Curitibanos,
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18 Fevereiro 2018 09:00:00


Frei Eliseu, de quem sou amigo, está próximo dos seus 92 anos. Liga-me de vez em quando. Com tal longeva vida, é invejável a lucidez e a agilidade do seu raciocínio. Semana passada disse-me pelo telefone que ainda tem a esperança de me ver convertido.Manifestou-me o seu desejo de que eu, a exemplo de Paulo, o ApóstoIo, descubra uma fé para nortear minha vida. Achei graça! Respeito a imensidão da sua crença como ele respeita a inexistência das minhas.

Querer acreditar é também uma opção de vida que não busco. Com humor retruquei ao meu amigo sacerdote que para minha conversão seriam necessários dois acontecimentos iguais aos de Saulo de Tarso, antes dele virar Paulo: Cair do cavalo e percorrer a estrada para Damasco. Brinquei com ele. Não sei montar e não tenho vontade de conhecer a capital da Síria. Ainda mais nestes dias! Depois daquela conversa fiquei encasquetando umas coisinhas malucas: E se eu fizesse meditação? Uma meditação transcendental. Daquelas que faz derreter egos e superegos. Mas logo eu? Sou do tipo que arrumo encrenca porque debocho da homeopatia, dos trololós esotéricos, das simpatias e sortilégios.

Eu? Que tiro sarro desses videntes, astrólogos, quiromantes, e outros embusteiros? Que me rolo de rir "das coisas feitas", dos "olhos gordos", dos "maus olhados", dos "agouros" das "pragas de putas", dos "milagreiros televisivos". Mas religião não tem nada a ver com isso tudo. Não? Qualquer crença que resolva, ou prometa resolver nossa inhaca espiritual ou conflitos interiores não é religião? Então, quem sabe, a alternativa está na meditação. Esta sim não é religião. Não precisa ter fé, nem reza, nem incenso.

Daí, vou sentar sobre as minhas pernas dobradas, arrumar as mãos como se estivesse orando, mesmo que doa o cóccix, e ficar por horas pensando só em coisas boas como se fora um Buda magro, versão curitibanense. Embora já seja careca, não vou ficar pelado e me enrolar numa manta amarela. Daí também já seria demais!Dizem que o ideal é não pensarem nada, ficar naquele transe que denominam de "zen". Mas não vai ser fácil ficar sem lembrar do saldo negativo do banco, dos boletos vencidos, do IPTU que aumentou, dos talões de água e luz. Não tem "zen" que pague essas desgraceiras todas!

Aí, depois de trinta minutos em estado de relaxamento, como se fosse num sono profundo, vou despertar calmo, aliviado, pronto para me azucrinar de novo até a próxima sessão. Sei, sei que buscar um sentido para a vida com tais pensamentos me faz um idiota e imbecil. Porém garanto. Posso montar num porco, mas não caio de cavalo!



11 Fevereiro 2018 09:10:36

Mensagens lindas, filosofias perfeitas, exemplos edificantes de vidas, frases lapidares, ensinamentos profundos, lições de auto ajuda, religiões que confortam, orientações para uma alimentação correta, formas e exercícios para dores disto ou daquilo, dietas das mais esdrúxulas, remédios e receitas caseiras que não têm fim.  

Recebemos isso tudo pelo WhatsApp, Facebook, televisão e outras vias eletrônicas a todo o momento. Só que após apertar o botãzinho do "tá visto", não se aproveita nada na quase totalidade das vezes. Achamos legal, mas não usamos nem seguimos nada. No dia seguinte já nem lembramos. Esquecemos voluntariamente. No máximo enviamos aos amigos dizendo "veja que legal"! Algumas pessoas tentam seguir esta ou aquela dica, fazer uma ou outra dieta, praticar uma modalidade ou outra de exercícios. Mas é fogo de palha! Ninguém tem persistência.

Somos todos, por natureza, uma espécie de animal acomodada. Tudo que depender de esforço ou determinação deixamos para depois. Que se dane o médico quando nos orienta a não comer muita carne à noite. Quem pode resistir uma costela pingando gordura na brasa? Pouco importa se a cerveja engorda e deixa barrigudo. Como não tomar uma cervejinha gelada numa roda de amigos? Ou num dia de calor? Ou umas doses mais etílicas num baile? O álcool é um desinibidor apelativo para muitas coisas. Então, num mundo que tudo converge para se viver curtindo o aqui e o agora, quem vai lembrar das mensagens recebidas? Daí, protelamos tudo para segunda-feira.

Juramos que a partir da segunda-feira vamos caminhar todo dia pelo menos meia hora. Porém, fica tudo na intenção. Por isso que a obesidade é a regra geral e os consultórios estão sempre cheios. Temos plena consciência de que a forma como levamos a vida está cheia de erros, que pode ser fatal. Mas e daí? A desculpa é sempre a mesma: temos que aproveitar a vida enquanto dá! Se no domingo posso dormir mais, por que vou perder tempo indo na missa para rezar? E nos cultos então, onde só pedem dinheiro? Será que a vida daqueles que escrevem livros de auto ajuda, dando fórmulas para ficar rico de uma hora para outra, para ser eficiente no trabalho e tolerante com o chefe, é mesmo como ensinam? Imaginar procedimentos eficientes é bem diferente de praticá-los.

Vivemos em pecado. Essa é a verdade. Alheios a tudo que nos exija dedicação e trabalho. Queremos só aquilo que nos dá prazer. Na verdade, não há como evitar os pecados da gula, da ganância, da preguiça, da luxúria. O que a vida tem mesmo de bom é o pecado! O pecado é doce! Não se consegue viver sem ele!



04 Fevereiro 2018 13:38:00


(Foto: Divulgação)


Tá me assaltando uma dúvida. É aquela famosa pulguinha atrás da orelha! Será mesmo que o Lula vai pro xilindró? Justiça neste país, infelizmente, não é muito eficiente contra peixe graúdo. Os ilustres Ministros do Supremo ouve-se comentários, vão achar aquele "jeitinho brasileiro" (também é corrupção), pra livrar o Lula. Vão desmoralizar o juiz Sérgio Moro, e com ele os três Desembargadores do TRF-4.

Vai ser de aumentar o nojo! Então, me perdoem, mas quero ir embora.

