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Dicas

28 Outubro 2018 14:05:00

Para escrever é necessária uma boa dose de ceticismo

Carlos Homem


(Foto: Divulgação)/


Comum, muito comum pessoas conhecidas que leem meus semanais desvarios me abordarem aqui ou ali sugerindo assuntos. São motivações das mais inusitadas. Normalmente fico meio sem jeito, sem saber o que responder.

Quando insistem gaguejo, fico com cara de paisagem. Amiúde me faço de surdo, ou desligado. Aliás, desligado é uma coisa que nem preciso fingir. Estou quase sempre com os três pinos desconectados da tomada. Em tais oportunidades fico com medo de parecer mal-educado, arrogante, sei lá. Porém, não se trata nada disso.

É que escrever uma crônica semanal sob motivação própria difere completamente de abordar temas encomendados. Apenas acredito que não existam fórmulas prontas, esquemas infalíveis, receitas pré-fabricadas, para se arquitetar uma narrativa qualquer. Mas se posso dar uma dica para quem goste, ou tem vontade de escrever, ela é simples: comece! Escreva a primeira palavra, a primeira frase. É como caminhar. Dê o primeiro passo. Mas confesso que assumir o compromisso de escrever semanalmente não é nada fácil.

Sempre há o sufoco do tempo, a tortura da preguiça e a eventual desmotivação. O espaço tem também uma curiosidade paradoxal. Se temos um assunto que brota com vertentes abundantes, o espaço é pequeno. No entanto, se o mote é pobre de aspectos, emperra. O limite se nos afigura inalcançável. O bom mesmo é escrever com sobra de tempo. Daí, na medida em que as ideias aparecem, pode-se pesquisar, ler tudo o que seja relevante sobre aquele tema.

Tem-se que tomar muita cautela, no entanto, para não cair na obviedade. Mas é inevitável, estamos sempre tropeçando nela. Assuntos aparecem que exigem um garimpo cuidadoso para evitar-se escrever absurdos. E a atenção deve ser disciplinada. Perdido às vezes na dissertação fácil sobre alguma coisa acaba-se resvalando na ortografia. Ou na dubiedade, ou na ambiguidade. Mas, uma coisa é fundamental: para escrever é necessária uma boa dose de ceticismo.

É imperioso dar ouvidos a todos, sem confiar integralmente em ninguém. As versões são sempre discordantes e as variantes contraditórias. O desalento muitas vezes também surge de forma inesperada. Nos dias atuais, com as pessoas vivendo estressadas e com o humor aos frangalhos, a crítica ácida é frequente e implacável. Quem escreve vive em sobressalto. Por derradeiro, devo repetir para quem eventualmente tenha vontade de escrever que a melhor dica é: comece!


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