Curitibanos,
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12 Agosto 2018 08:50:00


Mais amigo do que cliente ele entrou todo sorridente na minha 

sala de trabalho. Trazia um embrulho que segurava com cuidado

em ambas as mãos. Foi logo dizendo: "Doutor, como o senhor deve

estar sabendo meu pai faleceu há pouco mais de um mês.


O velho era um homem que gostava muito de erotismo. Colecionou

essas coisas a vida inteira. Deixou uma porção de pequenas esculturas

e quadros, todos com essa motivação. Nem sabemos como

vamos nos livrar de todo aquele acervo. Mas, lembrei de lhe dar de

presente uma escultura. Uma obra de arte, fundida em bronze. Meu

pai gostava muito do senhor. Então, acredito, poderá adornar sua

estante com ela. Era um par, exatamente iguais, mas uma sumiu!

Desconfio até que roubaram. Gostaria de lhe presentear com as duas."

A medida que falava foi desembrulhando o meu presente. Realmente,

era um troféu fundido em bronze e muito bem trabalhado.


"COISA CHATA!

RESOLVI ME LIVRAR

DA ESTATUETA TARADA"


Sob este aspecto era lindo. Um prodígio! O problema estava no

que representava. Um casal nu, enroscados na intimidade, sendo

felizes na horizontal. Praticavam aquele ato do amor universal

que perpetua a própria espécie. A forma, no entanto, era completamente

inusitada. Um sexo grotesco! Constrangia qualquer um só de

olhar. Então, entre confuso e sem jeito não tive como recusar. Agradeci

e guardei a escultura erótica. Daí fiquei com o problema: Fazer

o quê com aquilo? Deixá-lo sobre a minha mesa, não dava. Ofenderia

as pessoas que ali fossem falar comigo. Levar para a minha casa

seria mais constrangedor ainda. Dar para outra pessoa correia

o risco do meu presenteador ficar sabendo. Coisa chata! Resolvi me

livrar da estatueta tarada.


Enrolei bem aquele presente de grego numas folhas de jornal, coloquei-

o em seguida dentro de uma pequena caixa usada de papelão,

e despistando como se estivesse praticando um delito, joguei

aquilo tudo no lixo lá da rua. Ufa! Senti uma sensação de alivio! Passados

poucos dias o mesmo homem voltou ao meu escritório. Sorria

agora mais satisfeito do que nunca. Trazia, como na vez anterior,

um pacote nas mãos zelosas. Disse-me: "Doutor, o senhor não

vai acreditar. Meu filho que trabalha no setor de reciclagem do lixo,

por sorte sua, achou a outra escultura igual àquela que lhe dei,

mas que havia sumido. Vim lhe trazer de presente também. O senhor

agora tem as duas!". É verdade, falei para ele, sou mesmo um

homem de muita sorte!


05 Agosto 2018 10:00:00


Não sei nem explicar como entrei em dois grupos. Ééééééé! Desses grupos de whatsapp. Quando me dei conta fazia parte de dois deles. Me adicionaram! Parece que é assim que se diz. Sei lá! A gente não sabe nem falar essa linguagem afetada das chamadas redes sociais.

Mas é chique! A intenção de quem entra nesses trecos é conversar, trocar opiniões, informações sobre um assunto ou atividade específicas de um grupo de pessoas com interesses comuns. Coisa até bem agradável e útil. Só que nada que se faça nestes dias não desvirtue e mude o objetivo. Num repente, embora um grupo qualquer tenha sido constituído para falar de hortaliças como exemplo, um dos integrantes, e sempre tem, resolve postar seu filhinho recém-nascido.

Nada a ver. Mas ele, ou ela, quer exibir seu troféuzinho! Meu neném lindo! Uma babaquice!

A partir dessa pieguice os hipócritas sociais de plantão fazem a gente ficar olhando muitas palminhas, parabéns, dedão de positivo, coraçõezinhos, expressões atestando "coisinha mais linda" e vai por aí afora.

Outro, achando que só ele envelhece na face do planeta, informa que está fazendo aniversário. Ou que foi aprovado num exame de sangue. É dose! Chove parabéns e badalações para todo lado e para todos os gostos. Um festival de falsidades! Poluem o celular com aqueles "emojis" com carinhas engraçadas. Esses japoneses são mesmo uns gênios para inventar tais pictogramas.

São uns bonequinhos puxa-sacos! Pelas barbas do monge João Maria! Sou eu que fui atropelado pela modernidade ou a viadagem tomou conta da humanidade. Será que ficar adulando gratuitamente as pessoas é ser social? Paga-se um tributo de convivência enorme pelas frescuras destes dias em que vivemos. Se o tal grupo é formado por muita gente a coisa é ainda mais estressante.

De minuto em minuto o celular apita avisando que tem mensagem. Só bobagens, mas tem!

E haja saco para ficar vendo coisas inúteis e ter que responder por mera educação. Mandam fotografia aos borbotões para mostrar um pseudo "status" social na maioria das vezes, ou para esnobar um ambiente refinado qualquer.

O whatsapp é um instrumento que está sendo muito usado para carimbar a insegurança do remetente. Secretam carências. Também para as dondocas se exibirem. Há, porém, um lado agradável e outro constrangedor. São as cenas de bom humor, as pegadinhas espirituosas, as piadas inteligentes e os flagrantes indesejados. Não aguentei. Saí dos grupos!



28 Julho 2018 08:30:00


(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Foram tantos os processos que atendi na área do direito de família, ao longo de muitos anos, que na observação desses conflitos acabei tirando algumas conclusões. Nunca surtiram efeitos meus apelos aos casais que antigamente se desquitavam e que nestes tempos se divorciam que procedessem com racionalidade. 

Parei de argumentar e busquei compreender. A separação de pessoas que conviveram por anos na intimidade, deixando que o outro desvendasse seus segredos mais íntimos, causa uma fissura impossível de remendar. A ferida da alma é muito mais dolorida. Incicatrizável. É bizarro ver o comportamento irracional e destemperado entre adultos presumivelmente educados. No terreno dos afetos rompidos não existe ponderabilidade.

Vi, em certos momentos, casais que se odiavam há muitos anos, mas que não abriam mão do casamento, acusando sempre o companheiro pelas suas mazelas. O culpado é sempre o outro em tais relacionamentos corroídos. Mas faziam, e é provável que ainda façam uma teimosa questão de manter o cônjuge acorrentado indefinidamente a um matrimônio sucateado. Se não posso ser livre e feliz, que o outro também não seja é um raciocínio autodestruidor alimentado pelo ódio embutido. Anotei, muitas vezes, na tentativa de conciliar o inconciliável, que os casais se acusavam reciprocamente por que queria cada um, individualmente, ser ele mesmo.

