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Nem as moscas mudaram...

04 Agosto 2018 09:45:00


É que, pela inexorabilidade do calendário e da Lei, a rosca chega no último friso para fechar. Falo do período eleitoral, do prazo em expiração para os partidos realizarem convenções e lançarem em ata os rumos que tomam. Nossa meditação gravita em torno de análise pessimista e frustrada sobre a quantidade e qualidade dos partidos políticos que pululam a terra brasilis.

Quase quarenta com existência sacramentada e quase mais uma centena aguardando o batismo do TSE. A quantidade que desqualifica a qualidade. Já quase a espocar o tiro de largada para as eleições e os tais partidos não mais sabem em que mundo vivem, em que águas navegam, que rumos vão tomar.

Com algumas raras e bem marcadas exceções, até o quadrante ideológico é embaralhado e confuso, com a esquerda brincando de ser direita e a direita guinando para a esquerda enquanto o centro fica hermético em sua crassa burrice. 

A nebulosidade é tão densa que ao momento em que este modesto e ignaro escriba público batuca estas mal traçadas, os tais líderes partidários correm como as clássicas baratas tontas para buscar composições que lhes dê um vice, um candidato ao Senado, um Federal cuja candidatura não mele as demais. Os chamados palanques nacionais então, Jesus, que balaio de gatos magros. Coliga na Nacional, mas a tchurma de baixo, nos estados, tem composição diferente, ninho mais e menos heterodoxo, pois o pensamento em baixo dita que na hora de muricí cada um trata de si.  

Exemplo claro é o MDB que poderá ungir o ex-Ministro Henrique Meireles, ungir para constar pois, no após, fará como fez com os falecidos Ulysses Guimarães e Orestes Quércia olimpicamente deixados na estrada e aos corvos. E tudo por quê? Qual a causa?

O nosso modelo presidencialista, cuja concepção, desde o nascedouro, jamais contemplou coexistir com partidos fortes. A miscelânea enfraquece, distorce, facilita os conchavos, os acertos e arranjos que não mais fazem se não escancarar o já largo túnel da corrupção. O eleitor, cabisbaixo e meditabundo, já não mais sabe onde ir, o que fazer e em quem votar.  

Meus estimados e (im)pacientes leitores grunhem que nem eles nem eu ouvimos ainda as propostas. Mas e precisa? Os pensamentos e tendências são sobejamente conhecidos, o que são e o que pretendem também. O marketing dos comunicadores pretende que esta seja a eleição da esperança. Para os céticos como nós apenas mais uma eleição sem que se promovam as mudanças que poderiam realmente mudar. 


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