Vou morar na Bolívia. Aqui, neste país onde um tal de João Pedro Stedile, líder do MST Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, tem o desplante e o atrevimento de dizer que se prenderem o Lula ele bota seu exército na rua, que chama um juiz de "merdinha" e de "bundão" e ninguém faz nada, é porque não existe mais nenhuma autoridade. Nem ordem! Desculpem-me, vou morar um pouco mais longe. Vou me mudar para a Venezuela! Neste Brasil onde uma senadora (Gleise Hogffmann), acusada e respondendo processo junto com seu marido por afundarem as mãos nos cofres públicos, chama sob céu aberto o juiz Sergio Moro de covarde e nada acontece com ela, nada mais podemos esperar.

Vou-me embora para mais longe, vou pra Cuba! Numa nação onde um senador (Lindbergh Farias) convoca a população para uma rebelião com "desobediência civil" para defender seu aiatolá petista, sugerindo vomitar na frente do Tribunal e não se nota nenhuma reação de autoridades, é porque estamos mortos. Vou-me embora. Pra bem mais longe. Vou para a Coréia do Norte. Não quero nem saber! Nesta terra descoberta por Cabral, onde um indivíduo chamado Guilherme Boulos, coordenador do MTST (sem tetos) tem a arrogância de convocar desocupados para "tomarem as ruas" numa demonstração de apoio ao seu pai político, não dá pra aceitar.

 E o malandro quer ser candidato à Presidência da República! Vou-me embora para mais longe ainda. Vou residir no Zimbábue ou na Tailândia! Mas, dirão alguns poucos que me leem, esses países todos estão sob regime ditatorial. E daí? Pelo menos se lá não posso abrir o bico, esses vagabundos aí de cima também não! Em nenhum desses países aí vou ver uma guerra urbana como a do Rio de Janeiro, comandada por bandidos e traficantes diante de um governo desarmado, tolerante e indeciso. Nem passeatas com bandeiras vermelhas feitas por vadios, parasitas, e protestantes de aluguel!



28 Janeiro 2018 09:31:00
Autor: Carlos Homem

Se eu pudesse, convenceria nossos governantes que o problema deste país é só a falta de educação


(Foto: Divulgação)/


Se eu pudesse, neste ano, não permitiria que nenhum político que já é, seja de novo; se eu pudesse, mostraria para todos que aplicar a justiça aos poderosos não é nenhuma perseguição; se eu pudesse, exigiria mais canto e voz da Anitta do que exibição do seu corpo e do seu apelo à lascívia com esnobação da bunda; se eu pudesse, optar entre a voz do PablloVittar e o latido do meu cachorro, seria óbvia a minha escolha; se eu pudesse voltar no tempo, aconselharia Cabral (o do descobrimento) a mudar de rota; se eu pudesse, colocaria atrás das grades todos esses pseudos pastores picaretas da mídia.

Se eu pudesse voltaria o tempo em que o pai mandava no filho, professor, no aluno, polícia, no bandido, patrão, no empregado, contribuinte no funcionário; se eu pudesse, obrigaria os bancos a ter pelo menos dez caixas nos dias de pique; se eu pudesse, acabaria com a preferência dos idosos e das grávidas, porque velhice não é incapacidade, nem gravidez é doença; se eu pudesse, mudaria a cor da febre amarela para a vermelha com estrelinha e tudo, já que a bagunça continua assemelhada.

Se eu pudesse, diria ao Luciano Huck que a nação brasileira não é picadeiro de circo e que ele se contente com a Angélica que já tá de bom tamanho; se eu pudesse, editaria a lei da ficha suja, porque com ficha limpa não vai aparecer ninguém pra ser candidato; se eu pudesse, reduziria pra sete ou cinco o número dos nossos vereadores, porque treze é um absurdo; se eu pudesse, convenceria nossos governantes que o problema deste país é só a falta de educação; se eu pudesse... Ha! Se eu pudesse... desmancharia pelo menos a metade das lombadas das nossas ruas;.

Se eu pudesse, ensinaria os estudantes a desfilarem em linha reta (elementar), sem necessidade de pintar um trilho branco como guia no leito das ruas; se eu pudesse (estou plagiando), obrigaria vacinar os macacos contra a febre amarela evitando correria e pânico dos humanos; se eu pudesse, proibiria alguns amigos de falar das pessoas, mas permitiria que falassem sobre as pessoas; se eu pudesse, reduziria a idade penal para quatorze anos, pois quem nessa idade sabe fazer filhos já pode ser responsabilizado pela prática de crime. Por derradeiro, se eu pudesse, daria uma festa para os três Desembargadores da 8ª Turma do TRF4!



21 Janeiro 2018 10:03:00

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(Foto: Ilustração/Divulgação)

Tem gente defendendo relacionamento aberto, tem um monte de gente patrocinando a causa ou direitos de garotos e garotas de programa, gays, trans, homossexuais, mães solteiras, polivalentes, hermafroditas, entendidos, assexuados, homoafetivos, indefinidos e indecisos em geral. Mas afinal de contas, o que é que temos com isso? O que fazem ou deixam de fazer essa gente com seus corpos não é problema nosso. Ou é? Que mania é essa de ficarmos incomodados com a maneira de ser e das preferências dos outros?  

Se os humanos moderninhos destes dias se sentem felizes com sua sexualidade, praticando-a na horizontal ou vertical, na tradicional ou multifacetada, é opção privativa. Agora, que tá virado numa zona esse "andaço", tá! Para cada dez mensagens recebidas nas redes sociais, nove são de sacanagem. Mas, temos que calar a boca! Qualquer inconformismo com os exageros praticados podemos ser enquadrados como caretas, homofóbicos, discriminadores.

"ESTAMOS, NA VERDADE, PERDIDOS E INDIFERENTES"

O "direito das minorias" é um tribunal em pleno vigor e corremos o risco dele nos queimar numa fogueira! Liberou geral, como dizem. Os mais idosos, conservadores, se escandalizam: "Uma pouca vergonha", resmungam. Que tempos em que vivemos? Homem tem medo de dizer que é macho e mulher tá com vergonha de ser feminina. Os filhos, quem sabe, em razão do pai ser muitas vezes autoritário e mãe submissa, resolvem afrontar tudo e a todos, com atos comportamentais que fogem do natural. Escandalizam! Querem ser diferentes, livres. Mas, queiramos ou não, nos sentimos agredidos. Causa desconforto para a moral que nos foi incubada pelas religiões, e estas, seculares, superadas, mercenárias, prescritas e caolhas, estão sempre ameaçando os costumes com essa bobagem do castigo eterno.  

