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O roteador

20 Maio 2018 10:05:00


(Foto: Divulgação)


Daí, então, tenho sofrido uma perseguição implacável dum tal de roteador. É um trubisco que recebe as imagens ou sinais, sei lá, do satélite e encaixa no computador da gente. Ele, segundo me informaram, identifica quando um micro se conecta à rede e então define um IP para esse micro. Entenderam? Eu também não! Nem sei o que é IP! Só sei que tenho uma coleção dessas desgraceiras que chamam de roteadores.

Já comprei pelo menos uns cinco ou seis. Uma hora o desgraçado, como se fosse um homem, fica velho e fraco, tornando-se impotente. A solução é comprar outro mais vigoroso, viciado no viagra, penso eu. Tive um caipora desses na parte de cima da casa. Pifou! Instalaram outro então na parte de baixo, mas sozinho não dava conta.

O sinal da sala não chegava naquele quarto onde curto meus remorsos quando perco o sono. Tem que ter dois, me convenceram.

Assim fiz. Resolveu? Que nada! Desconfio que um ficasse com ciúmes do outro e terétété minha Internet levava à breca. Numa hora falha um, noutra falha outro. E assim vou roteando a vida! Um dia, porque aquilo estava fora do ar, liguei para o técnico e ele me pediu para desconectar o tal de roteador da tomada por uns segundos. Fiquei cabreiro! Será que ele estava falando sério? Não perguntei para não correr o risco de ele me mandar enfiar aquilo onde não devia. Fiquei lá segurando o fio com cara de bocó! Quer dizer então que o roteador só funciona de vez em quando? Mais uma vez ele se parece com o homem idoso! Pra solucionar esse martírio, adquiri uma instalação moderna. Resolvi ser chique. Achei que me livrava do roteador.

Agora sim a coisa vai dar certo! Pois bailei mais uma vez. Estou a cada dia mais desconfiado que é perseguição política. Só porque eu não me filio ao movimento "Lula Livre"? O pior é que esse equipamento, peça, aparelho, dispositivo, traquitana, aparato, acessório, o diabo, tem preços variados entre 70,00 a 1.200,00 reais, ou mais. Cada um que se compra, esperançoso com suas potencialidades, broxa também. E ligeirinho!

O Brasil que eu quero para o futuro é um Brasil sem roteadores.

Se encontrar alguém que me venda um satélite por preço módico e suaves prestações mensais, vou comprar um só pra mim. Cheguei no limite! Alguém, com a paciência tão curta quanto a minha me aconselhou procurar o Procon. Não fiz isso porque tenho medo de ser rabugento ou parecer mais encrenqueiro do que sou.  

Embora nessas horas lembro sempre do Gauchinho, um pinguço feliz que depois de tirá-lo da cadeia várias vezes pelos porres homéricos, numa ocasião, ao recusar-lhe mais uma vez meus préstimos profissionais, ele protestou: "Então pra que é que serve essa bosta desse deproma?" Numa oportunidade, ao verificar que a Internet estava ausente de novo, liguei para a operadora cheio de razões. Quebrei a cara, o defeito era meu! Tinha esquecido de pagar a fatura do mês! E para isso o roteador não esquece e funciona muito bem!


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