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Pequenas empreitadas

14 Janeiro 2018 08:22:00


(FOTO: DIVULGAÇÃO)


Um, entre os meus centenas de milhares de leitores, gostando da crônica que escrevi sob o título de proprietário rural, sugeriu-me outra daquele gênero. Apontou o pedreiro como mote. Então vamos lá: Você, meu amigo, que perde tempo lendo estas minhas bobagens, com certeza já fez alguma reforma em sua casa. Ainda que pequena, mas fez.    

Um ritual macabro. Um exercício de paciência e assumida tolice. Ninguém escapa da grande maioria dos prestadores de serviços avulsos, em especial do pedreiro. Começa com um orçamento que não chega nem perto da verdade. Eles simulam uma previsão bem pequena sabendo que não vai ser possível. Apenas engatam o trouxa. "Se vai custar tão pouco, então vou fazer", pensamos. Depois de fisgado, com o anzol no céu da boca, e com a obra em andamento, não tem como escapar. Um inferno!

Daí surgem os pedidos constantes de adiantamentos. Uma hora é porque a mulher tá doente, outra porque tem que pagar a pensão atrasada, outra mais porque um parente próximo foi vítima de acidente. E o serviço não anda. Se você, na boa fé, cai na besteira de adiantar, de pouco em pouco, mais de 50% daquilo que foi tratado, tá lascado! O desgraçado já começa a gazetear. Some. Você tem que correr atrás do amaldiçoado! Muitas vezes eles já pegam outras empreitadas paralelas, onde conseguem fazer vales mais gordos como entrada. Laçam outro bocó! E lá vêm as justificativas do fedapata:

Que se perdeu no preço, que aquilo que estava fazendo não foi tratado, que sem mais dinheiro por conta não consegue manter a família. Tudo igual! A vontade da gente é decapitar o morfético. E ficam atrevidos! Forçam a barra pra gente perder a paciência e brigar. Pronto. É o que eles querem. Se fazem de ofendidos e não cumprem mais o combinado. Abandonam a obra. O que fazer então? Nada. Os sem-vergonhas ameaçam com ação trabalhista e o diabo a quatro. O pior é que entre a palavra desses morcegos e a da gente, sempre presumem que a verdade é dele.

O coitadinho sempre tem razão! Tá virado numa zorra este país com essa frescura de garantir os direitos das minorias, quando na verdade os velhacos é que são a maioria. A solução melhor, nesses momentos, é dizer pros malandros que metam o dinheiro que nos tomaram, bem enrolado e bem vasilinado, naquele sítio que ele sabem muito bem qual é.


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