Curitibanos,
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16 Junho 2018 14:41:03

Absolutamente, ninguém pode se outorgar como um perfeito conhecedor da nossa língua. Falar ou escrever corretamente, neste cipoal de regras e normas gramaticais, não é nada fácil. Inevitável, portanto, algumas escorregadelas no manuseio do nosso idioma. 

Isso, porém, não significa que podemos avacalhar o vernáculo. Nem é válido o tacanho argumento de que o importante é a comunicação. Se nos fizermos entender é o que basta, resmungam alguns. "Invurtô" tá valendo, é o que dizem outros. O resto é frescura! Então, se assim é, que proliferem os "a gente podemos", "nóis vai", "tá podendo", "tipo assim", etc? A fala é também uma espécie de identidade da pessoa. Estampa ligeirinho o que ela é.

Mas, penso, aqui com a minha liberdade de pensar, que é dever de todos exigir, na medida do possível, um mínimo de respeito pelo vernáculo. Dou esta volta toda para contar que ouvi várias vezes, numa propaganda de rádio e em favor de um posto de abastecimento de combustível local, onde o locutor publicista, referindo-se à gasolina ali vendida, diz que ela é "mais melhor".

Pelo amor do Monge João Maria! "Mais melhor"? Isso está errado, muito errado, erradíssimo! Nessa linha de assassinato verbal posso então também dizer "menos melhor"? Ou "mais grande", ou "mais pequeno"? Claro, a derrapada pode até ser absorvida sem rebeldia. Mas, tratando-se de uma rádio com utilidade pública e que tem a obrigação social de educar, uma cautela maior seria oportuna. Uma precaução na correção dos textos, pelo menos.

Ou não? Onde está a utilidade da emissora? Ensinar errado, com a repetição de um linguajar claudicante e muitas vezes chulo, tem efeito deletério. Já basta a enorme tolerância auditiva que precisamos ter para escutar locutores abusando do gerundismo pernicioso, na base do "vamos estar sorteando", "a gente vai estar remetendo", "a gente vai estar transmitindo", etc. Por que não "vamos sortear/sortearemos"", "vamos remeter/remeteremos", "vamos transmitir/transmitiremos"?

Há um considerável número de pessoas que acha bonito repetir esses modismos, como se papagaios fossem. Tupiniquins atávicos, é o que são. Sei, sei que na frente de um microfone, sem qualquer contestação no ato, e sem a presença de ninguém, fala-se sem muita preocupação com aquilo que se diz. Uma sensação de poder! Isso, no entanto é temerário. A arrogância causou a queda dos anjos e a falta de prudência causa a queda dos homens.

Mas, por quê esta minha implicância? É que no exercício interino da função de professor, constato com desencanto, entre os estudantes, como a língua pátria está esfarrapada. Então cuidemos dela. Nem com menos, nem com mais. Apenas melhor!



09 Junho 2018 08:00:00



Reuniam-se os trabalhadores desempregados, e os que viviam inconformados com seus baixos salários, numa praça denominada "Grève", em Paris, localizada na margem do Rio Sena que corta aquela capital Francesa. Foi daí que surgiu o nome "Greve" para as manifestações de protesto daqueles que se sentem vítimas de ganhos irrisórios ou injustos. Essas lutas de classes, buscando melhorias na remuneração dos seus ganhos laborais, acabou virando leis e até mesmo uma garantia constitucional na maioria dos países, inclusive o nosso. Pois bem! Tivemos há poucos dias uma greve geral dos caminhoneiros cuja principal reivindicação era reduzir o preço do combustível óleo diesel e assegurar uma periodicidade razoável nos seus aumentos, além do tabelamento do frete. Foi um êxito! A população brasileira, cansada que está de tanta exploração e desmandos governamentais, apoiou o movimento. Fui também na carreata dando meu micro apoio.

O governo federal capitulou! De joelhos, atendeu até mesmo pela sua fraqueza nos dias atuais, aos pleitos dos grevistas. Ótimo! Até aí tudo bem! Mas, por razões não de todo compreendidas, alguns líderes, com ênfase maior num tal de "Chorão", talvez enciumado porque não fizeram questão da sua assinatura no acordo, e ele queria também ser mais um herói do armistício, conclamou seus companheiros para continuar com a greve. A partir daí começaram a pipocar vandalismos e excessos daqui e dali. Terceiros aproveitadores e estranhos se infiltraram no meio daqueles motoristas profissionais com objetivos políticos evidentes. Nas redes sociais pipocavam notícias das mais variadas. Em algumas dessas mensagens registrava-se o inconformismo e até mesmo uma certa revolta de alguns dos insurretos com o povo brasileiro, chamando-o de covarde, porque não foi para as ruas pleitear também a redução do preço da gasolina. Vamos com calma! Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Uma paralisação demasiadamente prolongada e total do país, depois de já terem conseguido o que buscavam, interessaria para quem? E, parando toda a atividade produtora da nação, por evidente, os mais pobres e carentes são os que sempre sofrem mais. Em tudo deve haver um ponto de equilíbrio. Até mesmo nas organizações terroristas são escolhidos para líder os mais moderados, cautelosos, coerentes. Os que não sejam tresloucados, doidivanos. Não se pode matar a vaca porque discordamos do preço do leite! Vi também, numa dessas mensagens, embora não tenha conseguido saber onde era, um ruralista irado despejar tambores de leite no asfalto e gritando: Eu tenho gente em casa precisando de hemodiálise! Este país não tem só caminhoneiros! Tem gente de toda espécie que precisa trabalhar! Os rebeldes que se achavam de pé, ali nas redondezas, nem se mexeram. O homem estava com o diabo no couro! Então, embora justa e oportuna a greve dos caminhoneiros, é preciso muita cautela, se outras houverem, para não fazer de vítimas segmentos sociais e produtivos diversos.



03 Junho 2018 07:00:00
Autor: Carlos Homem

Um teste drave na fidelidade


(Foto: Divulgação) /


Doutor... vou matar minha mulher! A desgraçada me traiu! Sério? Há quanto tempo o senhor é casado? Vinte e cinco anos. Nossa! E só agora o senhor resolveu tomar uma iniciativa inteligente dessas? Mate logo, mas... diga-me uma coisa: o senhor nunca traiu sua mulher? Bem, isso não tem nada a ver! Homem é homem! Ah... bom... então tá! O senhor já imaginou que sua mulher merece uma homenagem? Verdade, sem brincadeira nenhuma! Afinal de contas uma mulher cometer uma única traição depois de dormir vinte e cinco anos com o mesmo homem não é digna de louvor? Puxa... meu amigo!

