37 anos.png
37 anos.png
  
CH.png

OPINIÃO
16 Fevereiro 2020 06:00:00

Seria implicância minha, ou as pessoas estão ficando cada vez mais vazias? Cada conhecido que se encontra o papo é quase sempre no sentido de nos analisar fisicamente. Daí vem àqueles clichês batidos: Você emagreceu bastante, né? Tá fazendo regime? Andou doente? Depois de nos perguntar embaraçosamente a idade, o curioso fazendo uma comparação consigo mesmo, tenta nos agrada com o rótulo: Nossa! Como você está bem! Mas intimamente ele se acha melhor, tenho certeza! Gostaria de escrever uma crônica do cotidiano que fosse capaz de levar meu leitor para uma reflexão profunda sobre sua existência. Não consigo. Gosto mesmo é das trivialidades. Das idéias sem nexo, como esta crônica. Elas não iluminam nada. Assim os babacas de plantão podem fazer seus comentários e críticas estúpidas. Prefiro observar como nós, os humanos, somos superficiais. Como gostamos de maquiar nossas vidas com aparências. Queremos sempre dar a impressão de que somos mais do que realmente somos. Fico saboreando no meu íntimo quando alguns mentem que estão felizes e falsificam um sorriso no rosto. Não me ludibriam! O bípede humano, vil e material, não se contenta em enganar os seus semelhantes, chega ao ponto de enganar-se a si próprio. Até mesmo os alimentos estão mudando de nome. É macarrão de cenoura e arroz negro! Pura viadagem! Sou avesso a essas frescuras. Já viram numa mesa as pessoas fazerem um brinde dizendo tim-tim? Só falam, porque não se ouve tim-tim nenhum dos copos. Pior ainda é que ao invés de beberem um pouco para sacramentar o brinde, quebram a corrente e o simbolismo devolvendo o copo na mesa sem dar nenhuma bicadinha. Acredito piamente que essa é a causa de eu não ter muitos amigos. Gente cascuda quase não se comunica! Tenho horror à frescura! Sim, porque tudo o que é simples, natural, oculta uma dimensão outra, desconhecida, que perfura a superfície lisa das coisas. O faz de conta é muito pobre. Paupérrimo! Uma espécie de miséria produzindo a aderência. O homem, em todos os tempos quis acrescentar alguma coisa a Deus. O homem retoca a criação, às vezes para o bem, outras vezes para o mal, mas a maioria nem são, deixam-se ser. Assim o mundo vai aumentando a densidade dos idiotas. O enredo da vida, no entanto, tem sempre o mesmo final: Flores de plástico!


OPINIÃO
09 Fevereiro 2020 10:10:00


(Foto: Divulgação)

Eu tenho os meus direitos! Ouvimos a todo o momento esta sentença. Somos um país recheado de direitos. Qualquer projeto de governo que implique na modificação de estruturas arcaicas é motivo para protestos de categorias sociais empunhando a mesma bandeira: Querem tirar nossos direitos! Numa simples sala de aula os alunos se arvoram titulares de direitos, contrapondo-se aos professores.

O surrado discurso dos direitos se nos afigura oportuno, mas na verdade nos cega para os problemas comunitários. Sempre que bradamos é um direito, queremos dizer que os governos têm obrigação de prover aquilo. De onde brotará os recursos, quem contribuirá, quem será penalizado com os custos "do direito" pleiteado ninguém está preocupado.

O empregado em geral, tenha trabalhado ou matado o serviço, não quer nem saber. Ele quer seus "direitos", tenha ou não tenha se esforçado para consegui-los. E para assegurar tais direitos há sempre a afirmativa: Tá na lei! Só que o fato de constar na lei pode carimbar a legalidade, mas nunca a moralidade. Essa noção de direito disseminada e incrustada nos costumes brasileiros, tornou-se uma obrigação incondicional, uma coisa que deve ser feita de qualquer forma, independente das consequências que porventura ocasione.

Um funcionário público que se aposente por tempo de serviço, com um salário astronômico em razão de agregar dúzias de penduricalhos entre resíduos, adicionais disso ou daquilo, diferenças tais e tais, não quer nem saber se tem merecimento ou não. Ele briga com unhas e dentes na defesa desse "direito legal." Obrigações? Bem, daí o discurso é diferente. Na atividade privada basta o patrão virar as costas para a produção cair. Lagarteiam-se os operários e cozinham o galo a maioria.

No setor público, os arquivos ficam estufados com atestados médicos, licenças disso e daquilo. E até se vangloriam com sua esperteza. O empregador que se lixe! Direito é direito e pronto! Pensar diferente dá lugar ao falso moralismo acusatório contra quem se opuser a tudo isso. Está na genética latino americana. Tirar proveito, mostrar esperteza, seja lá com a malandragem que for.

Há casos, e não são poucos, de pessoas que antes de serem submetidas à perícia médica junto à previdência social, correm o risco de morte tomando remédios "tarja preta", para obterem a aprovação de um "encosto" ou aposentadoria, enganando o médico. Neste país, enquanto houver montanhas de direitos e quase nada de obrigações, não vai ser fácil uma mudança desenvolvimentista.


02 Fevereiro 2020 08:30:00

John Kennedy, ex-presidente dos Estados Unidos, num dos seus memoráveis discursos disse: "Sempre se ouvirão vozes em discordância, procurando o errado e nunca o certo." Tenho a impressão, ou até mesmo certeza, de que sou uma dessas vozes discordantes. Pois bem. Agora, por exemplo, como advogado, tenho que ter um crachá para ingressar no Fórum, lugar onde presto serviços.

Afinal de contas, para que serve minha carteira de advogado? Minha inscrição naquela entidade com os altos custos da anuidade, que serventia tem? Vou mais longe. Prá que serve minha identidade? Lembro que um magistrado e professor, há anos que se perdem no tempo, foi contrário que cercássemos a antiga fundação educacional, hoje Universidade do Contestado. Entendia que uma instituição de ensino superior não devia ter cercas divisória. Gostaria de perguntar para ele, agora, se oportunidade tivesse, por quê cercaram com telas altas os Fórum? Não é a casa da Justiça? A propósito, se o Fórum está bem protegido com cercas enormes, com guardas militares e de segurança privada na sua portaria, crachá prá quê? Nem processos físicos já ali quase não existem. Se a Justiça não se sente segura, imaginem nós? Prossigo nessa minha inútil rebeldia. Para que servem organizações como OAB-advogados, CREA-engenheiros, CFM-médicos, ABCD-dentistas, CRCs-contadores, e vai por aí a fora? Para exigirem filiações obrigatórias e cobrança de anuidades?

