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O camarão resolveu

22 Julho 2018 09:05:00

  A criatividade é uma aliada importante para solução de problemas. Pois conto uma historinha pitoresca onde a imaginação foi fundamental. Tratava-se de um divórcio litigioso com turbulento conflito entre os cônjuges. A disputa maior, na divisão do patrimônio que era até modesto, estava relacionada com a casa onde residiam. Ela queria ficar com aquela moradia, mas ele também assim pleiteava com inarredável disposição. Até porque já tinha a intenção de trazer para morar ali uma outra companheira.

Nenhum dos dois divorciados aceitava mudar-se, abrindo mão da casa. Ele até que fazia propostas para entregar o imóvel para ela, mas atribuía sobre o mesmo um valor fora da realidade. Queria tirar proveito recebendo mais bens como compensação. A convivência sob o mesmo teto, naquele clima de hostilidade estava insuportável. Aproveitando a ausência do agora ex-marido em decorrência de uma viagem de dois dias, ela foi ao mercado e comprou alguns quilos de camarão.

Com paciência e usando uma chave de fenda retirou as capas das tomadas de luz e caprichosamente encheu os canos da fiação com camarão cru. Fez isso em toda a casa valendo-se de uma vareta, recolocando cuidadosamente os espelhos sem deixar vestígios. Quando o teimoso retornou, ela o comunicou que estava se mudando, que ia morar numa casa alugada até que a repartição dos bens no divórcio se consumasse. Ele vibrou com sua primeira vitória no litígio. Imediatamente levou a outra mulher com quem vinha se relacionando a morar consigo. Poucos dias após a casa começou a cheirar esquisito. Depois ruim. Depois feder.

Procuraram em todos os cantos, inclusive no teto, uma carniça, um rato morto, mas nada. A catinga ficou insuportável. Nem corvo seria capaz de aguentar a fedentina. A nova companheira dele desculpou-se. Não quis ficar mais ali e advertiu-o que naquela casa jamais moraria. Esperto que era, e tendo consciência de que aquela casa havia perdido o valor, ele procurou a ex-mulher e propôs um acordo. Não revelou o motivo da sua mudança de comportamento, por evidente.

Aceitaria deixar a casa para ela pelo preço real do mercado. Ela não topou. Disse que agora já estava instalada em outro lugar e que havia perdido o interesse sobre tal patrimônio. Só faria um acordo se aquele imóvel lhe fosse entregue com o abatimento de 30% sobre o valor de uma avaliação idônea. Ele aceitou sem muita resistência. Fecharam o acerto amigável naquelas condições. Homologada judicialmente a partilha dos bens, ela teve um trabalhinho para eliminar o mau cheiro com o uso de alguns desinfetantes químicos. Mas valeu à pena. O camarão resolveu seu problema e ainda lhe deu lucro.       


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