Transar com o mesmo homem durante vinte e cinco anos exige uma dose cavalar de paciência, não é mesmo? O senhor vai botar tudo a perder por causa de meia horinha que ela separou pra matar a curiosidade? Pra fugir do fastio que a rotina estabelece? Quem não tem essa fantasia de ver se é mesmo tudo igual? Ela pode ter pensado: Quem sabe um outro saiba de coisas que eu ainda não experimentei algumas cambalhotas criativas, ou, talvez, fugir da mesmice apimente o prazer?

Afinal de contas o sexo não é feijão com arroz que é sempre igual e jamais enjoa! Calma, tenha calma! Uma puladinha de cerca, depois de vinte e cinco anos, não é um pecado tão feio assim! Mas e os chifres, doutor? Não nasci pra ser galhudo! Bem... bem... chifre é uma coisa que só se nota na cabeça do bode, na cabeça da cabra é invisível, não é mesmo? E o senhor, quantas vezes já furou o alambrado? Isso é outra coisa. Não dá prá comparar. Está no DNA do homem! O macho é reprodutor! Traição do homem não é amor, é tesão! Hummm... sei, sei. Desculpas para galinhar o homem sempre tem, não é verdade? Escute aqui homem, uma mulher trepar com um mesmo companheiro durante vinte e cinco anos, é claro que um dia tem que vazar por um lado ou pelo outro.

Ela com certeza queria matar a curiosidade, sentir o doce gosto do proibido. Um teste drave na fidelidade. Comparar o funcionamento do novo em relação ao velho. Aquela vontade de se autoafirmar, de sentir-se sexy e sedutora. A monotonia vulgariza o ato, tira o prazer, mas a novidade incentiva, certo? Quem sabe esse cara com quem ela se envolveu seja um profundo conhecedor do Kama Sutra? Um exímio contorcionista que a levou para o céu? Ela apenas saiu do armário do puritanismo por um breve momento. Quer saber de uma coisa?

O senhor volte para sua casa, guarde esse revólver no lugar onde já estava, finja que nada aconteceu e perdoe sua mulher. Matá-la vai dar muito mais trabalho e dissabores! E pense bem: Quem trai é sempre culpado pelo ato em si, mas as razões que levam a chegar nesse ponto sempre envolvem muitas outras coisas, inclusive os tropeços do traído.



26 Maio 2018 00:05:00


(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Claro que vão me chamar de louco. Pois que chamem! Na loucura há também uma boa dose de sabedoria. Então estive pensando em escrever uma carta para o Papa. Uma missiva bem fundamentada e convincente. Cheia de ora-pro-nóbis! Ele é aqui do nosso lado e latino como nós, apesar de ser argentino.  

Um vigário simpático de quem gosto muito. Vai entender minha preocupação e também, porque advogo em causa própria nesta questão. Mas vou pleitear a revogação, e por consequência, a extinção do inferno. Já revogaram o limbo (aquele lugar para onde iam os que não eram, mas eram) e o inferno, por quê não? Afinal, a existência dessa fornalha perpétua para onde vão as criaturas pecadoras como eu é pura sacanagem!

Uma religião, seja ela qual for, não pode permanecer assentada sobre promessas de castigos e torturas, nem acenar que vamos servir de picanha na brasa para aquele sujeitinho desagradável conhecido pela alcunha de capeta.

Acredito até que o Pontífice nem tenha competência legal para isso já que essa matriz do martírio é uma criação pagã. Esse caráter opressor da religião está vencido. Tudo evolui e adequa-se. Uma religião, seja ela qual for, não pode permanecer assentada sobre promessas de castigos e torturas, nem acenar que vamos servir de picanha na brasa para aquele sujeitinho desagradável conhecido pela alcunha de capeta.

Penso até que o satanás, pé-redondo, beiçudo (não confundir com o Gilmar Mendes), está de saco cheio na administração da churrasqueira infernal. Já calcularam o tamanho do brasido? E as despesas para manter aquela diabada toda que atendem os roletes incandescentes pela eternidade? Posso inclusive colher milhares de assinaturas num abaixo-assinado em favor deste meu projeto.

Pecar é uma das raras coisas boas que temos neste mundo, mesmo com a ameaça do inferno. Aliás, o Papa Francisco já admitiu, embora depois tenha desmentido, que o inferno não existe.

Quem sabe até granjear a simpatia dos estudantes que sempre defendem, com o fervor religioso dos marxistas, em termos vagos, a reinvenção do mundo e a extinção de toda ordem sob protestos e violências. Na convocação dos Cardeais, tenho certeza que o lobby dos pecadores vai ter uma força danada para garantir o quórum mínimo. Já imaginaram que beleza? Pecar é uma das raras coisas boas que temos neste mundo, mesmo com a ameaça do inferno. Aliás, o Papa Francisco já admitiu, embora depois tenha desmentido, que o inferno não existe.

Essa fogueira religiosa serviu como repressão sexual e manipulação política por séculos. Agora, pelo que se vê, não tem mais nenhuma serventia. Liberou geral! A humanidade perdeu o medo! E a crença! É sabido que nós os humanos temos uma propensão recorrente para negociar, trocar uma coisa pela outra, adquirir coisas novas, eliminar as velhas.

O inferno já virou sucata faz tempo, não é verdade? Para que manter uma estrutura diabólica dessas? Então que seja extinto ora bolas! Se eu conseguir que o Papa atenda e defira meu pedido, vou ficar conhecido como o homem que dinamitou o inferno! Vai faltar espaço no meu peito para tantas medalhas. Quem sabe até um prêmio Nobel.


20 Maio 2018 10:05:00


(Foto: Divulgação)


Daí, então, tenho sofrido uma perseguição implacável dum tal de roteador. É um trubisco que recebe as imagens ou sinais, sei lá, do satélite e encaixa no computador da gente. Ele, segundo me informaram, identifica quando um micro se conecta à rede e então define um IP para esse micro. Entenderam? Eu também não! Nem sei o que é IP! Só sei que tenho uma coleção dessas desgraceiras que chamam de roteadores.

Já comprei pelo menos uns cinco ou seis. Uma hora o desgraçado, como se fosse um homem, fica velho e fraco, tornando-se impotente. A solução é comprar outro mais vigoroso, viciado no viagra, penso eu. Tive um caipora desses na parte de cima da casa. Pifou! Instalaram outro então na parte de baixo, mas sozinho não dava conta.

