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Convicção ou teimosia?

23 Setembro 2018 10:00:00

Na hora de votar vale mais uma análise fria do candidato que optar só pela própria ideologia

Carlos Homem


(Imagem: Divulgação) 

Tenho visto nas redes sociais alguns conflitos de opiniões sobre as preferências políticas de cada um. Na medida em que as eleições para a escolha de um novo presidente se aproximam, os bate-bocas vão se tornando mais acalorados.

Alguns até mesmo mais extremados e atrevidos. Essa zoeira histérica e emburrecedora das redes sociais mostra o comportamento radical de algumas pessoas que não é nada fácil compreender. Ninguém jamais poderá encontrar lógica na ideologia das pessoas. Há quem justifique, até hoje, as atrocidades cometidas por Hitler, e há quem use orgulhosamente uma camiseta com a estampa de Che Guevara.

Talvez nem saibam quem foram tais personagens. Monstros transformados em heróis pelo tempo. Aí, quanto mais discutem, mais radicalizam suas convicções. Aliás, deixam de ser convicções e passam a ser teimosias. Não há nada mais importante do que termos a coragem de pensar contra nossas convicções, diria Nietzsche. Uma verdade absoluta em tal pensamento.

Ter medo do contraditório é uma comprovação do nosso primitivismo mental. Por tais fraquezas é que, sendo vascaíno me recuso a reconhecer que o Flamengo jogou melhor, nesta ou naquela oportunidade. Pertencendo a esta ou aquela agremiação político partidária, não aceito admitir defeitos nos meus candidatos ou atributos nos adversários.

Uma coisa mais ou menos parecida com as crenças religiosas. Acredito porque quero acreditar. Tenho fé porque me ensinaram a ter fé. Não duvido porque tenho medo de questionar. De pecar pela dúvida! Nada pode ser pior que o medo de pensar diferente. Ou a covardia de rever suas próprias convicções. E argumentos burros, escorados na teimosia, na autoestima, na vaidade, são abraçados por pessoas de todos os níveis. Discursos prolixos recheados com firulas pobres. Sejam de professores, advogados, intelectuais, pessoas polidas ou toscas. Lamentável.

Não é apenas a fome que mata o corpo. A radicalização teimosa, sem a coragem de rever nossas convicções, mata também nossa individualidade. Por isso os bate-bocas ficam restritos a dialética irônica, esquecendo-se os antagônicos que as palavras são arbitrárias, convencionais, enganadoras. É preciso cautela para distinguir na palavra o seu caráter ambíguo do falho. Sim, porque é uma tolice alguém autodenominar-se da esquerda, da direita, do centro, socialista, comunista ou outros "istas". Rotular-se doutrinariamente nestes dias, muitas vezes com fanatismo, é uma atitude babaca. Na hora de votar vale mais uma análise fria do candidato que optar só pela própria ideologia.


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