35anos barrra.png
35anos barrra.png
  
CH.png

12 Novembro 2018 09:01:00


(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Acho, ou melhor, penso, porque nunca acho nada! Então penso que essas palestras motivacionais oferecidas pelas empresas para seus funcionários cansados, sempre com o nome de "atualização", são engraçadas. Ou, digamos, perversas. Os empregados são motivados, após assistirem tais palestras, para trabalharem mais ainda. 

Os palestrantes, via de regra, são bons de bico, pedagógicos, simpáticos, bem humorados, cheios de recursos verbais e convincentes. Ensinam como o participante obtenha maior reconhecimento do empregador sendo mais produtivo no trabalho. Eles mesmos, no entanto, se reveladas suas identidades, nada mais fazem do que andar por aí "motivando" os outros. Sucessos pessoais, deles mesmos, é muito pouco.

Me fazem lembrar das videntes. Preveem o futuro, aconselham e fazem sortilégios para o sucesso da vida dos consulentes, sorte nos negócios, no amor, etc. Elas mesmas, com unanimidade, são todas pobretonas e vivem com migalhas. Para si mesmas as previsões não funcionam. Claro, na prática a teoria é sempre outra.

É fácil, muito fácil palpitar e sugerir soluções para a vida dos outros! O problema é administrar a nossa! Elementar. Não há lógica no comportamento das pessoas e o transitório é a constante. A cabeça humana é enigmática e tem sua individualidade.

"É FÁCIL, MUITO FÁCIL PALPITAR E SUGERIR SOLUÇÕES PARA A VIDA DOS OUTROS!

Voltemos aos palestrantes motivacionais. O que eles têm em comum é o argumento de que todo sucesso alcançado pelas pessoas é sempre o resultado de uma força de vontade e disposição excepcionais.

Lindo, sob o aspecto teórico! Quando essas palestras, seminários, encontros, e sabe lá que denominações lhes sejam dadas são pagas, o dinheiro é sempre jogado fora. Os participantes saem dali cheios de ideias e com as baterias carregadas. Não leva sequer uma semana e já esquecem tudo. Igual aos regimes alimentares com o objetivo de emagrecer.

Duram dois ou três dias, depois se permite, negando a própria rendição, que o organismo recupere com sobras tudo aquilo que lhe foi negado. Assim é, porque uma porção de mecanismos do nosso corpo continua oculta e indecifrável. Essas doses de otimismo, de estímulos, de autoestima, que os profissionais da motivação incutem naqueles que os ouvem, porque são todas abstratas, e, portanto frágeis, logo se rendem ante a realidade do dia a dia. As dificuldades são imprevisíveis e aparecem aos montes. Assim como os livros de autoajudas, de frases e mensagens feitas na Internet, achamos muito bonitas e até verdadeiras quando as lemos. São, porém, inócuas. Evaporam-se. Na prática não as seguimos.


OCO DO MUNDO
03 Novembro 2018 21:01:00

Universitário que não seja da esquerda é careta. Retrógrado. É chique ser do contra. Agredir as estruturas dá um quê de inteligência, de independência, de que tem personalidade. Nestes dias agitados pelas eleições, os universitários adotaram o discurso antifascismo. Mal se dão conta que assim como o comunismo, o fascismo há muito entrou em colapso. 

Tá fora! Mas os acadêmicos invadem as universidades com seminários e palestras sobre o fascismo. Até quebra-quebra promovem na defesa "dos direitos" para realizarem tais eventos. Boicotam as aulas com desculpas de que estão sendo ameaçados pelos "fascistas". Estudar é o que menos fazem. Pode? Acreditam nisso? Muito bem. Aposto uma viagem de ida para a Venezuela como 95 em cada 100 universitário não sabem o que é o fascismo, onde nasceu, quem foi seu criador, que doutrina defende. Vou bem mais longe. 

Aposto mais uma viagem só de ida para a Uganda como 99 em cada 100 universitários não são capazes de escrever dez linhas sobre o fascismo. Dez linhas é muito? Tá bom, tá bom, deixo por cinco! Quando se é jovem o discurso socialista soa romântico e filosófico. E jovem, nesses assuntos, como sempre, viaja na maionese! É porque acha bonito ser qualquer coisa, mesmo que não saiba do que se trata. Babacas é o que são! Vivemos em dias que há muita gente defendendo besteiras e se sentindo orgulhosas por isso. 

São os imbecis com complexo de sabidos. Aliás, estudos realizados com dezenas de milhares de pessoas, em vários países, constataram de forma assustadora que a inteligência humana começou a cair. Há uma regressão lenta, mas preocupante. Penso que tal conclusão já havia constatado na minha última experiência como professor. Meus alunos, com raras, raríssimas exceções, eram capazes de responder uma questão dissertativa quando a fundamentação tivesse que ser em no mínimo dez linhas. 

E vejam que eram estudantes no curso de Direito onde o uso da fundamentação é primordial. Lembro de uma moça que me entregava as provas mensais com as questões dissertativas em branco, alegando que sabia as respostas, mas não conseguia explicar. Há, é visível isso, um declínio na capacidade de raciocinar. Qualquer dúvida é mais fácil consultar a Internet pelo celular. Tomou o celular deles ficam deficientes físicos e mentais. A preguiça mental está atrofiando a capacidade de pensar. 

Os universitários gostam de contrariar, de propagar modismos, doutrinas exóticas, sem saberem do que se tratam. Daí, quando vejo acadêmicos fazendo discursos contra a perseguição, ou ameaças do fascismo, gostaria, se possível fosse, de colocá-los todos num local apropriado e sabatiná-los, com obrigação de escreverem em dez linhas, o que é tal doutrina. São uns tolos, na verdade. Assim, como na fábula de Monteiro Lobato, o tolo nunca é mais tolo do que quando se mete a sábio. 


28 Outubro 2018 14:05:00
Autor: Carlos Homem

Para escrever é necessária uma boa dose de ceticismo


(Foto: Divulgação)/


Comum, muito comum pessoas conhecidas que leem meus semanais desvarios me abordarem aqui ou ali sugerindo assuntos. São motivações das mais inusitadas. Normalmente fico meio sem jeito, sem saber o que responder.

Quando insistem gaguejo, fico com cara de paisagem. Amiúde me faço de surdo, ou desligado. Aliás, desligado é uma coisa que nem preciso fingir. Estou quase sempre com os três pinos desconectados da tomada. Em tais oportunidades fico com medo de parecer mal-educado, arrogante, sei lá. Porém, não se trata nada disso.

É que escrever uma crônica semanal sob motivação própria difere completamente de abordar temas encomendados. Apenas acredito que não existam fórmulas prontas, esquemas infalíveis, receitas pré-fabricadas, para se arquitetar uma narrativa qualquer. Mas se posso dar uma dica para quem goste, ou tem vontade de escrever, ela é simples: comece! Escreva a primeira palavra, a primeira frase. É como caminhar. Dê o primeiro passo. Mas confesso que assumir o compromisso de escrever semanalmente não é nada fácil.