"O AMOR É EFÊMERO E PERDE MUITO LIGEIRO O  ROMANTISMO" 

O jeito de ser e as atitudes que antes pareciam perfeitos passam a ser vistos como defeitos. Os olhos do casamento a partir de um momento começam a ver coisas que antes não viam. O amor é efêmero e perde muito ligeiro o romantismo. Amor e ódio vivem abraçados! O jeito então é serem infelizes juntos. Com desencanto registrei vezes incontáveis, que na separação judicial dos casais, eventualmente pouco importava para um, ou para o outro, a cômoda divisão dos bens comuns.

O objetivo maior era castigar, punir, criar embaraços, protelando com vingativa morbidez uma solução definitiva. Embora nunca me interessasse saber sobre a intimidade dos casais separados, ouvia com frequência trocas de agressões com acusações de tarado porque um gostava mais de sexo, ou de frígido, porque o outro gostava menos. Na verdade, em tais circunstâncias ambos são vítimas e ambos são algozes. Conviver sempre foi a maior dificuldade do ser humano.

Duas culturas originárias de famílias com costumes diferentes, com cacoetes, esquisitices, gostos e personalidades próprias, morando juntas, é inevitável que o dia a dia acabe causando colisão.

Daí são casais que apenas moram sob o mesmo teto, que já quase não conversam que mantêm um mutismo torturante. Preferem calar-se a deflagrar hostilidades. A verdade é que na separação não adianta querer provar quem está errado, quem está certo. Superação e opção para uma nova vida é que deve ser o norte.


22 Julho 2018 09:05:00

  A criatividade é uma aliada importante para solução de problemas. Pois conto uma historinha pitoresca onde a imaginação foi fundamental. Tratava-se de um divórcio litigioso com turbulento conflito entre os cônjuges. A disputa maior, na divisão do patrimônio que era até modesto, estava relacionada com a casa onde residiam. Ela queria ficar com aquela moradia, mas ele também assim pleiteava com inarredável disposição. Até porque já tinha a intenção de trazer para morar ali uma outra companheira.

Nenhum dos dois divorciados aceitava mudar-se, abrindo mão da casa. Ele até que fazia propostas para entregar o imóvel para ela, mas atribuía sobre o mesmo um valor fora da realidade. Queria tirar proveito recebendo mais bens como compensação. A convivência sob o mesmo teto, naquele clima de hostilidade estava insuportável. Aproveitando a ausência do agora ex-marido em decorrência de uma viagem de dois dias, ela foi ao mercado e comprou alguns quilos de camarão.

Com paciência e usando uma chave de fenda retirou as capas das tomadas de luz e caprichosamente encheu os canos da fiação com camarão cru. Fez isso em toda a casa valendo-se de uma vareta, recolocando cuidadosamente os espelhos sem deixar vestígios. Quando o teimoso retornou, ela o comunicou que estava se mudando, que ia morar numa casa alugada até que a repartição dos bens no divórcio se consumasse. Ele vibrou com sua primeira vitória no litígio. Imediatamente levou a outra mulher com quem vinha se relacionando a morar consigo. Poucos dias após a casa começou a cheirar esquisito. Depois ruim. Depois feder.

Procuraram em todos os cantos, inclusive no teto, uma carniça, um rato morto, mas nada. A catinga ficou insuportável. Nem corvo seria capaz de aguentar a fedentina. A nova companheira dele desculpou-se. Não quis ficar mais ali e advertiu-o que naquela casa jamais moraria. Esperto que era, e tendo consciência de que aquela casa havia perdido o valor, ele procurou a ex-mulher e propôs um acordo. Não revelou o motivo da sua mudança de comportamento, por evidente.

Aceitaria deixar a casa para ela pelo preço real do mercado. Ela não topou. Disse que agora já estava instalada em outro lugar e que havia perdido o interesse sobre tal patrimônio. Só faria um acordo se aquele imóvel lhe fosse entregue com o abatimento de 30% sobre o valor de uma avaliação idônea. Ele aceitou sem muita resistência. Fecharam o acerto amigável naquelas condições. Homologada judicialmente a partilha dos bens, ela teve um trabalhinho para eliminar o mau cheiro com o uso de alguns desinfetantes químicos. Mas valeu à pena. O camarão resolveu seu problema e ainda lhe deu lucro.       



15 Julho 2018 09:50:00


(Ilustração: Divulgação)


Uma dessas mulheres conhecidas por sacoleiras, entre tantas, saiu-se muito bem naquela atividade. Por ser muito boa vendedora e persuasiva, obtinha ótimos rendimentos no comércio de vendas a varejo e direto de roupas. Batia pernas o dia inteiro visitando suas clientes. Mantinha a família com um certo conforto. Diante da propaganda enganosa do governo, com a conversa de microempresário, do "simples" e outras enganações, resolveu sair da informalidade.

Alugou uma pequena sala e ali montou sua lojinha. Pronto. Deixou de ser invisível. Notaram a existência dela. Começou o seu inferno comercial. Toca registrar uma pessoa jurídica, pagar aluguel, água, luz, alvará de licença, taxas daqui, taxas dali, salário de uma funcionária com todos os encargos. Preencher formulários então era uma tortura! Mas, não parava só nisso. Eram visitas da vigilância sanitária, dos bombeiros, do Inmetro.

A mordeção não tinha mais fim. Contratou um profissional para fazer os seus registros contábeis, teve que mandar imprimir blocos de notas fiscais e adquirir um computador. Não aguentou seis meses. Voltou para a informalidade e entregou-se ao trabalho por meses a fio para recuperar o prejuízo.

Um outro cidadão, jamais havia feito declaração para o Imposto de Renda. Mas, uma advertência eventual, uma ameaça ocasional, uma notícia ruim sobre outros sonegadores o amedrontou.

Resolveu colocar sua vida em pratos limpos. Saiu da invisibilidade. Notaram a existência dele. Lascou-se. Nunca mais teve sossego. Não parou mais de pagar um imposto assustadoramente progressivo. São muitas as atividades informais desenvolvidas em ambientes domésticos. São doceiras, confeiteiras, costureiras, padeiros, artesãos, como também as vendedoras das coisas mais diversas que se possa imaginar, dentre tantas outras formas de ganhar a vida, ou ajudar no orçamento doméstico.

Mas só dão lucro se ficarem invisíveis aos olhos do fisco.

A sanha voraz dos governos é insaciável. Mesmo as empresas de médio, pequeno e grande porte se vêm forçadas a sonegar. Só assim conseguem sobreviver. Daí a reflexão, talvez absurda, de que sonegar neste país é um ato de legítima defesa. Isso leva as pessoas que querem ganhar um dinheirinho praticando um comércio ambulante, ou clandestino, a fugirem da formalidade. É muita burocracia dentro de uma parafernália de leis indecifráveis. Além do aspecto de que vivemos em dias onde o fiscal, seja de que competência legal for não tem nenhuma disposição para orientar.  

