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Franqueza

12 Novembro 2017 17:26:00

Carlos Homem


Até que ponto a franqueza e a espontaneidade podem ser manifestadas? Será indelicado dizer-se exatamente aquilo que se pensa? É falta de educação quando externamos opinião sincera, ainda que desagrade?

Quando jovem briguei muito com minha mãe por esse motivo. Logo eu que nunca fui sutil. Ela não queria nem saber. Dizia sem floreios aquilo que pensava. Numa ocasião, num jantar que meu irmão ofereceu para dois diretores da Shell, minha mãe perguntou, com total simplicidade, para as duas jovens esposas deles, se elas eram as "empregadinhas" da minha cunhada. Eu queria morrer quando vi a expressão no rosto daquelas sofisticadas madames.

Quando na nossa casa chegava uma visita, o tratamento de cortesia era invejável. Mas, só até uma altura. Se a visita não se tocasse, demorando muito, minha mãe dizia: - Olha querida, a visita já tá boa, já tomamos café, agora vai pra tua casa, vai! Assim, direto, sem dourar a pílula. Eu ficava possesso! Pedia que pelo amor de Deus ela não me fizesse pagar mico daquela natureza.

Ela ria e perguntava: - Falei alguma coisa de mais? Ofendi alguém, por acaso?

Numa certa ocasião, em razão da sua idade e já meio adoentada, meu pai trouxe uma menina moça de fora, filha de um conhecido seu, para cuidar da minha mãe. Não deu certo. A guria não tinha qualquer aptidão para aquela empreitada. Então, aproveitando uma viagem de recreação que fiz para o litoral, levei meu pai, minha mãe e a moça para devolvê-la à sua família que morava em Rio do Sul. Quando lá chegamos a mãe da garota perguntou: - Então, gostou do serviço da minha filha? Eu, que já estava de atalaia, gritei: - MÃÃÃEEE!!! Não deu tempo. Minha mãe abusou da franqueza na cara das duas: - ÍÍÍh...querida! Ela é muito preguiçosa! Relaxada que só vendo!

Eu quis estrangular minha mãe. Naquele momento eu ia praticar dolosamente um matricídio não fosse a interferência do meu pai. Ela defendeu-se: - Cale a boca aí, tanso! Eu só disse a verdade, bobão! É bem assim! Quando mais estuda mais trouxa fica!

Penso, agora, se ela não estava certa. Conviver significa falsidades e aparências? Devo dizer, por sociabilidade, que é lindo aquilo que acho feio? É grosseria, falta de educação, dizer que não gostei? De não dar parabéns se entender que a pessoa não merece?Afinal, porque não se pode ser honesto consigo mesmo?

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