O sinal da sala não chegava naquele quarto onde curto meus remorsos quando perco o sono. Tem que ter dois, me convenceram.

Assim fiz. Resolveu? Que nada! Desconfio que um ficasse com ciúmes do outro e terétété minha Internet levava à breca. Numa hora falha um, noutra falha outro. E assim vou roteando a vida! Um dia, porque aquilo estava fora do ar, liguei para o técnico e ele me pediu para desconectar o tal de roteador da tomada por uns segundos. Fiquei cabreiro! Será que ele estava falando sério? Não perguntei para não correr o risco de ele me mandar enfiar aquilo onde não devia. Fiquei lá segurando o fio com cara de bocó! Quer dizer então que o roteador só funciona de vez em quando? Mais uma vez ele se parece com o homem idoso! Pra solucionar esse martírio, adquiri uma instalação moderna. Resolvi ser chique. Achei que me livrava do roteador.

Agora sim a coisa vai dar certo! Pois bailei mais uma vez. Estou a cada dia mais desconfiado que é perseguição política. Só porque eu não me filio ao movimento "Lula Livre"? O pior é que esse equipamento, peça, aparelho, dispositivo, traquitana, aparato, acessório, o diabo, tem preços variados entre 70,00 a 1.200,00 reais, ou mais. Cada um que se compra, esperançoso com suas potencialidades, broxa também. E ligeirinho!

O Brasil que eu quero para o futuro é um Brasil sem roteadores.

Se encontrar alguém que me venda um satélite por preço módico e suaves prestações mensais, vou comprar um só pra mim. Cheguei no limite! Alguém, com a paciência tão curta quanto a minha me aconselhou procurar o Procon. Não fiz isso porque tenho medo de ser rabugento ou parecer mais encrenqueiro do que sou.  

Embora nessas horas lembro sempre do Gauchinho, um pinguço feliz que depois de tirá-lo da cadeia várias vezes pelos porres homéricos, numa ocasião, ao recusar-lhe mais uma vez meus préstimos profissionais, ele protestou: "Então pra que é que serve essa bosta desse deproma?" Numa oportunidade, ao verificar que a Internet estava ausente de novo, liguei para a operadora cheio de razões. Quebrei a cara, o defeito era meu! Tinha esquecido de pagar a fatura do mês! E para isso o roteador não esquece e funciona muito bem!



13 Maio 2018 07:00:00
Autor: Carlos Homem

Busca-se, afinal, o quê, com tais carimbos na pele?

Caminhava na minha frente aquela moça bonita trajando um short. Dona de um belo par de pernas. Ela tinha consciência que despertava a cobiça masculina. Mas, e sempre tem um "mas" para complicar as coisas, havia na perna direita da menina, no meio da coxa, uma tatuagem larga e indecifrável que a circulava.

Me perdoem os tatuados. Tenho horror às tatuagens! São todas feias e de mau gosto. A maioria já desbotadas, borradas ou escorridas, parecendo maquiagem que pegou chuva. Estejam elas localizadas aqui, ali, ou escondidas em sítios menos visíveis com apelo erótico. Quase todas indecifráveis e indefinidas. As tatuagens tiram, poluem, descaracterizam e despersonalizam a originalidade. Quebram a simetria do belo, do perfeito.

Se nascemos lisinhos, qual a razão de nos rabiscarmos com garranchos arbitrários? Quem pode entender essa decisão de marcar o próprio corpo como eram assinalados os escravos com ferro em brasa. Ou o gado para identificar o dono? Busca-se, afinal, o quê, com tais carimbos na pele? Ser diferente?

Mostrar revolta, desobediência, protesto, independência, saudosismo medieval? Fascínio por alguma coisa que existe no seu interior? Marcar o corpo ao longo da história sempre foi um sistema violento de controle e tortura. Já imaginaram todos nós com o número do CPF tatuado na testa? É tormentoso entender alguém submeter-se a violência física para imprimir no seu corpo, definitivamente, uma figura, frase, símbolo, nome, ou o diabo que o carregue!

A aparência é um patrimônio visível da pessoa e da sua identidade. Uma criatura tatuada pode revelar com isso traços da sua própria personalidade, como também mascará-la ou deformá-la. Quem sabe a tatuagem seja apenas a forma de alimentar desejos inquietos. Vai saber?



06 Maio 2018 07:00:00


(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Já passou dos limites esse discursinho em favor das minorias. Não se pode dizer nem fazer mais nada que aparece um reformador do mundo, travestido de defensor das minorias para encher o saco. Praticantes dessa excrecência moderna que denominam de "politicamente correto". 

Daí, então, uma lei é criada para privilegiar os negros, assegurando cotas nas universidades; outra para garantir "privilégio" de foro para políticos corruptos; outras mais em favor das domésticas, dos idosos, da infância e juventude, destes ou daqueles, e, inclusive, até mesmo dos presidiários. Mas, e a maioria, ninguém tem coragem de defender? Quem realmente trabalha nesse país? Quem efetivamente paga impostos? Quem vive corretamente e cumpre as leis? Não é a maioria? Ora, façam-me um favor! Os negros, com essa tal de cotas no ensino superior estão sendo discriminados por quem? Pelo governo e pela lei, evidente. Não pelo povo, porque é povo que também são. Não acredito que eles gostem disso! São povo como todos nós de outras cores e raças.


"JÁ PASSOU DOS LIMITES ESSE DISCURSINHO EM FAVOR DAS MINORIAS."


Aliás, nessa questão de cor, pessoalmente, eu jamais defini a minha. Não sirvo para branco, preto, pardo, amarelo, indígena ou cafuso. Acho mesmo que eu sou baio escuro, com traços de mameluco. Ou seja, de uma raça miscigenada e indefinida!

Uma espécie de entrevero de negro com caboclo e índio. Quer dizer, não sou coisa nenhuma ou sou tudo ao mesmo tempo. O diabo é que não me classifico em nenhuma minoria com direitos especiais. Na hora em que almejo alguma coisa, tenho que ir à luta como vai a maioria. Então, mudando o rumo da prosa e dando um exemplo, o bandido atira no policial e erra, mas o policial revida e mata o marginal. Pronto! Lá vem os esquerdopatas invocando direitos humanos, transformando o agente da lei em criminoso, pedindo uma pseudo justiça.