Pelo contrário, olha o empresário como bandido e o pune com notificações cruéis. Tá na lei? Ferro nele! Dificultam a produção daquele que é exatamente a fonte de recursos para pagamento dos seus salários. "Fere o ventre" teria dito Agripina, mãe do imperador romano Nero. Um paradoxo, mas é assim que se constata. Então, não há outra forma que não seja manter-se invisível.    



07 Julho 2018 11:21:00


Li, assim meio na corrida, que na Finlândia é proibido por lei cobrar pelo ensino. Então lá o filho de um varredor de rua senta-se ao lado do filho de um deputado na sala de aula. O nível de ensino é de igual estrutura e aplicação para todos independente da sua classe econômica. 

Já imaginaram aqui na pátria amada Brasil o filho de um senador frequentando as mesmas aulas e ministradas pelos mesmos professores? Seria uma humilhação para os filhinhos de papais e para os próprios. Será que por lá a saúde é assim também?

Os "Lulas" da vida e seus asseclas, propagadores da igualdade socialista, "preocupados" com os pobres, seriam atendidos pelo SUS ao invés do hospital de primeiro mundo Sírio Libanês onde se socorrem? Por certo que não.

Continuariam iludindo uma nação de trouxas com utopias sem história. E cadeias são iguais para todos naquele país? Ou alguns tem até televisão para assistir a Copa do Mundo como aqui? E filas, será que lá também tem? Daquelas em que somos organizados com bovina resignação para sermos atendidos por alguém mau humorado, ou por um funcionário público que acha estar nos fazendo um favor? Ou suportar a tortura da espera nos bancos, sacrificando o nosso trabalho, porque temos que pagar os impostos no dia.

SOMOS UM POVO DIFÍCIL DE SER DEFINIDO

Mas as filas até que melhoraram. Agora são com painéis eletrônicos e com senhas. Fica-se ali como escoteiros estressados olhando para o painel e conferindo o número da nossa vez a cada bipe. Por reflexo olha-se também o relógio a todo o momento. 

Em tais horas me divirto observando a turma que gosta de levar vantagem em tudo. Sempre tem uns idosos sadios, mas vadios, que se valem da idade para gozarem de preferência, ou que pegam duas senhas e usufruem daquela primeira que for chamada.

Idoso e aposentado têm pressa para ser atendido para quê? Ficar mais tempo sem fazer nada? Essa vantagem, juro, é mais uma jabuticaba brasileira. Este país está mesmo cheio de gente desprovida de qualquer espírito comunitário. Aliás, somos um povo difícil de ser definido. Não existe um padrão. Tenho curiosidade de saber se lá na Finlândia as coisas públicas são privativas dos servidores públicos, como aqui. Coisas públicas que não são do público.

Dá para entender? A democracia que lá vigora terá excessos de direitos e quase nenhuma obrigação como é o caso deste país que o Cabral descobriu? Enquanto pensamos nessas coisas vamos levando a vida nessa bizarra classificação de classes, número do cpf, cartões de créditos, senhas de todo tipo e para tudo, taxas e multas das mais absurdas, alimentando medos, síndromes, e imaginando igualdade de direitos. Foi para isso tudo que inventamos o mundo.


01 Julho 2018 07:00:00
Autor: Carlos Homem

'briguei com ela várias vezes para que não agredisse os bichinhos, mas não adiantou


(Foto: Divulgação) /


De vez em quando o pensamento da gente fica vagando por lembranças dos tempos de criança. Então, entre tantas reminiscências, a cada passo encontro nos escaninhos da memória as crendices obrigatórias que me eram impostas. Por desconhecer certos fenômenos científicos, a maioria de todos nós dá explicações sem sentido racional para algumas coisas. A cabeça do ser humano é uma lavoura fértil para plantar-se a fé no imponderável. Na minha casa acreditava-se que quebrar um espelho dava mesmo sete anos de azar, encontrar um trevo de quatro folhas era sinal de sorte, bater três vezes com os nós dos dedos numa madeira espantava coisas ruins, que o pio da coruja ou o uivo do cachorro era mau agouro. Uma lista sem fim.

Era Santo Antônio desencalhando moça solteira, verrugas nascendo nos dedos de quem apontava para as estrelas, muito cuidado para não trazer terra do cemitério nos sapatos para não correr o risco de morrer alguém da casa. Curava-se cobreiro, espinhela caída, erisipela, quebranto, mau-olhado e outros pequenos infortúnios com simples benzeduras. Práticas que até hoje permeiam nosso cotidiano onde se misturam o sagrado e o profano. Pois minha mãe, de origem açoriana, punha fé em tudo isso e muito mais. Uma infinidade de outras crendices populares. Pois bem. Depois de adulto fiquei cético, mas ela não.

Daí, na lateral do terreno da casa onde ela morava havia um muro construído com pedras justapostas. Numa das arestas, uma colmeia de abelhas mirins ali se instalou. Justamente no lugar onde mais se transitava. Como a laboriosa e inofensiva abelhinha ficava em enxames por ali esvoaçando, minha mãe implicou com os bichinhos. Ela arrancava o pito edificado com própolis e cerume, de cor amarelada e quase transparente, que era a via de acesso ao ninho. Aquilo é um canal genial da natureza, parecendo o "finger" sanfonado que permite embarcar nos grandes aviões. Briguei com ela várias vezes para que não agredisse os bichinhos, mas não adiantou.

Não queria aqueles insetos ali. Um dia, aproveitando a visita do meu irmão, pedi que ele mentisse para minha mãe, fingindo um espanto simulado e agradável ao ver ali as abelhinhas, dizendo a ela que a mirim trazia uma sorte danada para os lares onde construíam suas colmeias. Mas alertei-o para que ele não fizesse aquilo perto de mim. Se ela me olhasse nos olhos perceberia logo que era armação minha. Funcionou! Nunca mais molestou a família mirim.

A crença dela, como todas as crenças, fez com que passasse a acreditar na sorte ou nos bons fluídos que os animaizinhos trariam. Isso me faz lembrar, agora, da famosa frase de Henry Ford: "Se você acreditar que pode ou se acreditar que não pode, você está certo". Essas crenças atraem vibrações positivas. Ligam o estado emocional à realização daquilo que a pessoa acredita. Por isso funcionam.



24 Junho 2018 10:56:14


Os sindicatos brasileiros que representam a classe trabalhadora estão berrando. E brigando também. Estão sem dinheiro.Daí é aquela velha história: "Em casa que falta o pão, todo mundo briga e ninguém tem razão". Agora, com a nova reforma trabalhista que não obriga mais contribuir para os sindicatos, querem, porque querem, que seja instituída uma nova forma de contribuição compulsória.

