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Onde está você?

28 Abril 2018 10:45:00


(Foto: Franciele Gasparini)


É que, no meio da crise, se instala a nossa crise. Mais uma crise para os nossos produtores de alho. Volta a repetir-se, com a mesma força e os mesmos danos, o que já vimos lá pelos meados dos anos 80 do século passado.

Um dos setores mais importantes da nossa economia regional sofre duro golpe. Uma safra de alhos nobres, de boa qualidade, semeada e conduzida porque abriga mais de 30 anos de conhecimento e desenvolvimento, agora pendurada ou amontoada nos galpões por questão menor, que deveria ser maior, o Deus-mercado. 

É velho como o mundo que as relações comerciais de troca de produtos se regula pela velha lei de oferta e procura. No nosso caso temos uma boa oferta, mas com a procura sofrendo limitações pela oferta de produto alienígena. Sempre sofremos a mais desleal das concorrências neste setor, a começar pela Espanha, depois a Argentina e, por fim, a avalanche chinesa. 

É claro que as boas relações internacionais impõem também as trocas de produtos e serviços, mas tais trocas devem existir sempre em um ambiente de lealdade, de justiça.

A deslealdade não é dos argentinos, ou dos chineses. A deslealdade vem exatamente de quem tem a obrigação legal e moral de nos proteger. 

Produto parado, perdendo peso e qualidade, enquanto as lideranças do setor correm, a exemplo de Jesus Cristo, de Herodes a Pilatos, depois a Caifaz, e nada de solução. A solução, ao menos aos olhos leigos deste escriba moreno, está no estancamento imediato destas impatrióticas importações. A manifestação pública, o tratoraço, serve para chamar a atenção, faz o produtor esvaziar, por alguns momentos, sua justa cólera. Porém, como nas crises anteriores, a solução está nos acarpetados e climatizados gabinetes da Capital Federal. 

Talvez agora possa contar a nosso favor o fato de o Ministro da Agricultura ser do ramo. S. Excelência tem mostrado sensibilidade. Mas a questão também passa pelo Ministro da Fazenda, das Relações Exteriores, os acordos internacionais e a caterva de contrabandistas que povoa o setor. Agora é hora de mobilização. Nossas Autoridades, a classe política, lideranças de todos os setores. É necessário pressionar. 

Mais do que pressionar ou sensibilizar, exigir. Nossa economia regional é dependente de bom êxito nas safras agrícolas. O alho é responsável por centenas de empregos temporários, de pão na mesa de milhares. Não podemos deixar entregue à sorte este grupo de bravos que, a cada ano, arrisca com coragem. Abracemos a causa. Ela é justa e é muito nossa. De todos. 


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