Sempre há o sufoco do tempo, a tortura da preguiça e a eventual desmotivação. O espaço tem também uma curiosidade paradoxal. Se temos um assunto que brota com vertentes abundantes, o espaço é pequeno. No entanto, se o mote é pobre de aspectos, emperra. O limite se nos afigura inalcançável. O bom mesmo é escrever com sobra de tempo. Daí, na medida em que as ideias aparecem, pode-se pesquisar, ler tudo o que seja relevante sobre aquele tema.

Tem-se que tomar muita cautela, no entanto, para não cair na obviedade. Mas é inevitável, estamos sempre tropeçando nela. Assuntos aparecem que exigem um garimpo cuidadoso para evitar-se escrever absurdos. E a atenção deve ser disciplinada. Perdido às vezes na dissertação fácil sobre alguma coisa acaba-se resvalando na ortografia. Ou na dubiedade, ou na ambiguidade. Mas, uma coisa é fundamental: para escrever é necessária uma boa dose de ceticismo.

É imperioso dar ouvidos a todos, sem confiar integralmente em ninguém. As versões são sempre discordantes e as variantes contraditórias. O desalento muitas vezes também surge de forma inesperada. Nos dias atuais, com as pessoas vivendo estressadas e com o humor aos frangalhos, a crítica ácida é frequente e implacável. Quem escreve vive em sobressalto. Por derradeiro, devo repetir para quem eventualmente tenha vontade de escrever que a melhor dica é: comece!



21 Outubro 2018 09:30:00

'No mundo em que vivemos, tudo tem ascensão e queda'

Quá, quá, quá! É bom demais pra ser verdade. As raposas que dominavam a política brasileira foram entocadas. Os partidos políticos principais, manipuladores do voto popular, agora foram jogados no lixo.

As poderosas empresas de televisão que elegiam quem se submetesse aos seus interesses, todas penduradas nos governos e sanguessugas do dinheiro público, perderam sua importância. Não dominam mais a opinião pública com mensagens diretas ou sublimadas. O mundo político tradicional, rançoso e sucateado, está cético e acovardado.

Nem conseguiram entender ainda exatamente o terremoto que o devastou. Assiste sua destruição sem esboçar nenhuma reação. No mundo em que vivemos, tudo tem ascensão e queda. Chegou a vez da derrocada e extinção do político profissional. Pena que sobraram alguns ainda. Nunca foi fácil eliminar uma praga de forma completa. Sempre sobram alguns parasitas resistentes aos defensivos. Que maravilha!

A bacanal partidária que até nestes dias vigorava, sempre esteve escorada em três pilares: cargos públicos - verbas orçamentárias - negociatas corrompidas. Quem poderia imaginar que as redes sociais um dia poderia ter tanta força? Nada se faz em segredo nos dias atuais. Sempre tem uma câmara registrando a cena ou gravando a conversa. Propaganda enganosa não elege mais ninguém! O povo, usando um aparelhinho celular acabou desnudando as mentiras sistemáticas da esquerda retrógrada. Vivemos dias em que os miseráveis se transformaram em pobres e os pobres devedores das financeiras. São créditos fáceis, mas garantidos pelo desconto direto nos salários. Já os ricos ficaram milionários.

"No mundo em que vivemos,

tudo tem ascensão e queda"

Desde os tempos de Maria Antonieta o povão é enganado com migalhas. É bom, é muito bom ver o ocaso de Lula e seus porres escandalosos. O episódio do mensalão abriu as portas para um processo irreversível de mudança. A caneta e a coragem do juiz Sérgio Moro abriram os olhos da nação brasileira. A ladroeira institucionalizada foi revelada ao povo. Agora não adianta candidatos inventarem propagandas sofisticadas e milionárias para se verem vencedores em disputadas políticas.

O povo sabe a verdade, tem um aparelhinho no bolso e dissemina a informação. Desqualificar ou desestruturar o adversário com mentiras já não funciona mais. Conchavos e coligações partidárias não representam mais a vontade popular. Aqueles políticos demagogos com discursos decorados serão uma espécie extinta muito em breve. Mas como a história comprova, eleitores fanáticos por teimosia e outros cegos pela carência de líderes, resistirão. Claro que estes ficarão na margem do bom senso, pensando em ser diferentes, presumindo-se mais inteligentes que todos.

Assim como ainda restam admiradores do caudilho Getúlio Vargas, é provável que passados mais de cinquenta anos também haverão de existir apaixonados pelo nosso atual presidiário pinguço. Mas, de qualquer forma, o país saiu vitorioso desta eleição! Começa um novo ciclo!        


14 Outubro 2018 10:00:00


(Foto: Divulgação)


Morei, em período muito curto, num apartamento. Antes de ali residir ganhei de um amigo um sabiá que ele criara desde filhotinho. Bichinho maravilhoso! Cantava o dia inteiro. Por isso pendurei a gaiola na sacada. Adorava ouvi-lo e permitir que os vizinhos também tivessem o mesmo prazer. 

No meio da tarde de um certo dia a campainha tocou. Era minha vizinha, solteirona que morava sozinha no apartamento ao lado. Pediu-me, sem qualquer cerimônia, se era possível colocar um panopor cima da gaiola, impedindo que o sabiá cantasse. Alegou que trabalhava no período noturno e que precisava dormir durante o dia. O canto do sabiá estava importunando seu soninho. No conflito da minha indignação com o bom senso, venceu o segundo. Levei meu querido passarinho para a casa de um parente.

Por quê conto isso? Para falar de vizinhos. Existem vizinhos simpáticos, prestativos e educados. São pessoas que não perturbam ninguém.

Mas tem vizinho para todos os gostos e calibres. Alguns têm atitudes chocantes e bizarras.

Outros têm esquisitices estranhas e até mesmo engraçadas. Invejosos? Deste tipo tem bastante. Vivem de olho na vida dos outros, fiscalizando se comprou uma geladeira nova, um televisor de duzentas polegadas, se comprou um carro zero. E lá vem comentários desairosos: "Onde arruma tanto dinheiro? Aí tem coisa!".

Vizinhos há que nos dias menstruados não dizem bom dia pra ninguém, ao passo que em outros dias apresentam-se sorridentes como se tivessem ganhado a megasena.A convivência não se torna nada fácil. Vizinhos fiscais são os que mais tem. Olham tudo, regulam tudo, vivem delatando pequenos deslizes para o síndico. Daqueles que levam uma lista de reclamações nas assembleias do condomínio. Vivem incomodados com os tamancos da vizinha de cima, da algazarra das crianças dos moradores do lado direito, do latido do cachorrinho do apartamento do lado esquerdo.

Sendo vizinho de rua tem alguns que reclamam porque a rua tem lombada e reclamam porque não tem. Já vi vizinho reclamar do cheiro da churrasqueira da casa limítrofe, do barulho do portão da residência da frente, da gritaria na piscina da mansão da esquina. E os folgados? Aqueles que colocam o saco do lixo na tua lixeira, que a cada passo pedem emprestado uma ferramenta, que quando viajam te escalam para ser vigia da casa dele.Chatos? Bah! Dessa espécie achamos aos bandos, não só na vizinhança. Vizinhas pidonas, fofoqueiras, reclamonas, briguentas, pilantras.

