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OCO DO MUNDO

Javali

01 Dezembro 2018 21:01:00

Os irracionais, embora devam merecer maior tolerância e compaixão dos humanos, devem também ter suas limitações nessa proteção. Tudo tem limites. Ora, se o direito de cada cidadão acaba onde começa o do outro, para os irracionais a regra tem que ser pelo menos próxima disso. Ou a irracionalidade é sinônimo de ilimitada tolerância? Um ruralista meu conhecido, há tempos não muito distantes, matou um leão baio. 

O bicho estava viciado em matar as ovelhas dele. Fazia ali, naquele sitio, visitas periódicas e imprevisíveis matando várias ovelhas para saciar a fome e também os seus instintos, como é natural. Cometeu o homem a quem me refiro a imprudência de tirar o coro da fera e estaqueá-lo para depois guardá-lo como troféu. Arquivou a prova do crime, o tolo. 

Daí ferrou-se! Mas, será mesmo que houve crime ambiental? E as ovelhas mortas, quem, em tese, devia ser responsável pelo ressarcimento? E como fazer para o leão não aparecer mais, vitimando outros animais domésticos? Estou fazendo todo este contorno para chegar no javali. Virou praga esse bicho. E então? O agricultor pode ou não matar esse porco selvagem? O javali, animal exótico que veio sabe-se lá por quais caminhos, é um predador completo. 

Estraga e destrói lavouras, degrada a terra, mata animais domésticos e é perigoso para as pessoas, além de transmitir, segundo se supõe, a febre aftosa e outras doenças. Vindos da Ásia e da Europa, o javali não tem predador natural no nosso ecossistema. Daí prolifera com muita facilidade não havendo como controlar seu aumento populacional. 

Como andam sempre em varas, arrasam lavouras de milho, mandioca, entre outras tantas e variadas. Porque só nós os humanos é que temos deveres diante das leis, temos que nos submeter a mais esta, arquitetada em gabinetes por quem não sofre o problema. Portanto, desequilibrada. Então, para quem tem necessidade de abater tais animais, deve antes trilhar o calvário burocrático que neste país é o caminho obrigatório para qualquer coisa que se pretenda fazer. 

Por ser atribuição da Polícia Ambiental a permissão para a caça do ja- vali, quem quiser eliminá-lo deve antes fazer um cadastro pessoal (com antecedentes mínimos de um santo), pois do contrário não consegue, cadastrar a propriedade rural (mais uma vez) e fazer um registro de porte de arma (este sim é uma loteria). Para tanto, entre uma montanha de documentos e taxas de toda natureza, o cidadão descobre que é melhor concubinar-se com o javali. 

Custa mais barato! Ou, como sempre acontece em situações assemelhadas, o proprietário busca solução nas margens da lei, agindo de forma ortodoxa e anônima com o uso de veneno, armadilhas, etc. Fazer o quê? As leis, na maioria, a exemplo desta, não possibilitam o seu cumprimento. 

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