Para construírem sedes luxuosas nas capitais onde os mortais interioranos não conseguem usufruir? E olha que eles são diligentes nas cobranças e na aplicação das multas. Essas entidades se subdividem, ou se perfilham, em estaduais, federais, confederações e o diabo que os carreguem! E dele taxas e obrigações! Por qual razão sou obrigado a ter inscrição numa categoria profissional qualquer e pagar os extorsivos custos desta filiação? Ora, se frequento uma faculdade durante anos para ser credenciado como profissional, que negócio é este que depois devo pagar ano após ano para meia dúzia de regalados dirigentes dessas inutilidades? Possuem elas a função fiscalizadora? Mas as leis já não existem para isso? As punições pelo mau exercício de cada profissão já não estão nas leis ordinárias?

Difícil, muito difícil entender este país. Existe até uma identidade própria para idoso provar que é idoso exigida em certos lugares, fazendo da identidade oficial um mero papelucho. E para que serve o registro de óbito se tenho que provar a cada passo, com minha presença, que estou vivo? É brincadeira! 


OPINIÃO - OCO DO MUNDO
02 Fevereiro 2020 08:30:00

John Kennedy, ex-presidente dos Estados Unidos, num dos seus memoráveis discursos disse: "Sempre se ouvirão vozes em discordância, procurando o errado e nunca o certo." Tenho a impressão, ou até mesmo certeza, de que sou uma dessas vozes discordantes. Pois bem. Agora, por exemplo, como advogado, tenho que ter um crachá para ingressar no Fórum, lugar onde presto serviços.

Afinal de contas, para que serve minha carteira de advogado? Minha inscrição naquela entidade com os altos custos da anuidade, que serventia tem? Vou mais longe. Prá que serve minha identidade? Lembro que um magistrado e professor, há anos que se perdem no tempo, foi contrário que cercássemos a antiga fundação educacional, hoje Universidade do Contestado. Entendia que uma instituição de ensino superior não devia ter cercas divisória. Gostaria de perguntar para ele, agora, se oportunidade tivesse, por quê cercaram com telas altas os Fórum? Não é a casa da Justiça? A propósito, se o Fórum está bem protegido com cercas enormes, com guardas militares e de segurança privada na sua portaria, crachá prá quê? Nem processos físicos já ali quase não existem. Se a Justiça não se sente segura, imaginem nós? Prossigo nessa minha inútil rebeldia. Para que servem organizações como OAB-advogados, CREA-engenheiros, CFM-médicos, ABCD-dentistas, CRCs-contadores, e vai por aí a fora? Para exigirem filiações obrigatórias e cobrança de anuidades?

Para construírem sedes luxuosas nas capitais onde os mortais interioranos não conseguem usufruir? E olha que eles são diligentes nas cobranças e na aplicação das multas. Essas entidades se subdividem, ou se perfilham, em estaduais, federais, confederações e o diabo que os carreguem! E dele taxas e obrigações! Por qual razão sou obrigado a ter inscrição numa categoria profissional qualquer e pagar os extorsivos custos desta filiação? Ora, se frequento uma faculdade durante anos para ser credenciado como profissional, que negócio é este que depois devo pagar ano após ano para meia dúzia de regalados dirigentes dessas inutilidades? Possuem elas a função fiscalizadora? Mas as leis já não existem para isso? As punições pelo mau exercício de cada profissão já não estão nas leis ordinárias?

Difícil, muito difícil entender este país. Existe até uma identidade própria para idoso provar que é idoso exigida em certos lugares, fazendo da identidade oficial um mero papelucho. E para que serve o registro de óbito se tenho que provar a cada passo, com minha presença, que estou vivo? É brincadeira! 


26 Janeiro 2020 14:23:00
Autor: Por Carlos Homem

O tempo muda a verdade das coisas!


(Foto: Divulgação)

Faz quase meio século que exerço a advocacia. Cruzes! Parece que comecei ontem! O tempo imita a Fórmula I acelerando a vida. Mas, seja lá qual for a profissão que abraçamos durante toda a vida, sempre ficam fragmentos aleatórios de lembranças. A memória nunca sai da moda. É como jeans azul!

Então, lembro seguidamente de algumas pessoas, geralmente idosas, que me procuravam com a intenção de doar seus bens, ou parte deles, aos seus filhos, parentes outros, ou afeiçoadas. Pediam minha orientação profissional. Consegui dissuadi-los quase todos. Até mesmo porque quem faz isso sempre o faz com um medinho embuçado de arrependimento. Meu argumento central para convencê-los a não cometerem tal liberalidade cheia de riscos, estava na Bíblia. Embora tivesse, como ainda tenho, uma posição agnóstica nessas coisas religiosas, sempre me vali de alguns sábios ensinamentos contidos no livro milenar.

Pois bem. Está escrito lá no Eclesiástico, capítulo 33, versículos 20,21,22: "Não dês em tua vida poder sobre ti, nem a teu filho, nem a tua mulher, nem a teu irmão, nem a teu amigo: e não dês a outro os bens que possuis: para que não suceda arrependeres-te disso, e ficares reduzido a pedir-lho com deprecações. Enquanto viveres e respirares, nenhuma pessoa te faça mudar sobre este ponto. Porque melhor é que teus filhos de roguem, do que estares tu olhando para as mãos de teus filhos." Essas palavras tinham um poder de convencimento incrível. Sim, porque possuem uma sabedoria absoluta.

A realidade sempre está em algum lugar no meio do caminho, e os exemplos vários que se tem conhecimento a respeito disso não são bons conselheiros. As histórias de pais abandonados, ou relegados ao esquecimento, após doarem seus bens, conta-se a todo o momento e em todos os lugares. O tempo muda a verdade das coisas! Velhos despojados dos seus patrimônios materiais, em regra, passam a ser um estorvo na vida dos mais jovens.

Numa forma mais popular, a mãe do conhecido político Paulo Maluf, dona Maria Maluf, sobre este assunto ensinava: "Enquanto a choca velha estiver viva, que os pintinhos andem em roda!". Verdade! As doações, ainda que gravadas com usufruto vitalício fazem os herdeiros ficarem agourando na periferia a morte do doador, como os corvos esvoaçando a carniça. Não é bem assim? Então ta!          



19 Janeiro 2020 08:30:00

Era a chance que precisava para me recuperar

$artigoImagemTitulo


(Foto: Divulgação) /


Contei, dia outro, a minha descrição sobre um copo, valendo como sabatina do mês. Foi assim que determinou minha professora do quarto ano do ensino primário. Ela deu notas de sete a dez para todos os meus coleguinhas, mas para mim só deu dois. Fiquei com um complexo de burrinho por muito tempo. Penso ter escrito lá naquela redação coisas erradas ou dito o que não devia.

