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21 Julho 2019 08:30:00

Acredito aqui na companhia da minha ignorância, que passamos pela vida inteira enganados por algumas idéias, e de alguns poucos. Normalmente são ou foram visionários. Quem sabe até malucos! Criaram, na sua maioria, algumas crenças ou superstições e as defenderam com tamanha argumentação que a humanidade adotou-as como verdadeiras e absolutas. Por isso, talvez, a relação conflituosa da nossa espécie com a verdade.

Tudo teve inicio quando o homem, a partir do momento em que adquiriu a inteligência, teve a percepção de que todos morrem. Aí, alguém metido a sabido resolveu dizer "não é bem assim, existe vida após a morte". Como somos todos agarrados na vida, e ninguém quer morrer, uma idéia dessas nos conforta. Então é melhor acreditar nisso. Ora, pensamos nós com a nossa presunção, não é possível que tenhamos o mesmo fim de um cachorro.

Tem que existir uma prorrogação do tempo regulamentar depois que batermos com a cola na cerca. Não podemos aceitar que acabe tudo empatado, sem chance para os pênaltis. Se somos inteligentes é porque somos imortais. Como é bobo o tal de bicho humano! Mas no nosso interior sempre permanece a dúvida. Os sinais que a natureza nos mostra fazem com que cada vez mais duvidemos daquilo que nossos antepassados nos ensinaram.

Então lidamos sempre com a verdade ou fugindo dela. Como exemplo, vejamos as relações amorosas. Essa conversa fiada de que "eu vou casar com você" deve sempre ser analisada pela moça, já que, excitado, o rapaz tem muito pouco apreço pela verdade. Isto é um fato. Mas, se os fatos contrariam minhas crenças ou meus interesses imediatos, assim como a moça do meu exemplo, eu quero que danem-se os fatos.

Adoto o ditado popular do "me engana que eu gosto". Porém, não podemos passar pela vida aplaudindo idéias estúpidas como se fossemos focas amestradas. Se meu leitor acredita que fazer uma oferenda para Iemanjá, jogando uma garrafa de champagne no mar, no primeiro dia do ano, isso vai lhe trazer sucesso o ano todo, então, pelo menos jogue uma champange importada e cara. Aquele orixá vai dar o troco na mesma proporção. Se pinchar no mar uma cidra vagabunda, vai receber a benesse do mesmo valor. A recompensa é sempre proporcional ao esforço. Óbvio! Nessas coisas de crenças ou busca da verdade, a pior escravidão é a do medo de pensar. O medo de duvidar é a mais covarde!       


07 Julho 2019 10:21:00


(Foto: Divulgação)


Presentearam-me, há alguns dias, com cinco livros. Quatro deles gostei muito. Devorei-os em menos de três semanas. Um, porém, só vai ocupar espaço na minha estante entre outros do mesmo gênero. Não consigo ler essas coisas de auto ajuda. Esses caras que escrevem fórmulas mágicas de "Como ganhar dinheiro fácil", "Como ser feliz", "Fortunas garantidas", e vai por aí afora, devem ser deuses. São perfeitos. Seguem a vida com regras invioláveis. Extremamente disciplinados. Não são pessoas, devem ser robôs. Leio dez páginas de um livro desses e já estou com o saco cheio. Só servem para aumentar a minha percepção do tamanho da minha incapacidade. Multiplicam minhas frustrações. Sei não! Tenho aqui minhas razões para desconfiar que sejam todos uns enganadores. Charlatões vendedores de livros. Esse negócio de auto ajuda ensina a beber água ilusória.

"Encontre seu verdadeiro eu". Besteira! Encontrar onde? Nem vou procurar, pois já me achei faz um tempão! Querem fundir minha cabeça querendo que eu mude. Tão fora! O velho ditado de que o pau que nasce torto morre torto, ainda tá valendo. Somos, queiramos ou não, produto do meio em que vivemos moldados pelas máscaras sociais. "Confie nos seus instintos". Que conselho estúpido! Vou confiar nos instintos de quem, se não nos meus? Como todo ser humano vivo com os meus medos, projetos irrealizados, falsas certeza, desejos sublimados, angústias. Claro que tenho medo do futuro, do imponderável, de não dar conta das minhas dívidas, de que o banco devolva meu cheque, de que me mandem para o SPC. Morro de medo que sujem minha ficha! Ora, o mundo é atravessado por contingências e imprevisões que não dependem da nossa vontade. Crises imprevistas, desilusões amorosas, doenças inoportunas, acidentes. Fazemos parte dessa indeterminação existencial. Não há plano de vida que um livro possa nos ensinar. Assim é, porque ninguém consegue lidar com todas as complexidades que aparecem no caminho de qualquer plano. Confiar num esboço de existência, moldado por um sonhador qualquer, seria limitar a liberdade da vida. "Ame quem você é." Vamos com calma! Gostar de si próprio é uma boa dica, mas é bom ficar alerta. Nem tudo em cada um de nós é naturalmente aceitável, ou louvável. Peneirando bem, penso que a parte ruim é muito maior que a boa. Daí, por prudência, vamos amar a parte aproveitável e administrar a ruim! Pode até parecer um paradoxo, mas até a tragédia muitas vezes é boa!   



30 Junho 2019 07:00:00

Precisava porque precisava falar comigo. Mas não queria ir ao meu escritório. Implorava que fosse até sua casa. Coisa estranha! O endereço era num bairro com fama de barra pesada. Mas ela insistiu tanto que resolvi ir até lá. Quando cheguei ela vestia um figurino que podia ser tudo, menos comum. Estava usando uma blusa listrada com cores fortes, luvas sem dedos e jeans preto cheio de zíperes. Calçava uns coturnos tipo militar com barbantes trançados.

Acredito que ela pensava ser maquiadora. Seus cílios postiços escuros e longuíssimos chegavam às sobrancelhas, e a sombra multicolorida fazia uma curva sinuosa na direção das têmporas. As orelhas, ambas, estavam repletas de rebites. No septo nasal, uma argola. Os cabelos estilo moicano, estavam tingidos de preto com pontas vermelhas berrantes. No pescoço uma tatuagem enigmática. Tinha, calculo pela sua aparente jovialidade, entre 25 a 28 anos. Mostrava uma humildade adestrada.

Pediu-me que entrasse. Relutei com a desculpa de que estava com pressa. Mas, num esforço de domar a educação que para essas coisas não tenho, assenti com um sorriso forçado. Uma sala no mínimo diferente. As paredes estavam cobertas de gravuras feitas sobre cartolinas e pregadas com tachinhas de cores variadas. Pinturas abstratas, maluquetes! Um lado, porém, estava pintado do chão ao teto num tom vermelho cereja. A janela, única, estava escondida por uma cortina de estampa florada em cores gritantes. Uma coisa horrível aquele ambiente! Deve ter sido o capeta quem o decorou!