Estamos, na verdade, perdidos e indiferentes. "Cada um faça o que quiser!". É um lema que solapa as bases de qualquer tentativa de se por o trem da intimidade nos trilhos. Como efeito prático desse lema, as questões familiares estão cada vez mais solicitando a proteção do juiz ou mesmo do médico, porque os pais, vencidos, já não possuem nenhuma autoridade dentro de casa. Para onde estamos indo? A sexualidade divorciada da afetividade, a confusão entre sexo e gênero, a recusa do dado parental, o império da subjetividade, o domínio da publicidade pornográfica na mídia, a promiscuidade nas relações sexuais, a precocidade das crianças em imitar os adultos. Tudo conduz para a banalização do sexo!



14 Janeiro 2018 08:22:00

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(FOTO: DIVULGAÇÃO)


Um, entre os meus centenas de milhares de leitores, gostando da crônica que escrevi sob o título de proprietário rural, sugeriu-me outra daquele gênero. Apontou o pedreiro como mote. Então vamos lá: Você, meu amigo, que perde tempo lendo estas minhas bobagens, com certeza já fez alguma reforma em sua casa. Ainda que pequena, mas fez.    

Um ritual macabro. Um exercício de paciência e assumida tolice. Ninguém escapa da grande maioria dos prestadores de serviços avulsos, em especial do pedreiro. Começa com um orçamento que não chega nem perto da verdade. Eles simulam uma previsão bem pequena sabendo que não vai ser possível. Apenas engatam o trouxa. "Se vai custar tão pouco, então vou fazer", pensamos. Depois de fisgado, com o anzol no céu da boca, e com a obra em andamento, não tem como escapar. Um inferno!

Daí surgem os pedidos constantes de adiantamentos. Uma hora é porque a mulher tá doente, outra porque tem que pagar a pensão atrasada, outra mais porque um parente próximo foi vítima de acidente. E o serviço não anda. Se você, na boa fé, cai na besteira de adiantar, de pouco em pouco, mais de 50% daquilo que foi tratado, tá lascado! O desgraçado já começa a gazetear. Some. Você tem que correr atrás do amaldiçoado! Muitas vezes eles já pegam outras empreitadas paralelas, onde conseguem fazer vales mais gordos como entrada. Laçam outro bocó! E lá vêm as justificativas do fedapata:

Que se perdeu no preço, que aquilo que estava fazendo não foi tratado, que sem mais dinheiro por conta não consegue manter a família. Tudo igual! A vontade da gente é decapitar o morfético. E ficam atrevidos! Forçam a barra pra gente perder a paciência e brigar. Pronto. É o que eles querem. Se fazem de ofendidos e não cumprem mais o combinado. Abandonam a obra. O que fazer então? Nada. Os sem-vergonhas ameaçam com ação trabalhista e o diabo a quatro. O pior é que entre a palavra desses morcegos e a da gente, sempre presumem que a verdade é dele.

O coitadinho sempre tem razão! Tá virado numa zorra este país com essa frescura de garantir os direitos das minorias, quando na verdade os velhacos é que são a maioria. A solução melhor, nesses momentos, é dizer pros malandros que metam o dinheiro que nos tomaram, bem enrolado e bem vasilinado, naquele sítio que ele sabem muito bem qual é.



07 Janeiro 2018 17:35:00

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Pois bem. Nestes dias de Lava-Jato onde se investigam falcatruas de todos os lados, cometidas por gente graúda, por cautela, vou desde já confessar meus delitos. Uma auto-delação de quem é apenas um mortal comum. Se vai ser premiada não sei. Daí, quando eu tinha dezesseis anos cometi o crime de falsidade ideológica adulterando minha idade. Isso na Carteirinha de Estudante.

Passei a ter dezoito anos e entrar nos cinemas para assistir filmes proibidos. Imaginem! Naqueles tempos havia filme impróprio, hoje todos os impróprios hediondos estão no celular à disposição das crianças. Mas eu também furtava muito. Não podia ver um pé de caqui no vizinho. Invadia a propriedade e enchia a camisa, fazendo dela uma sacola. Uva então, nem se fala! Gibis dos passageiros deixados nos bancos do trem eu aliviava geral.  

Tinha pilhas de gibis: Zorro, Capitão Marvel, Fantasma (este era o que eu mais gostava), Roy Rogers, Hopalong Cassidy, Mandrake, e outros. No meu primeiro trabalho, ainda adolescente, como empalhador de cadeiras, eu saía da minha seção e ia surrupiar umas voltas de linguiça na do lado. Como eram gostosas depois de cozidas numa lata de banha usada e no fogo do setor de barricas. Um cúmplice meu aperfeiçoou a atração pelo alheio. Ficava de tocaia na esquina esperando o padeiro da carrocinha entrar nos bares entregando o pão e com agilidade de um gato pegava duas ou três bisnagas. Pão de padeiro com linguiça cozida! Que saudade!

Não tem Lava-Jato que possa entender a gula de um adolescente.

Entrar de ratão nos circos já era preciso maior audácia. Mas o misere forçava a mim e aos meus amigos achar o jeito.  

Sempre tinha uma forma de enganar a vigilância. Naqueles dias as meninas não eram tão assanhadas, e não havia celular para a gente se espichar. Aliás, o sexo não era assim tão fácil e explicito. Um dia furtei, com um pouco mais de atrevimento, um litro de uísque. Meu pai depois de me humilhar levando-me pendurado pelas orelhas e fazendo-me devolver o produto, ainda me lanhou as paletas com um rebenque. Foi de passar salmoura no lombo! Mas já o perdoei! Por isso entendo hoje esses delitos sociais e impunes.

Mulher que não está grávida furando a fila, velho que não tem sessenta anos pedindo atendimento prioritário, penso que são coisas piores do que aquelas que cometi. Sim, porque estas são cometidas por adultos. Os chamados espertos, que gostam de levar vantagem.            



10 Dezembro 2017 11:18:00

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(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Em toda divergência ou conflito entre pessoas há sempre três versões. Uma para cada um dos divergentes, e a terceira, que seria a verdade, nunca vai se saber. Pois nos processos judiciais são quatro. Não arredo pé desta minha convicção.


Uma é a história do Requerente na inicial, outra é a do Requerido na defesa, e a terceira do Juiz na sentença. A quarta, ou seja, a verdade absoluta dos fatos, permanecerá oculta. Conto, ao sabor desta crença, um caso verídico.  


Fui defensor de um homicida, faz já muitos anos. Ele havia matado, com um único tiro, um desafeto seu, durante uma luta corporal onde reciprocamente se agrediam. O fato ocorreu no lugar denominado de Painel, comarca de Lages. O laudo médico pericial no processo informava que o projétil da arma tinha tido como orifício de entrada o lado esquerdo do pescoço, rente ao osso da clavícula, e de saída logo abaixo do umbigo.

