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O fim está próximo

24 Março 2018 08:00:00

Quase dois séculos de incúria, de incompetência, de descaso

Murilo Machado

É que, fato consumado, moramos no Pais da piada pronta, único onde traficante se vicia e cafetão se apaixona pela mercadoria. Ah pois, onde vamos e o que temos. Temos um índice de mortes violentas cujos números rivalizam e até superam zonas de guerra e áreas de conflito.

A interrogação que surge é os porquês, a razão e a origem deste estado de coisas, desta situação catastrófica quase apocalíptica. Quase dois séculos de incúria, de incompetência, de descaso e abandono das maiorias, representada pelo povo pobre e mestiço.

Governos sucessivos, crápulas e conservadores, preocupados mais com o seu bem-estar, com o encher dos próprios bolsos e burras, fixados e manter o status de classe dominante e dominadora, cuja existência dependa exatamente da existência e manutenção da classe dominada e espoliada. De nada adianta ser rico e importante se não houver miseráveis e chagásicos para quem exibir a riqueza.

As cidades incharam, esparramaram-se em periferias longínquas, fora das vistas e dos pruridos estéticos dos imbecis dominadores, cujos olfatos sensíveis e gostos exíticos seriam maculados pela visão horrenda dos farrapos, dos molambos, chagas e ranhos. A desordem e a imprevisão, o culto do belo e aprazível cegou e impediu o ver que a tal distante periferia fez emenda com o centro aristocrata e os morros, antes paisagem bucólica e poética, agora borrada pela profusão de cortiços nele pendurados. Aconteceu que, no repetente, a populaça resolveu descer e tomar o que entende lhe pertencer, tomar na mão grande, na base da munição sofisticada de armas modernas.

A ausência do Estado acabou por fazer nascer ou vir a furo uma hierarquia nebulosa, sombria, uma liderança forte e violenta, imposta tanto pelos agrados e fortalecimentos do chefão, a distribuir dinheiro, remédios e berloques bem como tiros e facadas aos renitentes e desobedientes.

Tudo sob o olhar dorminhoco do Estado-Patrão ou que pensa que é patrão. Paralelamente, as deficiências estatais, o descaso com o funcionário público, os barnabés, inclusive a Polícia Militar, fez surgir famigeradas milicias, grupos com as armas do Estado, também a ameaçar, a extorquir, a achacar para vender, nas favelas, uma proteção que estão muito longe de proporcionar. A cidade maravilhosa tornou-se a capital do caos, o domínio do crime, a pátria dos quadrilheiros.

Enquanto isto, a tal Autoridade, os governos a vomitar discursos balofos, retórica bufa e para inglês ver, mostram cada vez mais sua incompetência em lidar com a questão que impõe, por um lado, combate duro e sem trégua ao crime desorganizado e bagunceiro, e pela adoção de políticas públicas que resgatem o povo da penúria e abandono em que se encontra.


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