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Mais melhor?

16 Junho 2018 14:41:03

Absolutamente, ninguém pode se outorgar como um perfeito conhecedor da nossa língua. Falar ou escrever corretamente, neste cipoal de regras e normas gramaticais, não é nada fácil. Inevitável, portanto, algumas escorregadelas no manuseio do nosso idioma. 

Isso, porém, não significa que podemos avacalhar o vernáculo. Nem é válido o tacanho argumento de que o importante é a comunicação. Se nos fizermos entender é o que basta, resmungam alguns. "Invurtô" tá valendo, é o que dizem outros. O resto é frescura! Então, se assim é, que proliferem os "a gente podemos", "nóis vai", "tá podendo", "tipo assim", etc? A fala é também uma espécie de identidade da pessoa. Estampa ligeirinho o que ela é.

Mas, penso, aqui com a minha liberdade de pensar, que é dever de todos exigir, na medida do possível, um mínimo de respeito pelo vernáculo. Dou esta volta toda para contar que ouvi várias vezes, numa propaganda de rádio e em favor de um posto de abastecimento de combustível local, onde o locutor publicista, referindo-se à gasolina ali vendida, diz que ela é "mais melhor".

Pelo amor do Monge João Maria! "Mais melhor"? Isso está errado, muito errado, erradíssimo! Nessa linha de assassinato verbal posso então também dizer "menos melhor"? Ou "mais grande", ou "mais pequeno"? Claro, a derrapada pode até ser absorvida sem rebeldia. Mas, tratando-se de uma rádio com utilidade pública e que tem a obrigação social de educar, uma cautela maior seria oportuna. Uma precaução na correção dos textos, pelo menos.

Ou não? Onde está a utilidade da emissora? Ensinar errado, com a repetição de um linguajar claudicante e muitas vezes chulo, tem efeito deletério. Já basta a enorme tolerância auditiva que precisamos ter para escutar locutores abusando do gerundismo pernicioso, na base do "vamos estar sorteando", "a gente vai estar remetendo", "a gente vai estar transmitindo", etc. Por que não "vamos sortear/sortearemos"", "vamos remeter/remeteremos", "vamos transmitir/transmitiremos"?

Há um considerável número de pessoas que acha bonito repetir esses modismos, como se papagaios fossem. Tupiniquins atávicos, é o que são. Sei, sei que na frente de um microfone, sem qualquer contestação no ato, e sem a presença de ninguém, fala-se sem muita preocupação com aquilo que se diz. Uma sensação de poder! Isso, no entanto é temerário. A arrogância causou a queda dos anjos e a falta de prudência causa a queda dos homens.

Mas, por quê esta minha implicância? É que no exercício interino da função de professor, constato com desencanto, entre os estudantes, como a língua pátria está esfarrapada. Então cuidemos dela. Nem com menos, nem com mais. Apenas melhor!


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