 A bala transfixara todo o tronco da vítima, de cima para baixo. As testemunhas todas apenas informavam que ouviram um tiro enquanto acusado e vítima estavam agarrados, sem precisarem maiores detalhes. Me agarrei naquilo.

O réu, no seu depoimento disse que ao dar com o lado do revólver na cabeça da vítima, enquanto agarrados, a arma disparou. Claro que 'alguém' deve tê-lo instruído pra contar daquela forma. Me agarrei naquilo. Se não teve a intenção de atirar, não queria matar, mas defender-se. O homicídio não seria doloso.

Durante o júri, o Promotor de Justiça, um profissional aguerrido, já na réplica, valeu-se de todos os argumentos para destruir minha tese. Foi em vão. O meu cliente foi absolvido. Quando vi a decisão dos jurados imediatamente saí da sala e fui dar a boa notícia para o réu. Ele estava pilchado com rigor, calçando botas de cano longo e fino. Fora vestido para uma festa!

Ao me aproximar dele falei: - Olha companheiro, você foi absolvido. Terminou. Agora me conte certo como aquele tiro foi dado de cima para baixo? Ele esboçou um sorriso debochado e me olhando atrevido disse: "Vocês estão todos por fora, doutor! Eu "encepei" aquele desgraçado de baixo para cima. Me joguei no chão e mandei bala!". Então compreendi.

O médico que fez a necropsia havia se equivocado. Inverteu a entrada e saída da bala. A verdade, a verdade verdadeira (com perdão da redundância) estava oculta. Livrou o meu constituinte bandido da cadeia!



26 Novembro 2017 19:19:00
Autor: Carlos Homem

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(Foto: Divulgação)

Conheci um menino craque. Habilidoso mesmo! Precoce do futebol! Salvo a ausência dos requisitos da experiência e do preparo profissional, ele havia nascido com jeito para a coisa.

Jogar futebol não é para todos os que querem, mas para os poucos que nascem com o dom. Ginga de corpo, pirraça nos dribles, elegância no domínio da bola, visão antecipada da jogada, conduzir e chutar com os dois pés são atributos natos, nunca adquiridos. Aquele menino nasceu com tudo isso. Ele tinha quinze anos quando o conheci. 

 Aquela idade onde o adolescente vive um misto de insegurança e atrevimento ao mesmo tempo. Pensa que sabe tudo, mas não sabe absolutamente nada. Tolos é que são! Era um menino negro e pobre. A raça negra tem mesmo essa facilidade para o esporte. Trazem no gene.  

Foi preciso um atleta negro nas olimpíadas de 1936, realizada na Alemanha,

para provar ao Hitler, todo poderoso e racista, que a supremacia

da raça ariana não passava de uma farsa.

Foram quatro medalhas de ouro faturadas pelo herói, humilhando o ditador. Pois o moleque de quem lembro, logo, logo, foi encaminhado para uma divisão de base de um clube famoso. 

Ele passou a fazer parte de uma minoria eleita para ter sucesso sem necessitar de uma educação formal. Seus modos grosseiros e uma cultura mínima não lhe faziam falta, até então. Teve naquele esporte, relativo e meteórico sucesso. Mas a vida tem suas ironias diárias.  

Não são todos os meninos bons de bola que conseguem chegar ao futebol profissional. Então, por razões que desconheço, ele ficou pelas bordas dos times grandes, caiu para clubes menores e acabou em timecos do interior.  

A desilusão tomou conta dele. A fama, seja no futebol, na música, nas artes, ou em qualquer atividade humana é um funil por onde poucos passam. Por mera coincidência encontrei-o muitos anos depois de tê-lo conhecido. Estava gordo, inchado pela bebida, os olhos tristes.  

Na face estampava o amargor da derrota. Trazia na alma o peso do fracasso. Aquele garoto cheio de alegria e vontade de viver tinha sido vitimado pela ilusão. O caminho para vencer na vida de forma fácil e sem trabalho é lotérico. Poucos são os que conseguem. Mas são muitos os que ficam pela estrada!


18 Novembro 2017 23:00:00

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(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Na região Sul do país todos me conhecem. Faço-me mais presente no Inverno. Depois me esquecem por uns tempos. Quando digo meu nome "Pin", imediatamente vem a pergunta: De origem chinesa? Não, sou brasileiro legítimo, respondo. Mais brasileiro do que nossos índios! Meu sobrenome é "Heiro".  

Esquisito, não é? Pin Heiro é meu nome todo. Minha família não veio de nenhuma parte do mundo, nasceu aqui. Minha árvore genealógica, assim como minha estrutura mesmo, é uma mistura curiosa. Meus antepassados, por parte de pai eram dos araucas, e por parte de mãe dos riáceas. Formaram o tronco das araucariáceas. Mais conhecida por araucária brasileira. Depois, com os cruzamentos normais de toda a espécie viva, o casamento dos angusti com os fólia, acabou por formar as angustifólias.

Razão exata de algumas das minhas partes serem tão diferentes, assim como são minhas folhas. Quando jovem tenho o formato de um cone, já adulto pareço com uma taça. Família conhecidíssima a minha! Araucária angustifólia! Nome que não só parece nobre, sou nobre! Deixei milhares de pessoas ricas onde habitei com maior densidade.


A maioria delas abandonou o lugar onde eu vicejava depois de me explorarem sem qualquer critério, ou piedade.


Era tão grande minha população que pensaram que nunca me extinguiriam. Fui serrado, queimado, vendido, exportado, destruído. Estive no centro, e fui a causa de grandes conflitos sociais como também de questões judiciais. Nunca porque tivessem interesse na minha preservação, mas sempre para terem o direito de me derrubar.

Minha madeira foi desejada por todos os países durante décadas. Agora sou uma espécie rara. Minha semente está valendo mais do que o meu tronco. Muitos ainda confundem a pinha, que é o meu fruto, com o pinhão, que é a minha semente. Com o surgimento de organizações preocupadas com a ecologia, e dentro delas com a conservação das matas, não fui totalmente eliminado. Apareceram leis que pretendem me proteger.

Com o valor nutritivo, energético, e muito apreciado da minha semente, somados ao preço alcançado no mercado, estou mais uma vez ameaçado. Derrubam meus frutos e minhas sementes ainda verdes. Não respeitam sequer as épocas da minha maturação natural. Quebram meus galhos, arrancam minhas acículas. Multiplicam-se os mercadores repetindo um velho ritual que já conheço. Sou milenar e já vi quase tudo, por isso ainda tenho a esperança que respeitem o meu direito de viver.