Pois bem. Noutra oportunidade, igual tarefa foi imposta para a minha classe. Só que agora ela havia colocado um vaso com flores diversas e lindas sobre a mesa. Devíamos escrever no mínimo vinte linhas sobre aquele vaso. Era a chance que precisava para me recuperar. Embora menino, procurei fazer uma descrição adulta, cheia de filosofias e de poucos fatos históricos que até então conhecia. Mandei ver:

"Na minha sala tem uma mesa onde senta minha professora. Quer dizer, ela senta na cadeira, não na mesa. Muitos dizem que nem é mesa, mas uma escrivaninha. Ela é mais retangular do que quadrada. Não é uma mesa que possa ser considerada bonita, mas feia também não é. Ela é envernizada e tem uma cor de café com leite, com mais café do que leite. De onde estou sentado não dá pra ver, mas aquela escrivaninha tem gavetas só de um lado. São três, e dentro delas não tem nada de importante. Já mexi ali nas horas do recreio. Só tem papéis usados, uma caixa de giz, uma régua e um apagador. A parte de cima está toda riscada. São riscos que também ajudei fazer e, como meus colegas, jamais confessei. Essa mesa, ou escrivaninha, vive coberta de pó. Ninguém tem o capricho de passar um pano logo que começa a aula. Perguntei, por ser curioso, de onde veio essa mesa. A informação que obtive é que foi fabricada em Rio Negrinho. Imagino a importância que a mesa tem na vida das pessoas. Tudo se resolve em torno dela. As famílias se alimentam e se agregam ali. A mesa é histórica ao longo dos tempos, foi ali que se iniciou a domesticação do homem. Foi em torno dela que os doze apóstolos se reuniram para ouvir os ensinamentos de Cristo, numa refeição derradeira. Resolvem-se em volta da mesa todos os conflitos e é escorado nela que se busca o caminho da paz. Talvez por isso é que em cima da mesa da minha sala de aulas tem um vaso com flores" .

Fiquei satisfeito. Não ficou um epítome de descrição, mas ficou boa. A professora com certeza ia gostar. Pois não é que a muquirana, perseguidora, de novo, me deu apenas a nota dois? Mais cruel ainda foi a anotação que ela fez na folha da minha sabatina: "A descrição era do vaso, não da mesa".


OPINIÃO
12 Janeiro 2020 07:00:00


(Foto: Divulgação)

Acordou de manhã com aquela mesma fadiga. Aquele sentimento de inutilidade. Aquele torpor sem sentido. Um gosto sem gosto na boca. Faria o que hoje? O mesmo que ontem, anteontem ou amanhã e depois? Tinha dificuldade de olhar pra si mesmo. Nem queria.  

Ao longo da sua vida, sempre se escorou na esperança. Mas esperança do que, se a única certeza é a morte? Para onde estou indo? No balanço final, valerá a pena? Não tinha resposta, nem aceitava crenças subjetivas. Nem na imponderabilidade das religiões todas. Tinha consciência da sua racionalidade irracional. Indagava-se, falando sozinho: Faço o que aqui na imensidão deste universo? Que importância tenho diante do todo?

Aprendera com a sabedoria da sua mãe que o segredo do bem viver é não pensar. Uma verdade incontestável. Só a pessoa humana nasce com esse defeito atroz do pensamento. Julga-se superior e por isso mesmo sofre! Nem morrer em paz o ser humano sabe.

Questionava-se: que importância maior tenho eu neste mundo do que um macaco tibetano? Respondia para si mesmo: Só a vaidade! É a vaidade que nos faz acreditar na continuidade da nossa existência, principal característica do nosso apego à vida terrena. Estava cansado de repetir equívocos, de rasurar o correto. Ficava aborrecido com a visão e receitas que cada um lhe acenava sobre como levar a vida. E se todos estivessem errados? Estariam ficando louco, pensava?

"Só a pessoa humana nasce com esse defeito atroz do pensamento"

Mas uma pitadinha de loucura também é normal. Necessário permitir-se em pensamentos alienados. Na sua ótica, a loucura de cada um é também inafastável. Ouvia a palavra felicidade de forma recorrente. Que utopia seria essa? Alguém teria estrutura experimental para conceituá-la? Duvidava muito disso.

Nas suas reflexões, acreditava que o imenso somatório de "nãos" que recebeu na infância era a causa principal dos seus conflitos internos. Sempre se incomodara com o choque daquilo que pensava e a forma como realmente agia. Angustiava-se diante desses conflitos que o puniam, e que, como sabia, todos seus amigos os tinham iguais. Ria do uso indiscriminado e repetitivo do clichê "aproveitar a vida", como se o refrão justificasse suas alegrias efêmeras e transitórias.

Depois de ficar meditando no meio do nada, concluiu que não adianta tentar entender o incognoscível. Lembrou, então, da canção de Zeca Pagodinho: "Deixe a vida me levar" e foi para a batalha de mais um dia!


05 Janeiro 2020 08:30:00

Contei, dia outro, a minha descrição sobre um copo, valendo como sabatina do mês. Foi assim que determinou minha professora do quarto ano do ensino primário. Ela deu notas de sete a dez para todos os meus coleguinhas, mas para mim só deu dois. Fiquei com um complexo de burrinho por muito tempo.

Penso ter escrito lá naquela redação coisas erradas ou dito o que não devia. Pois bem. Noutra oportunidade, igual tarefa foi imposta para a minha classe. Só que agora ela havia colocado um vaso com flores diversas e lindas sobre a mesa. Devíamos escrever no mínimo vinte linhas sobre aquele vaso. Era a chance que precisava para me recuperar. Embora menino, procurei fazer uma descrição adulta, cheia de filosofias e de poucos fatos históricos que até então conhecia. Mandei ver: "Na minha sala tem uma mesa onde senta minha professora.

Quer dizer, ela senta na cadeira, não na mesa. Muitos dizem que nem é mesa, mas uma escrivaninha. Ela é mais retangular do que quadrada. Não é uma mesa que possa ser considerada bonita, mas feia também não é. Ela é envernizada e tem uma cor de café com leite, com mais café do que leite. De onde estou sentado não dá pra ver, mas aquela escrivaninha tem gavetas só de um lado. São três, e dentro delas não tem nada de importante. Já mexi ali nas horas do recreio. Só tem papéis usados, uma caixa de giz, uma régua e um apagador.