São mesmo uns engraçadinhos! Acham que os sindicatos, que cuidam mais de política partidária do que dos interesses da categoria laboriosa devem ser sustentados com dinheiro do assalariado. Ora, obrigar o trabalhador a contribuir para sindicatos que não prestam contas a ninguém, financiam greves ilícitas e protestos na maioria indevidos, assumem cores político partidárias, é muita cara de pau.

Arvoram-se em defensores dos operários, mas não se pejam de exigir contribuição "na marra" para sustentar suas mordomias. Pior ainda é quando, sob o pretexto de proteger o empregado, tornam muitas atividades produtivas impraticáveis. Em Curitibanos, à guisa de exemplo, os supermercados não tiveram mais condições de abrir nos domingos porque tinham que pagar absurdamente 100% de acréscimo sobre tais horas trabalhadas.

Uma quantidade imensa de trabalhadores que contavam com aquelas horas extras, acrescidas de 50%, que seria o racional e legal, perderam seus ganhos. Perdeu também a população a comodidade de ir aos mercados nos domingos. É para essas coisas que os sindicatos precisam de dinheiro? Para atrapalhar e inviabilizar o empregador? Ora, se tais sindicatos tivessem a utilidade que trombeteiam, por evidente os trabalhadores filiar-se-iam e contribuiriam espontaneamente. Por quê, então, devem contribuir compulsoriamente? A voracidade dos sindicatos nunca teve limites.

O paradoxo, no entanto, é que empunham bandeiras defensivas de liberdades e direitos dos trabalhadores, mas quando se trata de avançar no dinheiro de quem vive sob salário, acham que a contribuição deve ser obrigatória. A democracia é muito bonita na casa dos outros, mas na minha quem manda sou eu! Gosto muito desta frase por ela espelhar a verdade. Margaret Thatcher, a líder inglesa, só conseguiu impulsionar a economia do seu país quando colocou um freio nos sindicatos.

Eram lá, desagregadores como aqui. Que beleza essa modificação na lei que instituiu o caráter facultativo das contribuições sindicais. Aliás, a liberdade de associação sindical está prevista na constituição brasileira. Daí perguntar-se:Para os sindicatos a constituição não valia? Mesmo porque, sempre achei uma injustiça o trabalhador ter que dar, forçado, parte do seu salário para que os dirigentes sindicais tivessem uma boa vida. E que vidão!

Agora o desconto na folha de pagamento do trabalhador, em favor de sindicato, só será permitido com a autorização expressa dele. E não há como superar essa anuência, nem como suprimir esse direito do empregado. De vez em quando surge uma lei boa e justa. Aleluia! 



16 Junho 2018 14:41:03

Absolutamente, ninguém pode se outorgar como um perfeito conhecedor da nossa língua. Falar ou escrever corretamente, neste cipoal de regras e normas gramaticais, não é nada fácil. Inevitável, portanto, algumas escorregadelas no manuseio do nosso idioma. 

Isso, porém, não significa que podemos avacalhar o vernáculo. Nem é válido o tacanho argumento de que o importante é a comunicação. Se nos fizermos entender é o que basta, resmungam alguns. "Invurtô" tá valendo, é o que dizem outros. O resto é frescura! Então, se assim é, que proliferem os "a gente podemos", "nóis vai", "tá podendo", "tipo assim", etc? A fala é também uma espécie de identidade da pessoa. Estampa ligeirinho o que ela é.

Mas, penso, aqui com a minha liberdade de pensar, que é dever de todos exigir, na medida do possível, um mínimo de respeito pelo vernáculo. Dou esta volta toda para contar que ouvi várias vezes, numa propaganda de rádio e em favor de um posto de abastecimento de combustível local, onde o locutor publicista, referindo-se à gasolina ali vendida, diz que ela é "mais melhor".

Pelo amor do Monge João Maria! "Mais melhor"? Isso está errado, muito errado, erradíssimo! Nessa linha de assassinato verbal posso então também dizer "menos melhor"? Ou "mais grande", ou "mais pequeno"? Claro, a derrapada pode até ser absorvida sem rebeldia. Mas, tratando-se de uma rádio com utilidade pública e que tem a obrigação social de educar, uma cautela maior seria oportuna. Uma precaução na correção dos textos, pelo menos.

Ou não? Onde está a utilidade da emissora? Ensinar errado, com a repetição de um linguajar claudicante e muitas vezes chulo, tem efeito deletério. Já basta a enorme tolerância auditiva que precisamos ter para escutar locutores abusando do gerundismo pernicioso, na base do "vamos estar sorteando", "a gente vai estar remetendo", "a gente vai estar transmitindo", etc. Por que não "vamos sortear/sortearemos"", "vamos remeter/remeteremos", "vamos transmitir/transmitiremos"?

Há um considerável número de pessoas que acha bonito repetir esses modismos, como se papagaios fossem. Tupiniquins atávicos, é o que são. Sei, sei que na frente de um microfone, sem qualquer contestação no ato, e sem a presença de ninguém, fala-se sem muita preocupação com aquilo que se diz. Uma sensação de poder! Isso, no entanto é temerário. A arrogância causou a queda dos anjos e a falta de prudência causa a queda dos homens.

Mas, por quê esta minha implicância? É que no exercício interino da função de professor, constato com desencanto, entre os estudantes, como a língua pátria está esfarrapada. Então cuidemos dela. Nem com menos, nem com mais. Apenas melhor!



09 Junho 2018 08:00:00



Reuniam-se os trabalhadores desempregados, e os que viviam inconformados com seus baixos salários, numa praça denominada "Grève", em Paris, localizada na margem do Rio Sena que corta aquela capital Francesa. Foi daí que surgiu o nome "Greve" para as manifestações de protesto daqueles que se sentem vítimas de ganhos irrisórios ou injustos. Essas lutas de classes, buscando melhorias na remuneração dos seus ganhos laborais, acabou virando leis e até mesmo uma garantia constitucional na maioria dos países, inclusive o nosso. Pois bem! Tivemos há poucos dias uma greve geral dos caminhoneiros cuja principal reivindicação era reduzir o preço do combustível óleo diesel e assegurar uma periodicidade razoável nos seus aumentos, além do tabelamento do frete. Foi um êxito! A população brasileira, cansada que está de tanta exploração e desmandos governamentais, apoiou o movimento. Fui também na carreata dando meu micro apoio.