12 Novembro 2017 17:26:00
Autor: Carlos Homem

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Até que ponto a franqueza e a espontaneidade podem ser manifestadas? Será indelicado dizer-se exatamente aquilo que se pensa? É falta de educação quando externamos opinião sincera, ainda que desagrade?

Quando jovem briguei muito com minha mãe por esse motivo. Logo eu que nunca fui sutil. Ela não queria nem saber. Dizia sem floreios aquilo que pensava. Numa ocasião, num jantar que meu irmão ofereceu para dois diretores da Shell, minha mãe perguntou, com total simplicidade, para as duas jovens esposas deles, se elas eram as "empregadinhas" da minha cunhada. Eu queria morrer quando vi a expressão no rosto daquelas sofisticadas madames.

Quando na nossa casa chegava uma visita, o tratamento de cortesia era invejável. Mas, só até uma altura. Se a visita não se tocasse, demorando muito, minha mãe dizia: - Olha querida, a visita já tá boa, já tomamos café, agora vai pra tua casa, vai! Assim, direto, sem dourar a pílula. Eu ficava possesso! Pedia que pelo amor de Deus ela não me fizesse pagar mico daquela natureza.

Ela ria e perguntava: - Falei alguma coisa de mais? Ofendi alguém, por acaso?

Numa certa ocasião, em razão da sua idade e já meio adoentada, meu pai trouxe uma menina moça de fora, filha de um conhecido seu, para cuidar da minha mãe. Não deu certo. A guria não tinha qualquer aptidão para aquela empreitada. Então, aproveitando uma viagem de recreação que fiz para o litoral, levei meu pai, minha mãe e a moça para devolvê-la à sua família que morava em Rio do Sul. Quando lá chegamos a mãe da garota perguntou: - Então, gostou do serviço da minha filha? Eu, que já estava de atalaia, gritei: - MÃÃÃEEE!!! Não deu tempo. Minha mãe abusou da franqueza na cara das duas: - ÍÍÍh...querida! Ela é muito preguiçosa! Relaxada que só vendo!

Eu quis estrangular minha mãe. Naquele momento eu ia praticar dolosamente um matricídio não fosse a interferência do meu pai. Ela defendeu-se: - Cale a boca aí, tanso! Eu só disse a verdade, bobão! É bem assim! Quando mais estuda mais trouxa fica!

Penso, agora, se ela não estava certa. Conviver significa falsidades e aparências? Devo dizer, por sociabilidade, que é lindo aquilo que acho feio? É grosseria, falta de educação, dizer que não gostei? De não dar parabéns se entender que a pessoa não merece?Afinal, porque não se pode ser honesto consigo mesmo?


29 Outubro 2017 13:01:00

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A mente tem poder e força 



Fui ao banco. Sabia que teria de enfrentar aquelas máquinas diabólicas.São projetadas para mostrar o tamanho da burrice da gente.Então, pra não pagar mico levei minha colinha. Nessas horas,parece um azar, mas sempre tem nas costas da gente um abelhudo conferindo.

Tinha tudo naquela cola: número da conta, senha com seis dígitos, senha com oito dígitos, senha com letras, senha com números, data de nascimento, nome da minha mãe. Mesmo assim, depois de me atrapalhar uma bastantada consegui imprimirum extrato da minha conta. Conferi com desânimo.

Na frente dos algarismos do saldo tinha aquele sinalzinho (-) que odeio! Eta risquinho maldito! Vive me perseguindo! Desconfio que seja uma invenção do PT! Em seguida, fui trabalhar com aquele gostinho que a pobreza dá. Lembrei então daquele cara que entortava talheres só com a força do pensamento. Era um israelita chamado Uri não sei do quê.

Fazia até relógio velho voltar a funcionar só com o pensamento.Será que se eu também me concentrasse,direcionando toda a energia do meu cérebro e mais as vibrações positivas de todo o universo, aquele sinalzinho negativo não poderia ser transformado em positivo? Afinal, (-)para ser (+), basta fazer um risquinho vertical no meio, não é verdade?

Coloquei o extrato na minha frente e fechei os olhos.Juntei os três dedos polegar, indicador e médio de cada mão e pressionei minhas têmporas. Respirei lenta e profundamente uma porção de vezes. Abri os olhos e nada! O sinalzinho negativo tava lá!Não desanimei. Tudo se torna mais fácil com a prática. A mente tem poder e força. O segredo, nestes momentos, é dispensar pensamentos desnecessários. Limpar a cabeça de coisas ruins. Não lembrar de coisas estúpidas. Afinal de contas nem tudo é karma!

Fechei os olhos um monte de vezes e tentei não pensar em nada. Tudo em vão! Sempre tinha um pensamento besta ocupando o espaço da minha concentração.Não pensar é mais difícil que pensar! Fiquei ali, invocando o poder do pensamento positivo com todas as técnicas que conheço.Puxa! Eu não queria entortar garfos, facas, nem desenguiçar relógios sucatas. Só queria que o menos (-) virasse mais (+) na minha conta bancária. Coisa pouca! Não consegui. Joguei fora meus livros de autoajuda. Retornei ao trabalho.



22 Outubro 2017 13:16:00
Autor: Carlos Homem

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"Como contratos bancários nunca são lidos antes de serem assinados, o investidor só vai saber o tolo que é quando for fazer o resgate" (Crédito: Divulgação)

Digamos que você tenha uma graninha sobrando. Não importa como conseguiu. Mesmo que tenha sido de forma honesta, vão desconfiar. Mas, preocupado que aquele dinheirinho não desapareça sob o efeito corrosivo da inflação, você vai procurar um banco. Deseja acumular o capital. São tantos e oferecem várias vantagens de rendimentos. Um mais atrativo que outro. Pois bem. Não é bem assim que se vê a saracura piar. Há um abismo entre o discurso sedutor do funcionário que quer captar os teus trocados, e a verdade dos números. Como a caderneta de poupança paga uma mixaria de rendimentos mensais, a vontade é investir em outras aplicações. Aí que mora o embuste!

Os bancos cobram taxas para "administrar" o teu dinheiro. Daí, então, com exceção da caderneta de poupança, você vai pagar despesas denominadas de taxas de administração, performance, tarifas, corretagem, spread(?), e vai por aí afora. Mas, como as instituições bancárias vivem em razão do dinheiro do povo, acenam para o investidor incauto com índices de rendimentos convidativos. Via de regra omitem que há sempre o desconto do imposto de renda. Como contratos bancários nunca são lidos antes de serem assinados, o investidor só vai saber o tolo que é quando for fazer o resgate. Ao contrário do imposto de renda que incide apenas sobre os rendimentos do capital, a taxa de administração é cobrada sobre o total do valor aplicado e seus rendimentos.