Por quê isso? O meliante faz parte de uma minoria privilegiada? Mas essa tal de Constituição Brasileira não diz que todos são iguais perante a lei sem distinção de qualquer natureza, com garantia de igualdade? Essa Constituição não foi feita para a maioria, sem distinção nenhuma? Conversa fiada! Nem a Constituição é cumprida neste país. Tem um monte de minorias desiguais que são muito mais iguais que a maioria. Sei não.

Penso que daqui um pouco vai haver uma lei para cada parcela, ou fatia da população. A Constituição deverá ser fracionada mais do que já é para contemplar uma porção maior de minorias. A maioria que se exploda!


29 Abril 2018 10:00:00


Essa frescura das pessoas se rotularem ideologicamente é um saco! Enganam a si mesmos e com isso querem enganar os outros. Uns dizem que são da esquerda, defendendo um socialismo que nunca deu certo, outros empunham uma bandeira da direita que não se sabe exatamente onde ela começa e nem onde termina.

Outros mais se colocam em cima do muro intitulando-se do centro ou liberais. Daí os da esquerda, os da direita, os do centro ou liberais, só defendem tais posições enquanto não se agasalham individualmente num rendimento pessoal. Ganhou dinheiro, pronto! Que vá às favas a sua ideologia! Os que encampam um discurso socialista, preocupados com a classe operária principalmente, vivem em busca de um emprego ou cargo público.

Ao assumirem um qualquer, esquecem no mesmo instante a sua falsa convicção que existe desigualdades sociais. Camaleões é o que são!

Há uma astronômica hipocrisia nessa balela de política ideológica.

E os moralistas? Estes então nunca conseguimos decifrá-los. Escandalizam-se com o comportamento alheio, mas, nas sombras, fazem igual ou pior. 

Vamos a um exemplo: imaginem que um cidadão entrasse na igreja sem camisa para assistir a missa, ainda que fizesse um calor escaldante. Primeiro seria considerado louco, depois convidado para se retirar. Seria um desrespeito. Mas e os santos não estão quase todos seminus? E Cristo, não está ali crucificado quase sem roupas? São Sebastião não está peladão, amarrado e com o corpo transfixado com flechas? 

Quando estudante secundarista fui um pelego agitador, e fazia parte da diretoria da União Catarinense de Estudantes. Vermelhos todos, naquela modalidade de "Maria vai com as outras". Estudante, como regra geral, enquanto vive às custas dos pais é comunista. Ele acha lindo andar na contramão da sociedade. Quer ser diferente. Protesta por protestar! Nem pensa, o celular pensa por ele. Então, fiz discursos inflamados contra os lacaios de Wall Street. Nem sabia o que era aquilo, mas eu falava inflamado.

Defendi com argumentos tolos a distribuição de rendas de forma mais igualitária. Eu era um membro da esquerda festiva, como tem até hoje. Quando escrevo isto lembro de um amigo que citou outro dia um adágio conhecido: "Antes dos trinta anos quem não foi da esquerda é porque não era inteligente, depois dos trinta quem é da esquerda é porque não tem cérebro". Pura verdade. Pregamos ideologias das mais variadas para serem seguidas pelos outros. A nossa se resume em encontrar uma atividade que dê dinheiro para que possamos viver. 

A democracia, como exemplo, acho muito bonita na casa dos outros, mas na minha casa quem manda sou eu! Quem sabe estejamos vivendo nesse realismo da descrença na verdade, sob a conduta moral de que tudo é manipulação. Penso, todavia, que somos todos iguais num aspecto: queremos apenas um espaço que nos permita trabalhar, ganhar nosso dinheiro e viver cada dia mais confortável. O resto é conversa fiada dessa gente metida a intelectual! Ou dos vadios e parasitas sociais!



22 Abril 2018 08:00:00
Autor: Carlos Homem

A natureza está mesmo cheia dessas coisas ocultas que basta um pouco de sensibilidade para se sentir e ver.

Na minha casa não tinha poço. Água encanada naqueles tempos era coisa de rico. Tínhamos que buscar com baldes nas casas vizinhas a água que consumíamos. Meu pai vivia falando que um dia ia cavar um poço ali pelos fundos. Eu duvidava. Um dia ele chegou em casa trazendo na sua companhia um homenzinho.

Seu "Zé da Forca", como era conhecido, tratava-se de uma criatura esmirradinha, de sorriso fácil e candura cabocla. Nada nele lembrava a imagem estereotipada dos místicos messiânicos ou dos lendários videntes bíblicos. A alcunha "Forca" não tinha nenhuma relação com o ritual suicida. Era apenas uma adaptação popular de forquilha, a ferramenta de trabalho dele. Viera ali para indicar o lugar exato onde devia ser feito o poço.

Menino ainda, já observava aquilo tudo com meus traços de incredulidade. Então, aquele homem pegou uma forquilha de pessegueiro com o formato da letra Y, segurou as duas pontas com as palmas das mãos para cima. Caminhou para um lado e outro com a ponta daquele galho direcionado pra frente até que ele se mexeu. Imaginei que se mexeu, porque não vi nada.

Pensei naquele momento que o homenzinho estava enganando a todos. Mas, como naqueles tempos meu nome de guri era só "cala a boca piá", fiquei quieto. Cavaram o poço no local indicado pelo perito atávico. Acharam mesmo água ali. Só depois de adulto e metido fui pesquisar o fenômeno. Era verdade.

Algumas pessoas possuem uma sensibilidade chamada de radiestesia que lhes permite sentir a energia de alguns elementos da natureza. Inclusive os veios da água subterrânea. Aquele homem tão simples não era um mago, adivinho, nem mensageiro do além.

Era apenas um ser profundamente sensível, apesar de analfabeto, mas capaz de interpretar os sinais que a natureza emite. A natureza está mesmo cheia dessas coisas ocultas que basta um pouco de sensibilidade para se sentir e ver.



15 Abril 2018 08:35:00

 No princípio só fiquei intrigado, depois com medo. Na enorme garagem coletiva do prédio onde guardo meu carro vivo sempre em alerta.

 É um lugar apropriado para atos de furtos ou assaltos. Muitas colunas e nichos diversos que possibilitam alguém por ali ocultar-se. Pois quando vi aquele bicho vir na minha direção, envolto em farrapos, cabelos e barba desgrenhados, sujo, com os olhos inexpressivos de um peixe morto e pupilas dilatadas, meu instinto de proteção despertou. Sim, aquilo não era uma figura humana.

 Era um animal abatido pela perda da autoestima. Segurava um cobertor velho e fedido enrolado nos ombros. Na cabeça, como se fosse um turbante, uma toalha encardida. Uma criatura sofrida que mostrava o corpo e a alma em frangalhos. Pediu-me, mais grunhindo do que falando, uns trocados.