A parte de cima esta toda riscada. São riscos que também ajudei fazer e como meus colegas jamais confessei. Essa mesa, ou escrivaninha, vive coberta de pó. Ninguém tem o capricho de passar um pano logo que começa a aula. Perguntei, por ser curioso, de onde veio essa mesa. A informação que obtive é que foi fabricada em Rio Negrinho. Imagino a importância que a mesa tem na vida das pessoas.

Tudo se resolve em torno dela. As famílias se alimentam e se agregam ali. A mesa é histórica ao longo dos tempos, foi ali que se iniciou a domesticação do homem. Foi em torno dela que os doze apóstolos se reuniram para ouvir os ensinamentos de Cristo, numa refeição derradeira. Resolvem-se em volta da mesa todos os conflitos e é escorado nela que se busca o caminho da paz. Talvez por isso é que em cima da mesa da minha sala de aulas tem um vaso com flores." Fiquei satisfeito. Não ficou um epítome de descrição, mas ficou boa. A professora com certeza ia gostar. Pois não é que a muquirana, perseguidora, de novo, me deu apenas a nota dois? Mais cruel ainda foi a anotação que ela fez na folha da minha sabatina: "A descrição era do vaso, não da mesa". 


15 Dezembro 2019 08:30:00


(Foto: Kalyane Alves) /


Essa iniciativa ou decisão de excluírem nosso município da região do Contestado, tomada não sei por quem, e nem por que, vai render muita controvérsia ainda. Abstraindo-se os aspectos telúricos, históricos, tradicionalistas, saudosistas, apegos bairristas e etecetera, quero fazer alguma digressão num outro rumo.

Antes de tudo devo lembrar um fato: quando, há alguns anos passados, numa reunião realizada em Caçador, onde participavam os presidentes das Fundações Educacionais dos municípios que vieram a integrar o projeto de criação da Universidade do Contestado, um líder daquela comunidade, o Promotor de Justiça ali radicado e com forte influência, Dr. Taitalo Coelho de Souza foi visceralmente contrário à enominação dada para a nova Universidade. Argumentava, citando experiências e exemplos, que nomes negativos atraíam também vibrações negativas. Que o nome "Contestado" por si só já induzia contrariedade e que a história do Contestado não era uma página de heroísmo, mas uma luta sangrenta repleta de assassinatos e bandoleiros homicidas. E de lutas fratricidas.

Ele era uma excelente argumentador, além de muito culto. Na sua contrariedade, com ênfase, dizia que a energia negativa é real e possui fundamentos científicos. Segundo ele, as vibrações caóticas são capazes de desestabilizar nosso campo energético, que as forças espirituais negativas influenciam e dificultam o sucesso de qualquer projeto. Nomes e lugares, tais como cemitérios, hospitais, cadeias, entre outros, remetem sempre para um sentimento de desconforto. Como se as paredes estivessem impregnadas de coisas ruins. Buscou naquela sua sustentação verbal até mesmo doutrinas espíritas que sustentam a existência dessas vibrações negativas. No passar dos anos sempre lembrei do que disse aquele homem. 

A UnC desde seu nascedouro sempre encontrou barreiras quase que intransponíveis. Houve até mesmo defecções com a saída de Caçador da Universidade, e, embora a luta incessante dos seus dirigentes, as notícias atuais não são nada otimistas. São intermináveis os tropeços. Então, com a ressalva da minha parcial incredulidade, será que a mudança do nome extremamente negativo de "Contestado" para "Imigrantes" não é uma boa? A história dos imigrantes é cheia de heroísmos e tenacidades, já a dos "Contestadores" só nos faz lembrar de muito sangue e desgraças. "Imigrantes" é mais simpático. Ou não é?


08 Dezembro 2019 10:03:00


(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Algumas pessoas com senso de oportunidade criaram um grupo de WhatsApp, aqui na nossa paróquia, denominado "38 Ficha Limpa". É o provável embrião da Comissão Provisória ou Diretório Municipal do novo partido político fundado pelo Presidente Bolsonaro sob o titulo de Aliança Pelo Brasil (APB) que leva o número 38 em homenagem ao 38º presidente do Brasil que ele é. Como aderi à campanha do Presidente Bolsonaro desde seus primeiros dias, adoreia essa ideia da formação de um grupo para divulgação nas redes sociais. Mas, o que me espantou, foi à adesão espontânea e em massa das pessoas. Que loucura! 

A onda mudancista que mexeu com o ranço dos partidos políticos sucateados, até aqui existentes, não arrefeceu. Pelo contrário! Está contagiando cada vez mais, e o voluntarismo gratuito no alistamento para a nova bandeira é espantoso. Gente nova que despertou e quer ter participação política. O mais curioso são alguns nomes de ex-prefeitos, empresários, e líderes dissidentes de outras legendas engrossando as fileiras do PB. Cansaram-se da mesmice!

"O eleitor libertou-se e quer ser dono do seu voto!"

Nesse ritmo, não seria exagero vaticinar que se bem administrada, a nova sigla partidária terá tudo para ser uma força decisiva considerável, malgrado o desespero da cacicada carcomida e viciada nas velhas práticas eleitoreiras. Aquele velho cacoete dos chefões, chefinhos e chefetes (coisas que já fui e que agora me envergonho) e dos acordos unilaterais para acomodação de seus interesses pessoais. Não acordaram ainda essa gente, por incrível que pareça!

A política dos conchavos faleceu com o advento do Bolsonaro. O brasileiro acordou! Não quer mais essas tramas urdidas nas coxias dos partidos. Qualquer jovem que tenha um pouco de liderança e resolva colocar seu nome na próxima disputa, poderá ser eleito prefeito para surpresa geral. E parece que tem! Isso é impossível? Então esperem para ver!

Numa das últimas reuniões que participei, uma pessoa argumentou que essa onda mudancista não duraria muito tempo, que era fogo de palha, e que até a eleição para prefeito já não teria o mesmo ímpeto renovador. Ledo engano! O perigo mora exatamente aí nessa teimosia de ignorar que vivemos em novos temos e que ninguém mais quer seguir políticos profissionais, na maioria acomodados em cargos públicos.

O eleitor libertou-se e quer ser dono do seu voto! "Novidade", esta é a palavra chave do momento. Quem já é que não seja mais! Quem já está no poleiro que abra espaço para sangue novo. Jamais pensei que viveria isso. Aleluia! Sou trezoitão desde criancinha!


01 Dezembro 2019 11:38:00
Autor: Por Carlos Homem

Sendo rico ficaria solto, sendo pobre galera nele!