Num canto observei um cavalete tosco, mal feito com ripas velhas, onde estava uma tela pintada pela metade, com pinceladas também de roxo e preto, aguardando uma nova inspiração. Havia ali um cheiro acre, pungente e achocolatado no ar. Numa estante, dentro de um pequeno vaso, algumas varetinhas aromatizantes. Não tive dificuldade para intuir que a moça tragava baseados com muita assiduidade. Ao perceber minha ansiedade disse-me que pintara muitas telas com motivações abstracionistas, e gostaria que eu comprasse algumas. Entendi ali o seu pedido da visita.

Em seguida, tirou de dentro de um tubo plástico um rolo de telas. Umas pinturas macabras, malucas! Presumi que foram elaboradas nos momentos em que ela viajava no mundo psicótico dos seus baseados. Fiquei sem saber o que dizer. São esses elementos de imprevisibilidade que desafiam a vida. Fingi gostar de um ensaio daqueles e comprei-o. Foi mais por pena da pintora hippie e também para não esmaecer sua ilusão artística. Também foi a forma de fugir logo dali!          


23 Junho 2019 08:00:00


(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Um ministro do Supremo Tribunal precisa ganhar bem. Afinal, seus rendimentos devem ser de acordo com a natureza da função que exerce. Além da responsabilidade em julgar processos sob recursos derradeiros. 

Péra aí! Responsabilidade? Será que um ministro do Supremo Tribunal tem responsabilidade maior do que a de um motorista de ônibus? Piloto de um Boeing ou maquinista de um trem? De jeito nenhum! Mas suas excelências pertencem a uma casta nobre. Resquícios saudosistas e rançosos do Brasil Império.

Não seria justo um salário igual aos da ralé. Aliás, existe um princípio calvinista que diz que a entrada no céu custa caro exatamente para manter a ralé do lado de fora.

Um piloto de um Boeing tem que estudar muito, conhecer dados técnicos, fazer treinamentos, possuir excelente saúde. Um ministro basta ter um pistolão corinthiano, ainda que tenha sido reprovado em concursos. Fazer o quê? A natureza não é igualitária em seus dons e suas dádivas, tampouco em suas misérias.

"A deusa Thênis tem que tirar aquela venda dos olhos com urgência"

Temos que nos conformar! Um homem que tenha um pouco de erudição, seja verboso (ou seboso), pretensa sabedoria, axiomas definitivos, amizades oportunas, frases de efeito, tais quais condena nos outros, consegue enganar bem e a quase todos. Os vira-latas inconformados, assim como eu, ficam apenas latindo para a Lua e abanando  o rabo com docilidade subserviente. 

A responsabilidade mesmo está intimamente ligada a uma gestão ética e transparente que uma organização qualquer, seja ela qual for, deve ter com suas partes interessadas.

Mas, quando um país fica à deriva num oceano revolto de tantas decisões conflitantes, aprisionado ao humor do julgador naquele dia, dá uma coisa ruim. E põe ruim nisso!

Um motorista, maquinista ou piloto, responde criminalmente pelas imperícias eventuais que venha a cometer. Ainda, seu empregador arca com os danos materiais e morais daquele ato imprudente ou negligente.

Quem, então, responde pelos ministros da mais alta corte de justiça deste país por legislarem sem atribuição legal, por soltarem bandidos, por darem o mau exemplo a todos os brasileiros?

A lei é igual para todos, diz o preceito constitucional. Bobagem! Não existe coisa mais desigual. A deusa grega Thêmis tem que tirar aquela venda dos olhos com urgência. E aferir com o Inmetro a sua balancinha viciada. A justiça não está acima das paixões humanas como ela pretendia! A responsabilidade não alcança os deuses do Olimpo Federal.


16 Junho 2019 08:30:00


(Foto: Divulgação)


"Um lugar onde ninguém possui nada, mas todos são ricos." Já imaginaram um lugar assim? Só mesmo na Utopia de Thomas Morus.

Deixando de lado o sonho daquele pensador inglês, nestes dias atuais é imprescindível ter posses para ser alguma coisa. Ser alguém entre muitos. Tendo-se dinheiro, não precisa mais nada. Nem mesmo saber comer com garfo e faca! O dinheiro maquia qualquer cascudo!

Porém, aqui na minha gigantesca ignorância, penso que há outro patrimônio muito mais injusto e cruel que maltrata nossa entorpecida humanidade. Um atributo natural chamado beleza. A beleza é aleatória e congênita. Pura sorte de quem nasce com ela sem fazer nenhum esforço.

Ao contrário do dinheiro, que pode ser ganho com trabalho ou com artimanhas nada éticas, a beleza não tem jeito. Nasceu feio vai morrer feio. Pode disfarçar, cortar o que está muito grande, acrescentar o que está pequeno, cobrir com camadas de cosméticos um defeitinho aqui, entupir com cremes ali, matajuntar rugas, esticar pelancas, implantar, fazer o diabo. Não adianta, feio é feio e estamos conversados! Pode até ficar bonito por algumas horas, mas tomou uma ducha, a beleza se esvai pelo ralo.

Um pobre que tenha sucesso na sua atividade e se esforce muito pode até ficar rico. Agora, uma criança que venha ao mundo com orelhas do Dumbo e dentes do Pernalonga vai morrer feinha como nasceu. Pode remendar e recauchutar como quiser! A própria natureza, com o tempo, cobra a reforma e a criatura churinga toda. Uma coisa bem ingrata isso.

Posso pedir dinheiro emprestado para um amigo, mas não tem como usar por uns tempos uma barriga tanquinho ou olhos azuis que não me pertencem. Bah! Fico chateado! Bem que poderia alugar uma cabeleira vasta e crespa, tipo Antonio Banderas! Não, peruca não vale! Homens e mulheres bonitas deviam ser proibidos de circular por aí. É injusto. Por onde passam semeiam angústia e inveja.

Uma pessoa bem rica e velha se souber aplicar seu dinheiro ficará mais rica ainda. Para a beleza, porém, não existe aplicação. Nem dá mesmo para estocar botox e silicone! O dinheiro, ao longo dos tempos foi sendo distribuído, mas a beleza, ao contrário sempre concentrou-se. Os belos são idolatrados, cobiçados, ocupam as vitrinas sociais. Homens e mulheres bonitos, atraentes, galgam posições sociais, muitas vezes, sem mesmo serem capazes. Agora, se a criatura humana não tem dinheiro e é feia, aí então a coisa é bem complicada!