O governo federal capitulou! De joelhos, atendeu até mesmo pela sua fraqueza nos dias atuais, aos pleitos dos grevistas. Ótimo! Até aí tudo bem! Mas, por razões não de todo compreendidas, alguns líderes, com ênfase maior num tal de "Chorão", talvez enciumado porque não fizeram questão da sua assinatura no acordo, e ele queria também ser mais um herói do armistício, conclamou seus companheiros para continuar com a greve. A partir daí começaram a pipocar vandalismos e excessos daqui e dali. Terceiros aproveitadores e estranhos se infiltraram no meio daqueles motoristas profissionais com objetivos políticos evidentes. Nas redes sociais pipocavam notícias das mais variadas. Em algumas dessas mensagens registrava-se o inconformismo e até mesmo uma certa revolta de alguns dos insurretos com o povo brasileiro, chamando-o de covarde, porque não foi para as ruas pleitear também a redução do preço da gasolina. Vamos com calma! Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Uma paralisação demasiadamente prolongada e total do país, depois de já terem conseguido o que buscavam, interessaria para quem? E, parando toda a atividade produtora da nação, por evidente, os mais pobres e carentes são os que sempre sofrem mais. Em tudo deve haver um ponto de equilíbrio. Até mesmo nas organizações terroristas são escolhidos para líder os mais moderados, cautelosos, coerentes. Os que não sejam tresloucados, doidivanos. Não se pode matar a vaca porque discordamos do preço do leite! Vi também, numa dessas mensagens, embora não tenha conseguido saber onde era, um ruralista irado despejar tambores de leite no asfalto e gritando: Eu tenho gente em casa precisando de hemodiálise! Este país não tem só caminhoneiros! Tem gente de toda espécie que precisa trabalhar! Os rebeldes que se achavam de pé, ali nas redondezas, nem se mexeram. O homem estava com o diabo no couro! Então, embora justa e oportuna a greve dos caminhoneiros, é preciso muita cautela, se outras houverem, para não fazer de vítimas segmentos sociais e produtivos diversos.



03 Junho 2018 07:00:00
Autor: Carlos Homem

Um teste drave na fidelidade


(Foto: Divulgação) /


Doutor... vou matar minha mulher! A desgraçada me traiu! Sério? Há quanto tempo o senhor é casado? Vinte e cinco anos. Nossa! E só agora o senhor resolveu tomar uma iniciativa inteligente dessas? Mate logo, mas... diga-me uma coisa: o senhor nunca traiu sua mulher? Bem, isso não tem nada a ver! Homem é homem! Ah... bom... então tá! O senhor já imaginou que sua mulher merece uma homenagem? Verdade, sem brincadeira nenhuma! Afinal de contas uma mulher cometer uma única traição depois de dormir vinte e cinco anos com o mesmo homem não é digna de louvor? Puxa... meu amigo!

Transar com o mesmo homem durante vinte e cinco anos exige uma dose cavalar de paciência, não é mesmo? O senhor vai botar tudo a perder por causa de meia horinha que ela separou pra matar a curiosidade? Pra fugir do fastio que a rotina estabelece? Quem não tem essa fantasia de ver se é mesmo tudo igual? Ela pode ter pensado: Quem sabe um outro saiba de coisas que eu ainda não experimentei algumas cambalhotas criativas, ou, talvez, fugir da mesmice apimente o prazer?

Afinal de contas o sexo não é feijão com arroz que é sempre igual e jamais enjoa! Calma, tenha calma! Uma puladinha de cerca, depois de vinte e cinco anos, não é um pecado tão feio assim! Mas e os chifres, doutor? Não nasci pra ser galhudo! Bem... bem... chifre é uma coisa que só se nota na cabeça do bode, na cabeça da cabra é invisível, não é mesmo? E o senhor, quantas vezes já furou o alambrado? Isso é outra coisa. Não dá prá comparar. Está no DNA do homem! O macho é reprodutor! Traição do homem não é amor, é tesão! Hummm... sei, sei. Desculpas para galinhar o homem sempre tem, não é verdade? Escute aqui homem, uma mulher trepar com um mesmo companheiro durante vinte e cinco anos, é claro que um dia tem que vazar por um lado ou pelo outro.

Ela com certeza queria matar a curiosidade, sentir o doce gosto do proibido. Um teste drave na fidelidade. Comparar o funcionamento do novo em relação ao velho. Aquela vontade de se autoafirmar, de sentir-se sexy e sedutora. A monotonia vulgariza o ato, tira o prazer, mas a novidade incentiva, certo? Quem sabe esse cara com quem ela se envolveu seja um profundo conhecedor do Kama Sutra? Um exímio contorcionista que a levou para o céu? Ela apenas saiu do armário do puritanismo por um breve momento. Quer saber de uma coisa?

O senhor volte para sua casa, guarde esse revólver no lugar onde já estava, finja que nada aconteceu e perdoe sua mulher. Matá-la vai dar muito mais trabalho e dissabores! E pense bem: Quem trai é sempre culpado pelo ato em si, mas as razões que levam a chegar nesse ponto sempre envolvem muitas outras coisas, inclusive os tropeços do traído.



26 Maio 2018 00:05:00


(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Claro que vão me chamar de louco. Pois que chamem! Na loucura há também uma boa dose de sabedoria. Então estive pensando em escrever uma carta para o Papa. Uma missiva bem fundamentada e convincente. Cheia de ora-pro-nóbis! Ele é aqui do nosso lado e latino como nós, apesar de ser argentino.  

Um vigário simpático de quem gosto muito. Vai entender minha preocupação e também, porque advogo em causa própria nesta questão. Mas vou pleitear a revogação, e por consequência, a extinção do inferno. Já revogaram o limbo (aquele lugar para onde iam os que não eram, mas eram) e o inferno, por quê não? Afinal, a existência dessa fornalha perpétua para onde vão as criaturas pecadoras como eu é pura sacanagem!

Uma religião, seja ela qual for, não pode permanecer assentada sobre promessas de castigos e torturas, nem acenar que vamos servir de picanha na brasa para aquele sujeitinho desagradável conhecido pela alcunha de capeta.

Acredito até que o Pontífice nem tenha competência legal para isso já que essa matriz do martírio é uma criação pagã. Esse caráter opressor da religião está vencido. Tudo evolui e adequa-se. Uma religião, seja ela qual for, não pode permanecer assentada sobre promessas de castigos e torturas, nem acenar que vamos servir de picanha na brasa para aquele sujeitinho desagradável conhecido pela alcunha de capeta.

Penso até que o satanás, pé-redondo, beiçudo (não confundir com o Gilmar Mendes), está de saco cheio na administração da churrasqueira infernal. Já calcularam o tamanho do brasido? E as despesas para manter aquela diabada toda que atendem os roletes incandescentes pela eternidade? Posso inclusive colher milhares de assinaturas num abaixo-assinado em favor deste meu projeto.

Pecar é uma das raras coisas boas que temos neste mundo, mesmo com a ameaça do inferno. Aliás, o Papa Francisco já admitiu, embora depois tenha desmentido, que o inferno não existe.

Quem sabe até granjear a simpatia dos estudantes que sempre defendem, com o fervor religioso dos marxistas, em termos vagos, a reinvenção do mundo e a extinção de toda ordem sob protestos e violências. Na convocação dos Cardeais, tenho certeza que o lobby dos pecadores vai ter uma força danada para garantir o quórum mínimo. Já imaginaram que beleza? Pecar é uma das raras coisas boas que temos neste mundo, mesmo com a ameaça do inferno. Aliás, o Papa Francisco já admitiu, embora depois tenha desmentido, que o inferno não existe.