Mas há aplicações sobre as quais não tem desconto do imposto de renda.

É aí que o canto da sereia com essa isenção fisga o investidor.

Só que tais investimentos não são remunerados nos finais de semana. Apenas sobre os dias úteis. São os denominados de agrários. Portanto, os juros aqui não são mensais. Feitas as contas, acabam nos mesmos índices da poupança. Os cálculos feitos pelos bancos são também um engodo. Quase impossível entendê-los. A rentabilidade bruta não é informada, e, assim, o investidor não consegue ver o montante das despesas que está pagando. Na verdade, aplique-se aqui ou acolá, no frigir dos ovos dá tudo na mesma coisa. Uma miséria! Empatam tais investimentos, no final, com a bagatela da caderneta de poupança. Algumas aplicações, inclusive, se o investidor sacar antes de noventa dias, que apelidam de carência, vai receber menos do que aplicou. O banco cobra a "taxa" dele de forma antecipada. Agora o paradoxo: banco pega dinheiro do usuário sem custos, ou com custos de 0,6% e empresta também para outros usuários com taxas de 11% ao mês, ou mais. Mas, neste país, banco não é agiota! Nem pratica enriquecimento ilícito!


15 Outubro 2017 11:13:00

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Rezar sem pedir nada em troca, existe? 



O dia 12 de outubro é feriado cívico ou religioso? Num país com mais de duzentos milhões de habitantes será que pelo menos dez milhões rezam pela Padroeira? Digo por Ela, não pelo interesse do devoto.

Rezar sem pedir nada em troca, existe? Orar querendo benefícios não é oração, nem crença, é permuta, é barganha. Crença que pleiteia retorno em proveito próprio não é crença, é hipocrisia. Lembrar da santa só para pedir ajuda? O mesmo serve para quem dá esmola esperando recompensa. Não faz caridade, faz investimento!

Aliás, ninguém mais fala nos dias santos, mas apenas no feriado. Lembra- se em tais dias de tudo, menos no seu significado religioso: viajar, carne para o churrasco, estoque da cerveja, locação de filmes, cortar a grama, lavar o carro, ir às compras. Rezar pra quê se estou numa boa?

A religiosidade do dia 12 de outubro limita-se a soltar foguetes ao meio-dia e estamos conversados! Claro, feriado significa folga. Uma ótima oportunidade de enforcar os dias intermediários. Se cair na quinta-feira, como acontece nesta semana, nem pense em procurar alguém trabalhando na sexta. Se encontrar, pode crer que vai estar com a cara azeda!

Na prática, na verdade mesmo, não existem mais feriados cívicos ou religiosos. São todos feriados carimbados apenas para ajudar o comerciante. Então, para incrementar ainda mais as vendas, encontrou-se um jeitinho de instituir o dia da criança de forma coincidente com o da santa padroeira.

O que significa o dia de Corpus Christi que se comemora no dia 15 de junho? Feriado significa o dia em que se comemora alguma coisa. Como se pode comemorar a morte de alguém? Comemorar a morte de Cristo é no mínimo uma heresia.

E 14 de abril (Paixão de Cristo) quem sabe explicar exatamente o que é? Será que algum estudante se detém a saber com maiores detalhes quem empresta o nome para o feriado do dia 21 de abril?

Sim, sabemos apenas que o alferes alcunhado por Tiradentes foi só um 'cara legal' da nossa história. E 7 de setembro? E 1º de maio, dia mundial do trabalho onde ninguém trabalha?

O calendário brasileiro neste ano mostra nove feriados e cinco pontos facultativos. Ponto facultativo é uma invenção genuinamente brasileira. Para vadiar o brasileiro é criativo! Nesses dias, decretados pelos governos, o funcionário público vai trabalhar se quiser. Parece piada, mas não é!

Ganha um automóvel Ferrari, zero quilômetro, quem encontrar um funcionário público trabalhando nos dias denominados de facultativos. Assim, como acontece com o Natal, nos feriados não se comemora nada, apenas a folga e o consumismo. Que bom!



01 Outubro 2017 17:36:00
Autor: Carlos Homem

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Claro que você quando viu aquela fotografia mostrando 51 milhões de gedéis, pensou, assim como também pensei: Mas que cara imbecil! Como é que vai deixar uma grana daquela, em gedéis vivos, amontoados num apartamento, dentro de caixas de papelão como se fossem roupas usadas para doação? Primeiro deixe-me explicar o termo imbecil, que aqui não quer dizer burrice, estupidez, ignorância. Neste caso significa prepotência, arrogância, sensação de impunidade.O imperador Marco Aurélio (nada a ver com o Ministro), quando caminhava pelas ruas de Roma, gostava de cochichar no ouvido de um escravo: Tu és apenas um mortal! Fazia isso para ele próprio sentir-se um deus. Julgava-se acima de tudo e de todos. Inatingível! Daí, para um homem pensar que não comete erros é apenas um passo.


Então, antes de qualquer coisa, deixem-me perguntar: O quêvocê, leitor sabido, faria com 51 milhões de gedéis em espécie, adquiridos de forma não muito republicana? Vamos, pense, diga? Vou facilitar. Digamos que você queira esconder apenas um milhão de gedéis em grana viva, surrupiados. Faz o quê? Depositar num banco não dá! Guardar num fundo falso de algum armário, dentro da porta da geladeira, embaixo da banheira, na forração do sofá, num cofre embutido na parede e escondido atrás de um quadro? É tudo muito óbvio! E se acontecer um incêndio, uma enchente, vendaval? Enterrar? Onde? E a chuva, e os cachorros? Dinheiro mofa. Quem sabe dentro de caixas de abelhas, deixando espaço para a labuta delas. Ninguém poderia imaginar isso e nem teria coragem de chegar perto para conferir. Daí, com medo da morte que não avisa, você deve compartilhar esse segredo com alguém. Se você buzinar e ninguém souber, a grana se perde. Então, em quem confiar? Tratando-se de dinheiro, quem confia em quem? Comprar imóveis, carros, viagens? Ótimo! Masvai justificar esses gastos extravagantes diante do Imposto de Renda, dos amigos e dos familiares como? Parente sempre tem um por perto pra botar o nariz e o olho gordo onde não deve. Basta fazer uma reforma na casa ou comprar um carro novo que os vizinhos já começam a falar que você "só pode tá roubando".Como dizia o poeta, nenhum homem é uma ilha. Muitos gedéis e o cérebro podem e são problemas para o cidadão. No entanto, humano que somos sempre fica a impressão de que se tanta grana fosse nossa, daríamos um jeito próprio e infalível para escondê-la. Achamos que somos espertos. Ledo engano! 