09 Junho 2019 09:48:00
Autor: Carlos Homem

Não tenho nenhuma dúvida que meu lugar no inferno está garantido


(Foto:  Divulgação)

É isso mesmo! Sou um baita dum invejoso! Já falei isso aqui mesmo neste espaço em outros dias. Dizem, não acredito que existem dois tipos de inveja. Uma boa e positiva outra ruim e negativa. A minha é da braba mesmo! Olho gordo de secar pessegueiro! Tão gordo que uso colírio diet! Daquela inveja mesma que a bíblia enquadra como pecado.

Tenho uma inveja danada quando escuto histórias de alguns amigos ou conhecidos sobre seus filhos. Que maravilha! Com eles dá tudo certinho, são trabalhadores, estudiosos, educados, etecetera, etecetera e etecetera. Só têm alegrias! Nem despesas, nem problemas, nem conflitos, nem rebeldias! Filhos defensores da luta por mais espaço e aceitação para héteros, ricos, brancos, direitistas, bolsonaristas. São todos joinhas, vindos de outras galáxias!

Talvez por isso tenho evitado em frequentar reuniões com mais de quatro pessoas. Sempre tem uma entre elas que vai me instigar a cometer o sétimo pecado capital. Havendo ali comerciantes um deles é o bambam dos bons negócios, dos lucros astronômicos. Se estiverem presentes advogados então é uma covardia o que um deles faz comigo. Ganha todas! Reduz juízes, promotores e adversários ao nível do Vasco! Invencível em qualquer demanda! Como então não sentir inveja?

Num dia desses, e numa reunião dessas, um cabra colou em mim e começou a contar, assim sem mais nem menos, suas viagens internacionais. Eu espumava de inveja! E ele não parava: Que não gostou muito de Madri, que teve um azar danado na França porque Notre Dame pegou fogo antes que ele lá chegasse, que na Dinamarca comeu isso, na Alemanha bebeu aquilo, que na Itália visitou o Papa, que quando retornava para o Brasil o Neymar estava no mesmo avião. Não acabava mais aquela masturbação verbal e sem gozo nenhum. Morri de inveja!

Daí, porque a bíblia diz: "os que praticam tais coisas não herdarão o Reino de Deus" (Gálatas 5:19-21), não tenho nenhuma dúvida que meu lugar no inferno está garantido. Essas coisas murcham a gente! Não tem como evitar a inveja. O Bolsonaro andou chamando os estudantes de idiotas úteis, mas os idiotas contadores de vantagens nem úteis são.

Ahhhh! Quase ia esquecendo! O cara que colou em mim e contava suas viagens extravagantes, para meu tormento no dia seguinte me achou no WhatsApp e me mandou uma montanha de fotografias dos lugares por onde andou. Pernóstico! Triplicou a dosagem da minha inveja!         



02 Junho 2019 07:00:00

Quem eram mesmo aquelas criaturas conhecidas até há pouco tempo denominadas como advogados? Ora, eram homens e mulheres que andavam sempre bem vestidos e que falavam bonito. Salto alto e gravata empinavam tais defensores do direito. Escudados no título de "doutor", embora não fossem, olhavam os mortais comuns de cima para baixo.

Falavam um 'juridiquês' empolado, cheio de uma terminologia forense, deixando os leigos com a impressão de que existia um idioma próprio para aquela casta. Porém, líderes broncos e semianalfabetos permitiram a criação de incontáveis cursos de direito em cada biboca do país. Dezenas de milhares de novos bacharéis então se formaram, entupindo o mercado. Em breve, com a extinção do exame da ordem, vai duplicar o número de causídicos. Aliás, exame mesmo para qual e que Ordem?

Depois, como se tudo fosse parte de um plano diabólico, foram criadas leis permitindo que as pessoas movessem processos judiciais sem a presença de advogados. Faceiros com tal facilidade, os litigantes, mormente em pequenas cidades, já não procuravam mais advogados. Inventaram os tais aplicativos e ninguém mais precisou de aconselhamento jurídico. E advogados ainda existem que alimentam a ilusão de cobrar consultas! Mas, nessa trilha, veio ainda o pior. Quem possui o poder de fixar os honorários dos advogados, mesmo diante da lei que estabelece limites mínimos, o fazem em parâmetros irrisórios.

Tudo com amparo no famigerado princípio da razoabilidade que avilta o ganho alheio. Dizem que honorários vem de "honor" que significa honra. Honra? Quá, quá, quá, foram todos desonrados! Mas, também o crepúsculo desse poder é latente. Com a criação do processo eletrônico, os computadores julgam sozinhos. Como consequência, as estagiárias prolatam "sentenciárias". Os robôs interpretam as leis! Advogado, hoje, pode até ser inepto.

Basta saber digitar números quilométricos de processos e transcrever jurisprudências que existem para todos os lados e circunstâncias. São muletas mentais convenientes! Se o Tribunal X disse, então está dito! Pensar tornou-se uma tarefa cansativa! Vamos pelo mais fácil. Por derradeiro, para desmoralizar a justiça, inventaram o juizado de pequenas causas.

Aquele que garante ao velhaco o direito de não pagar seus compromissos. Aquele mesmo que diz ao credor: "É melhor ir recebendo aos pouquinhos do que nada!" Só que o caloteiro, com tal estímulo, não paga nem mesmo o pouquinho! Chegamos no ocaso do direito e dos seus operadores


26 Maio 2019 10:30:00


(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Quando importaram dos Estados Unidos esse sistema do freguês pegar a mercadoria direto nas prateleiras e passar para pagar nos caixas, surgiram os "Supermercados". Os primeiros denominavam-se de "Peg-Pag". Eram mesmo "super" no sentido etimológico deste prefixo. Mas popularizou-se e acabou por banalizar-se. Hoje, qualquer merceariazinha de um bairro de periferia autodenomina-se de "Supermercado". Já tive oportunidade até de ver uma tabuleta numa bodega com o título de "Minisupermercado". 

Pois é! O conceito de "Universidade", como a própria palavra indica, é de abrangência muito ampla. Universal. No segmento do ensino, as Universidades são compostas por inúmeras faculdades direcionadas às diversas áreas do saber. Devem, assim, tais gigantes educacionais, promoverem a formação científica das pessoas e realizarem pesquisas nas principais áreas do saber humanístico.

Uma Universidade, para desenvolver sua destinação, exige estruturas e equipamentos tecnológicos sofisticados e consideráveis, além de centros de experiências e corpo docente especializado. Um supermercado do ensino! Pois também se vulgarizaram.


