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Justiça

06 Janeiro 2019 08:44:00


(FOTO: DIVULGAÇÃO)

"A justiça carcomida é o pior câncer de uma sociedade. Em 1971, ganhei uma bolsa para estudar nos EUA. Foi um seminário sobre desenvolvimento econômico na Harvard University. Em um encontro com um professor, eu propus uma simples pergunta a ele. Qual o principal fator (citando apenas um), para explicar a diferença do desenvolvimento americano e o brasileiro, ao longo dos 500 anos de descobrimento de ambos os países? Então o mestre sentenciou sem titubear: a justiça! Explicou ele em poucas palavras: a sociedade só existe e se desenvolve fundamentada em suas leis e sua igualitária execução. A lei é o solo onde se edifica uma nação e sua cidadania. Se pétrea, permitirá o soerguimento de grandes nações. Se pantanosa, nada de grande poderá ser construído. 

Passados quase 50 anos deste aprendizado, a explicação continua cristalina e sólida como um diamante. Sem lei e justiça, não haverá uma grande nação. Do pântano florescerão os "direitos adquiridos", a impunidade para os poderosos. Daí se multiplicarão as ervas daninhas da corrupção, que por sua vez sugarão a seiva vital que deveria alimentar todas as folhas que compõem a sociedade. Este abismo gerará violência e tensão social. Neste ambiente de pura selvageria, os mais fortes esmagarão os mais fracos. O resultado final: o pântano se tornará praticamente inabitável. As riquezas fugirão sob as barbas gosmentas da justiça paquiderme, para outras nações.

"Nestes dias atuais, não há brasileiro que não sinta vergonha da sua Suprema Corte"

Os mais capazes renunciarão a cidadania em busca de terras onde a justiça garanta o mínimo desejado: que a lei seja igual para todos. Este é o fato presente e a verdade inegável do pântano chamado Brasil! Minha geração foi se esgotando na idiota discussão entre esquerda e direita. E ainda continua imbecializada na disputa entre 'nós e eles', criada pelo inculto Lula e o séquito lulista. Não enxergaram um palmo na frente do nariz da essência da democracia. Foram comprados com pixulecos, carros, sítios e apartamentos. Não sei quantos jovens lerão este texto e terão capacidade de interpretar e aprofundar a discussão. Aos meus 70 anos, faço o que está ao meu pequeno alcance"(John Kirchhofer).

O texto acima que me foi enviado e que transcrevo espelha uma realidade secular. Nestes dias atuais, não há brasileiro que não sinta vergonha da sua Suprema Corte.

O Supremo Tribunal há muitos anos abandonou por completo a sua função de autocontenção e guardião constitucional. Noticiam, a cada passo, as barganhas que faz com o Executivo e com o Legislativo, sobre causas das mais variadas.

O mau exemplo, então, vem até aos juízes de primeiro grau. Daí não ser nada estranho saber-se de decisões cunhadas ao sabor de simpatias pessoais, de convencimentos emprenhados pelos ouvidos, de sentenças lavradas ao arrepio das leis e absurdamente em frontal contradição com outras decisões do mesmo julgador. Que segurança pode ter o cidadão comum? Nenhuma!

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