17 Setembro 2017 11:18:05

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Calculo que estávamos numa turma aproximada de dez pessoas. Só homens. A janta havia terminado. O papo era de chorar! Falava-se ali, acreditem, exclusivamente sobre doenças. Já observaram que virou moda falar nessa desgraceira? Ninguém lembrava da política, das mulheres, do futebol, ou da comida que estava muito boa, mas tão somente das agruras físicas de cada um.  

Que mania generalizada é essa das pessoas sentirem pena de si mesmas? Um contava que sofre de úlcera gástrica, que sente uma dor contínua no estômago, que lhe causa afta, que tem medo inclusive que isso lhe dê um infarto. Outro, para mostrar que sofre mais, relatou que já visitou um batalhão de médicos para curar sua artrite reumatóide, mas que não acha nenhum pra "dar a volta na doença".

Já gastou o que não podia! São todos uns charlatães esses médicos 'de hoje', resmungava! Um terceiro, meio brincando, meio reclamando, noticiou que estava cansado de fazer tomografias que nunca davam em nada. Garantiu que aquele 'troço' não fotografa bostica nenhuma.

Aquilo é pura empulhação pra tomar uns trocos dos trouxas, jurava! Foi quando um sabido argumentou que ao invés de tomografia ele devia fazer ressonância que era mais garantido. Daí ficou naquela teima onde nenhum dos dois tinha razão e nem sabiam do que falavam. Por sua vez, um dos que ali se encontrava e que até então se mantivera calado, esbravejou que já estava no terceiro tratamento de "psoríase", que já tava com o couro esfolado de tanto coçar e ninguém resolvia merda nenhuma.

O sabido interveio de novo e perguntou se aquela doença ao invés de ser psoríase, por acaso não seria candidíase, porque segundo seus conhecimentos aquilo dá muita coceira. A gargalhada foi geral. Sua besta! Respondeu o outro. Por acaso tá me estranhando? Candidíase é doença de mulher seu burro! Daí, quietinho ali no meu canto lembrei que ninguém morre por causa das doenças, é sempre o médico que faz 'barbeiragem'.

Se não fosse o erro do médico a pessoa falecida ainda estaria viva, repetem. Médico, pensei, tem muito a ver com advogado. Ninguém perde uma questão porque não tinha direito. É sempre o advogado quem 'botou fora'. O homicida é sempre inocente! O advogado é que fez burrada.

Também não conheço empresário que admita que o seu imposto de renda seja devido. Só paga aquele absurdo porque o contador dele não é de nada.Os culpados são sempre os outros!



10 Setembro 2017 00:00:00
Autor: Carlos Homem

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Brasileiro, desde os tempos do império, sempre foi um papagaio no modo de falar. Copia um monte de frases ou palavras que escuta, acha que são bonitas e sai por aí repetindo. Agora, nestes dias, nada mais é 'por causa' de alguma coisa. Tudo virou 'por conta'. É mais chique! Então as explicações são por conta da chuva, por conta do frio, por conta da gripe, por conta do capeta! Embora não esteja errado. São os sintomas da desolação educacional. Depois que o 'a gente' substituiu os pronomes pessoais, ninguém mais diz 'foi eu' ou 'nós vimos'. Agora é 'foi a gente' ou 'a gente viu'. O verbo, coitado, que se vire para se encaixar no 'a gente'. Quando, sempre dentro do carro ouço rádio, fico nauseado com o indecente abuso do gerúndio pelos locutores. Eles acham lindo! Daí se escuta: A gente vai 'tá fazendo'; eu vou 'tá dando' (uiii... essa é prá matar! Pois então dê, minha filha, dê adoidado!); vamos 'estar promovendo'; esta emissora vai 'tá sorteando'; e vai por aí afora. Como se fosse errado dizer: 'vamos fazer', 'vamos dar', 'vamos promover', sua emissora vai 'sortear'. Não seria mais bonito?Além de correto? O gerúndio é uma corruptela da língua portuguesa. Os portugueses não dizem 'estou caminhando', mas, 'estou a caminhar'. Com certeza, aqueles que perderem o tempo lendo estas minhas rabugices dirão: O que importa é se fazer entender, o resto é frescura! Claro, é verdade. Rebuscamentos excessivos e até mesmo desnecessários no linguajar também tiram a beleza do idioma. Mas o uso imoderado da linguagem de péssima qualidade, cheia de gírias e modismos é também muito cafona. Nem me venham com essa baboseira, ou desculpa de pobreza franciscana, de que a linguagem certa é aquela que fala o povão. Não, não é verdade. Ninguém tem possibilidade de falar ou escrever de forma completamente escorreita. Mas, fazer força para sermos falantes corretos, embora não sejamos letrados, é uma obrigação de cada um. Afinal, as crianças repetem aquilo que ouvem dos adultos. Pais cascudos, filhos broncos! Transpondo o argumento desta crônica, sei que sou mais um desses enxugadores de gelo, mas, tenho fé, que um dia as pessoas façam um pouco de esforço para aprender o correto e não aderir ao errado só porque seja o modismo da época. 'É muita emoção' soa melhor que 'adrenalina pura', concordam?


27 Agosto 2017 09:17:30

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Perguntei para um amigo qual era o seu principal defeito. A resposta foi instantânea: "confio demais nas pessoas!". Já ouvi essa mesma resposta ou afirmativa feita gratuitamente dezenas de vezes. Quis ele dizer que o defeito está nos outros, naqueles em quem confia. Claro, mas confiar não é defeito. Então não obtive resposta já que esse não é um defeito dele, mas dos outros. Uma manobra diversionista dele e também de todos nós.  

Nossa autoestima, ou vaidade, não aceita que temos nossos próprios defeitos. Em conversa descontraída indaguei de um fanático do PT se ele agora reconhecia que seu partido está infestado de ladrões. Ele admitiu, mas acrescentou que os ladrões do PT aprenderam com os do PMDB.

Pronto, o defeito ou a culpa é sempre dos outros! São os instintos que nos movem. Fugimos da verdade por proteção íntima e por conveniência. Daí o culpado ser sempre o outro. O filósofo e escritor francês Sartre, imortalizou a frase: "O inferno são os outros". No processo de delação premiada, assunto que queiramos ou não temos que ouvir o delator nunca tem culpa.