"O negócio é conseguir um diploma para dar carteiraços"


Nestes dias, com a visão direcionada para os efeitos políticos eleitoreiros, sem as devidas cautelas, governantes semi-analfabetos corromperam a função primária das Universidades. Daí, qualquer faculdade interiorana, estabelecida em pequenos municípios, transformou-se em "Universidade", como se apenas a denominação fizesse o milagre de transformá-la num ente habilitado às suas funções. Como vivemos num mundo dominado pelos celulares e seus WhatsApps, ninguém mais está preocupado em obter o saber e a cultura. 

Nem mesmo a tabuada aprendem mais. A máquina de bolso supre a burrice! O negócio é conseguir um diploma para dar carteiraços. Então, estamos nesta triste realidade. As Universidades, na sua grande maioria, transformaram-se em locais para doutrinação de ideologias exóticas, de distribuição de drogas, de estímulo à depravação do sexo, do uso dos acadêmicos como massa de manobra, da quebra da autoridade do professor.

Subverteram tudo! Os campus universitários estão bagunçados. Acha-se ali de tudo, mas pouca gente querendo estudar! Não vai demorar muito para eu ver outra tabuleta: "Mini-Universidade".


19 Maio 2019 09:12:00
Autor: Carlos Homem


(Foto: Divulgação)/

Acredito que seja uma espécie de prazer ao avesso. Ou mesmo de curtir o gostinho de nadar contra a correnteza. Sei lá! Nem mesmo Freud com todas suas escavações na alma das pessoas descobriu isso. Uma esquisitice que me leva a sofrer ataques e humilhações frequentes.

Muitos, ou para ser mais exato, os poucos que se dão ao trabalho de ler estas minhas maluquices das sextas-feiras, vão rir. Com certeza torcerão as bocas em nojinhos, apontarão suas unhas compridas e com sujeirinhas, compartilharão comentários engraçados, ódios impessoais e modernos. Tô me lixando! Não sou uma pessoa do bem. Não tenho essa marca mais cara e mais importada dos últimos tempos. 

Não tô nem aí para essa gritante necessidade de ser reconhecido como "do bem". Esse status do "sou do bem" e ter opinião extrema do bem sobre tudo, não me cativa.

Sim, sou um pensador extravagante e não comerciante. Não preciso agradar para vender. Muitas vezes acho que sou uma espécie de varanda ou sacada dos prédios que só servem para depósito de coisas inúteis!

A quase unanimidade das pessoas, na maioria das vezes, não tem a menor ideia do que estão falando, mas copiaram a opinião daquele colunista do bem e "pá" na cara da gente. Repetem, sem pensar e só porque têm boca, os guichês do bem que todo mundo repete. Daí, se você é humano e está abraçado a qualquer honestidade existencial, tá fora do jogo.

Tenho horror, como exemplo, das perguntas pessoais. Que diabo? Por que querem sondar minha vida? Quando me fazem tais perguntas faço aquela cara de tirar carnegão no vivo. Que merda! Por qual razão devo informar, de graça, como estou me sentindo, qual a minha idade, onde moram e o que fazem meus familiares, se já estou aposentado,e o diabo que os carreguem!

Daí, nessas horas é que me divirto ao reverso. Minto sobre tudo. Digo que estou me sentindo muito mal, quase na extrema unção, quebrado, que trabalho feito um escravo africano, que tenho muito mais idade do que aparento. Que vão especular o capeta! Já penso bastante em mim mesmo e isso me ocupa o suficiente. Não sou do bem!

Afinal, perguntam por quê? Se estou mal não vão me ajudar, e se estou bem, vão querer pedir ajuda. É a regra interesseira do bicho humano. Na verdade, invejo apenas como vivem as crianças. Elas não possuem passado, nem futuro. Possuem apenas a razão para aproveitar e gozar o presente. Não se lhes dá conceituar o "ser do bem" ou o "ser do mal". Vivem apenas!


12 Maio 2019 08:30:00


(Foto: Divulgação)


Em alguns momentos, quando me estico no sofá, me assalta um pensamento recorrente: será que para o exercício da vida vale a pena tanta luta? Justifica-se, como diz o surrado refrão, matar um leão por dia?

Um amigo rico que tive, quando alguém lhe dava uma dica de investimento para o futuro, sempre repetia: pra quem? Realmente, a pergunta não é pra quê? Mas pra quem?

Se somos finitos, estabelecer limites para o trabalho e para a ambição é coisa para os sábios. Acumular riquezas em proporções tais que não vamos desfrutar é um ato de inteligência? Na maioria dos casos, a fortuna é foco de discórdia e desunião das famílias. Amontoar demais, então, pra quê?

Na medida em que me torno reflexivo e jogo luz na realidade, vejo coisas que não via. Daí alguma indignação e inconformismos me fazem aumentar a vontade de corrigir os erros.

Perguntei certa vez a um dos meus alunos adolescentes: qual é a sua motivação na vida? A minha é a vingança, respondeu-me. Ele era prisioneiro de um ambiente de total incompetência, deixara de viver sua vida para se tornar um vingador. Agia com afrontas diárias aos seus progenitores. Tatuava-se, enfiava piercing aqui e ali, deixava os cabelos longos e amarfanhados, trajava roupas agressivas e esquisitas. Se ressentia da incompetência dos pais, e se tornara rebelde na vida como forma de vingança. Ou seja, seus pais continuavam mandando nele, e aquilo o incomodava. Não podia reagir, porque era por eles sustentado. Coisa que não podia entender como nenhum jovem entende, é que os pais não agem assim por maquiavelismo ou manipulação. Daí era um rebelde, contrariando quase tudo e todos.

Havia na revolta daquele rapaz duas coisas que me encantavam: a percepção da complexidade do que motiva nossos atos, e a serena aceitação do exibicionismo excêntrico como parte saudável dele.

Então, retorno a primeira reflexão. Vale a pena tanta luta? Viver por exibicionismo? Assim, como um pavão esnobando seu rabo, vemos gente que exibe seus carros modernos, suas viagens internacionais, suas roupas de grifes, suas casas luxuosas, mulheres troféus bem produzidas e insinuantes. Mas, quase todos são incapazes de manter uma conversa de cinco minutos quando o assunto não focar só no dinheiro.

Sorte minha é que, se tais questionamentos existenciais me angustiam com frequência, tenho em Morfeu um aliado benemérito. Fujo da realidade com auxílio do sono, essa imperiosa e ao mesmo tempo deliciosa necessidade física.