$artigoImagemTitulo


(Foto: Divulgação) /

Então suas "Excelências" lá do STF (a arrogância não permite chamá-los de vocês), resolveram soltar os ladrões ricos que se encontravam presos. Acho certo! Onde é que se viu rico na cadeia! Galera é para os "oreias secas". Sempre foi. O velho refrão dos três Pês. Pobre, preto e p....! Por que querem mudar isso agora?

Se um rico ficar na cadeia, pode crer que tem um incompetente como seu advogado. A grana faz qualquer um ficar experto em tudo. Em casa de pobre até o cachorro é magro! Daí não dá, né mesmo? Que coisa esquisita essa má vontade da população contra nossas "Excelências".

O senador bocudo Jorge Cajuru abriu a boca no trombone por que lá no Supremo Tribunal, numa única lambada foram gastos R$ 1.134.000,00 para compra de alimentos que, entre outros itens consta a aquisição de "vinho tinto seco da uva tanat (originária do sul da França), safra de 2010, e que tenha tido pelo menos quatro premiações". Penso que está certo! Afinal, o Cajuru quer que suas "Excias" bebam o quê? Vinho em garrafã  o ali de Pinheiro Preto? Tá fora!

Outra coisa: Velho chato é redundância, não é verdade? Agora, mais chato que sua "Excia" o tal de Celso Mello é dose pra mamute! Cruzes que homem prolixo e purgante. É de dar sono! Duvido que aqueles relatórios sem fim lido por ele não sejam feitos na base do "copiar-colar". Mas ele é o "dácano" do Supremo!

Mais uma coisa: Li numa pesquisa que o Brasil tem 11 milhões de pessoas que acreditam que a terra é plana, 46 milhões que nem sabem que pagam impostos, 50 milhões que não acreditam que o homem foi à lua, 65 milhões que nunca compraram um livro na vida, 73 milhões que assumem não acreditar na ciência, 123 milhões não sabem quem é o vice-presidente da república. Deduzo, diante de tais dados, que deve existir uns 20 milhões que acreditam ainda que o Lula seja inocente. A maioria mais por fanatismo do que por burrice, penso! Nada mais natural, portanto, que seis "Excias" semideuses do Supremo pensem da mesma forma.

A lei devia exigir do criminoso uma prova dos seus bens. Sendo rico ficaria solto, sendo pobre galera nele! Sobrariam mais vagas nas cadeias. Pra finalizar, penso também que colunista do "A Semana" deveria ser tratado por excelência. Minha excelência ficaria com a bola cheia. "Vocês" é um pronome que humilha! Se a choldra suprema pode, também posso! 



23 Novembro 2019 09:41:00

Tenho escutado conversas esparsas aqui e ali sobre as próximas eleições municipais. O tempo para essas coisas dispara. O açodamento dos pretendentes tem semelhança com uma égua sestrosa. Já cochicham, sem a cautela do segredo, alguns nomes prováveis. São papos lançados ao sabor da simpatia de cada um. Muitas argumentações toscas, de pessoas forçosamente débeis, temáticas pífias e visões tacanhas.

Há que se ter cautela nas análises dessas coisas. Surgem alguns pretendentes que sabe-se perfeitamente não terem quaisquer possibilidades, mas nos causam uma irritação gostosinha. Tipo um pedacinho de carne entalado entre os dentes. Não causa dano, mas incomoda! Na verdade essas articulações não são nada fáceis. Em tempos idos fiz parte delas. A mesma causa de gostar é causa de não gostar mais. Até porque a política cansa e desilude. O maior oponente dessas negociações muitas vezes não é a pessoa do outro lado da mesa, mas a pessoa do outro lado do espelho. Para tecer um acordo é preciso tanto negociar com o outro quanto consigo mesmo. Então, nessas horas o importante não é aquilo que eu gostaria que fosse, mas aquilo que seja possível e mais próximo do meu desejo.

São oportunidades em que é muito mais importante ouvir do que falar. Ouvir não só o que é dito, mas o que está por trás das palavras. Enfrentar os chamados radicais em tais momentos é tarefa de muita paciência que nem mesmo o bíblico Jó teria. Mas, sem querer entrar na escala de um orgulho infundado, temos um município que não pode mais se dar ao luxo de uma aventura. Não podemos escolher um novo Prefeito motivados apenas pelo seu engajamento partidário, ou só pela nossa eventual simpatia. Eleger um poste a história já tem demonstrado que é um risco, senão um fiasco.

Em política o poder inebria e a criatura sempre devora o criador. Agora os tempos são outros. Necessário que tenhamos discernimento, que saibamos escolher. A vida pregressa do candidato, suas raízes, seu currículo, sua idoneidade moral, suas experiências de vida, devem ser levadas em conta. A população tem que ter esse discernimento e responsabilidade para que não sejamos vitimas de um aventureiro. Não podemos investir numa esperança boboca, mas numa esperança disciplinada. 


17 Novembro 2019 08:30:00


(Divulgação) /


Minha professora do quarto ano, no primário, mandou que pegássemos uma folha do caderno e fizéssemos uma descrição sobre um copo. Colocou-o sobre a mesa e exigiu no mínimo vinte linhas. Valeria como a sabatina do mês. Foi então que viajei! Suei para fazer a tal descrição: "O copo é de vidro e se cair vai quebrar. Depende, já deixei cair um copo bem igualzinho a esse e não quebrou. Sorte minha, pois se tivesse quebrado, o chinelo ia me esquentar a bunda mais uma vez. 

Desconfio que, para fabricar um copo de vidro, seja bem complicado. Nem sei bem como é que fazem, mas sei que não deve ser fácil. Nunca me explicaram como é que se fabrica o vidro. 

O copo que está na minha frente, em cima da mesa, tá bem esgualepado, o coitado. Acho que a professora o morde quando está bebendo alguma coisa, tá todo piriricado nas beiradas. Já a vi bebendo café nesse copo. Que feio! Em copo não se toma café, mas em xícara. Café no copo é nojento! Minha professora é meio cascuda!

Esse copo é bem igual àqueles que os homens bebem cerveja nas bodegas lá perto da minha casa. Ele é todo facetado. Meu pai não gosta, ele diz que, para beber cerveja, tem que ser em copo liso. De preferência comprido e de vidro fininho. Quando eu puder beber cerveja não vou querer que seja num copo vagabundo como esse daí. Para tomar café então, nem falar! Minha professora tá fora! 

Quando alguém enche a cara, ouço dizer que ele tá dentro do copo. Não consigo entender! Como é que uma pessoa vai caber dentro de um copo? Nesse copo que tá aí sobre a mesa, não cabe nem uma mão, quem dirá um homem! 

