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Ideologias

29 Abril 2018 10:00:00


Essa frescura das pessoas se rotularem ideologicamente é um saco! Enganam a si mesmos e com isso querem enganar os outros. Uns dizem que são da esquerda, defendendo um socialismo que nunca deu certo, outros empunham uma bandeira da direita que não se sabe exatamente onde ela começa e nem onde termina.

Outros mais se colocam em cima do muro intitulando-se do centro ou liberais. Daí os da esquerda, os da direita, os do centro ou liberais, só defendem tais posições enquanto não se agasalham individualmente num rendimento pessoal. Ganhou dinheiro, pronto! Que vá às favas a sua ideologia! Os que encampam um discurso socialista, preocupados com a classe operária principalmente, vivem em busca de um emprego ou cargo público.

Ao assumirem um qualquer, esquecem no mesmo instante a sua falsa convicção que existe desigualdades sociais. Camaleões é o que são!

Há uma astronômica hipocrisia nessa balela de política ideológica.

E os moralistas? Estes então nunca conseguimos decifrá-los. Escandalizam-se com o comportamento alheio, mas, nas sombras, fazem igual ou pior. 

Vamos a um exemplo: imaginem que um cidadão entrasse na igreja sem camisa para assistir a missa, ainda que fizesse um calor escaldante. Primeiro seria considerado louco, depois convidado para se retirar. Seria um desrespeito. Mas e os santos não estão quase todos seminus? E Cristo, não está ali crucificado quase sem roupas? São Sebastião não está peladão, amarrado e com o corpo transfixado com flechas? 

Quando estudante secundarista fui um pelego agitador, e fazia parte da diretoria da União Catarinense de Estudantes. Vermelhos todos, naquela modalidade de "Maria vai com as outras". Estudante, como regra geral, enquanto vive às custas dos pais é comunista. Ele acha lindo andar na contramão da sociedade. Quer ser diferente. Protesta por protestar! Nem pensa, o celular pensa por ele. Então, fiz discursos inflamados contra os lacaios de Wall Street. Nem sabia o que era aquilo, mas eu falava inflamado.

Defendi com argumentos tolos a distribuição de rendas de forma mais igualitária. Eu era um membro da esquerda festiva, como tem até hoje. Quando escrevo isto lembro de um amigo que citou outro dia um adágio conhecido: "Antes dos trinta anos quem não foi da esquerda é porque não era inteligente, depois dos trinta quem é da esquerda é porque não tem cérebro". Pura verdade. Pregamos ideologias das mais variadas para serem seguidas pelos outros. A nossa se resume em encontrar uma atividade que dê dinheiro para que possamos viver. 

A democracia, como exemplo, acho muito bonita na casa dos outros, mas na minha casa quem manda sou eu! Quem sabe estejamos vivendo nesse realismo da descrença na verdade, sob a conduta moral de que tudo é manipulação. Penso, todavia, que somos todos iguais num aspecto: queremos apenas um espaço que nos permita trabalhar, ganhar nosso dinheiro e viver cada dia mais confortável. O resto é conversa fiada dessa gente metida a intelectual! Ou dos vadios e parasitas sociais!


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