Tive um vizinho metido a astrólogo. Cortava meu caminho para me dar conselho e anunciar catástrofes. Sabia até o bicho que ia dar. Nunca acertava, não tinha nada a ver! Tem até casais sem vergonha afrontando os vizinhos com demonstrações de fogosa sexualidade. Tem tudo. Vizinhos amargos que sempre estão de mal com a vida. Chorões que se queixam que pra ele nada dá certo. Agora, façam-me um favor: reclamar do canto de um sabiá só pode ser coisa de gente rabugenta e intrigada com o mundo!



30 Setembro 2018 13:36:00

"O mundo ta chatoooooooo demais! Parem de problematizaaaaaar tudo!" 


(FOTO: DIVULGAÇÃO) 

Eu fiz um boneco de neve. Uma feminista passou e me perguntou porque eu não fiz uma mulher de neve. Eu fiz uma mulher de neve. Minha vizinha feminista reclamou do perfil voluptuoso da mulher da neve dizendo que ela ofende as mulheres da neve em todos os lugares.

O casal gay que mora nas proximidades teve um ataque de raiva e protestou, porque poderiam ter sido dois homens de neve. Um transgênero da outra rua me perguntou por que não fazia um boneco com partes removíveis.

Os veganos no final da rua se queixaram do nariz de cenoura, já que os vegetais são comida e não para decorar bonecos da neve. O cavalheiro muçulmano do outro lado da rua exige aos berros que a mulher da neve use uma burca.

A polícia chega dizendo que há uma denúncia anônima contra mim, de alguém que foi ofendido pelo meu racismo e discriminação, porque os bonecos são brancos. A vizinha feminista reclamou novamente que a vassoura da mulher da neve deveria ser removida porque ela representa as mulheres em um papel doméstico de submissão.

Um promotor chegou e ameaçou me processar se eu não pedisse desculpas públicas pelo maldito boneco de neve. A equipe de jornalismo da TV apareceu. Eles me perguntam se eu sei a diferença entre bonecos de neve e mulheres de neve. Eu respondo: as "bolas de neve" e agora elas me chamam de sexista. Estou no noticiário como um suspeito, terrorista, racista, delinquente, com tendências homofóbicas, determinado a causar problemas durante o mau tempo. Estou passando por tudo isso por causa dos malditos bonecos de neve! Quem mandou fazer a p... dos bonecos de neve? Estão me perguntando se eu tenho um cúmplice. Ou se alguma organização me incentivou a fazer os bonecos, nas redes sociais. Os manifestantes da extrema esquerda e da extrema direita, ofendidos por tudo, estão marchando pelas ruas exigindo que me decapitem.

Os comunistas marcham em frente à minha casa acusando-me de ser neonazista. As feministas me xingam e pintam a fachada da minha casa com a palavra "machista". Os evangélicos me acusam de querer usurpar o lugar de Deus, por criar um homem e uma mulher de neve, e querem me exorcizar, dizendo que eu realizei um ritual pagão.

Organizações ambientais me acusam de poluir a neve. Moral da história: não há. É apenas o mundo em que vivemos hoje - e vai piorar. O que foi aqui narrado pode ocorrer, e algumas coisas já estão acontecendo. De tudo isso, a coisa mais difícil de acontecer é nevar em São Paulo. O MUNDO TÁ CHATOOOOOO DEMAIS! PAREM DE PROBLEMATIZAAAAAR TUDO! (Autor desconhecido) 


23 Setembro 2018 10:00:00
Autor: Carlos Homem

Na hora de votar vale mais uma análise fria do candidato que optar só pela própria ideologia


(Imagem: Divulgação) 

Tenho visto nas redes sociais alguns conflitos de opiniões sobre as preferências políticas de cada um. Na medida em que as eleições para a escolha de um novo presidente se aproximam, os bate-bocas vão se tornando mais acalorados.

Alguns até mesmo mais extremados e atrevidos. Essa zoeira histérica e emburrecedora das redes sociais mostra o comportamento radical de algumas pessoas que não é nada fácil compreender. Ninguém jamais poderá encontrar lógica na ideologia das pessoas. Há quem justifique, até hoje, as atrocidades cometidas por Hitler, e há quem use orgulhosamente uma camiseta com a estampa de Che Guevara.

Talvez nem saibam quem foram tais personagens. Monstros transformados em heróis pelo tempo. Aí, quanto mais discutem, mais radicalizam suas convicções. Aliás, deixam de ser convicções e passam a ser teimosias. Não há nada mais importante do que termos a coragem de pensar contra nossas convicções, diria Nietzsche. Uma verdade absoluta em tal pensamento.

Ter medo do contraditório é uma comprovação do nosso primitivismo mental. Por tais fraquezas é que, sendo vascaíno me recuso a reconhecer que o Flamengo jogou melhor, nesta ou naquela oportunidade. Pertencendo a esta ou aquela agremiação político partidária, não aceito admitir defeitos nos meus candidatos ou atributos nos adversários.

Uma coisa mais ou menos parecida com as crenças religiosas. Acredito porque quero acreditar. Tenho fé porque me ensinaram a ter fé. Não duvido porque tenho medo de questionar. De pecar pela dúvida! Nada pode ser pior que o medo de pensar diferente. Ou a covardia de rever suas próprias convicções. E argumentos burros, escorados na teimosia, na autoestima, na vaidade, são abraçados por pessoas de todos os níveis. Discursos prolixos recheados com firulas pobres. Sejam de professores, advogados, intelectuais, pessoas polidas ou toscas. Lamentável.

Não é apenas a fome que mata o corpo. A radicalização teimosa, sem a coragem de rever nossas convicções, mata também nossa individualidade. Por isso os bate-bocas ficam restritos a dialética irônica, esquecendo-se os antagônicos que as palavras são arbitrárias, convencionais, enganadoras. É preciso cautela para distinguir na palavra o seu caráter ambíguo do falho. Sim, porque é uma tolice alguém autodenominar-se da esquerda, da direita, do centro, socialista, comunista ou outros "istas". Rotular-se doutrinariamente nestes dias, muitas vezes com fanatismo, é uma atitude babaca. Na hora de votar vale mais uma análise fria do candidato que optar só pela própria ideologia.



16 Setembro 2018 09:00:00



Não é novidade nenhuma e todos já viram ou ouviram a mesma história. Os pais, depois de anos de luta e trabalho, seja em atividade liberal ou em pequenas atividades comerciais, criam e educam seus filhos. Dão-lhes um curso superior à custa de muito sacrifício. Aí, então, o jovem, agora formado em qualquer profissão, enche-se de idéias luminosas. Resolve mudar aqui, reformar ali, incrementar acolá. Em tais circunstâncias nem poupam comentários como: "o pai está superado", "os velhos estão vencidos", "as coisas hoje não podem ser administradas dessa forma", e vai por aí a fora, quando não dizem, sem muita cerimônia, que o "velho está gagá". São os ilusionários gestados pela inexperiência. Como portam credenciais de filhos, acabam convencendo, ou coagindo, os pais a modificar aquilo que até ali os sustentou e educou.

Vencem a resistência e a cautela dos mais velhos que se curvam muitas vezes para evitar conflitos domésticos. Pronto! A coisa começa a degringolar. Aumentam as despesas, investem em aparências supérfluas, arriscam em projetos, aventuram-se em temerárias experiências. Nem percebem que entre a prática e a teoria há uma astronômica distância. Na maioria nem são capazes de calcular o custo na aquisição e projetar o preço das vendas. Não é raro ouvir filhos dizerem: "O pai é burro!". Só que o sabido, via de regra, em seis meses enterra a atividades que até ali manteve todos os da família. E também dos empregados. Claro, administrar despesas é muito fácil!


