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Ilusão que derrota

26 Novembro 2017 19:19:00

Carlos Homem


(Foto: Divulgação)

Conheci um menino craque. Habilidoso mesmo! Precoce do futebol! Salvo a ausência dos requisitos da experiência e do preparo profissional, ele havia nascido com jeito para a coisa.

Jogar futebol não é para todos os que querem, mas para os poucos que nascem com o dom. Ginga de corpo, pirraça nos dribles, elegância no domínio da bola, visão antecipada da jogada, conduzir e chutar com os dois pés são atributos natos, nunca adquiridos. Aquele menino nasceu com tudo isso. Ele tinha quinze anos quando o conheci. 

 Aquela idade onde o adolescente vive um misto de insegurança e atrevimento ao mesmo tempo. Pensa que sabe tudo, mas não sabe absolutamente nada. Tolos é que são! Era um menino negro e pobre. A raça negra tem mesmo essa facilidade para o esporte. Trazem no gene.  

Foi preciso um atleta negro nas olimpíadas de 1936, realizada na Alemanha,

para provar ao Hitler, todo poderoso e racista, que a supremacia

da raça ariana não passava de uma farsa.

Foram quatro medalhas de ouro faturadas pelo herói, humilhando o ditador. Pois o moleque de quem lembro, logo, logo, foi encaminhado para uma divisão de base de um clube famoso. 

Ele passou a fazer parte de uma minoria eleita para ter sucesso sem necessitar de uma educação formal. Seus modos grosseiros e uma cultura mínima não lhe faziam falta, até então. Teve naquele esporte, relativo e meteórico sucesso. Mas a vida tem suas ironias diárias.  

Não são todos os meninos bons de bola que conseguem chegar ao futebol profissional. Então, por razões que desconheço, ele ficou pelas bordas dos times grandes, caiu para clubes menores e acabou em timecos do interior.  

A desilusão tomou conta dele. A fama, seja no futebol, na música, nas artes, ou em qualquer atividade humana é um funil por onde poucos passam. Por mera coincidência encontrei-o muitos anos depois de tê-lo conhecido. Estava gordo, inchado pela bebida, os olhos tristes.  

Na face estampava o amargor da derrota. Trazia na alma o peso do fracasso. Aquele garoto cheio de alegria e vontade de viver tinha sido vitimado pela ilusão. O caminho para vencer na vida de forma fácil e sem trabalho é lotérico. Poucos são os que conseguem. Mas são muitos os que ficam pela estrada!

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