05 Maio 2019 07:00:00

Essas dores do amor, mais conhecida por dor de cotovelo, ou de corno, para ser mais popular, podem ser mitigadas, ou até mesmo resolvidas com um conselho muito simples. Esse conselho ou ensinamento talvez estivesse escorado na larga experiência de um personagem curitibanense que conheci.

Ele sempre teve amante fixa e várias avulsas. A cada passo, quando alguém para ele se lamentava desse tipo de enfermidade ou depressão moral, porque sofrera uma traição aqui ou ali, e que por tal motivo estava sofrendo, aquele mestre desse ramo sentimental ensinava: "O teu problema é acreditar naquilo que te contam, ou nas coisas que você vê! Pare com isso!

Acredite só nela, naquilo que ela diz! Não acredite nem nos teus olhos! Acredite que ela não mente pra você! Pronto, assim você não sofre!" Fácil. Na verdade adoramos mentiras. Elas são convenientes e até confortáveis em muitas oportunidades. Quando mentimos repetidamente acabamos acreditando que nossas mentiras são verdades. Muitas vezes, por carência, aceitamos a mentira dos outros como uma forma de desculpas. Pois, mudando o rumo desta conversa, penso que o Lula é a amante dos petistas descornados, e estes, por sua vez, estão seguindo o conselho do meu personagem.

Assim, a maior parte do mundo político, sanguessugas das ONGs, sindicatos, intelectuais da orelha de livros, jornalistas e artistas produzidos e sustentados pela Lei Rouanet, se fingem de tolos arrematados, assobiam e olham para o lado. Não acreditam, por bloqueio cognitivo, fanatismo, teimosia e paixão pelo Lula, em absolutamente nada do que lhes dizem e do que vêem. Só naquilo que o Lula diz, já que todo mentiroso é convincente por lhe faltar escrúpulo moral.

Se ele afirma que é inocente, é porque é! O resto é armação da direita, do capitalismo selvagem, dos grandes grupos econômicos, e, parvamente, dos Estados Unidos. Só mesmo o mais arrematado dos tolos pode negar que não houve a ladroeira colossal praticada pelas empreiteiras e políticos que agora se acham todos atrás das grades. O chefe de tudo isso seria inocente? Fanatismo nessa crença é sinônimo de burrice! Existe ainda criatura que até hoje defendem o Hitler!

A cacofonia histérica e emburrecedora dessa gente nas redes sociais é de dar ânsia. É até mesmo um cinismo intolerável esse de negar o óbvio: O Lula afundou o país e se escuda, ainda, naqueles que teimam em aceitar suas mentiras. 


28 Abril 2019 07:30:00


A colonização do Brasil teve, também, esse forte incentivo natural. (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Sabe-se pela leitura dos relatos dos historiadores, desde a expedição de Pedro Álvares Cabral, nosso suposto descobridor, que naqueles idos as mulheres não viajavam nos navios. Cabral partiu de Portugal com uma frota de 13 navios onde se achavam embarcados 1.500 homens. Eram naves sem condições, com quase absoluta falta de higiene e um trabalho estafante, além de extremamente arrisca do. Os naufrágios eram frequentes. 

Daí, nosso descobridor e seus homens (há quem diga que antes disso os espanhóis já haviam estado por aqui), quando desembarcaram numa praia da Bahia, depois de 44 dias de viagem pelo mar, espantaram-se com as dóceis nativas tupiniquins totalmente nuas e desinibidas.

Não houve como impedir o contato íntimo, plural, e por consequência o nascimento dos mamelucos, filhos dos brancos portugueses com as índias brasileiras. Muitos anos depois, já com a vinda dos padres jesuítas para catequizar os silvícolas, José de Anchieta escreveu uma carta endereçada ao Rei de Portugal onde dizia que "... os colonos portugueses também depararam com nativas que andam nuas e não sabem negar-se a ninguém, mas, ainda, elas mesmas assediam e importunam os homens, metendo-se com eles nas redes, pois consideram uma honra dormir com cristãos". Só não explicou o padre se ele também caiu na tentação, ou não.

Diogo Álvares Correia, náufrago que se tornou lendário pela alcunha de "Caramuru", jamais quis retornar ao seu país. Casou-se com a índia Paraguaçu, filha de um cacique Tupinambá e com ela teve vários filhos.

João Ramalho, que a história não sabe contar se era degredado ou náufrago, se tornou genro de Tibiriçá, maior líder guerreiro da região e da nação dos Guaianazes, casandose com Bartira. Todos tinham muitas concubinas e com quase todas elas uma penca de filhos. As índias não tinham ciúmes. Os portugueses, náufragos, traficantes e degredados que vinham de uma civilização cristã, com costumes rígidos e a imposição religiosa da união monogâmica, nem acreditavam naquele paraíso cheio de belas nativas que se ofereciam graciosamente ou a troco de bugigangas. Podiam ter aqui, como se fossem marajás, quantas mulheres quisessem.

Não era raro que marinheiros, principalmente os grumetes para quem cabia o trabalho mais insalubre, que desertassem e se embrenhassem nas matas para aqui permanecerem.

Pode-se intuir, a partir desse relacionamento fácil das nossas brasileiras nativas com os portugueses carentes de sexo, que a colonização do Brasil teve, também, esse forte incentivo natural.


21 Abril 2019 09:33:00
Autor: Carlos Homem


(Foto: Divulgação) /

Fernando de Noronha, um rico comerciante português e cristão-novo (judeu convertido ao cristianismo), lá pelos anos de 1.502, era amigo de Américo Vespúcio, célebre navegador espanhol, que por suas vez era muito amigo do Rei D. Manuel I de Portugal. Como Fernando de Noronha era amigo do amigo do Rei, conseguiu fazer um contrato de arrendamento que, suponho, foi o maior da história da humanidade. O monarca arrendou o Brasil inteiro para um consórcio de afortunados mercadores lusitanos, liderados por Fernando de Noronha. O contrato? Bem, Fernando de Noronha adquiriu exclusividade na exploração de todo o território brasileiro, principalmente do pau-brasil, durante três anos. No primeiro ano não pagaria nada, no segundo 1/6 e no terceiro ¼ da valiosa madeira aqui explorada e usada naqueles tempos principalmente para fazer tinta para tecidos.

Vem já daqueles primeiros anos do seu nascimento o corrompido destino do Brasil. Claro que amigo do amigo, nestes dias atuais, passou a ser conhecido por pistolão, padrinho, QI, comparsa, etc. Mas Noronha não se contentou só com um `contratinho´ de arrendamento mixuruca como aquele. Em 1.504 ele tornou-se donatário, ou seja, ganhou de presente a bela ilha brasileira que acabou por ficar conhecida pelo nome do seu dono. Esse território insular seguiu sempre na posse dos descentes de Noronha.