"Não é raro ouvir filhos dizerem:

'O pai é burro!'"


Difícil mesmo e produzir rendas e recursos. Também por esta razão primeira é que na administração pública os entes, quase todos, quebram. O administrador público, como o jovem novel na administração privada, não tem preocupação com produzir fontes de recursos. Apenas autorizam despesas. Navegam em águas ilusórias! Tolos é que são. O mundo é pródigo em contingências e imprevistos que não dependem da exclusiva vontade de cada um. Não se administra nem um boteco de banana confiado apenas nos instintos.

Muitas vezes, lastreados em empréstimos bancários, investem em ideias imaturas ou irracionais. Afundam aquilo que custou anos de trabalho. Pecam pelo voluntarismo. Não se dão conta que em qualquer novo empreendimento surgem os tropeços da falta de mão de obra qualificada, de uma legislação trabalhista onerosa e anacrônica, da sanha voraz dos fiscos, da cruel aplicação do rigor das leis por entidades exóticas que se intitulam protetoras disso ou daquilo, da ditadura funcional pública que vê no empresário um inimigo do Estado. Jovens com liderança e arrojados são necessários sempre e em qualquer lugar. Mas sem a presunção de que são mais sabidos que aqueles que os educaram.



09 Setembro 2018 11:15:00


(Foto: Divulgação)


Ajoelhou? Tem que rezar! Este era um provérbio repetido sempre pelo animador televisivo Abelardo Barbosa, o Chacrinha. Pois me parece que o país está de joelhos, só lhe restando a opção de rezar. Nenhuma das instituições brasileiras, como nenhum dos seus três poderes inspiram qualquer confiança. Apodreceu tudo! A classe política, cética e acovardada, assiste passivamente a sua destruição sem esboçar uma reação.

A ordem é salvar seus mandatos e espaços na administração pública, entupida de parentes e afilhados. Então, nestas horas que se aproximam da escolha de um novo presidente do país, o negócio (e é negócio mesmo) está no fazer acordos, coligações, acertos espúrios, sempre com o discurso descarado e hipócrita da "governabilidade" e do "melhor para o país". Os políticos andam perambulando entre os destroços das explosões causadas pelo Ministério Público. Este, por sua vez, vem extrapolando das suas funções, metendo o bedelho em tudo, criando mais embaraços e dificuldades do que soluções. Chegam a autodenominar-se de "Quarto Poder". Neste particular o candidato Ciro Gomes, que não é o meu, penso até que esteja certo. Tem que recolher essa gente para "dentro das suas caixinhas".

Hoje a política está tão criminalizada que a presunção de inocência deu lugar para a certeza antecipada da culpa.

O Legislativo, porque não consegue chegar num consenso sobre qualquer assunto mais relevante, transfere para o Judiciário a solução dos impasses, transformando-o numa terceira câmara legislativa. Então o judicialismo é que resolve tudo. Decidem como querem, ao sabor do momento, sem qualquer obediência às suas funções constitucionais. Daí a balbúrdia legal tomou conta. As sentenças judiciais destes dias, via de regra, não dão a mínima importância para os dispositivos expressos nas leis. 

Decidem como "acham" que deve ser, seguindo sua própria ótica do problema, mandando os disciplinamentos legais às favas. Pior, um simples enunciado, provimento, súmula, ou seja lá o que for, simplesmente tornam morta a letra expressa da própria constituição.

Preocupante, muito preocupante este esgarçamento total da ordem legal. Ninguém tem segurança jurídica para nada. Aquilo que valia ontem, hoje não vale mais. Cada magistrado adota para às suas decisões sua própria processualística. As regras que estruturavam o cotidiano se esfrangalharam.

As autoridades conclamam à ordem, mas são incapazes de reinstituí-la. Este estado de coisas alimentou o desencanto do povo em relação a tudo e a todos, transformando num aglutinador de insatisfações difusas. Estamos de joelhos. Só resta rezar!



26 Agosto 2018 12:00:00
Autor: Carlos Homem

foi preciso um caminhoneiro vir aqui para nos ensinar?


(Ilustração: Divulgação) 

Ele foi um excelente contador. Não gostava que o classificasse assim. Preferia dizer que era um técnico-contábil. Um profissional dos melhores que conheci nessa área. Também foi uma figura singular. Mas não era nessa atividade de "guarda-livros" que se sentia feliz. Sua vocação mesmo estava no volante de um caminhão. Tinha o tipo inconfundível de um caminhoneiro. Camisa aberta no peito, roupas bem simples, fala truncada, barriga saliente, barba sempre por fazer.   

Alternava tais atividades trabalhando mais ou menos um ano e meio a dois anos em cada uma. Tinha uma veia espirituosa que dava graça a flagrantes do cotidiano. Numa ocasião, ao lhe ser apresentada sob cobrança uma nota fiscal de serviços feitos no seu caminhão, disse ao proprietário da oficina: - Não vou pagar! O homem surpreso pela negativa quis saber o porquê. Ele então, pegando uma folha de papel e uma caneta, sentou ao lado da mesa e argumentou: - Veja bem! Se eu lhe pagar, o senhor vai sair daqui para ir trocar o cheque no banco. Vai furar o sinal e ser multado. Inconformado vai discutir com o guarda e nervoso vai falar besteiras. Será conduzido para a delegacia, tendo que ligar para um advogado. Nessas alturas toda a sua família já foi acionada. Sua pressão sanguínea vai disparar e um médico deverá ser acionado. Já imaginou quanto vai custar tudo isso? Melhor eu não lhe pagar que o senhor vai sair no lucro.  

Outra vez, chegando no Rio de Janeiro num sábado a tarde foi até a empresa destinatária da mercadoria que transportava para descarregar. Assim foi feito. No momento de receber o frete o gerente da empresa informou que ele teria que esperar até segunda-feira. Isso porque, segundo argumentou o gerente, a empresa não tinha na sua contabilidade a conta caixa. Não faziam nenhum pagamento em dinheiro. Só tinham conta bancos.

Tudo era pago com cheques. Uma norma que facilitava o controle e fiscalização. Ele com muita calma perguntou: - Mas o senhor tem dinheiro no cofre? Tenho. - Então vamos fazer o seguinte: O senhor emite um cheque nominal e cruzado no valor do frete, eu endosso o cheque, o senhor troca para mim e me dá o dinheiro. Eu vou embora! Na segunda-feira o senhor deposita esse mesmo cheque na conta da empresa. O cheque vai entrar como dinheiro na conta bancária porque tem fundos e sair o débito como pagamento.

O gerente ficou de queixo caído. Chamou o funcionário encarregado dos pagamentos, pediu que ouvisse o motorista. Daí perguntou: - Isso pode ser feito? Pode, respondeu o funcionário. O gerente já mostrando destempero, desabafou: - Quantas vezes tive essa dificuldade que nunca foi possível resolver? Foi preciso um caminhoneiro vir aqui para nos ensinar?



