquisito, não é? Pin Heiro é meu nome todo. Minha família não veio de nenhuma parte do mundo, nasceu aqui. Minha árvore genealógica, assim como minha estrutura mesmo, é uma mistura curiosa. Meus antepassados, por parte de pai eram dos araucas, e por parte de mãe dos riáceas. Formaram o tronco das araucariáceas. Mais conhecida por araucária brasileira. Depois, com os cruzamentos normais de toda a espécie viva, o casamento dos angusti com os fólia, acabou por formar as angustifólias.

Razão exata de algumas das minhas partes serem tão diferentes, assim como são minhas folhas. Quando jovem tenho o formato de um cone, já adulto pareço com uma taça. Família conhecidíssima a minha! Araucária angustifólia! Nome que não só parece nobre, sou nobre! Deixei milhares de pessoas ricas onde habitei com maior densidade.


A maioria delas abandonou o lugar onde eu vicejava depois de me explorarem sem qualquer critério, ou piedade.


Era tão grande minha população que pensaram que nunca me extinguiriam. Fui serrado, queimado, vendido, exportado, destruído. Estive no centro, e fui a causa de grandes conflitos sociais como também de questões judiciais. Nunca porque tivessem interesse na minha preservação, mas sempre para terem o direito de me derrubar.

Minha madeira foi desejada por todos os países durante décadas. Agora sou uma espécie rara. Minha semente está valendo mais do que o meu tronco. Muitos ainda confundem a pinha, que é o meu fruto, com o pinhão, que é a minha semente. Com o surgimento de organizações preocupadas com a ecologia, e dentro delas com a conservação das matas, não fui totalmente eliminado. Apareceram leis que pretendem me proteger.

Com o valor nutritivo, energético, e muito apreciado da minha semente, somados ao preço alcançado no mercado, estou mais uma vez ameaçado. Derrubam meus frutos e minhas sementes ainda verdes. Não respeitam sequer as épocas da minha maturação natural. Quebram meus galhos, arrancam minhas acículas. Multiplicam-se os mercadores repetindo um velho ritual que já conheço. Sou milenar e já vi quase tudo, por isso ainda tenho a esperança que respeitem o meu direito de viver.


JORNAL "A SEMANA"
Rua Daniel Moraes, 50, bairro Aparecida
89520-000  -  Curitibanos/SC  -  (49) 3245-1711