Então, se um advogado torna-se amigo do mafioso José Dirceu, e este por sua vez é amigo do Presidente da República, acaba sendo guindado ao cargo de Presidente do Supremo Tribunal Federal, mesmo que tenha sido reprovado em dois concursos para juiz de direito. Uma versão atualizada de Noronha! Amigo do amigo do meu amigo é coisa muito boa! Daí o Brasil que aguente o Totófiofóli!

Daí também algumas perguntas: O José Dirceu foi solto por quê? Será que aquele tchutchuca ia abrir o bico? Querem afundar a Lava Jato por quê? Não permitem a CPI do Lava Toga por quê? O que será que o Totófiofóli vai dizer lá em casa? Vai ser preso? É claro quer não, né! Cadeia é para comediante que desafora uma corrupta. E nem existe mesmo um delegado peitudo para colocar algemas nos pulsos do Tóffelles. Dói só em pensar que o Totófiofóli é guardião da nossa Constituição. Circunstância clássica da raposa cuidando do galinheiro!

O que esperam os novos estudantes digitadores do direito? Aprender apenas a digitar números de processos mais compridos que o número do chassi? Eu os consolo: As leis brasileiras são lindas e justas, na teoria! Por isso sejam espertos e amigos dos amigos do... 



21 Abril 2019 09:33:00
Autor: Carlos Homem

Fernando de Noronha, um rico comerciante português e cristão-novo (judeu convertido ao cristianismo), lá pelos anos de 1.502, era amigo de Américo Vespúcio, célebre navegador espanhol, que por suas vez era muito amigo do Rei D. Manuel I de Portugal. Como Fernando de Noronha era amigo do amigo do Rei, conseguiu fazer um contrato de arrendamento que, suponho, foi o maior da história da humanidade. O monarca arrendou o Brasil inteiro para um consórcio de afortunados mercadores lusitanos, liderados por Fernando de Noronha. O contrato? Bem, Fernando de Noronha adquiriu exclusividade na exploração de todo o território brasileiro, principalmente do pau-brasil, durante três anos. No primeiro ano não pagaria nada, no segundo 1/6 e no terceiro ¼ da valiosa madeira aqui explorada e usada naqueles tempos principalmente para fazer tinta para tecidos.

Vem já daqueles primeiros anos do seu nascimento o corrompido destino do Brasil. Claro que amigo do amigo, nestes dias atuais, passou a ser conhecido por pistolão, padrinho, QI, comparsa, etc. Mas Noronha não se contentou só com um `contratinho´ de arrendamento mixuruca como aquele. Em 1.504 ele tornou-se donatário, ou seja, ganhou de presente a bela ilha brasileira que acabou por ficar conhecida pelo nome do seu dono. Esse território insular seguiu sempre na posse dos descentes de Noronha.

Então, se um advogado torna-se amigo do mafioso José Dirceu, e este por sua vez é amigo do Presidente da República, acaba sendo guindado ao cargo de Presidente do Supremo Tribunal Federal, mesmo que tenha sido reprovado em dois concursos para juiz de direito. Uma versão atualizada de Noronha! Amigo do amigo do meu amigo é coisa muito boa! Daí o Brasil que aguente o Totófiofóli!

Daí também algumas perguntas: O José Dirceu foi solto por quê? Será que aquele tchutchuca ia abrir o bico? Querem afundar a Lava Jato por quê? Não permitem a CPI do Lava Toga por quê? O que será que o Totófiofóli vai dizer lá em casa? Vai ser preso? É claro quer não, né! Cadeia é para comediante que desafora uma corrupta. E nem existe mesmo um delegado peitudo para colocar algemas nos pulsos do Tóffelles. Dói só em pensar que o Totófiofóli é guardião da nossa Constituição. Circunstância clássica da raposa cuidando do galinheiro!

O que esperam os novos estudantes digitadores do direito? Aprender apenas a digitar números de processos mais compridos que o número do chassi? Eu os consolo: As leis brasileiras são lindas e justas, na teoria! Por isso sejam espertos e amigos dos amigos do... 



14 Abril 2019 09:45:00
Autor: Carlos Homem


(Foto: Luis Moura /Estadão)


Era um lírio branco. Nasceu ali, na margem daquele riacho poluído. Mais do que poluído, estava podre. E o lírio branquinho, puro, imaculado, via passar ao seu lado, dia após dia, toda espécie de sujeira e podridão.

Ele tomava as cautelas e cuidados todos para não ser atingido, ainda que de forma involuntária, por nenhuma daquelas imundícies. Nascera limpo e bonito. Não queria morrer feio e sujo.

Mas o tempo foi passando. O lírio percebeu que limpo mesmo era só ele. Tudo o mais que o circundava estava apodrecido. Cansou! Não poderia viver isolado num mundo assim. Jogou-se no meio da corrente decomposta e passou a fazer parte dela.

Pois tenho aqui os meus medos a respeito do Presidente Bolsonaro. Será que, a exemplo desse lírio, não vai integrar-se no meio da corrompida classe política? Tenho pena dele. Ficou difícil de administrar-se o caráter nos dias em que vivemos. Um mundo em que, com raras, raríssimas exceções, todos se mostram dispostos a mentir, tirar proveito com trapaças e até roubar por se julgarem portadores de direitos.

São razões das mais mesquinhas que poluíram o riacho das relações humanas. Há um sadismo e uma cobiça generalizados nas pessoas. Ninguém mais pode dizer, com absoluta segurança, que dispõe de amigos confiáveis. Têm-se amigos, assim considerados, mas com cautelas e até restrições. Não se confia mais neles.

Nestes dias, colocar as pessoas em situações constrangedoras ou ameaçá-las com processos é corriqueiro. Ninguém ignora que a desonestidade está disseminada no mundo dos negócios e da política. Mentir faz parte do argumento central para se vender alguma coisa. Não basta mostrar as vantagens da mercadoria, é conveniente ocultar as desvantagens. São dois lucros acumulados. Um financeiro e outro da astúcia desleal.