Essa fogueira religiosa serviu como repressão sexual e manipulação política por séculos. Agora, pelo que se vê, não tem mais nenhuma serventia. Liberou geral! A humanidade perdeu o medo! E a crença! É sabido que nós os humanos temos uma propensão recorrente para negociar, trocar uma coisa pela outra, adquirir coisas novas, eliminar as velhas.

O inferno já virou sucata faz tempo, não é verdade? Para que manter uma estrutura diabólica dessas? Então que seja extinto ora bolas! Se eu conseguir que o Papa atenda e defira meu pedido, vou ficar conhecido como o homem que dinamitou o inferno! Vai faltar espaço no meu peito para tantas medalhas. Quem sabe até um prêmio Nobel.


20 Maio 2018 10:05:00


(Foto: Divulgação)


Daí, então, tenho sofrido uma perseguição implacável dum tal de roteador. É um trubisco que recebe as imagens ou sinais, sei lá, do satélite e encaixa no computador da gente. Ele, segundo me informaram, identifica quando um micro se conecta à rede e então define um IP para esse micro. Entenderam? Eu também não! Nem sei o que é IP! Só sei que tenho uma coleção dessas desgraceiras que chamam de roteadores.

Já comprei pelo menos uns cinco ou seis. Uma hora o desgraçado, como se fosse um homem, fica velho e fraco, tornando-se impotente. A solução é comprar outro mais vigoroso, viciado no viagra, penso eu. Tive um caipora desses na parte de cima da casa. Pifou! Instalaram outro então na parte de baixo, mas sozinho não dava conta.

O sinal da sala não chegava naquele quarto onde curto meus remorsos quando perco o sono. Tem que ter dois, me convenceram.

Assim fiz. Resolveu? Que nada! Desconfio que um ficasse com ciúmes do outro e terétété minha Internet levava à breca. Numa hora falha um, noutra falha outro. E assim vou roteando a vida! Um dia, porque aquilo estava fora do ar, liguei para o técnico e ele me pediu para desconectar o tal de roteador da tomada por uns segundos. Fiquei cabreiro! Será que ele estava falando sério? Não perguntei para não correr o risco de ele me mandar enfiar aquilo onde não devia. Fiquei lá segurando o fio com cara de bocó! Quer dizer então que o roteador só funciona de vez em quando? Mais uma vez ele se parece com o homem idoso! Pra solucionar esse martírio, adquiri uma instalação moderna. Resolvi ser chique. Achei que me livrava do roteador.

Agora sim a coisa vai dar certo! Pois bailei mais uma vez. Estou a cada dia mais desconfiado que é perseguição política. Só porque eu não me filio ao movimento "Lula Livre"? O pior é que esse equipamento, peça, aparelho, dispositivo, traquitana, aparato, acessório, o diabo, tem preços variados entre 70,00 a 1.200,00 reais, ou mais. Cada um que se compra, esperançoso com suas potencialidades, broxa também. E ligeirinho!

O Brasil que eu quero para o futuro é um Brasil sem roteadores.

Se encontrar alguém que me venda um satélite por preço módico e suaves prestações mensais, vou comprar um só pra mim. Cheguei no limite! Alguém, com a paciência tão curta quanto a minha me aconselhou procurar o Procon. Não fiz isso porque tenho medo de ser rabugento ou parecer mais encrenqueiro do que sou.  

Embora nessas horas lembro sempre do Gauchinho, um pinguço feliz que depois de tirá-lo da cadeia várias vezes pelos porres homéricos, numa ocasião, ao recusar-lhe mais uma vez meus préstimos profissionais, ele protestou: "Então pra que é que serve essa bosta desse deproma?" Numa oportunidade, ao verificar que a Internet estava ausente de novo, liguei para a operadora cheio de razões. Quebrei a cara, o defeito era meu! Tinha esquecido de pagar a fatura do mês! E para isso o roteador não esquece e funciona muito bem!



13 Maio 2018 07:00:00
Autor: Carlos Homem

Busca-se, afinal, o quê, com tais carimbos na pele?

Caminhava na minha frente aquela moça bonita trajando um short. Dona de um belo par de pernas. Ela tinha consciência que despertava a cobiça masculina. Mas, e sempre tem um "mas" para complicar as coisas, havia na perna direita da menina, no meio da coxa, uma tatuagem larga e indecifrável que a circulava.

Me perdoem os tatuados. Tenho horror às tatuagens! São todas feias e de mau gosto. A maioria já desbotadas, borradas ou escorridas, parecendo maquiagem que pegou chuva. Estejam elas localizadas aqui, ali, ou escondidas em sítios menos visíveis com apelo erótico. Quase todas indecifráveis e indefinidas. As tatuagens tiram, poluem, descaracterizam e despersonalizam a originalidade. Quebram a simetria do belo, do perfeito.

Se nascemos lisinhos, qual a razão de nos rabiscarmos com garranchos arbitrários? Quem pode entender essa decisão de marcar o próprio corpo como eram assinalados os escravos com ferro em brasa. Ou o gado para identificar o dono? Busca-se, afinal, o quê, com tais carimbos na pele? Ser diferente?

Mostrar revolta, desobediência, protesto, independência, saudosismo medieval? Fascínio por alguma coisa que existe no seu interior? Marcar o corpo ao longo da história sempre foi um sistema violento de controle e tortura. Já imaginaram todos nós com o número do CPF tatuado na testa? É tormentoso entender alguém submeter-se a violência física para imprimir no seu corpo, definitivamente, uma figura, frase, símbolo, nome, ou o diabo que o carregue!

A aparência é um patrimônio visível da pessoa e da sua identidade. Uma criatura tatuada pode revelar com isso traços da sua própria personalidade, como também mascará-la ou deformá-la. Quem sabe a tatuagem seja apenas a forma de alimentar desejos inquietos. Vai saber?



06 Maio 2018 07:00:00


(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Já passou dos limites esse discursinho em favor das minorias. Não se pode dizer nem fazer mais nada que aparece um reformador do mundo, travestido de defensor das minorias para encher o saco. Praticantes dessa excrecência moderna que denominam de "politicamente correto". 

Daí, então, uma lei é criada para privilegiar os negros, assegurando cotas nas universidades; outra para garantir "privilégio" de foro para políticos corruptos; outras mais em favor das domésticas, dos idosos, da infância e juventude, destes ou daqueles, e, inclusive, até mesmo dos presidiários. Mas, e a maioria, ninguém tem coragem de defender? Quem realmente trabalha nesse país? Quem efetivamente paga impostos? Quem vive corretamente e cumpre as leis? Não é a maioria? Ora, façam-me um favor! Os negros, com essa tal de cotas no ensino superior estão sendo discriminados por quem? Pelo governo e pela lei, evidente. Não pelo povo, porque é povo que também são. Não acredito que eles gostem disso! São povo como todos nós de outras cores e raças.


