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Ainda há Esperança

29 Janeiro 2018 00:07:00

Sulisia Westphal


(Foto: Sulisia Westphal) /


Em um dia destes, ainda a beira-mar, subitamente um ciclista carregando uma enorme sacola de latinhas de cerveja se desequilibrou e caiu com o rosto na areia molhada. Quem olhava de longe ficava imaginando como tudo aconteceu. A bicicleta afundou na areia foi a hipótese mais provável. O curioso é que o ciclista, ainda impactado, levantava com muito esforço, tentando acreditar no que acontecera. Tentava limpar o rosto coberto de areia. Ninguém ao seu entorno parecia se importar. Permanecia sozinho: bicicleta caída de um lado, sacola de latinhas do outro. Até que duas crianças entre oito e doze anos aproximadamente, que passavam pelo local também de bicicleta, pararam para atendê-lo.  

Um gesto bastante afetivo e surpreendente para a faixa etária. Com ele veio a sensação de que a futura geração promete resgatar os valores hoje tão desacreditados. Ainda há esperança por tempos melhores.

Horas depois, no mesmo local, um corretor pede favor aos moradores de um prédio para abrirem a porta para mostrar um apartamento para inquilinos argumentando que alguém chaveou a porta da entrada que não abria apenas com a senha... E que portaria não atendia... Quem vai abrir a porta nestas circunstâncias? Com tantas notícias de calotes e golpes quem ainda dedica de seu tempo para prestar um favor a desconhecidos não identificados? Por sorte do tal corretor, a zeladora estava no local e a situação foi resolvida.

Duas situações opostas e ao mesmo tempo similares: ajuda a desconhecidos. O que podemos aprender?

O medo de aceitar ou oferecer ajuda/ gestos de generosidade no contexto urbano, ficam cada vez mais raros. Muitas vezes nos colocamos em situações vulneráveis e ficamos imaginando: quem poderá nos prestar solidariedade quando em situações de emergência? Na verdade, ainda existem pessoas boas no tempo e lugar certos. Precisamos acreditar. Ter esperança.

Os meninos de bicicleta e seu gesto solidário motivam a investirmos tempo divulgando esta simples história, enriquecendo nossos pequenos e grandes com bons exemplos, com boas leituras, com filmes, sentados lado a lado, promovendo o repensar na importância das boas atitudes. Quem sabe, quando adultos, "talvez corretores" tenhamos menos medo em praticarmos a ajuda, a generosidade, o bem.


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