"QUE HUMANIDADE CORROÍDA É ESTA

QUE JOGA NO LIXO SERES VIVENTES? "

 Expelia um mau cheiro horrível. O ser humano sem asseio é, seguramente, o bicho mais catinguento que perambula sobre a terra. Apressei-me, mais por temor do que por sentimento de caridade, em dar-lhe uns minguados. Ele nem escondia o cachimbo do craque pendurado no pescoço. Senti aquela náusea e vontade urgente de sair dali.

 Esses farrapos de gente, que apenas rastejam com as pernas, que perderam toda a identidade, que já nem são, que sobrevivem com a dignidade em pedaços, transformam-se em criaturas repulsivas que nos amedrontam. Perdemos até o sentimento de solidariedade e a vontade de ajudá-los. Preferimos até nem mesmo olhar para eles.

 Exibem uma visão negativa, uma ameaça de que podemos ficar iguais. Então nos protegemos procurando ignorá-los. Estragou meu dia! Não consegui afastá-lo do pensamento. Que humanidade corroída é esta que joga no lixo seres viventes? Como estender a mão para ajudar tais indigentes? Fiquei me punindo pelo sentimento de culpa. Só naquele dia, porém, porque no dia seguinte já o havia esquecido.



07 Abril 2018 12:12:00


(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Então, sem saber como, fui parar num planeta com as mesmas características da Terra. Foi uma surpresa! Tudo diferente.  

Um planeta que se encontra a apenas 4,2 anos-luz daqui. Quer isso dizer que viajando numa velocidade de trezentos mil quilômetros por segundo, levaria apenas 4 anos e 2 meses pra chegar lá. Nem sei calcular uma distância dessas, mas eu estava lá. Daí, logo que cheguei quis dar aquela espiadinha compulsiva no meu celular para ver as últimas mensagens. Não tinha nenhum celular, nem sinal!

Um cara esquisito e feio chegou ali e sem falar me comunicou, por telepatia, que celular era uma coisa ali superada há milênios. Que sujeito besta, pensei! Não, disse ele, não sou besta, vivo num planeta milhões de anos de evolução em relação ao seu planeta terra. Me caiu o queixo! O cara lia até mesmo aquilo que eu pensava. Mas vocês aqui algum dia foram parecidos com os terrestres? Fomos, telepatizou ele.  

Então, como bastava pensar, continuei. Lá de onde vim, sou advogado. Aqui tem isso? Ele riu e me informou com um misto de deboche e ironia. Advogado? Aquilo que antigamente só servia para complicar? Que escrevia páginas e páginas para dizer um "não" e outras tantas para dizer um "sim"? Espera aí, cara! Retruquei. Na Terra somos necessários para que se faça justiça.

Ele deu uma baita gargalhada mental, já que ria sem fazer barulho numa forma estranha. Justiça? Sintonizou ele. Qual justiça? Aquela que um tal de Gilmar Mendes e seus iguais enfiam goela abaixo dos terrestres frouxos e acovardados? Aquela que solta bandido rico? Que pune o policial e idolatra o criminoso? Espera aí... ET atrevido! Mentalizei.  

Vocês também sabem a respeito do Gilmar & Cia? Claro, telegrafou ele. Coisa ruim contamina todo o universo! Daí, continuei: E como vocês fizeram para se livrar dessa espécie de beiçudos? Rindo pra dentro ele encerrou: É melhor nem comentar! Foi quando acordei. 



01 Abril 2018 00:00:00
Autor: Carlos Homem


Viralizou nas redes sociais domésticas, há poucos dias, um vídeo mostrando um dos nossos vereadores jurando fidelidade ao prefeito. Chegou a comparar o chefe do nosso executivo ao Rei Salomão. Vejam só! Na sua tresloucada fala, garantiu que se o prefeito errar, ele erra junto. Pode? Será que ele sabe, ainda que de forma superficial, o que significa a independência dos três poderes? A função fiscalizadora do legislativo? Que um edil, mesmo quando vencido numa controvérsia parlamentar, deve respeitar o princípio da colegialidade?

Tudo muda o tempo. Gosto desta frase do Padre Vieira dita há mais de um século. Uma conclusão óbvia, mas verdadeira. O mundo sempre mudou. Só que agora as coisas mudam muito rapidamente.

Os nossos políticos, agarrados nas facilidades que o poder permite, é que mudaram para pior.

Acomodam-se nas benesses públicas. Vão ser varridos pelo desencanto popular. O povo está na busca do novo e com rejeição da mesmice. Os velhos discursos repletos de clichês, e as mesmas figuras com rótulos desbotados já não cativam ninguém.

As massas estão conectadas. Não ficou nada fácil político enganar os eleitores com aquela conversinha fiada. A disseminação da mentira, embora seja da condição humana, agora é rapidamente anulada. Essas redes sociais são implacáveis. O Brasil quer novidade, quer lideranças novas. Há um sentimento de repulsa pelos conchavos, pelas coligações, pelos acomodamentos dos partidos políticos para garantir a reeleição dos mesmos.

Chega de subserviência. De membros do Poder Legislativo ficarem abanando a cola para o Executivo.

Nestes dias, caciques políticos não enganarão mais ninguém com promessas malufistas na base do "fui eu que fiz".

As mensagens terão que ser outras e novas. Nessa eleição que se próxima vamos ter a chance de mostrar como estamos politizados, tendo maior cautela na escolha dos candidatos.

Mas, voltando ao assunto do início, nosso Prefeito tem mostrado mesmo um ótimo tino administrativo salomônico. Claro, o Rei Salomão, considerado o rei da sabedoria, conseguia administrar setecentas sogras! Já imaginaram?



25 Março 2018 08:00:00
Autor: Carlos Homem

É tão bom sonhar com os olhos abertos

Assumi um compromisso comigo mesmo. Ficar rico! Faz bem mais de cinquenta anos que persigo essa meta. Claro que já estou convencido, depois de tanta luta, que não vencerei essa batalha só com o trabalho.

Quem trabalha não tem tempo para ganhar dinheiro, diz um ditado estúpido. Também não quero correr nenhum risco de optar por rendas ilícitas. Já não tenho mais idade para curtir uma janela quadriculada. Não sou, nem por adesão cômoda, ou encosto, herdeiro de alguma fortuna.

Herdeiro de nada, pra falar a verdade! Esse papo de herdeiro do futuro é conversa fiada. Resta então por fé na sorte. Aposto direto na megasena. A possibilidade é uma entre cinquenta milhões. Mas acredito! É tão bom sonhar com os olhos abertos.

