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GUEVARA

10 Março 2018 14:15:00

O tempo transforma criminosos em heróis

Fazia já um bom tempo que não via. Um rapaz vestindo uma camiseta com a cara do Che Guevara nela estampada. Aquela famosa foto que imortalizou Alberto Korda, fotógrafo cubano que foi super feliz na captação daquele flagrante histórico.  

Registrou um olhar distante e ensimesmado do revolucionário no momento em que ele se encontrava emcima de um palanque de comício. Fotografia bem tirada é também uma questão de sorte. Não basta só profissionalismo. Nos tempos em que as máquinas ainda tinham filmes eu era um desastre quando me arriscava em bater uma foto. Na revelação sempre aparecia uma imagem desfocada, cortada, tremida, sombreada, o diabo.

Hoje, com tantas facilidades colocadas à minha disposição, como também de todos, me arrisco mais. Tiro uma, dez ou cinquenta. Tá muito fácil. Não precisa nem enquadrar. Uma mirada rápida e clic, clic. Pronto. Virou um passatempo barato. Só não tiro selfie porque acho uma atitude narcisista. Mas não é sobre fotografias que desejo falar. Saí do foco de novo! Quero lembrar do Guevara. Fazem o quê? Cinquenta anos que morreu? Nunca entendi o porque de tanta veneração, em quase todo o mundo, principalmente dos jovens, dedicada a um bandido tão sanguinário.  

O culto ao ódio, a excitação pelo cheiro de sangue, a admiração pelo revolucionário que adorava matar sem piedade. Os fuzilamentos que ele mesmo comandou e os que ordenou, hoje são ostentados como medalhas no peito de um general. Guevara sentia prazer na morte dos seus adversários, que não eram seus inimigos. Os ataques de asma no médico e guerrilheiro argentino o deixavam enfurecido. Matar talvez o acalmasse.

Difícil entender sua sobrevivência como símbolo. Já nem falo de adolescentes retardados que nem conhecem a história de Guevara. Nem dos homossexuais que idolatram um criminoso que os odiava. O que me intriga são os intelectuais que conhecem o currículo de Che Guevara e o canonizam sem qualquer cerimônia. Um desequilíbrio dentro do equilíbrio? O tempo transforma criminosos em heróis. Será que a violência tem uma atração que não sabemos explicar? Seja lá como for, não consigo entender essa idolatria maluca por um criminoso histórico.       

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