ASemana 36 anos.png
ASemana 36 anos.png
  
Murilo.png

Não vai ficar uma árvore de pé

É que, nestes tempos de Brasil, não podemos e não devemos esconder que o novo Governo Federal nos provoca, no mínimo, alguma perplexidade. Claro que a incontinência verbal do Presidente da República, sua falta de tato e diplomacia já não nos surpreende. Sua diplomacia e fineza no trato dos temas públicos é a mesma de um elefante perdido em um taquaral. Mas há que se conviver que, exatamente de bobo ele não tem nada.

Os rompantes de campanha, o propalado rompimento com a velha política não passou de verborragia balofa, o governo novo tem tudo o mais um pouco de todos os velhos governos, o toma lá da cá, o nepotismo protecionista e privilegiador dos familiares, aos amigos os benefícios da lei e aos inimigos os rigores da lei. Mas, repito, ao menos de bobo, ainda que pareça ao contrário, ele nada tem. Ah pois, então onde vamos? Nossa perplexidade, ou nítida desconfiança, vai por conta desta queda de braço com o INPE, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

Organismo técnico é que é detentor dos maiores elogios e credibilidade internacional. Pois bem, o Impe ao divulgar os números, em quilômetros quadrados, do desmatamento, especialmente da Amazônia, acabou por provocar a cólera do Supremo Magistrado da Nação. Os dados mostrados ditam crescimento constante. O Homem contesta os números e pede avaliações novas e de outras fontes. Tal não bastasse ainda anuncia a pretensão de liberar garimpo nas terras indígenas, ao que disse, a idéia e fazer os índios garimpeiros.

Não funciona e os silvícolas precisarão de assistência técnica para a mineração em escala, e lá estará o elemento civilizado, branco e esperto, o que, resumo significa o tiro de largada para uma nova corrida do ouro, com danos a vidas e ao meio ambiente, a degradação social e moral e o escambau. Mas voltemos às árvores. Todos sabemos, e a comunidade internacional grita que a floresta amazônica é o pulmão do planeta.

Pois bem, a ininterrupta agressão, a grilagem de terras, a ampliação de áreas de agricultura e pastoreio agora, ao que se vê, contam com o beneplácito governamental. O Ministério do Meio Ambiente é de fachada. Alemanha e Noruega ameaçam cortar as verbas que, generosamente, doam anualmente para a manutenção da floresta e seu povo. Governos anteriores foram fracos na defesa da Amazônia, mas o que se vislumbra agora é um completo descalabro. Interesse de quem? Meu estimado e (im)paciente leitor pode identificar com facilidade. 

Jornal "A Semana" | Rua Daniel Moraes, 50, bairro Aparecida | 89520-000 | Curitibanos | (49) 3245-1711