Desconfio que na casa da minha professora só tenha desses copos chumbregas. Esse copo aí bem que poderia estar trincado. Daí a gente teria mais assunto para falar dele. Podia pelo menos ter um pouco de água, mas tá vazio e seco. Na formatura de advogado do meu irmão, não tinha desses copos mixurucas como esse daí. Eram copos bem chiques e personalizados. Tinha até de cristal! Essa palavra 'personalizado' aprendi naquele dia. Vou parar por aqui. Já falei mais de vinte linhas sobre esse lixo de copo". 

Minha descrição não foi lá essas coisas, reconheço. No entanto, embora a professora tenha dado notas para todos os meus coleguinhas que variavam de sete a dez, para mim ela só deu dois. Não me conformei. Será que a minha descrição estava tão ruim assim? Ou eu disse alguma coisa que não devia? 


10 Novembro 2019 08:28:00
Autor: Por Carlos Homem

A síndrome do embuste permanece encalacrada nesse meio


(Foto: Divulgação)/

Sem saudosismo brega! Sou dos tempos em que o título de universitário dava status para o acadêmico. Era olhado, desde o vestibular, como uma promessa profissional competente que logo ocuparia uma posição social invejada. Impunha respeito pelo simples fato de ser universitário. Apostava-se tudo neles. Entrementes, os treze anos de petismo castrou desses jovens, como de todas as instituições, o respeito por eles mesmos. E pelos outros também. O chamado politicamente correto derrocou tudo, inclusive o sexo, pluralizando-o.  

Em conversa descontraída com um professor universitário, entre outros absurdos, revelou-me que o corpo docente dessas instituições enfrenta um novo problema. Trata-se da banalização do atestado médico. A industrialização dos atestados médicos, a bem da verdade, não é de hoje. Médicos existem, e não são poucos, que ante o pagamento de uma consulta fornecem atestados para tantos dias quantos forem solicitados. Mercancia de atestados!

Se operários e funcionários preguiçosos abusavam do atestado médico para ficar de 3 a 15 dias sem trabalhar, os universitários agora se valem desse expediente para constranger seus professores. São atestados que garantem para alguns alunos, com alegados e falsos retardos mentais, que façam provas em horários mais dilatados do que seus colegas. Outros, porque dizem sofrer da síndrome do pânico, não podem assistir aulas junto com os demais. Outros ainda, por mais espantoso, escudados em atestados médicos, não permitem que professores lhes deem tarefas que exijam um pouco mais de esforços, porque isso os estressa e podem lhes causar traumas. Dondocas!

Que barafunda, onde vamos parar? Para que servirão tais "profissionais"? Formar-se-ão com graduação em esperteza para enganar seus pacientes, clientes, constituintes e trouxas em geral.

O que deixa o professor indignado é ver tais acadêmicos em patotas nos barzinhos, festejando com o dinheiro dos pais, com algazarras, sem dificuldade nenhuma e nem síndromes disso ou daquilo. São exatamente esses que fazem protestos nas ruas, que gritam contra medidas governamentais, que "defendem" a democracia, que pregam doutrinas exóticas, ainda que, para isso, cheguem mesmo a tirar a roupa em público. Alguns mostram até mesmo a bunda para evidenciar onde está localizado o seu intelecto. E vá falar! São cheios de razões e de direitos. Afinal, não podem ser livres? A síndrome do embuste permanece encalacrada nesse meio.



OPINIÃO
03 Novembro 2019 10:00:00

'Por que ficar estressado? Reinvente-se!'


(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Sei muito bem. Não é nada fácil sair da cama com estes friozinhos da manhã. Mas não tem outro jeito. A vida é assim mesmo, temos que trabalhar e pronto! Agora, também não é preciso levantar com a cara enfezada.  

Nem dando coice nas pessoas ali por perto. E não responda quem contigo falar com gemidos e monossílabos. Hum..hum, hãnhã, é, não, sim. Sintonize, cara! Não descarregue tua irascibilidade nas pessoas que te circundam. Seja simpático! Que mania tem o bicho humano de levantar azedo! Sai do ninho com ódio do mundo como se tivesse um ramo de urtiga brava embaixo da cola.

Quer saber de uma coisa, cara? Levante, assovie ou cante, faça uma brincadeira, force uma risadinha qualquer, pratique um exercício rápido, dê um bom dia entusiasmado para aquele cara do espelho. Tome um banho e não fique contrariado só porque o sabonete escapou da tua mão. Se você estiver sozinho, não corre o risco de se abaixar para juntá-lo, fique tranquilo! Nem ligue se o teu chuveiro é uma droga já que quase todos são.

Espante o mau humor da manhã! Esqueça o boleto vencido e o cheque pré. Ninguém tem culpa se você gasta mais do que ganha. Quer esnobar sem poder? Então se lasque! Pare de falar mal das pessoas e do teu chefe. Não procure culpados para os teus conflitos. O problema está sempre no burro, nunca na cocheira. Fique calmo se não conseguiu abrir aquela lata direito, se a rolha esfarelou no gargalo, se a película do celular tá cheia de bolhas, se a manteiga embola no pão, se o leite coalhou, se o bico do sapato riscou na primeira usada, se tem que submeter-se ao suplício do atendimento bancário.

Por que ficar estressado? Reinvente-se! Limpe aquela gaveta e jogue fora aquele monte de fios, cabos, tomadas, parafusos, fitas cassetes. Você não vai utilizar aquelas quinquilharias nunca! E você, por acaso, tem essa esquisitice de colecionar alguma coisa? Chaveiros, selos, figurinhas, rótulos, sacolas de lixo, tampinhas, canetas que vazam, cuecas estampadas, bonecos ridículos, penicos esmaltados antigos, discos do Elvis, bisnagas de ketchup? Pare com isso, cara, não se isole! Colecione dinheiro. Não é fácil, mas tem muito valor! Quanto maior essa coleção, mais valor terá. Óbvio!

Então saia de casa devagar, sem atropelos, embarque no carro e vá trabalhar. Não excomungue o pedestre folgado que atravesse a rua bem devagarinho só para te sacanear. Ele tem também o direito de se julgar o dono do mundo e te afrontar com seus recalques. São as coisas do cotidiano.


27 Outubro 2019 12:15:00


(Foto: Divulgação) /

Já tinha ouvido falar, mas fiquei na dúvida. Numa época de tantas mentiras não é fácil acreditar na verdade. Mas, dia destes, conversando com um amigo que viajou pelo interior da Itália, contou-me que conheceu uma funcionária graduada de uma prefeitura municipal brasileira, lá numa pousada de um vilarejo italiano. Ela estava fazendo turismo há mais de 20 dias, sem estar de licença ou férias.

