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De joelhos

09 Setembro 2018 11:15:00


(Foto: Divulgação)


Ajoelhou? Tem que rezar! Este era um provérbio repetido sempre pelo animador televisivo Abelardo Barbosa, o Chacrinha. Pois me parece que o país está de joelhos, só lhe restando a opção de rezar. Nenhuma das instituições brasileiras, como nenhum dos seus três poderes inspiram qualquer confiança. Apodreceu tudo! A classe política, cética e acovardada, assiste passivamente a sua destruição sem esboçar uma reação.

A ordem é salvar seus mandatos e espaços na administração pública, entupida de parentes e afilhados. Então, nestas horas que se aproximam da escolha de um novo presidente do país, o negócio (e é negócio mesmo) está no fazer acordos, coligações, acertos espúrios, sempre com o discurso descarado e hipócrita da "governabilidade" e do "melhor para o país". Os políticos andam perambulando entre os destroços das explosões causadas pelo Ministério Público. Este, por sua vez, vem extrapolando das suas funções, metendo o bedelho em tudo, criando mais embaraços e dificuldades do que soluções. Chegam a autodenominar-se de "Quarto Poder". Neste particular o candidato Ciro Gomes, que não é o meu, penso até que esteja certo. Tem que recolher essa gente para "dentro das suas caixinhas".

Hoje a política está tão criminalizada que a presunção de inocência deu lugar para a certeza antecipada da culpa.

O Legislativo, porque não consegue chegar num consenso sobre qualquer assunto mais relevante, transfere para o Judiciário a solução dos impasses, transformando-o numa terceira câmara legislativa. Então o judicialismo é que resolve tudo. Decidem como querem, ao sabor do momento, sem qualquer obediência às suas funções constitucionais. Daí a balbúrdia legal tomou conta. As sentenças judiciais destes dias, via de regra, não dão a mínima importância para os dispositivos expressos nas leis. 

Decidem como "acham" que deve ser, seguindo sua própria ótica do problema, mandando os disciplinamentos legais às favas. Pior, um simples enunciado, provimento, súmula, ou seja lá o que for, simplesmente tornam morta a letra expressa da própria constituição.

Preocupante, muito preocupante este esgarçamento total da ordem legal. Ninguém tem segurança jurídica para nada. Aquilo que valia ontem, hoje não vale mais. Cada magistrado adota para às suas decisões sua própria processualística. As regras que estruturavam o cotidiano se esfrangalharam.

As autoridades conclamam à ordem, mas são incapazes de reinstituí-la. Este estado de coisas alimentou o desencanto do povo em relação a tudo e a todos, transformando num aglutinador de insatisfações difusas. Estamos de joelhos. Só resta rezar!


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