Colecionar dinheiro nunca foi meu forte. Outras coleções, em tempos idos, como aquelas de figurinhas, bolinhas de gude, gibis, selos, até que obtive um certo sucesso. Mas notas de 100 reais são muito raras. Não é nada fácil colecioná-las. Escapam pelos vãos dos dedos da gente, as desgraçadas!

 Fico, amiúde, imaginando se rico tem problemas. Deve ter aos montes. Será que o dinheiro consegue manter os problemas da gente bem longe? Noites mal dormidas, desafios, jornadas intermináveis de trabalho, conflitos familiares, incertezas e medos não são também problemas dos ricos? Pela lógica, acredito que sim.

Pode ser até que, em razão da riqueza, seus problemas sejam mais e maiores. Olhando de fora, tenho a impressão que rico ganha fácil, que não trabalha, que pra ele tudo corre favorável, que todas as portas se abrem de graça. Será? Dizem que a maioria dos ricos sofre da chamada "peniafobia".

Uma doença que se caracteriza pelo medo irracional da pobreza ou de ficar pobre. Quem sofre dessa doença tem tremores, suor frio, dor de cabeça, náuseas, tonturas, síndrome do pânico, etc. Tá louco, cara! Se for pra sofrer desse jeito porque tem dinheiro, melhor seria não tê-lo. Não é verdade?

Mas eu quero ter. E muito! Nem que precise tomar um punhado de sedativos a cada passo. Dinheiro é uma coisa que eu gosto muito! Prefiro sofrer com ele! Vou continuar perseguindo meu compromisso de ficar rico. Muito rico!



18 Março 2018 10:23:00


Não sei bem se é uma visão caolha minha. Mas tenho a nítida impressão de que os estudantes universitários de hoje ainda vivem como adolescentes. Tem alguma coisa fora dos eixos acontecendo nas escolas privadas. Não preparam o aluno para ser adulto.

Escola nenhuma quer saber de dar ao estudante uma formação humanista. A preocupação é com o faturamento. O lugar ocupado pela escola nos exames do Enem ou de alguns vestibulares é que conta ponto. É o motivo de publicidade, de outdoors, de muita divulgação.

Isso é chamarisco para mais alunos, maior faturamento e renda. E os pais participam dessa forma de ensino conteudista. Uma considerável parcela da nossa sociedade ainda tem a crença de que o sucesso dos seus filhos no futuro depende desse tipo de ensino.

Penso aqui na minha limitada interpretação, de que nada adianta termos profissionais com excelente capacidade técnica, mas com deficiente formação humanista. Pois, sendo assim, é evidente que eles não saberão colaborar para que o mundo melhore. Por quê? Por que a vida é vivida sempre em sociedade.  

Não podemos esquecer-nos disso. Mas, que espécie de formação humanista uma escola pode oferecer aos seus alunos? Elementar. Ensinar a exercitar a tolerância, a ter sensibilidade para perceber como suas atitudes podem afetar o colega, a ser respeitoso com as pessoas diferentes daquelas com quem estão acostumados a conviver, a ter compaixão, a ser solidário, entre um monte de outras coisas. Entristeço-me quando observo entre jovens estudantes um clima de isolamento, de individualismo, de egocentrismo.

Não podemos querer para os nossos filhos só o sucesso financeiro e prestígio social. É preciso que eles melhorem este mundo de isolacionismo humano, cada dia mais acentuado.



10 Março 2018 14:15:00

O tempo transforma criminosos em heróis

Fazia já um bom tempo que não via. Um rapaz vestindo uma camiseta com a cara do Che Guevara nela estampada. Aquela famosa foto que imortalizou Alberto Korda, fotógrafo cubano que foi super feliz na captação daquele flagrante histórico.  

Registrou um olhar distante e ensimesmado do revolucionário no momento em que ele se encontrava emcima de um palanque de comício. Fotografia bem tirada é também uma questão de sorte. Não basta só profissionalismo. Nos tempos em que as máquinas ainda tinham filmes eu era um desastre quando me arriscava em bater uma foto. Na revelação sempre aparecia uma imagem desfocada, cortada, tremida, sombreada, o diabo.

Hoje, com tantas facilidades colocadas à minha disposição, como também de todos, me arrisco mais. Tiro uma, dez ou cinquenta. Tá muito fácil. Não precisa nem enquadrar. Uma mirada rápida e clic, clic. Pronto. Virou um passatempo barato. Só não tiro selfie porque acho uma atitude narcisista. Mas não é sobre fotografias que desejo falar. Saí do foco de novo! Quero lembrar do Guevara. Fazem o quê? Cinquenta anos que morreu? Nunca entendi o porque de tanta veneração, em quase todo o mundo, principalmente dos jovens, dedicada a um bandido tão sanguinário.  

O culto ao ódio, a excitação pelo cheiro de sangue, a admiração pelo revolucionário que adorava matar sem piedade. Os fuzilamentos que ele mesmo comandou e os que ordenou, hoje são ostentados como medalhas no peito de um general. Guevara sentia prazer na morte dos seus adversários, que não eram seus inimigos. Os ataques de asma no médico e guerrilheiro argentino o deixavam enfurecido. Matar talvez o acalmasse.

Difícil entender sua sobrevivência como símbolo. Já nem falo de adolescentes retardados que nem conhecem a história de Guevara. Nem dos homossexuais que idolatram um criminoso que os odiava. O que me intriga são os intelectuais que conhecem o currículo de Che Guevara e o canonizam sem qualquer cerimônia. Um desequilíbrio dentro do equilíbrio? O tempo transforma criminosos em heróis. Será que a violência tem uma atração que não sabemos explicar? Seja lá como for, não consigo entender essa idolatria maluca por um criminoso histórico.       


04 Março 2018 10:40:00


(Foto: Divulgação)


Tá bom, me curvo! Não farei mais aquele discurso de que antigamente as coisas eram melhores. Chega de saudosismos!

Não argumentarei mais, de jeito nenhum, que a simples visão de umas pernas cruzadas sob um vestido discreto despertava muito mais desejo que as ver expostas e nuas nestes dias. Nem direi que esses decotes generosos mostrando os seios como laranjas de amostra me deixa sem saber para que lado olhar. Morro de medo que me chamem de tarado, assanhado, indiscreto, secador, essas coisas! Não vou mais achar um absurdo que as meninas destes tempos é que estão bolinando os guris. Só me resta ficar conjeturando! Tenham cuidados! Advertem hoje as mães apreensivas aos filhos imberbes. Estou me convencendo que são coisas normais. A iniciativa deve mesmo ser delas.