A ideia de falar a verdade, ainda que para as pessoas mais íntimas tornou-se difícil e questionável. Até mesmo temerária. Ninguém pode bater no peito e dizer que é honesto, pois, se verdade fosse, não teria sobrevivido. Não há mais limites. Furta-se dinheiro dos parentes, mulheres dos amigos, objetos das lojas, talheres dos restaurantes. Furta o empregado do patrão e o patrão do empregado. Furta-se de tudo a toda hora e em todo lugar. Aliás, "para o comerciante até a honestidade é uma especulação financeira", diria o filósofo. Ser desonesto virou sinônimo de vivacidade, de habilidade. Faz parte dos negócios. Torço para que o Presidente não se aborreça como o lírio do meu exemplo e se atire no lodaçal que o circunda.



07 Abril 2019 07:00:00


(Foto: Divulgação)/

Foi uma ideia infeliz essa de quem inventou o relógio. Esse instrumento perene de suplício. Um mecanismo de requintada sevícia. É essa máquina torturadora que me interrompe o sono doce de todas as manhãs. Que me faz levantar mau humorado porque me lembra que devo ir trabalhar para viver. 

O relógio é uma máquina de picar o tempo, como se fosse um triturador esmigalhando a existência. Não permite que o tempo continue no singular como nasceu. Transforma-o em plural, fracionando-o e destruindo?a sua unidade. Ele é quem domina minha vida. Estabelece quando e em que exatos momentos do dia devo comer, escovar os dentes, dormir, pagar contas, tomar remédios. Tão atrevido e possessivo que regula até mesmo quanto tempo posso dormir, quanto tempo devo trabalhar, quanto dura o filme que assisto. Está sempre me advertindo que todo o prazo finaliza. 

O relógio fatiou o tempo em anos, meses, semanas, minutos, segundos, milésimos de segundos. Fez farelo do tempo. E o homem, metido a sabido, resolveu aperfeiçoar essa maquininha maldita tornando-a mais sádica ainda. Surgiram então relógios enormes, barulhentos. Aqueles que atormentam a vizinhança de hora em hora batendo sinos que se propagam por léguas. Sinos como os das igrejas, colocados em torres, com badalos potentes que punem até quem está longe com suas sonoridades e vibrações ricochetando nas paredes do tédio. Cruzes! 

Em noites insones ficar ouvindo a marcação das horas é tormentoso. Alimenta a angústia! Há outros mais criativos pendurados nas paredes, com caixinhas artesanais e portinhas de onde sai, com precisão intervalar, um simulacro de passarinho. Um tal de cuco sentenciando que acabamos de encurtar mais um pedacinho da vida. 

É o relógio que dá o sabor da vitória e também o desgosto da derrota. Muitas vezes por frações mínimas da sua aferição absoluta. Submete-nos à sua vontade sem qualquer emoção. É ele quem avalia se o cavalo é veloz, se pode vencer, se tem valor. O relógio é quem nos faz ficar, inexoravelmente, cada vez mais velhos. Nunca mais jovens! Implacável nessa sina, ele jamais retrocede. Como um avarento vigiando seu tesouro. Um carrasco determinado em nos advertir, 

aos poucos e sempre, que a vida é transitória e finita. Uma engrenagem egoísta. Mesmo quando para não faz parar o tempo. Não nos concede nenhuma bonificação. Uma invenção diabólica! 


31 Março 2019 07:00:00


(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Rodrigo Maia, presidente da Câmara Federal, está nervosinho! Diz que ao Presidente da República está faltando "articulação" com o legislativo. Articulação quer dizer o quê? Passar a mão na cabeça dos deputados? Oferecer verbas e cargos para que agradem suas bases? Ou querem suas "excelências" que contam com milhares de assessores jurídicos e auxiliares cheios de graus, que o executivo explique o que pretende com a reforma? Não sabem ler essas criaturas, ou querem que lhes puxem o saco? 

Nhonho quer também o quê? Que mostrem para ele que a reforma da previdência não é para ajeitar os senhores deputados, mas para atender uma urgência do país.

Deputado não é eleito para isso? Agora, com a prisão do seu sogro, Nhonho diz que o projeto do Ministro Sérgio Moro vai ficar na gaveta. Tem outras prioridades na frente, segundo ele. Isso é outra vergonha nacional. Ao presidente do legislativo é que cabe interpretar as prioridades nacionais e também pautar, ao seu alvedrio, quando se aprecia e vota um projeto de lei, ainda que relevante?

"Não é no país que estão pensando"

Ora, assim como os cristãos ao longo dos tempos perderam todas as guerras para o materialismo vulgar, o debate político tornou-se trivial e vai perder sempre. Podem enrolar, mas na continuação a sociedade exige e impõe. Esses babacas que se intitulam de legisladores e representantes do povo devem ser menos hipócritas.

A plebe já entendeu que entre aquilo que eles dizem na frente de um microfone e aquilo que na verdade pretendem nos bastidores, não é no país que estão pensando. Só que agora, dispondo das redes sociais, a hipocrisia é desmascarada de plano. A participação popular, agora, é quem dita às prioridades nacionais.

Há pelo que se observa nessas futricas políticas, uma guerrinha de inveja e de esnobação de poder. Só que essa inveja não é daquelas que almeja a igualdade, e sim a inversão da desigualdade: "Quero me dar bem, e que ele se ferre". Esse raciocínio facilita entender bem os bate-bocas ideológicos da nossa política. Um conflito de personagens que não estão nem aí para o país. Ególatras é o que são.

No fundo mesmo, e isso também acontece aqui no nosso Estado, está havendo um inconformismo da classe política que só sobrevive com o "toma lá dá cá", com o apadrinhamento na distribuição de cargos, com a entrega de verbas aos municípios como se o dinheiro fosse deles. Não vai ser fácil para o Presidente Bolsonaro arrancar essas raízes profundamente corrompidas. Estão muito arraigadas e são antigas. Penso que seja isso o que os deputados denominam de "falta de articulação".


23 Março 2019 10:45:00
Autor: Carlos Homem


(Foto: Divulgação) /

Diga-me uma coisa? Se você, meu raro leitor, tivesse que escolher alguém para ocupar uma vaga de emprego, quem escolheria? Um rapaz bem barbeado, com o cabelo cortado de forma tradicional, vestindo-se com roupas sóbrias e clássicas, calçando sapatos limpos, ou outro barbudo, mostrando rodovias ziguezagueando o cocuruto da cabeça, com uns brinquinhos infames na orelhas, usando tênis e boné encardidos? Optaria por uma moça com as mãos bem asseadas, unhas normais, braços limpos e trajes comedidos, ou outra com unhas desenhadas em cores variadas, braços rabiscados com tatuagens ridículas, argola no nariz? Daria preferência para uma moça ou rapaz que falasse de forma mais ou menos correta ou alguém assassinando o verbo de forma grosseira e rudimentar, repetindo gírias ou até palavrões? Mas, e se a vaga de emprego fosse para faxineira, esses detalhes importam? Importam sim!

