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Tudo fica como está

17 Março 2018 08:10:00



É que, por sazonalidade, voltamos o pensamento para o ano político em curso e as expectativas por ele geradas. No início desta semana, em programa de rádio, ouvi, e meditei, sobre o que disse voz ponderada quando afirmou que recolocar nosso Brasil nos eixos é tarefa que exige, no mínimo, três períodos de governo, ou seja, os doze próximos anos, afora este.

O primeiro período, segundo o atilado analista, deverá ser usado para propor implementar as mais profundas e corajosas reformas vistas como necessárias. Reformas que exigem coragem, desprendimento, abandono de vaidades. O segundo período deverá ser utilizado na consolidação das reformas realizadas, aperfeiçoamentos e correções. O terceiro tempo então para iniciar a colheita dos frutos. Ao ver do analista, ao que sentimos, a próxima dúzia de anos se prenunciariam como de penúria e extensos e intensos sacrifícios. Mas a ideia esbarra, já de cara, em obstáculos vistos por nós como intransponíveis.

 Onde está este homem, ou mulher, pleno de coragem e despido de vaidades, capaz de sacrificar-se para pedir o sacrifício e despendimento de todos nós? A safra que se apresenta ou propõe-se a pedir o sufrágio é exatamente a mesma, eivada dos mesmos vícios, fruto de um meio político vencido e carcomido, apodrecido pelo uso e fracasso. Assim, não se vislumbra dentro do quadro visível alguém com as qualificações exigidas para nos guiar por sobre as brasas do altar da Pátria.

A quantificação de uma dúzia de anos pressupõe também um tempo de pouco ou insignificante progresso real até que as tais reformas comecem a produzir os efeitos pretendidos. Para que tal se consiga, ao que conseguimos entender, começa por estancar a sede insaciável dos banqueiros e sua voracidade. Ora, os tais banqueiros formam aqui uma casta colocada muita acima de qualquer prateleira e ninguém pode ter a pretensão de eleger-se Presidente desta malfadada e bananeira república sem, antes, ir pedir as bênçãos dos donos do dinheiro, com eles assumir compromissos de respeito às suas inviolabilidades, ou seja, manter tudo exatamente como está.

A segunda reforma nos parece também inviável, pois passa pelo tal novo pacto federativo com a equitativa repartição dos tributos e rendas entre os entes federados, precedida ela de uma reformulação dos tributos, simplificando-os e tornando-os justos. Isto é pura utopia. A reforma do Estado e de sua concepção administrativa tirando esta legião imensa de funcionários públicos e alguns penduricalhos de elevada remuneração e pouco fazer. Para tanto também seria necessário sangue absolutamente novo nas casas do Congresso.


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