Revelou a dita senhora para o meu amigo, sem qualquer cerimônia, que agora, com a informatização, pode viajar a vontade porque "despacha" seus compromissos burocráticos do lugar onde se encontra. Como se tivesse presente na "repartição". Não precisa mais fazer expediente. Fiquei meio incrédulo com tal fato. Entrementes, parece que a coisa é bem mais comum do que se imagina. Tem um montão de gente exercendo cargos públicos e importantes com a comodidade de "despachar" em casa. Há inclusive um projeto de lei tramitando com esse desiderato. É o chamado "onbording" (a bordo) da atividade empresarial privada. Se tudo está sendo eletrônico, quem tiver interesse que acesse!

Que maravilha! Fico imaginando a economia que isso vai permitir aos cofres do erário. Não serão mais necessárias as edificações de sedes enormes, com salas amplas e escadarias de mármore, elevadores, telefones, ar condicionado, escrivaninhas, garagens, banheiros, consumo de água, luz, seguranças, veículos com motoristas, etc. etc. etc. Todos os funcionários públicos, no futuro e nessa toada, poderão ficar em casa "trabalhando" sem ninguém vigiando e através do computador. Ligar e desligar a máquina servirá como controle do ponto.

Ninguém mais precisará se esconder atrás dos biombos pra fugir do atendimento. E o distinto público, mais conhecido por usuário ou contribuinte? Bem, que cada um compre um equipamento. Mas e quem não pode comprar? Nesse caso azar dele, ninguém tem culpa do pobre ser pobre, não é verdade? Ora, ora, se o progresso acabou com os índios, com a moral, com o respeito, com a privacidade, pode muito bem acabar com os carentes, não pode?

Estou pensando em adotar esse sistema de trabalho doméstico. Meu problema vai ser a geladeira. Abro e fecho aquela desgraça, por impulso e ansiedade, umas 100 vezes por dia nos finais de semana. Imagino como seria ficar a semana inteira "trabalhando" em casa. Sobrará um tempo enorme pra ficar olhando a língua no espelho! 



20 Outubro 2019 09:30:00


(Foto: Divulgação) /

Ele tinha plena consciência de que já não impressionava mais ninguém com a sua aparência. Beirando seus cinquenta anos vinha notando que o traseiro estava meio caidinho e as canelas afinavam a cada dia. Mas, a barriga, pelo contrário, aumentava na razão inversa e em proporções maiores. Os amigos cervejeiros como ele viviam contando vantagens sobre mulheres. Eram todos `matadores´, como amiúde gostam de mentir os homens. Havia, no entanto, um problema com ele.

Era tímido e encabulado ao extremo com o sexo feminino. Em razão disso fazia parte ainda da tribo dos solteiros. Porém não lhe faltava inteligência nem tinha dificuldade com as redes sociais. Uma idéia lhe brotara há algum tempo. Por que não garimpar uma namorada na internet? Tinha ouvido histórias e casos bem sucedidos. Então pesquisou. Procura aqui, procura ali, procura acolá. Entre tantas que provocou um diálogo virtual, engraçou-se numa. Nos papos digitalizados por ela, fazia seu tipo. A angústia, a inibição, a timidez, a insegurança de imediato lhe assaltaram.

Depois da troca de muitas mensagens, as primeiras bem formais e as posteriores mais insinuantes, combinaram em trocar fotografias. Fotografias? Isso com certeza ia melar o romance. Era aquela curiosidade normal de todo namoro. Ambos querem fazer um apanhado geral do outro. Uma espécie de mapa pessoal a ser analisado. A aparência revela ou engana muito! Uma investigação social e conferência. Ele mentira desde o começo sobre sua idade, reduzindo-a em dez anos. Também não disse a verdade sobre sua pequena estatura. Abateu uma porçãozinha do seu peso também.

Afinal, coroa barrigudo é redundância, pensava. Daí lhe veio uma intuição lógica: Ela também poderia estar mentindo. Como fazer? Combinou então um encontro com ela em local neutro como fazem as nações em conflito. Acertaram que deviam se encontrar num Shopping, em frente de uma loja específica, no horário combinado, quando ela deveria estar usando saia plissada e bolsa preta a tiracolo, e ele com terno e gravata portaria um jornal dobrado embaixo do braço esquerdo.

Assim seriam reciprocamente reconhecidos. Ele espertamente vestiu-se de forma bem simples e foi espreitar de longe a sua pretendida. Caminhou de um lado para outro disfarçadamente mais de duas horas. Daí desistiu. Não conseguiu vê-la. Nem notou que uma coroa balofa, feiosa e de bermuda, também rondava por ali como quem não queria nada.   

       


13 Outubro 2019 15:48:00

A vida aqui embaixo não é nada fácil, tá sabendo Deus?


(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Caro Deus! Criei coragem e resolvi Lhe escrever uma carta. Imagino que o Senhor tenha milhões de cartas ainda pendentes da Sua leitura. O Senhor já sabe de antemão, com certeza, que quase todas elas são pra pedir alguma coisa. Tipo emprego público: Todo mundo quer um! Ou querendo que pague dívidas que o Senhor não fez, mas que lhe transferiram na base do "Deus lhe pague". Gente aos montes rogando muita saúde, mas sem um mínimo de cautelas.

Humano é bicho folgado, não é mesmo, Deus? Fico preocupado de falar com o Senhor assim com esta intimidade toda. Afinal, me desculpe a franqueza, mas o Senhor é muito sério, cara fechada demais. Dá um medinho danado na gente. Puxa, Deus! Não custa nada abrir um sorrisinho simpático pra facilitar as coisas, não acha?

Mas o motivo maior desta missiva (acho que "epístola" ficaria melhor) é pedir algumas dicas e justificar algumas atitudes minhas. Por exemplo, gostaria de saber se posso fazer algumas ações humanitárias aqui na Terra pra garantir uma cadeira numerada aí em riba. Também tenho dúvidas que me atormentam e gostaria de esclarecê-las. Pensei em dar esmolas sem ter nenhum interesse no retorno. Mas é inevitável, Deus! Quando ajudo alguém, sempre espero a retribuição. Uma espécie de rendimento, juros, debêntures, sobre o capital da bondade investido.

Outro dia pensei até em visitar o Adélio e ingressar com um habeas-corpus pra tirá-lo da cadeia, coitado, mas fiquei com medo que o energúmeno me desse uma facada. Tá louco, né, Deus!