18 Agosto 2018 08:30:00


(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Tomei uma decisão heroica no dia nove (quinta-feira) deste mês de agosto. Duelei contra o sono, mas assisti o debate dos candidatos à presidência da república na tevê Bandeirantes, madrugada a dentro. Um ato de inegável heroísmo ver aquilo. Nada de novo! Um festival de mais do mesmo.

Álvaro Dias, com a aparência facial sucateada limitou-se a pegar uma carona na fama do juiz Sérgio Moro, dizendo três ou quatro vezes, temerariamente, que vai convidá-lo para seu ministro da justiça. Ciro Gomes, achou outro filão eleitoral, se é que isso vai dar resultado, disse com sua facilidade no verbo, que vai tirar 63 milhões de inadimplentes do SPC. Como? Não explicou. Penso até que cometeu um crime eleitoral em rede nacional ao oferecer tal vantagem aos eleitores.

Jair Bolsonaro, descaracterizado, ficou naquela conversa de capar quimicamente os estupradores e de permitir uma espingarda para quem quiser defender-se por conta própria. Geraldo Alckmin, com aquela cara de "picolé-de-chuchu" me fazia lembrar os tempos de ginásio quando íamos fazer provas. Tudo decoradinho! Esnobou dados. Pra fugir das explicações sobre os conchavos políticos que firmou com uma gangue de caciques viciados e corruptos, só repetia que devemos fazer uma reforma política.

"TEREMOS MAIS UM GOVERNO IMPROVISADOR. NÃO PODE DAR CERTO!"

Marina Silva, usando um modesto colarzinho indígena e aquela voz que em nada lhe ajuda, repetiu pela enésima vez que vai cuidar da transposição do rio São Francisco e consultar sob plebiscitos as soluções para os problemas mais tormentosos como é o caso do aborto. Usou aquele mesmo discursinho rançoso do PT da "administração participativa" que deu no que deu. Cabo Daciolo (de onde veio aquilo?) no melhor estilo das campanhas para vereador dos fundões do país, falando bobagens, bramindo com a bíblia, invocou em vão o nome de Deus a todo instante.

Pena que Deus não tenha pedido o seu direito de resposta. Folclórico! Ridículo! Guilherme Boulos só batia nos outros. Contra tudo e contra todos! Atrevido, como já tem fartamente demonstrado, espumava uma raivinha particular. Uma metralhadora giratória de impropérios. Não acrescentou nada! Finalmente, Henrique Meirelles comprovou que política não é mesmo a sua lavoura. Mal articulado, com problema na dicção e gesticulação robotizada, ficou naquela de dizer que por ter sido banqueiro credencia-se para o mais alto cargo.

Todos abusaram do pronome pessoal na primeira pessoa do plural para disfarçar a falta de modéstia: "Nós" vamos fazer, "nós" vamos mudar, "nós" isso e "nós aquilo. Promessas abundantes, fáceis e inexequíveis, como sempre. Resumo do debate: Uma desgraceira! Não valeu o sono perdido. Estamos com os burros n'água! O Brasil vai eleger, de novo, um presidente sem projeto, sem proposta de governo. Teremos mais um governo improvisador. Não pode dar certo!


12 Agosto 2018 08:50:00


Mais amigo do que cliente ele entrou todo sorridente na minha 

sala de trabalho. Trazia um embrulho que segurava com cuidado

em ambas as mãos. Foi logo dizendo: "Doutor, como o senhor deve

estar sabendo meu pai faleceu há pouco mais de um mês.


O velho era um homem que gostava muito de erotismo. Colecionou

essas coisas a vida inteira. Deixou uma porção de pequenas esculturas

e quadros, todos com essa motivação. Nem sabemos como

vamos nos livrar de todo aquele acervo. Mas, lembrei de lhe dar de

presente uma escultura. Uma obra de arte, fundida em bronze. Meu

pai gostava muito do senhor. Então, acredito, poderá adornar sua

estante com ela. Era um par, exatamente iguais, mas uma sumiu!

Desconfio até que roubaram. Gostaria de lhe presentear com as duas."

A medida que falava foi desembrulhando o meu presente. Realmente,

era um troféu fundido em bronze e muito bem trabalhado.


"COISA CHATA!

RESOLVI ME LIVRAR

DA ESTATUETA TARADA"


Sob este aspecto era lindo. Um prodígio! O problema estava no

que representava. Um casal nu, enroscados na intimidade, sendo

felizes na horizontal. Praticavam aquele ato do amor universal

que perpetua a própria espécie. A forma, no entanto, era completamente

inusitada. Um sexo grotesco! Constrangia qualquer um só de

olhar. Então, entre confuso e sem jeito não tive como recusar. Agradeci

e guardei a escultura erótica. Daí fiquei com o problema: Fazer

o quê com aquilo? Deixá-lo sobre a minha mesa, não dava. Ofenderia

as pessoas que ali fossem falar comigo. Levar para a minha casa

seria mais constrangedor ainda. Dar para outra pessoa correia

o risco do meu presenteador ficar sabendo. Coisa chata! Resolvi me

livrar da estatueta tarada.


Enrolei bem aquele presente de grego numas folhas de jornal, coloquei-

o em seguida dentro de uma pequena caixa usada de papelão,

e despistando como se estivesse praticando um delito, joguei

aquilo tudo no lixo lá da rua. Ufa! Senti uma sensação de alivio! Passados

poucos dias o mesmo homem voltou ao meu escritório. Sorria

agora mais satisfeito do que nunca. Trazia, como na vez anterior,

um pacote nas mãos zelosas. Disse-me: "Doutor, o senhor não

vai acreditar. Meu filho que trabalha no setor de reciclagem do lixo,

por sorte sua, achou a outra escultura igual àquela que lhe dei,

mas que havia sumido. Vim lhe trazer de presente também. O senhor

agora tem as duas!". É verdade, falei para ele, sou mesmo um

homem de muita sorte!


05 Agosto 2018 10:00:00


Não sei nem explicar como entrei em dois grupos. Ééééééé! Desses grupos de whatsapp. Quando me dei conta fazia parte de dois deles. Me adicionaram! Parece que é assim que se diz. Sei lá! A gente não sabe nem falar essa linguagem afetada das chamadas redes sociais.

Mas é chique! A intenção de quem entra nesses trecos é conversar, trocar opiniões, informações sobre um assunto ou atividade específicas de um grupo de pessoas com interesses comuns. Coisa até bem agradável e útil. Só que nada que se faça nestes dias não desvirtue e mude o objetivo. Num repente, embora um grupo qualquer tenha sido constituído para falar de hortaliças como exemplo, um dos integrantes, e sempre tem, resolve postar seu filhinho recém-nascido.

Nada a ver. Mas ele, ou ela, quer exibir seu troféuzinho! Meu neném lindo! Uma babaquice!

A partir dessa pieguice os hipócritas sociais de plantão fazem a gente ficar olhando muitas palminhas, parabéns, dedão de positivo, coraçõezinhos, expressões atestando "coisinha mais linda" e vai por aí afora.

Outro, achando que só ele envelhece na face do planeta, informa que está fazendo aniversário. Ou que foi aprovado num exame de sangue. É dose! Chove parabéns e badalações para todo lado e para todos os gostos. Um festival de falsidades! Poluem o celular com aqueles "emojis" com carinhas engraçadas. Esses japoneses são mesmo uns gênios para inventar tais pictogramas.

