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O alho nosso de cada dia

16 Junho 2018 14:37:03

É que, a despeito de estarmos a viver as coisas da Copa do Mundo da Fifa, ou seja, comendo, bebendo e respirando futebol, esperançosos e sedentos de um bom desempenho de nossa Seleção, algo que faça por apagar aquela mancha dos sete a um de quatro anos atrás, trauma que não há congresso de psiquiatria que dê jeito, nem o próprio Freud seria capaz de nos devolver a paz perdida ou recuperar o orgulho que sangra, verdadeiro crime de lesa-Pátria, porém entre um escanteio e a comemoração de mais um gol, este escriba moreno volta o pensamento para tema menos palpitante para o momento, mas que se reveste de importância capital, mais que a conquista do hexa. Penso e solidarizo com os nossos produtores de alho. 

Fomos, ou ainda somos, o maior produtor nacional de alhos nobres e a safra colhida recentemente está a murchar nos galpões, a perder peso e qualidade enquanto os mercados recusam adquirir, face as facilidades e preços atraentes dos similares da Argentina e da China. E como fica? Pior é que não fica. Semana passada um parlamentar federal, eleito por Santa Catarina, usava a Imprensa falada para anunciar vitória parcial de suas gestões junto ao agente financeiro, obtendo dilação de prazo para o pagamento de financiamentos feitos aos produtores de alho.

Mas a moratória atinge somente os contratos feitos para ações de investimentos ou imobilização e nada se obteve, na ocasião, sobre as dívidas geradas pelo custeio. Pois aí reside o grande problema. O dinheiro usado no custeio fez exatamente por proporcionar a safra que agora está encalhada.

É de cortar o coração até do mais insensível, encontrar um alhicultor em nossas ruas, olhar perdido no horizonte sem horizonte, dedos afundados na cabeleira, a coçar o bestunto e a cavoucar solução que não encontra. Dívidas pesadas no Banco, pregos tortos pelas notas penduradas em fornecedores, os juros abusivos e o alho...secando . Vale aqui reflexão de quem não é especialista, nem em alho nem em mercados, mas com percepção suficiente para dizer que argentinos e chineses que se danem.

Os tais acordos comerciais são necessários, vivemos a globalização, mas, caceta e planeta, tais acordos não podem colidir com o interesse nacional. A balança comercial entre nós e os platinos inclina para cá é verdade, mas vamos achar lá o que comprar que nos sirva ou que precisamos e não o que temos aqui com fartura. Quanto aos chineses então deveria existir pesada sobre taxa para se comprar alho de lá, alho estatal, produzido com trabalho semiescravo. O Presidente dos Estados Unidos, Mr. Trump, acusado de meio matusquela por alguns, de bobo não tem nada, chutou o penico e pesou a mão nos impostos de importação de produtos que eles fabricam lá.

Tem gente chiando, ameaçando guerra, mas o Presidente da nação mais rica e poderosa segue o que, dizem alguns, está na bíblia, ou seja Mateus primeiro os meus. Que sirva de exemplo e nos unamos agora para ajudar os nossos produtores a sair deste talo que não foi eles que provocaram.


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