Quem não cuida de si próprio, menos ainda cuidará daquilo que é dos outros. Entre uma Carteira Profissional de Trabalho apresentada e bem zelada de um, com poucos registros, e os ali existentes com períodos longos, ou uma carteira toda puída, rota, amarfanhada, com incontáveis registros de contratos com poucos meses em cada um, ou mesmo nem a apresentação da carteira com a velha desculpa de que a extraviou? Aos olhos do empregador, quero acreditar nisso, a aparência de quem se veste afrontando a sociedade, mostrando sua tendência contestadora, querendo enfrentar as estruturas vigentes, não seria prudente contratar um candidato desses.

Quem precisa de emprego deve tomar alguns cuidados básicos ao apresentar-se ao empregador com tal pleito. Pouco, muito pouco adianta elaborar um "curriculum vitae" cheio de habilidades e competências, quando o visual do candidato depõe contra ele. O velho ditado de que "a primeira impressão é sempre a que fica", continua valendo. Quem se submete a uma entrevista de emprego, antes de tudo deve ser educado na chegada, já com a recepcionista da empresa.

Um pretendente não pode se apresentar fumando, nem mesmo cheirando cigarro ou álcool. Celular desligado, isso é básico. Agora, pelo amor do Monge João Maria! Quem precisa de emprego deve mostrar a cara, pessoalmente! Mandar a mãe, pai, mulher ou marido, pedir trabalho nem chega a ser um absurdo. É um desrespeito! Um atestado de incompetência e covardia.  



17 Março 2019 08:30:00


(Foto: Reinado Canato)


O fim da obrigatoriedade compulsória de pagar o imposto sindical foi uma medida mais do que oportuna. Era uma vergonha fazer com que o trabalhador brasileiro tivesse que dar o valor equivalente a um dia do seu salário por ano, para sindicatos que não tinham nenhuma serventia. Era um festival desses monstrengos. Incontáveis dirigentes sindicais se encostavam naquelas fortunas tungadas para viverem nababescamente e sem trabalhar. Aliás, os sindicatos não ajudavam, mas atrapalhavam as atividades empresariais impossibilitando a criação de mais empregos.

No Brasil, os sindicatos, quase todos, estão infestados de pelegos e faziam como ainda fazem aquele discursinho socialista de instigar conflitos entre patrões e empregados. Aquela coisa nojenta do "nós e eles".

Mais grave ainda! Esqueceram que deviam tomar uma posição isenta na política, já que, em tese, representam todos os segmentos da produção e da organização no mercado de trabalho. Uma infinidade de dirigentes sindicais, com o dinheiro que não lhes pertencia, faziam campanhas eleitorais caríssimas e se guindavam aos altos cargos públicos.

Mas, neste país, sempre que as coisas se complicam para esta ou aquela atividade, busca-se o famoso jeitinho brasileiro. Então, os sindicatos encontraram uma forma de fugir daquele dispositivo da reforma trabalhista que acabou com a obrigação de pagar o imposto sindical, pois ela estabelece que para isto seja necessária a prévia autorização do empregado permitindo que descontem a excrescência parasitária do seu salário. Fizeram os sindicatos então, o quê? Convocaram em algumas atividades e em grandes empresas assembleias gerais onde só os caciques compareciam, e lá, escandalosamente, decidiam que as contribuições sindicais poderiam ser descontadas nas folhas de pagamentos salariais. Em seguida, ingressavam com medidas cautelares nos tribunais superiores do trabalho e conseguiam decisões que obrigavam tais descontos.

Mas, quando o rato é muito esperto, a ratoeira deve ser aperfeiçoada. O Presidente Bolsonaro, para fechar as portas dessa tunga do dinheiro dos trabalhadores, baixou uma medida provisória estabelecendo que não possa haver tais descontos diretos, embora permita ser cobrado o imposto sindical através de boletos. Quá, quá, quá! Sabem quantas vezes o empregado vai ao banco com um boleto para pagar aquilo que não deve? Nunca!!! Acabou-se a mamata desses carrapatos sociais! Imaginem só! São 17 mil sindicatos que botavam a mão em 3,6 bilhões por ano. Ufa! Até que enfim mais uma medida salutar para o operário brasileiro.



10 Março 2019 10:30:00


Teve uma época em que eu consultava o horóscopo quase todo dia. Claro, essa fragilidade humana consorciada com a insegurança que trazemos no gene sempre quer saber o que nos reserva o futuro. Uma coisa parecida com a reza. Estamos sempre querendo o troco. Rezamos para que nos ajudem, raramente para que a ajuda seja aos outros. A oração é um ato egoísta por natureza. Uma espécie de investimento nos fundos da crença objetivando recompensa ou lucro. 

Uma coisa sempre me deixava encucado. Se meu signo é virgem, por ter nascido em setembro, que significa (sete) do sétimo mês, por quê no calendário é nove? Então as previsões do meu signo sempre estiveram erradas, por lógico. 

Aliás, o primeiro calendário tinha dez meses e começava em março, em homenagem ao deus da guerra Marte. Depois, para acertarem o tempo da natureza, acrescentaram mais dois meses, janeiro e fevereiro, que findavam o ano. O imperador romano Júlio César foi quem transferiu janeiro para ser o primeiro mês do ano. E aumentou dois dias, fazendo-o então com 31. Batizou janeiro com o nome de um deus romano Janus que simbolizava abrir as portas. A divindade tinha duas faces e olhava tanto para frente quanto para trás. Quando menino, eu desconfiava que minha mãe tivesse também olhos na nuca. Ela manjava tudo! 

Janeiro já surgiu no calendário desconfiando dos humanos. Foi o papa Gregório que adotou como oficial o nosso atual calendário, gostando da ideia de que o ano um(1) deveria ser o ano do nascimento de Cristo. A confusão fica maior ainda quando outubro de oito virou dez, novembro de nove passou a ser onze e dezembro de dez se transformou em doze. Até mesmo o quinto mês denominava-se "quintilis", mas foi rebatizado para julho quando passou a ser o sétimo em homenagem a Júlio César. 

O horóscopo tem previsões com base em que calendário afinal? Na verdade as previsões dos horóscopos são todas fajutadas. Pura empulhação! É que cada um de nós tem suas particularidades, manias e comportamento típicos. Somos individuais e únicos. Gostamos de adaptar, mentalmente e por conveniência, as coisas boas que dizem os horóscopos ao cotidiano das nossas vidas. As ruins de imediato descartamos e achamos bobagens. É muito tolo e inseguro o tal bicho humano! 


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