São uns bonequinhos puxa-sacos! Pelas barbas do monge João Maria! Sou eu que fui atropelado pela modernidade ou a viadagem tomou conta da humanidade. Será que ficar adulando gratuitamente as pessoas é ser social? Paga-se um tributo de convivência enorme pelas frescuras destes dias em que vivemos. Se o tal grupo é formado por muita gente a coisa é ainda mais estressante.

De minuto em minuto o celular apita avisando que tem mensagem. Só bobagens, mas tem!

E haja saco para ficar vendo coisas inúteis e ter que responder por mera educação. Mandam fotografia aos borbotões para mostrar um pseudo "status" social na maioria das vezes, ou para esnobar um ambiente refinado qualquer.

O whatsapp é um instrumento que está sendo muito usado para carimbar a insegurança do remetente. Secretam carências. Também para as dondocas se exibirem. Há, porém, um lado agradável e outro constrangedor. São as cenas de bom humor, as pegadinhas espirituosas, as piadas inteligentes e os flagrantes indesejados. Não aguentei. Saí dos grupos!



28 Julho 2018 08:30:00


(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Foram tantos os processos que atendi na área do direito de família, ao longo de muitos anos, que na observação desses conflitos acabei tirando algumas conclusões. Nunca surtiram efeitos meus apelos aos casais que antigamente se desquitavam e que nestes tempos se divorciam que procedessem com racionalidade. 

Parei de argumentar e busquei compreender. A separação de pessoas que conviveram por anos na intimidade, deixando que o outro desvendasse seus segredos mais íntimos, causa uma fissura impossível de remendar. A ferida da alma é muito mais dolorida. Incicatrizável. É bizarro ver o comportamento irracional e destemperado entre adultos presumivelmente educados. No terreno dos afetos rompidos não existe ponderabilidade.

Vi, em certos momentos, casais que se odiavam há muitos anos, mas que não abriam mão do casamento, acusando sempre o companheiro pelas suas mazelas. O culpado é sempre o outro em tais relacionamentos corroídos. Mas faziam, e é provável que ainda façam uma teimosa questão de manter o cônjuge acorrentado indefinidamente a um matrimônio sucateado. Se não posso ser livre e feliz, que o outro também não seja é um raciocínio autodestruidor alimentado pelo ódio embutido. Anotei, muitas vezes, na tentativa de conciliar o inconciliável, que os casais se acusavam reciprocamente por que queria cada um, individualmente, ser ele mesmo.

"O AMOR É EFÊMERO E PERDE MUITO LIGEIRO O  ROMANTISMO" 

O jeito de ser e as atitudes que antes pareciam perfeitos passam a ser vistos como defeitos. Os olhos do casamento a partir de um momento começam a ver coisas que antes não viam. O amor é efêmero e perde muito ligeiro o romantismo. Amor e ódio vivem abraçados! O jeito então é serem infelizes juntos. Com desencanto registrei vezes incontáveis, que na separação judicial dos casais, eventualmente pouco importava para um, ou para o outro, a cômoda divisão dos bens comuns.

O objetivo maior era castigar, punir, criar embaraços, protelando com vingativa morbidez uma solução definitiva. Embora nunca me interessasse saber sobre a intimidade dos casais separados, ouvia com frequência trocas de agressões com acusações de tarado porque um gostava mais de sexo, ou de frígido, porque o outro gostava menos. Na verdade, em tais circunstâncias ambos são vítimas e ambos são algozes. Conviver sempre foi a maior dificuldade do ser humano.

Duas culturas originárias de famílias com costumes diferentes, com cacoetes, esquisitices, gostos e personalidades próprias, morando juntas, é inevitável que o dia a dia acabe causando colisão.

Daí são casais que apenas moram sob o mesmo teto, que já quase não conversam que mantêm um mutismo torturante. Preferem calar-se a deflagrar hostilidades. A verdade é que na separação não adianta querer provar quem está errado, quem está certo. Superação e opção para uma nova vida é que deve ser o norte.


22 Julho 2018 09:05:00

  A criatividade é uma aliada importante para solução de problemas. Pois conto uma historinha pitoresca onde a imaginação foi fundamental. Tratava-se de um divórcio litigioso com turbulento conflito entre os cônjuges. A disputa maior, na divisão do patrimônio que era até modesto, estava relacionada com a casa onde residiam. Ela queria ficar com aquela moradia, mas ele também assim pleiteava com inarredável disposição. Até porque já tinha a intenção de trazer para morar ali uma outra companheira.

Nenhum dos dois divorciados aceitava mudar-se, abrindo mão da casa. Ele até que fazia propostas para entregar o imóvel para ela, mas atribuía sobre o mesmo um valor fora da realidade. Queria tirar proveito recebendo mais bens como compensação. A convivência sob o mesmo teto, naquele clima de hostilidade estava insuportável. Aproveitando a ausência do agora ex-marido em decorrência de uma viagem de dois dias, ela foi ao mercado e comprou alguns quilos de camarão.

Com paciência e usando uma chave de fenda retirou as capas das tomadas de luz e caprichosamente encheu os canos da fiação com camarão cru. Fez isso em toda a casa valendo-se de uma vareta, recolocando cuidadosamente os espelhos sem deixar vestígios. Quando o teimoso retornou, ela o comunicou que estava se mudando, que ia morar numa casa alugada até que a repartição dos bens no divórcio se consumasse. Ele vibrou com sua primeira vitória no litígio. Imediatamente levou a outra mulher com quem vinha se relacionando a morar consigo. Poucos dias após a casa começou a cheirar esquisito. Depois ruim. Depois feder.

Procuraram em todos os cantos, inclusive no teto, uma carniça, um rato morto, mas nada. A catinga ficou insuportável. Nem corvo seria capaz de aguentar a fedentina. A nova companheira dele desculpou-se. Não quis ficar mais ali e advertiu-o que naquela casa jamais moraria. Esperto que era, e tendo consciência de que aquela casa havia perdido o valor, ele procurou a ex-mulher e propôs um acordo. Não revelou o motivo da sua mudança de comportamento, por evidente.

Aceitaria deixar a casa para ela pelo preço real do mercado. Ela não topou. Disse que agora já estava instalada em outro lugar e que havia perdido o interesse sobre tal patrimônio. Só faria um acordo se aquele imóvel lhe fosse entregue com o abatimento de 30% sobre o valor de uma avaliação idônea. Ele aceitou sem muita resistência. Fecharam o acerto amigável naquelas condições. Homologada judicialmente a partilha dos bens, ela teve um trabalhinho para eliminar o mau cheiro com o uso de alguns desinfetantes químicos. Mas valeu à pena. O camarão resolveu seu problema e ainda lhe deu lucro.       



15 Julho 2018 09:50:00


(Ilustração: Divulgação)


Uma dessas mulheres conhecidas por sacoleiras, entre tantas, saiu-se muito bem naquela atividade. Por ser muito boa vendedora e persuasiva, obtinha ótimos rendimentos no comércio de vendas a varejo e direto de roupas. Batia pernas o dia inteiro visitando suas clientes. Mantinha a família com um certo conforto. Diante da propaganda enganosa do governo, com a conversa de microempresário, do "simples" e outras enganações, resolveu sair da informalidade.

