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Juíza do comportamento das crianças

26 Março 2018 11:46:00

Sulisia Westphal


(Foto: Divulgação) /


Com a proximidade da Páscoa 2018, as inesquecíveis fantasiosas histórias de Coelhinho da Páscoa estão cada vez mais em extinção. Completamente substituídas pelos ovos de chocolate. Que, aliás, estão cada vez mais criativos em acessórios para conquistar as crianças, do que propriamente pelo tipo de chocolate. 

Saudosismo?

Talvez. Minha infância, riquíssima dentro da cultura alemã, mães com tempo para conviver com os filhos e criar imaginações espetaculares que perpetuam na alma do adulto. Tempo de conversas, leituras, jogos e brincadeiras em família. Tempo para cultivar as expectativas sobre a chegada desta curiosa figura do Coelho distribuindo ovos nas casas das crianças. Tempo de fazer as cestinhas, os ninhos. Tempo de aprender a esperar. Tempo de expectativas de diversão e alegria entre os irmãos, os primos, os familiares. Bem diferente das expectativas diante de mais um brinquedo consumista.

E a espiritualidade?

Também tinha espaço. Os pais motivavam os pequenos a conhecer a Verdadeira História da Páscoa. Oportunizando conhecer quem é Jesus. Momentos de fé mesclados com inesquecíveis vivências familiares.

Hoje...

Crianças cada vez mais habituadas nas multitelas, e cada vez menos criatividade, menos solidariedade e flexibilidade nas brincadeiras coletivas. Mais gritos, volumes alterados como se as pessoas estivessem e como de fato estão cada vez mais distantes. Os vídeos do Youtube passam a ocupar o tempo imaginativo de criar suas expectativas, suas fantasias, seus momentos de conhecer mais e enriquecer seus enriquecendo os diálogos. Enquanto isso, os pais na correria para dar conta de suas responsabilidades, com menos paciência, e cada vez dispondo de menos tempo para seus pequenos acabam oferecendo as telinhas para darem conta de seus afazeres ou de atualizar as mensagens "as" dos inúmeros grupos dos quais fazem parte. Os filhos, por sua vez, são capazes de criar situações inusitadas para chamar a atenção. Os pais vão se conscientizando que não dão conta... Recorrem às terapias... As crianças reclamam de que a terapeuta não faz nada... Só quer que elas falem... Muito chato!!!

Juíza?

Não. Apenas mais uma pessoa, uma professora, uma avó, uma tia, uma colunista "preocupada" tentando encontrar formas concretas para motivar e promover espaços que cooperem com essa nova geração. Aproveitando o feriado e o momento de Páscoa como um tempo para se olhar mais, rir mais brincar mais, abraçar, rolar, tentando trazer um pouco de sua infância na infância das crianças de hoje. Uma infância cada vez mais encurtada. Talvez ainda dê tempo de contagiá-los com os valores nos quais você acredita.

Dados atuais para pensar

Se antes as meninas brincavam de boneca até os 12 anos, hoje, se ainda brincam, a tendência é parar aos 9... Pesquisa da Let's Play que acompanha o comportamento e os hábitos da nova geração: Brinquedos mesmo os ativos perdem para a tela dos eletrônicos. É A Preferência para 75% das crianças que nasceram em 2010 é assistir vídeos no You Tube, (bilhões de visualizações).

Maior audiência, vale observar o fenômeno da pequena boneca LOL/You Tube e o desembrulhar continuado de pequenos acessórios surpresa que a acompanham. Umas raras chegando ao valor acima de cinco mil reais na internet.

Quem chega para comprovar é a boneca Frida Kahlo, que vem para o segmento das meninas que preferem atitude ao padrão de beleza convencional.

Não dá para ficar parada.

PÁSCOA! Tempo para proporcionar novos atrativos ou ACOMPANHAR O QUE ESTÃO ASSISTINDO E MEDIAR. DIALOGAR PARA QUE COMPREENDAM A IMPORTÂNCIA DAS ATITUDES EM EXTINÇÃO.

Não adianta só julgar ou criticar!


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