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Suavizar o sofrimento e proporcionar prazeres inocentes

03 Fevereiro 2018 17:10:00


Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação

É que, no oceano de desgraças e incertezas que nos domina, ouvi com atenção e apreço, notícia que diz respeito ao próprio oceano. Não exatamente ao oceano, mas a uma parcela de pessoas que dele se tornaram usuários. Explico. Oficial do nosso Corpo de Bombeiros Militar, em entrevista de rádio, clareava sobre serviço disponibilizado nas praias. Um serviço aos paraplégicos ou os ditos portadores de necessidades especiais que, por óbvio, se viam impedidos de gozar as delícias do banho de mar. Ah, pois, com o uso de uma cadeira especialmente arquitetada e a presença de um guarda-vidas especialmente treinado, estas pessoas podem agora adentrar ao mar e nele banharem-se sem riscos ou sobressaltos.

A começar pela dita cadeira funcional, assento que é capaz de acomodar o usuário especial com conforto e segurança. A ideia e sua aplicação se nos parece genial. Nestes tempos do pós-moderno fala-se muito da inclusão. Observando-se à distância, tem-se que somente se fala muito mas, a rigor se faz muito pouco.

Fica no discurso, na demagogia, na filosofia de desocupados quando a prática exige ação.

Não basta reconhecer, e legislar, para entregar direitos a este grupo de pessoas. A efetividade da coisa é o que importa.

Ainda estamos longe de realmente podermos proporcionar aos deficientes ou portadores de necessidades especiais aquilo que necessitam para ter uma vida que mais se aproxime do comum, das atividades a todos permitidas. Em termos de mobilidade urbana, por exemplo, ainda vemos, aqui mesmo em nossa cidade, calçadas, os ditos passeios, com ressaltos e rebaixamentos que dificultam a movimentação de pessoas que se locomovem com muletas, bengalas e andadores, mesmo o idoso, ainda com alguma agilidade, não raro é vitimado por quedas e escorregões causados exatamente pelos defeitos que apontamos. Mesmo que a legislação e as ditas posturas municipais se refinem, a questão ainda passa pela nossa disposição mental e cultural. Somos seres individualistas e entranhados de um egoísmo atroz. Sempre nos colocamos em primeiro lugar, nosso conforto e bem estar primeiro, os demais que se danem.

Agimos como se a velhice e demais vicissitudes da vida não nos fossem atingir. Tais reflexões brotaram exatamente ao saber da existência da tal cadeira para banhistas. E mais, revelou-se que o belo equipamento não foi disponibilizado ou inaugurado neste verão. Ao que consta já existe de algum tempo. A pouca divulgação foi responsável pela nossa grata surpresa. São coisas assim que mantêm o tênue fio de nossa esperança e crença no ser humano. Ainda há pessoas com capacidade e coração para pensar nos outros. Que bom.


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