Alugou uma pequena sala e ali montou sua lojinha. Pronto. Deixou de ser invisível. Notaram a existência dela. Começou o seu inferno comercial. Toca registrar uma pessoa jurídica, pagar aluguel, água, luz, alvará de licença, taxas daqui, taxas dali, salário de uma funcionária com todos os encargos. Preencher formulários então era uma tortura! Mas, não parava só nisso. Eram visitas da vigilância sanitária, dos bombeiros, do Inmetro.

A mordeção não tinha mais fim. Contratou um profissional para fazer os seus registros contábeis, teve que mandar imprimir blocos de notas fiscais e adquirir um computador. Não aguentou seis meses. Voltou para a informalidade e entregou-se ao trabalho por meses a fio para recuperar o prejuízo.

Um outro cidadão, jamais havia feito declaração para o Imposto de Renda. Mas, uma advertência eventual, uma ameaça ocasional, uma notícia ruim sobre outros sonegadores o amedrontou.

Resolveu colocar sua vida em pratos limpos. Saiu da invisibilidade. Notaram a existência dele. Lascou-se. Nunca mais teve sossego. Não parou mais de pagar um imposto assustadoramente progressivo. São muitas as atividades informais desenvolvidas em ambientes domésticos. São doceiras, confeiteiras, costureiras, padeiros, artesãos, como também as vendedoras das coisas mais diversas que se possa imaginar, dentre tantas outras formas de ganhar a vida, ou ajudar no orçamento doméstico.

Mas só dão lucro se ficarem invisíveis aos olhos do fisco.

A sanha voraz dos governos é insaciável. Mesmo as empresas de médio, pequeno e grande porte se vêm forçadas a sonegar. Só assim conseguem sobreviver. Daí a reflexão, talvez absurda, de que sonegar neste país é um ato de legítima defesa. Isso leva as pessoas que querem ganhar um dinheirinho praticando um comércio ambulante, ou clandestino, a fugirem da formalidade. É muita burocracia dentro de uma parafernália de leis indecifráveis. Além do aspecto de que vivemos em dias onde o fiscal, seja de que competência legal for não tem nenhuma disposição para orientar.  

Pelo contrário, olha o empresário como bandido e o pune com notificações cruéis. Tá na lei? Ferro nele! Dificultam a produção daquele que é exatamente a fonte de recursos para pagamento dos seus salários. "Fere o ventre" teria dito Agripina, mãe do imperador romano Nero. Um paradoxo, mas é assim que se constata. Então, não há outra forma que não seja manter-se invisível.    



07 Julho 2018 11:21:00


Li, assim meio na corrida, que na Finlândia é proibido por lei cobrar pelo ensino. Então lá o filho de um varredor de rua senta-se ao lado do filho de um deputado na sala de aula. O nível de ensino é de igual estrutura e aplicação para todos independente da sua classe econômica. 

Já imaginaram aqui na pátria amada Brasil o filho de um senador frequentando as mesmas aulas e ministradas pelos mesmos professores? Seria uma humilhação para os filhinhos de papais e para os próprios. Será que por lá a saúde é assim também?

Os "Lulas" da vida e seus asseclas, propagadores da igualdade socialista, "preocupados" com os pobres, seriam atendidos pelo SUS ao invés do hospital de primeiro mundo Sírio Libanês onde se socorrem? Por certo que não.

Continuariam iludindo uma nação de trouxas com utopias sem história. E cadeias são iguais para todos naquele país? Ou alguns tem até televisão para assistir a Copa do Mundo como aqui? E filas, será que lá também tem? Daquelas em que somos organizados com bovina resignação para sermos atendidos por alguém mau humorado, ou por um funcionário público que acha estar nos fazendo um favor? Ou suportar a tortura da espera nos bancos, sacrificando o nosso trabalho, porque temos que pagar os impostos no dia.

SOMOS UM POVO DIFÍCIL DE SER DEFINIDO

Mas as filas até que melhoraram. Agora são com painéis eletrônicos e com senhas. Fica-se ali como escoteiros estressados olhando para o painel e conferindo o número da nossa vez a cada bipe. Por reflexo olha-se também o relógio a todo o momento. 

Em tais horas me divirto observando a turma que gosta de levar vantagem em tudo. Sempre tem uns idosos sadios, mas vadios, que se valem da idade para gozarem de preferência, ou que pegam duas senhas e usufruem daquela primeira que for chamada.

Idoso e aposentado têm pressa para ser atendido para quê? Ficar mais tempo sem fazer nada? Essa vantagem, juro, é mais uma jabuticaba brasileira. Este país está mesmo cheio de gente desprovida de qualquer espírito comunitário. Aliás, somos um povo difícil de ser definido. Não existe um padrão. Tenho curiosidade de saber se lá na Finlândia as coisas públicas são privativas dos servidores públicos, como aqui. Coisas públicas que não são do público.

Dá para entender? A democracia que lá vigora terá excessos de direitos e quase nenhuma obrigação como é o caso deste país que o Cabral descobriu? Enquanto pensamos nessas coisas vamos levando a vida nessa bizarra classificação de classes, número do cpf, cartões de créditos, senhas de todo tipo e para tudo, taxas e multas das mais absurdas, alimentando medos, síndromes, e imaginando igualdade de direitos. Foi para isso tudo que inventamos o mundo.


01 Julho 2018 07:00:00
Autor: Carlos Homem

'briguei com ela várias vezes para que não agredisse os bichinhos, mas não adiantou


(Foto: Divulgação) /


De vez em quando o pensamento da gente fica vagando por lembranças dos tempos de criança. Então, entre tantas reminiscências, a cada passo encontro nos escaninhos da memória as crendices obrigatórias que me eram impostas. Por desconhecer certos fenômenos científicos, a maioria de todos nós dá explicações sem sentido racional para algumas coisas. A cabeça do ser humano é uma lavoura fértil para plantar-se a fé no imponderável. Na minha casa acreditava-se que quebrar um espelho dava mesmo sete anos de azar, encontrar um trevo de quatro folhas era sinal de sorte, bater três vezes com os nós dos dedos numa madeira espantava coisas ruins, que o pio da coruja ou o uivo do cachorro era mau agouro. Uma lista sem fim.

Era Santo Antônio desencalhando moça solteira, verrugas nascendo nos dedos de quem apontava para as estrelas, muito cuidado para não trazer terra do cemitério nos sapatos para não correr o risco de morrer alguém da casa. Curava-se cobreiro, espinhela caída, erisipela, quebranto, mau-olhado e outros pequenos infortúnios com simples benzeduras. Práticas que até hoje permeiam nosso cotidiano onde se misturam o sagrado e o profano. Pois minha mãe, de origem açoriana, punha fé em tudo isso e muito mais. Uma infinidade de outras crendices populares. Pois bem. Depois de adulto fiquei cético, mas ela não.