"JÁ PASSOU DOS LIMITES ESSE DISCURSINHO EM FAVOR DAS MINORIAS."


Aliás, nessa questão de cor, pessoalmente, eu jamais defini a minha. Não sirvo para branco, preto, pardo, amarelo, indígena ou cafuso. Acho mesmo que eu sou baio escuro, com traços de mameluco. Ou seja, de uma raça miscigenada e indefinida!

Uma espécie de entrevero de negro com caboclo e índio. Quer dizer, não sou coisa nenhuma ou sou tudo ao mesmo tempo. O diabo é que não me classifico em nenhuma minoria com direitos especiais. Na hora em que almejo alguma coisa, tenho que ir à luta como vai a maioria. Então, mudando o rumo da prosa e dando um exemplo, o bandido atira no policial e erra, mas o policial revida e mata o marginal. Pronto! Lá vem os esquerdopatas invocando direitos humanos, transformando o agente da lei em criminoso, pedindo uma pseudo justiça.

Por quê isso? O meliante faz parte de uma minoria privilegiada? Mas essa tal de Constituição Brasileira não diz que todos são iguais perante a lei sem distinção de qualquer natureza, com garantia de igualdade? Essa Constituição não foi feita para a maioria, sem distinção nenhuma? Conversa fiada! Nem a Constituição é cumprida neste país. Tem um monte de minorias desiguais que são muito mais iguais que a maioria. Sei não.

Penso que daqui um pouco vai haver uma lei para cada parcela, ou fatia da população. A Constituição deverá ser fracionada mais do que já é para contemplar uma porção maior de minorias. A maioria que se exploda!


29 Abril 2018 10:00:00


Essa frescura das pessoas se rotularem ideologicamente é um saco! Enganam a si mesmos e com isso querem enganar os outros. Uns dizem que são da esquerda, defendendo um socialismo que nunca deu certo, outros empunham uma bandeira da direita que não se sabe exatamente onde ela começa e nem onde termina.

Outros mais se colocam em cima do muro intitulando-se do centro ou liberais. Daí os da esquerda, os da direita, os do centro ou liberais, só defendem tais posições enquanto não se agasalham individualmente num rendimento pessoal. Ganhou dinheiro, pronto! Que vá às favas a sua ideologia! Os que encampam um discurso socialista, preocupados com a classe operária principalmente, vivem em busca de um emprego ou cargo público.

Ao assumirem um qualquer, esquecem no mesmo instante a sua falsa convicção que existe desigualdades sociais. Camaleões é o que são!

Há uma astronômica hipocrisia nessa balela de política ideológica.

E os moralistas? Estes então nunca conseguimos decifrá-los. Escandalizam-se com o comportamento alheio, mas, nas sombras, fazem igual ou pior. 

Vamos a um exemplo: imaginem que um cidadão entrasse na igreja sem camisa para assistir a missa, ainda que fizesse um calor escaldante. Primeiro seria considerado louco, depois convidado para se retirar. Seria um desrespeito. Mas e os santos não estão quase todos seminus? E Cristo, não está ali crucificado quase sem roupas? São Sebastião não está peladão, amarrado e com o corpo transfixado com flechas? 

Quando estudante secundarista fui um pelego agitador, e fazia parte da diretoria da União Catarinense de Estudantes. Vermelhos todos, naquela modalidade de "Maria vai com as outras". Estudante, como regra geral, enquanto vive às custas dos pais é comunista. Ele acha lindo andar na contramão da sociedade. Quer ser diferente. Protesta por protestar! Nem pensa, o celular pensa por ele. Então, fiz discursos inflamados contra os lacaios de Wall Street. Nem sabia o que era aquilo, mas eu falava inflamado.

Defendi com argumentos tolos a distribuição de rendas de forma mais igualitária. Eu era um membro da esquerda festiva, como tem até hoje. Quando escrevo isto lembro de um amigo que citou outro dia um adágio conhecido: "Antes dos trinta anos quem não foi da esquerda é porque não era inteligente, depois dos trinta quem é da esquerda é porque não tem cérebro". Pura verdade. Pregamos ideologias das mais variadas para serem seguidas pelos outros. A nossa se resume em encontrar uma atividade que dê dinheiro para que possamos viver. 

A democracia, como exemplo, acho muito bonita na casa dos outros, mas na minha casa quem manda sou eu! Quem sabe estejamos vivendo nesse realismo da descrença na verdade, sob a conduta moral de que tudo é manipulação. Penso, todavia, que somos todos iguais num aspecto: queremos apenas um espaço que nos permita trabalhar, ganhar nosso dinheiro e viver cada dia mais confortável. O resto é conversa fiada dessa gente metida a intelectual! Ou dos vadios e parasitas sociais!



22 Abril 2018 08:00:00
Autor: Carlos Homem

A natureza está mesmo cheia dessas coisas ocultas que basta um pouco de sensibilidade para se sentir e ver.

Na minha casa não tinha poço. Água encanada naqueles tempos era coisa de rico. Tínhamos que buscar com baldes nas casas vizinhas a água que consumíamos. Meu pai vivia falando que um dia ia cavar um poço ali pelos fundos. Eu duvidava. Um dia ele chegou em casa trazendo na sua companhia um homenzinho.

Seu "Zé da Forca", como era conhecido, tratava-se de uma criatura esmirradinha, de sorriso fácil e candura cabocla. Nada nele lembrava a imagem estereotipada dos místicos messiânicos ou dos lendários videntes bíblicos. A alcunha "Forca" não tinha nenhuma relação com o ritual suicida. Era apenas uma adaptação popular de forquilha, a ferramenta de trabalho dele. Viera ali para indicar o lugar exato onde devia ser feito o poço.

Menino ainda, já observava aquilo tudo com meus traços de incredulidade. Então, aquele homem pegou uma forquilha de pessegueiro com o formato da letra Y, segurou as duas pontas com as palmas das mãos para cima. Caminhou para um lado e outro com a ponta daquele galho direcionado pra frente até que ele se mexeu. Imaginei que se mexeu, porque não vi nada.

Pensei naquele momento que o homenzinho estava enganando a todos. Mas, como naqueles tempos meu nome de guri era só "cala a boca piá", fiquei quieto. Cavaram o poço no local indicado pelo perito atávico. Acharam mesmo água ali. Só depois de adulto e metido fui pesquisar o fenômeno. Era verdade.

Algumas pessoas possuem uma sensibilidade chamada de radiestesia que lhes permite sentir a energia de alguns elementos da natureza. Inclusive os veios da água subterrânea. Aquele homem tão simples não era um mago, adivinho, nem mensageiro do além.