Tenho a intenção de Lhe conhecer pessoalmente, mas não estou com nenhuma pressa. Fique certo disto! Inclusive, se o Senhor me der um empurrãozinho, quero demorar mais uns 50 anos! Quanto as minhas dúvidas, há uma que, me perdoe, Deus, mas não me conformo. Abraão, Jacó, Davi, Salomão, entre tantos outros personagens bíblicos tiveram muitas mulheres. Não é verdade? Então, por que agora só pode ter uma? Lemeque, o da Bíblia, em Gênesis 4:19, já tinha duas garantidas.

Se o Senhor mudou de ideia de uns tempos para cá eu acho que não foi uma boa decisão. Penso assim apenas, né! Quem sou eu para questionar o Senhor? Então deixe quieto! Mas que o plural no inicio da criação era melhor que o singular destes dias, ah, isso era! A vida aqui embaixo não é nada fácil, tá sabendo Deus? Não sei ainda o motivo de o Senhor ter me criado com a obrigação de trabalhar para viver. Que saco! E antes que eu me esqueça, pra que serve o dente do siso, Deus? Por que inventou essa coisa inútil? Só para torturar tuas criaturas? Era isso. Qualquer dia desses Lhe escrevo de novo, se não for incômodo. Um abraço!


06 Outubro 2019 08:31:00


Então é o seguinte: Dois empregados propõem duas ações contra o mesmo empregador. Pleiteiam praticamente os mesmos direitos. Direitos que, por mais organizado que seja o patrão, sempre restam resíduos devidos ao empregado. Uma parafernália de leis que não há como serem atendidas. E o formalismo contra o empregador é cumprido à risca. A mera inexistência da assinatura num único cartão ponto entre tantos o invalida, como se não tivesse sido o empregado quem teria efetuado aqueles registros. O empresário é sempre o suspeito, o bandido!

Daí, então, por não encontrarem testemunhas que lhes sirvam de provas, um serve como testemunha do outro. Pode? Mas se têm interesses iguais nas causas, um pode servir de testemunha do outro? Não seria troca de favores? Não estariam suspeitos? Estariam, mas pode. Claro que pode! Na justiça trabalhista contra o empregador tudo pode. A suspeição no caso não vale. Mas, a lei trabalhista (CLT) não está subordinada ao Código de Processo Civil? Em tese está. Mas pra que servem as tais súmulas do TST? E no exemplo acima não estariam ambos os autores suspeitos de serem testemunhas? Estariam. Mas, neste país, as leis propriamente ditas não valem nada, com perdão pelo superlativo.

O que vale mesmo são as portarias, instruções e precedentes normativos, súmulas, entendimento de juízes reunidos em convenções, e aquilo que chamo de "muleta mental" conhecida por jurisprudência. A jurisprudência chancela a preguiça do pensamento! Economiza e dispensa os argumentos de convicção nos julgados. Como se fosse possível dois ilícitos ou fatos humanos serem iguais.

Qualquer colegiado do judiciário legisla de acordo com sua vontade. Daí criam esses Frankenstein jurídicos! Imaginem, então, se os Ministros do Supremo Tribunal não fazem o que bem entendem. Mudam as leis vigentes e criam outras ao sabor de seus interesses sem o mínimo constrangimento. Abrem as portas das prisões soltando condenados porque na última defesa do processo um bandido falou antes que o outro. Tá louco!

Nestas horas a gente tem pensamentos que não suportam o eco! Virou tudo numa imensa bosta! Ahh...quase esqueci! Na acusação de um crime, os policiais que prendem o acusado servem de "provas robustas" no texto da sentença. Pode? Claro que pode! Há um universo de arrogância nessa promiscuidade legal. Mas, cale sua boca! Em briga de jacu, inhambu não pia!        


29 Setembro 2019 08:30:00

A natureza humana tem aspectos sombrios


(Ilustração: Divulgação) /


Constato a todo o momento, passeando pelos WhatsApps, Facebooks e etecetera, com os tropeços naturais da minha inabilidade para lidar com essas coisas, que estão sempre por ali umas mesmas pessoas. Não compartilham temas comuns, curiosidades, novidades, notícias atuais. Não, pelo contrário, fazem questão que saibamos onde elas estão, por onde transitam neste mundo. Onde se deleitam nos sonhos reprimidos da maioria. Como se fôssemos obrigados a saber por onde andam!

A natureza humana tem aspectos sombrios. Penso que ainda mantemos escondido dentro de cada um de nós o símio primitivo. Aí o cara vai viajar pelo mundo, mas não se contenta só com a própria viagem. Ele tem necessidade que todos saibam e vejam o seu sucesso, gratificado com uma viagem internacional. Eu posso, eu estou aqui! Você não pode! Morra de inveja! Fartam-se com o ciúme dos outros.

Essa tola noção de que eu sou diferente, que possuo uma essência que me diferencia dos demais, é própria do narcisismo. Essas redes sociais potencializam a vaidade. O exibicionista, insatisfeito consigo mesmo, quer que vejamos sua imagem refletida no espelho d´água. Que nos apaixonemos também por ela! Porém, essas redes sociais permitem também que vejamos desnuda a personalidade de muita gente. Num mundo onde "aparecer" atende muito mais à necessidade de coçar o próprio ego, "ser" virou acessório supérfluo.

Pior é que em algum momento, com alguma reserva, ou sem reserva nenhuma, todos nós sentimos essa insegurança. Precisamos buscar lenitivos na divulgação dos nossos momentos felizes. Então dele que dele mandar fotos e imagens onde aparecemos em lugares exóticos ou famosos. No Vale do Loire vi uma senhora pedir para ser fotografada segurando o enorme sexo da escultura nua e deitada do Leonardo Da Vinci. Fiquei ensimesmado. Estaria querendo demonstrar exatamente o quê? Talvez revelando fantasias sexuais sublimadas? Carência? Vai saber! Aquela mulher talvez, quem sabe, para sair do anonimato estaria adotando o célebre raciocínio do poeta irlandês Oscar Wilde: "A única coisa pior do que ser falado é não ser falado".

 Não sei exatamente o porquê dessa minha estranha atração pelo comportamento dos idiotas. Fico espiando esses atos egocêntricos, essas atitudes histéricas. Desperta em mim uma irritação divertida, mas tenho consciência desta minha imperfeita implicância. O esnobe narcisista provoca mesmo essa repulsa. Fazer o quê?



Jornal "A Semana" | Rua Daniel Moraes, 50, bairro Aparecida | 89520-000 | Curitibanos | (49) 3245-1711