Daí, na lateral do terreno da casa onde ela morava havia um muro construído com pedras justapostas. Numa das arestas, uma colmeia de abelhas mirins ali se instalou. Justamente no lugar onde mais se transitava. Como a laboriosa e inofensiva abelhinha ficava em enxames por ali esvoaçando, minha mãe implicou com os bichinhos. Ela arrancava o pito edificado com própolis e cerume, de cor amarelada e quase transparente, que era a via de acesso ao ninho. Aquilo é um canal genial da natureza, parecendo o "finger" sanfonado que permite embarcar nos grandes aviões. Briguei com ela várias vezes para que não agredisse os bichinhos, mas não adiantou.

Não queria aqueles insetos ali. Um dia, aproveitando a visita do meu irmão, pedi que ele mentisse para minha mãe, fingindo um espanto simulado e agradável ao ver ali as abelhinhas, dizendo a ela que a mirim trazia uma sorte danada para os lares onde construíam suas colmeias. Mas alertei-o para que ele não fizesse aquilo perto de mim. Se ela me olhasse nos olhos perceberia logo que era armação minha. Funcionou! Nunca mais molestou a família mirim.

A crença dela, como todas as crenças, fez com que passasse a acreditar na sorte ou nos bons fluídos que os animaizinhos trariam. Isso me faz lembrar, agora, da famosa frase de Henry Ford: "Se você acreditar que pode ou se acreditar que não pode, você está certo". Essas crenças atraem vibrações positivas. Ligam o estado emocional à realização daquilo que a pessoa acredita. Por isso funcionam.



24 Junho 2018 10:56:14


Os sindicatos brasileiros que representam a classe trabalhadora estão berrando. E brigando também. Estão sem dinheiro.Daí é aquela velha história: "Em casa que falta o pão, todo mundo briga e ninguém tem razão". Agora, com a nova reforma trabalhista que não obriga mais contribuir para os sindicatos, querem, porque querem, que seja instituída uma nova forma de contribuição compulsória.

São mesmo uns engraçadinhos! Acham que os sindicatos, que cuidam mais de política partidária do que dos interesses da categoria laboriosa devem ser sustentados com dinheiro do assalariado. Ora, obrigar o trabalhador a contribuir para sindicatos que não prestam contas a ninguém, financiam greves ilícitas e protestos na maioria indevidos, assumem cores político partidárias, é muita cara de pau.

Arvoram-se em defensores dos operários, mas não se pejam de exigir contribuição "na marra" para sustentar suas mordomias. Pior ainda é quando, sob o pretexto de proteger o empregado, tornam muitas atividades produtivas impraticáveis. Em Curitibanos, à guisa de exemplo, os supermercados não tiveram mais condições de abrir nos domingos porque tinham que pagar absurdamente 100% de acréscimo sobre tais horas trabalhadas.

Uma quantidade imensa de trabalhadores que contavam com aquelas horas extras, acrescidas de 50%, que seria o racional e legal, perderam seus ganhos. Perdeu também a população a comodidade de ir aos mercados nos domingos. É para essas coisas que os sindicatos precisam de dinheiro? Para atrapalhar e inviabilizar o empregador? Ora, se tais sindicatos tivessem a utilidade que trombeteiam, por evidente os trabalhadores filiar-se-iam e contribuiriam espontaneamente. Por quê, então, devem contribuir compulsoriamente? A voracidade dos sindicatos nunca teve limites.

O paradoxo, no entanto, é que empunham bandeiras defensivas de liberdades e direitos dos trabalhadores, mas quando se trata de avançar no dinheiro de quem vive sob salário, acham que a contribuição deve ser obrigatória. A democracia é muito bonita na casa dos outros, mas na minha quem manda sou eu! Gosto muito desta frase por ela espelhar a verdade. Margaret Thatcher, a líder inglesa, só conseguiu impulsionar a economia do seu país quando colocou um freio nos sindicatos.

Eram lá, desagregadores como aqui. Que beleza essa modificação na lei que instituiu o caráter facultativo das contribuições sindicais. Aliás, a liberdade de associação sindical está prevista na constituição brasileira. Daí perguntar-se:Para os sindicatos a constituição não valia? Mesmo porque, sempre achei uma injustiça o trabalhador ter que dar, forçado, parte do seu salário para que os dirigentes sindicais tivessem uma boa vida. E que vidão!

Agora o desconto na folha de pagamento do trabalhador, em favor de sindicato, só será permitido com a autorização expressa dele. E não há como superar essa anuência, nem como suprimir esse direito do empregado. De vez em quando surge uma lei boa e justa. Aleluia! 



16 Junho 2018 14:41:03

Absolutamente, ninguém pode se outorgar como um perfeito conhecedor da nossa língua. Falar ou escrever corretamente, neste cipoal de regras e normas gramaticais, não é nada fácil. Inevitável, portanto, algumas escorregadelas no manuseio do nosso idioma. 

Isso, porém, não significa que podemos avacalhar o vernáculo. Nem é válido o tacanho argumento de que o importante é a comunicação. Se nos fizermos entender é o que basta, resmungam alguns. "Invurtô" tá valendo, é o que dizem outros. O resto é frescura! Então, se assim é, que proliferem os "a gente podemos", "nóis vai", "tá podendo", "tipo assim", etc? A fala é também uma espécie de identidade da pessoa. Estampa ligeirinho o que ela é.

Mas, penso, aqui com a minha liberdade de pensar, que é dever de todos exigir, na medida do possível, um mínimo de respeito pelo vernáculo. Dou esta volta toda para contar que ouvi várias vezes, numa propaganda de rádio e em favor de um posto de abastecimento de combustível local, onde o locutor publicista, referindo-se à gasolina ali vendida, diz que ela é "mais melhor".

Pelo amor do Monge João Maria! "Mais melhor"? Isso está errado, muito errado, erradíssimo! Nessa linha de assassinato verbal posso então também dizer "menos melhor"? Ou "mais grande", ou "mais pequeno"? Claro, a derrapada pode até ser absorvida sem rebeldia. Mas, tratando-se de uma rádio com utilidade pública e que tem a obrigação social de educar, uma cautela maior seria oportuna. Uma precaução na correção dos textos, pelo menos.

Ou não? Onde está a utilidade da emissora? Ensinar errado, com a repetição de um linguajar claudicante e muitas vezes chulo, tem efeito deletério. Já basta a enorme tolerância auditiva que precisamos ter para escutar locutores abusando do gerundismo pernicioso, na base do "vamos estar sorteando", "a gente vai estar remetendo", "a gente vai estar transmitindo", etc. Por que não "vamos sortear/sortearemos"", "vamos remeter/remeteremos", "vamos transmitir/transmitiremos"?

Há um considerável número de pessoas que acha bonito repetir esses modismos, como se papagaios fossem. Tupiniquins atávicos, é o que são. Sei, sei que na frente de um microfone, sem qualquer contestação no ato, e sem a presença de ninguém, fala-se sem muita preocupação com aquilo que se diz. Uma sensação de poder! Isso, no entanto é temerário. A arrogância causou a queda dos anjos e a falta de prudência causa a queda dos homens.

Mas, por quê esta minha implicância? É que no exercício interino da função de professor, constato com desencanto, entre os estudantes, como a língua pátria está esfarrapada. Então cuidemos dela. Nem com menos, nem com mais. Apenas melhor!



JORNAL "A SEMANA"
Rua Daniel Moraes, 50, bairro Aparecida
89520-000  -  Curitibanos/SC  -  (49) 3245-1711