Não, não me escandalizarei quando uma menina estiver beijando outra na boca de forma apaixonada. Vou olhar para o outro lado e fingir que não vejo. Afinal, isso é, ou deve ser natural! Quanto a um homem beijando outro já é mais difícil. Derruba toda uma tradição masculina. Agride a minha quadrada, tosca e sucateada formação. Mas não quero ser rotulado de homofóbico. Vou engolir seco! A frescura virou epidemia. Os gays que deviam ser discretos estão afrontando. Quem fica com vergonha é quem não é do ramo.

Ninguém respeita mais ninguém. Estamos com medo de tudo. De falar, de rir, de discordar, de escrever.

Vivemos num elevado grau de insensatez. A questão central é só uma: podemos exigir que o mundo nos compreenda? Acredito até que ser incompreendido tem também suas vantagens.

A maior parte das pessoas têm consciência da sua própria parvice. Daí para serem moderninhas consideram 'muito massa' aquilo que não conseguem compreender. Por isso vou ficar calado daqui para a frente. Que sodomizem os costumes, que ridicularizem o recato, que escancarem e banalizem o sexo, vou achar tudo legal. Aquele discursinho cafona de que 'no meu tempo' era melhor, que havia mais romantismo, não farei mais.

Daqui pra frente homem casar com homem e mulher com mulher não me causará nenhuma espécie. Cada um é dono da sua vida, da sua individualidade, da sua sexualidade, do seu desencanto pela vida. Vou abraçar essas afirmativas e esses chavões hipócritas que estão no domínio do público. Essa baboseira do politicamente correto.

Cultura e inteligência que permaneçam engavetadas e abram espaço para o botox a o silicone.

A aparência é o que importa. Ela é fundamental para disfarçar a burrice de uma geração sem perspectiva. E estúpida!


25 Fevereiro 2018 08:00:00
Autor: Carlos Homem

Só restava aceitar o seu jeitão de sangue doce que todo malandro tem

O folgado entrava sempre quando a aula já havia começado. Muitas vezes até mesmo no meio delas. Nunca trazia um livro consigo. Sequer uma folha de caderno mal arrancada. Nem um toco de lápis, pra não falar de caneta o malandro levava. Cabulava também com muita frequência. Como professor marquei a figura. Fiz um "X" na testa dele. Fiquei aguardando o dia da primeira prova mensal.

Queria dar, como sempre dei, uma atenção toda especial para a dele. Minha intenção era fazê-lo ver que a coisa não podia ser assim tão flauteada. Não lhe cabia o direito de ser tão displicente. Chegou a oportunidade! Durante a prova fiquei disfarçadamente o tempo todo de olho naquela figura. Mas não vi nada. Abaixou a cabeça e mandou ver. Nem olhava para os lados. Terminou antes que todos.

Quando saiu da sala, peguei a prova e dei uma corrida rápida de olhos sobre ela. Estava, à primeira vista, quase que inteiramente correta! Que diabos, pensei! Esse desgraçado é mais ligeiro do que imagino. Deve ter uma técnica toda especial para colar.

Em casa, enquanto corrigia, não tive como não lhe dar um nove. Foi uma das melhores notas daquela prova. E ele continuou folgado. No segundo mês, no momento em que acabei de entregar as folhas da prova mensal, devagarinho fui caminhando pela sala e me postei próximo das costas dele. Hoje não me escapa! Cuidei até para ver se não havia algum ponto eletrônico nas suas orelhas.

Pois não vi nada de novo. Escreveu fluentemente, parecendo até estar com pressa, alheio a tudo e a todos, terminou entre os primeiros, levantou, colocou a folha sobre a mesa, e se mandou. Outra nota excelente. E assim foi todo o semestre. Eu, da fase do espanto passei para a da admiração e desta para a da inveja. Ele era assim mesmo. Aquilo era dele. Estava credenciado para ser indolente. Só restava aceitar o seu jeitão de sangue doce que todo malandro tem, e a sua invejável inteligência. Seria um bom advogado. Apostei naquilo. Tinha uma memória atrevida, ágil e assimiladora. Um rapaz na dianteira dos seus colegas.

Muita vez penso eu, olhamos na maioria do tempo para aquilo que aparece na superfície das pessoas sem jamais compreendermos que nas suas profundezas existem capacidades e aptidões extraordinárias. Na minha experiência como professor no curso de Direito, aquele acadêmico me marcou. Nunca cheguei a compreendê-lo bem. Até mesmo pelo seu recato. Talvez fosse um impulso inconsciente de lealdade, ou a satisfação de uma dessas necessidades irônicas que se escondem nos fatos da existência humana.



18 Fevereiro 2018 09:00:00


Frei Eliseu, de quem sou amigo, está próximo dos seus 92 anos. Liga-me de vez em quando. Com tal longeva vida, é invejável a lucidez e a agilidade do seu raciocínio. Semana passada disse-me pelo telefone que ainda tem a esperança de me ver convertido.Manifestou-me o seu desejo de que eu, a exemplo de Paulo, o ApóstoIo, descubra uma fé para nortear minha vida. Achei graça! Respeito a imensidão da sua crença como ele respeita a inexistência das minhas.

Querer acreditar é também uma opção de vida que não busco. Com humor retruquei ao meu amigo sacerdote que para minha conversão seriam necessários dois acontecimentos iguais aos de Saulo de Tarso, antes dele virar Paulo: Cair do cavalo e percorrer a estrada para Damasco. Brinquei com ele. Não sei montar e não tenho vontade de conhecer a capital da Síria. Ainda mais nestes dias! Depois daquela conversa fiquei encasquetando umas coisinhas malucas: E se eu fizesse meditação? Uma meditação transcendental. Daquelas que faz derreter egos e superegos. Mas logo eu? Sou do tipo que arrumo encrenca porque debocho da homeopatia, dos trololós esotéricos, das simpatias e sortilégios.

Eu? Que tiro sarro desses videntes, astrólogos, quiromantes, e outros embusteiros? Que me rolo de rir "das coisas feitas", dos "olhos gordos", dos "maus olhados", dos "agouros" das "pragas de putas", dos "milagreiros televisivos". Mas religião não tem nada a ver com isso tudo. Não? Qualquer crença que resolva, ou prometa resolver nossa inhaca espiritual ou conflitos interiores não é religião? Então, quem sabe, a alternativa está na meditação. Esta sim não é religião. Não precisa ter fé, nem reza, nem incenso.

