35anos barrra.png
35anos barrra.png
  
Murilo.png

Rei morto, rei posto

01 Novembro 2018 11:20:00


(FOTO: Divulgação)

É que, no calor das eleições e seus resultados, voltamos a atenção para os planos, promessas e projetos do Presidente da República que se empossa em janeiro vindouro. Proclamou que vai alterar o Estatuto do Desarmamento para facilitar a posse de armas. 

À prima vista e longa distância, a alteração proposta pouco dista das normas em vigor, apenas a propalada redução da idade permitida que volta para os vinte e um anos. De resto a legislação, ainda que crie alguns obstáculos, não obsta que o cidadão possua arma legalmente adquirida, com conhecimento da autoridade e no âmbito da residência.

Os incautos e desavisados já comemoravam pensando que haverá uma liberação ampla, geral e irrestrita para o porte, podendo todos ostentar os trabucões afivelados à cinta como nos velhos e não tão saudosos bons tempos.

Agora façamos, examinemos, ainda que com a superficialidade habitual, a praticidade da medida. Nos filiamos ao pensamento de Benjamin Franklin, inventor do para-raios e Presidente dos Estados Unidos. Disse ele que "quando as armas forem propriedade apenas dos governos e dos fora da lei, estes ditarão também a quem pertence as demais propriedades".

"A ARMA, EM SI, NÃO É BOA NEM MÁ, DEPENDE DA MÃO E DA FINALIDADE DE QUEM A EMPUNHA"

Penso que o supra dito, com o poder de um axioma, define as coisas, especialmente aqui na terrinha de Santa Cruz onde o governo é mal armado e a bandidagem possui o que de mais moderno e tecnológico no setor. Digo, a meu sentir, que o direito à posse legal de uma arma faz parte da essência da democracia. Não, é claro, aquele farrancho que se vê nos Estados Unidos onde qualquer um pode possuir um tanque de guerra ou um caça supersônico.

A arma, em si, não é boa nem má, depende da mão e da finalidade de quem a empunha. Se para a proteção de seus bens e familiares, se para impedir a covardia e a injustiça, é válido. Claro que cachorro mordido de cobra tem medo de corda, então sempre vai pairar a justificada suspeita e temor da interferência da indústria específica sempre interessada em ampliar a produção e o comércio da morte.

A visão que o Presidente eleito sempre passou foi a imagem da truculência, da manu militare, mas no atual estágio em que estamos, não é de todo em vão a medida proposta veementemente na campanha vencedora. De resto, é aguardar para ver no que dá.


JORNAL "A SEMANA"
Rua Daniel Moraes, 50, bairro Aparecida
89520-000  -  Curitibanos/SC  -  (49) 3245-1711