Era apenas um ser profundamente sensível, apesar de analfabeto, mas capaz de interpretar os sinais que a natureza emite. A natureza está mesmo cheia dessas coisas ocultas que basta um pouco de sensibilidade para se sentir e ver.



15 Abril 2018 08:35:00

 No princípio só fiquei intrigado, depois com medo. Na enorme garagem coletiva do prédio onde guardo meu carro vivo sempre em alerta.

 É um lugar apropriado para atos de furtos ou assaltos. Muitas colunas e nichos diversos que possibilitam alguém por ali ocultar-se. Pois quando vi aquele bicho vir na minha direção, envolto em farrapos, cabelos e barba desgrenhados, sujo, com os olhos inexpressivos de um peixe morto e pupilas dilatadas, meu instinto de proteção despertou. Sim, aquilo não era uma figura humana.

 Era um animal abatido pela perda da autoestima. Segurava um cobertor velho e fedido enrolado nos ombros. Na cabeça, como se fosse um turbante, uma toalha encardida. Uma criatura sofrida que mostrava o corpo e a alma em frangalhos. Pediu-me, mais grunhindo do que falando, uns trocados.



"QUE HUMANIDADE CORROÍDA É ESTA

QUE JOGA NO LIXO SERES VIVENTES? "

 Expelia um mau cheiro horrível. O ser humano sem asseio é, seguramente, o bicho mais catinguento que perambula sobre a terra. Apressei-me, mais por temor do que por sentimento de caridade, em dar-lhe uns minguados. Ele nem escondia o cachimbo do craque pendurado no pescoço. Senti aquela náusea e vontade urgente de sair dali.

 Esses farrapos de gente, que apenas rastejam com as pernas, que perderam toda a identidade, que já nem são, que sobrevivem com a dignidade em pedaços, transformam-se em criaturas repulsivas que nos amedrontam. Perdemos até o sentimento de solidariedade e a vontade de ajudá-los. Preferimos até nem mesmo olhar para eles.

 Exibem uma visão negativa, uma ameaça de que podemos ficar iguais. Então nos protegemos procurando ignorá-los. Estragou meu dia! Não consegui afastá-lo do pensamento. Que humanidade corroída é esta que joga no lixo seres viventes? Como estender a mão para ajudar tais indigentes? Fiquei me punindo pelo sentimento de culpa. Só naquele dia, porém, porque no dia seguinte já o havia esquecido.



07 Abril 2018 12:12:00


(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Então, sem saber como, fui parar num planeta com as mesmas características da Terra. Foi uma surpresa! Tudo diferente.  

Um planeta que se encontra a apenas 4,2 anos-luz daqui. Quer isso dizer que viajando numa velocidade de trezentos mil quilômetros por segundo, levaria apenas 4 anos e 2 meses pra chegar lá. Nem sei calcular uma distância dessas, mas eu estava lá. Daí, logo que cheguei quis dar aquela espiadinha compulsiva no meu celular para ver as últimas mensagens. Não tinha nenhum celular, nem sinal!

Um cara esquisito e feio chegou ali e sem falar me comunicou, por telepatia, que celular era uma coisa ali superada há milênios. Que sujeito besta, pensei! Não, disse ele, não sou besta, vivo num planeta milhões de anos de evolução em relação ao seu planeta terra. Me caiu o queixo! O cara lia até mesmo aquilo que eu pensava. Mas vocês aqui algum dia foram parecidos com os terrestres? Fomos, telepatizou ele.  

Então, como bastava pensar, continuei. Lá de onde vim, sou advogado. Aqui tem isso? Ele riu e me informou com um misto de deboche e ironia. Advogado? Aquilo que antigamente só servia para complicar? Que escrevia páginas e páginas para dizer um "não" e outras tantas para dizer um "sim"? Espera aí, cara! Retruquei. Na Terra somos necessários para que se faça justiça.

Ele deu uma baita gargalhada mental, já que ria sem fazer barulho numa forma estranha. Justiça? Sintonizou ele. Qual justiça? Aquela que um tal de Gilmar Mendes e seus iguais enfiam goela abaixo dos terrestres frouxos e acovardados? Aquela que solta bandido rico? Que pune o policial e idolatra o criminoso? Espera aí... ET atrevido! Mentalizei.  

Vocês também sabem a respeito do Gilmar & Cia? Claro, telegrafou ele. Coisa ruim contamina todo o universo! Daí, continuei: E como vocês fizeram para se livrar dessa espécie de beiçudos? Rindo pra dentro ele encerrou: É melhor nem comentar! Foi quando acordei. 



01 Abril 2018 00:00:00
Autor: Carlos Homem


Viralizou nas redes sociais domésticas, há poucos dias, um vídeo mostrando um dos nossos vereadores jurando fidelidade ao prefeito. Chegou a comparar o chefe do nosso executivo ao Rei Salomão. Vejam só! Na sua tresloucada fala, garantiu que se o prefeito errar, ele erra junto. Pode? Será que ele sabe, ainda que de forma superficial, o que significa a independência dos três poderes? A função fiscalizadora do legislativo? Que um edil, mesmo quando vencido numa controvérsia parlamentar, deve respeitar o princípio da colegialidade?

Tudo muda o tempo. Gosto desta frase do Padre Vieira dita há mais de um século. Uma conclusão óbvia, mas verdadeira. O mundo sempre mudou. Só que agora as coisas mudam muito rapidamente.

Os nossos políticos, agarrados nas facilidades que o poder permite, é que mudaram para pior.

Acomodam-se nas benesses públicas. Vão ser varridos pelo desencanto popular. O povo está na busca do novo e com rejeição da mesmice. Os velhos discursos repletos de clichês, e as mesmas figuras com rótulos desbotados já não cativam ninguém.

As massas estão conectadas. Não ficou nada fácil político enganar os eleitores com aquela conversinha fiada. A disseminação da mentira, embora seja da condição humana, agora é rapidamente anulada. Essas redes sociais são implacáveis. O Brasil quer novidade, quer lideranças novas. Há um sentimento de repulsa pelos conchavos, pelas coligações, pelos acomodamentos dos partidos políticos para garantir a reeleição dos mesmos.

Chega de subserviência. De membros do Poder Legislativo ficarem abanando a cola para o Executivo.

Nestes dias, caciques políticos não enganarão mais ninguém com promessas malufistas na base do "fui eu que fiz".

As mensagens terão que ser outras e novas. Nessa eleição que se próxima vamos ter a chance de mostrar como estamos politizados, tendo maior cautela na escolha dos candidatos.

Mas, voltando ao assunto do início, nosso Prefeito tem mostrado mesmo um ótimo tino administrativo salomônico. Claro, o Rei Salomão, considerado o rei da sabedoria, conseguia administrar setecentas sogras! Já imaginaram?



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