Os delatados, que são os outros, é que cometeram os crimes todos. Embora saibamos que tais dedos-duros pertençam aos bandos iguais àqueles outrora comandados por Ali Babá. O mundo do pensamento, da vaidade, da autoproteção, da crença e do sentimento é, por definição, muito difícil de decifrar.

Como sabemos a fofoca normalmente gira em torno de comportamentos inadequados. Na infidelidade entre casais, por exemplo, nunca o pulador de cerca admite a culpa. Sempre alega ter sido "seduzido" pelo outro. Aliás, neste particular, li uma coisa muito interessante. Os cientistas que fazem avanços na chamada engenharia genética estão fazendo experiências com uma espécie de ratos-do-mato, conhecidos por terem relações monogâmicas duradouras, sejam machos ou fêmeas.

Afirmam que conseguiram isolar o gene responsável pela tal monogamia. Então, se cruzarem tal gene fiel no ser humano, no futuro o marido será aquele ideal de homem amoroso, leal, e acima de tudo absolutamente fiel. Vai ser o fim dos conquistadores baratos e dos divórcios por infidelidade. Pode ser. Mas, será que os geneticistas vão ter coragem de fazer esse cruzamento?



20 Agosto 2017 18:06:57
Autor: Carlos Homem

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Sob um ponto puramente científico a vida humana não tem nenhum sentido. Nossas ações e nossa meteórica existência não fazem parte de nenhum plano cósmico ou divino. Então, qualquer que seja o significado que possamos atribuir à própria vida é apenas uma ilusão. Uma ilusão gostosa, mas subjetiva. Um desejo reprimido de que possamos ser imortais e que por apego à vida queremos acreditar nisso. No entanto, como ensinava Nietzsche, uma vida cheia de sentido pode ser extremamente gratificante, ainda que em meio às adversidades. Conheci Silvia Andrade, ainda bem jovem, nas incontáveis vezes em que avançávamos pelas madrugadas redigindo as edições do semanário "A Semana". Silvia, com uma paciência de Jó, praticamente datilografava toda matéria do jornal. Uma moça de sangue doce, sem buscar dificuldades para suas tarefas e sempre com boa vontade. Era alegre. Com aquele bom humor sempre presente, disfarçando o cansaço, Silvia não reclamava quando, por necessidade daquela edição, tinha que repetir numa surrada máquina de escrever um texto, mesmo quando já clareava um novo dia. Gostava do trabalho. Era feliz, e as pessoas felizes são isoladas, elas respiram um ar diferente. A Silvia era assim. Uma criatura incrível! Tinha um sorriso tímido e acanhado que escondia sua inteligência rápida e perspicaz. O "A Semana", naqueles dias em que engatinhava, fazendo de forma artesanal e por teimosia um semanário em circunstâncias adversas, deve uma gratidão impagável para Silvia. Mas a vida tem suas fronteiras definidas. Não há como ultrapassá-las. É triste, mas a vida da Silvia estava confinada numa cerca divisória com limites reduzidos. Então, agora nos deixou. Foi uma pessoa com invejável senso de cooperação e de solidariedade. Não há deuses no universo, nem filosofias, nem fortunas, nem justiça, nem liberdade, nem reconhecimentos de valores fora da imaginação humana. Daí, reconhecer uma personalidade dócil, prestativa e humana como a de Silvia Andrade é dever daqueles que com ela trabalharam amparando este semanário nos seus primeiros passos. Se a ciência não tem sentido para a vida, pelo menos a gratidão humana que devemos para Silvia, e o legado da sua curta existência nos dão razões de sua dignidade e exemplo de abnegação. 



06 Agosto 2017 08:01:42

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Tortura social é crime? Depende. Sim, diria um filosofo. Depende da forma de tortura. Não há previsão no código penal,mas devia. Vamos ver alguns exemplos: Quando encontramos uma velha pessoa conhecida que não víamos há muito tempo, não é uma tortura conversar com ela?

Temos que forçar a memória para lembrar coisas comuns dos tempos idos, do nome dela, perguntar por parentes, indagar o que anda fazendo,cuidar para não perguntar a sua idade. Se ela revelar, espontaneamente, devemos sempre acrescentar com admiração: Nossa! Como você está bem, não representa que tem essa idade!

Uma tortura. Daí o questionário (instrumento de suplício), vem direto contra a gente. O que fazemos, onde moramos, onde andam os filhos, o que fazem, que idade temos, por que nos divorciamos. O papo então gira só em torno de lembranças do passado e amenidades como elogiar com exageros os feitos dos filhos. Também as conversas recorrentes de autoajuda, na base do temos que "viver a vida" e outras baboseiras que ninguém segue. É imperioso ouvir tudo aquilo.

Em seguida notícias de doenças que não acabam mais! Doenças não, por favor! Cruzes! Isso não é torturante? Sei que estou cumprindo com minha rabujice a penada mentira social que denominam de melhor idade. O tempo nos torna antissociais. Mesmo porque, velho chato é redundância. Chato e repetitivo! Mas sigamos com as algemas sociais torturantes. Convite para casamento? Pronto! Já começamos a sofrer desde o dia em que o recebemos.

E agora? Vou ou não vou? E presente tenho que levar? Se levo um presente muito caro o noivo é capaz de pensar que tenho outras intenções. Se levo uma bobaginha qualquer ficam me excomungando, me alcunhando de mão de vaca, e até me rogando pragas. Mas fica chato não ir, dizem os mais próximos. Daí a tortura é lenta e progressiva.

Quanto mais se aproxima a data do enlace, mais a gente sangra. No dia da cerimônia o garrote vil pega valendo. É comida que temos que engolir com cara de alegre, é o bolo que os noivos não cortam nunca arrastando o ato simbólico pela madrugada adentro para punir à exaustão as vítimas,é os amigos dos esponsais querendo agradar vendendo pedaços de gravata com preços exorbitantes. É narizinho e chapéu de palhaço pra cá, é apitinho estridente pra lá! É o diabo! Nem Cristo no Horto sofreu tanto!O pior é que se você arrumar uma justificativa pra não ir, todo mundo sabe que é mentira.

Aí, então, você se tortura pra inventar uma mentira mais convincente! Nessas festas matrimoniais, excluindo-se os parentes bem próximos dos conúbios, não se encontra um convidado que esteja presente de corpo e alma. Cumprem o castigo social suando sangue com resignação. E com a cara de paisagem! 



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