Daí, vou sentar sobre as minhas pernas dobradas, arrumar as mãos como se estivesse orando, mesmo que doa o cóccix, e ficar por horas pensando só em coisas boas como se fora um Buda magro, versão curitibanense. Embora já seja careca, não vou ficar pelado e me enrolar numa manta amarela. Daí também já seria demais!Dizem que o ideal é não pensarem nada, ficar naquele transe que denominam de "zen". Mas não vai ser fácil ficar sem lembrar do saldo negativo do banco, dos boletos vencidos, do IPTU que aumentou, dos talões de água e luz. Não tem "zen" que pague essas desgraceiras todas!

Aí, depois de trinta minutos em estado de relaxamento, como se fosse num sono profundo, vou despertar calmo, aliviado, pronto para me azucrinar de novo até a próxima sessão. Sei, sei que buscar um sentido para a vida com tais pensamentos me faz um idiota e imbecil. Porém garanto. Posso montar num porco, mas não caio de cavalo!



11 Fevereiro 2018 09:10:36

Mensagens lindas, filosofias perfeitas, exemplos edificantes de vidas, frases lapidares, ensinamentos profundos, lições de auto ajuda, religiões que confortam, orientações para uma alimentação correta, formas e exercícios para dores disto ou daquilo, dietas das mais esdrúxulas, remédios e receitas caseiras que não têm fim.  

Recebemos isso tudo pelo WhatsApp, Facebook, televisão e outras vias eletrônicas a todo o momento. Só que após apertar o botãzinho do "tá visto", não se aproveita nada na quase totalidade das vezes. Achamos legal, mas não usamos nem seguimos nada. No dia seguinte já nem lembramos. Esquecemos voluntariamente. No máximo enviamos aos amigos dizendo "veja que legal"! Algumas pessoas tentam seguir esta ou aquela dica, fazer uma ou outra dieta, praticar uma modalidade ou outra de exercícios. Mas é fogo de palha! Ninguém tem persistência.

Somos todos, por natureza, uma espécie de animal acomodada. Tudo que depender de esforço ou determinação deixamos para depois. Que se dane o médico quando nos orienta a não comer muita carne à noite. Quem pode resistir uma costela pingando gordura na brasa? Pouco importa se a cerveja engorda e deixa barrigudo. Como não tomar uma cervejinha gelada numa roda de amigos? Ou num dia de calor? Ou umas doses mais etílicas num baile? O álcool é um desinibidor apelativo para muitas coisas. Então, num mundo que tudo converge para se viver curtindo o aqui e o agora, quem vai lembrar das mensagens recebidas? Daí, protelamos tudo para segunda-feira.

Juramos que a partir da segunda-feira vamos caminhar todo dia pelo menos meia hora. Porém, fica tudo na intenção. Por isso que a obesidade é a regra geral e os consultórios estão sempre cheios. Temos plena consciência de que a forma como levamos a vida está cheia de erros, que pode ser fatal. Mas e daí? A desculpa é sempre a mesma: temos que aproveitar a vida enquanto dá! Se no domingo posso dormir mais, por que vou perder tempo indo na missa para rezar? E nos cultos então, onde só pedem dinheiro? Será que a vida daqueles que escrevem livros de auto ajuda, dando fórmulas para ficar rico de uma hora para outra, para ser eficiente no trabalho e tolerante com o chefe, é mesmo como ensinam? Imaginar procedimentos eficientes é bem diferente de praticá-los.

Vivemos em pecado. Essa é a verdade. Alheios a tudo que nos exija dedicação e trabalho. Queremos só aquilo que nos dá prazer. Na verdade, não há como evitar os pecados da gula, da ganância, da preguiça, da luxúria. O que a vida tem mesmo de bom é o pecado! O pecado é doce! Não se consegue viver sem ele!



04 Fevereiro 2018 13:38:00


(Foto: Divulgação)


Tá me assaltando uma dúvida. É aquela famosa pulguinha atrás da orelha! Será mesmo que o Lula vai pro xilindró? Justiça neste país, infelizmente, não é muito eficiente contra peixe graúdo. Os ilustres Ministros do Supremo ouve-se comentários, vão achar aquele "jeitinho brasileiro" (também é corrupção), pra livrar o Lula. Vão desmoralizar o juiz Sérgio Moro, e com ele os três Desembargadores do TRF-4.

Vai ser de aumentar o nojo! Então, me perdoem, mas quero ir embora.

Vou morar na Bolívia. Aqui, neste país onde um tal de João Pedro Stedile, líder do MST Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, tem o desplante e o atrevimento de dizer que se prenderem o Lula ele bota seu exército na rua, que chama um juiz de "merdinha" e de "bundão" e ninguém faz nada, é porque não existe mais nenhuma autoridade. Nem ordem! Desculpem-me, vou morar um pouco mais longe. Vou me mudar para a Venezuela! Neste Brasil onde uma senadora (Gleise Hogffmann), acusada e respondendo processo junto com seu marido por afundarem as mãos nos cofres públicos, chama sob céu aberto o juiz Sergio Moro de covarde e nada acontece com ela, nada mais podemos esperar.

Vou-me embora para mais longe, vou pra Cuba! Numa nação onde um senador (Lindbergh Farias) convoca a população para uma rebelião com "desobediência civil" para defender seu aiatolá petista, sugerindo vomitar na frente do Tribunal e não se nota nenhuma reação de autoridades, é porque estamos mortos. Vou-me embora. Pra bem mais longe. Vou para a Coréia do Norte. Não quero nem saber! Nesta terra descoberta por Cabral, onde um indivíduo chamado Guilherme Boulos, coordenador do MTST (sem tetos) tem a arrogância de convocar desocupados para "tomarem as ruas" numa demonstração de apoio ao seu pai político, não dá pra aceitar.

 E o malandro quer ser candidato à Presidência da República! Vou-me embora para mais longe ainda. Vou residir no Zimbábue ou na Tailândia! Mas, dirão alguns poucos que me leem, esses países todos estão sob regime ditatorial. E daí? Pelo menos se lá não posso abrir o bico, esses vagabundos aí de cima também não! Em nenhum desses países aí vou ver uma guerra urbana como a do Rio de Janeiro, comandada por bandidos e traficantes diante de um governo desarmado, tolerante e indeciso. Nem passeatas com bandeiras vermelhas feitas por vadios, parasitas, e protestantes de aluguel!



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