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Judas era amador

05 Maio 2018 07:00:00


(FOTO: DIVULGAÇÃO)

É que, creio já haver grafado aqui, a respeito de um filme antigo, estrelado pelo falecido Paul Newmann, com o título de "criminosos não merecem prêmio". Pois, contrariando a proposta da película cinematográfica, no tempo presente, o crime é premiado. 

Premiado se o criminoso possuir língua frouxa, boca mole, e beiçar para o Ministério Público ou à Polícia Federal o pacote de mal feitos e, no centro do pacote, os detalhes, valores e, especialmente, nomes, todos os nomes dos comparsas. Nos bons, velhos e saudosos tempos idos, criminoso, ladrão, com ou sem colarinho branco, tinha um senso de honra, um pingo de caráter, e a deduração não passava pela cabeça de ninguém, mesmo porque crime sem perdão e sujeito à morte na primeira oportunidade.

Nestes tempos do pós-moderno, tudo muda, um safado instituto jurídico, leizinha para lá de cachorra, premia safados, mitiga ou dispensa castigos, bastando e tão somente entregar.


"NO TEMPO PRESENTE, O CRIME É PREMIADO"


Na semana que passou, o ex-Ministro Pallocci, o companheiro Palocci, cantado em prosa e verso pelo PT como uma de suas mais gloriosas cabeças pensantes, ele, depois de rastejar meses, a pagar vale podre para o Juiz Sergio Moro, a implorar por uma chance, finalmente conseguiu arregar com a Federal e vai colocar no câmbio oficial aquilo que já vendeu no paralelo.

Corre riscos, pois o tal acordo de deduração premiada celebrado com os Federais tem degrau inferior ao que fosse acertado com os Procuradores do Ministério Público, restando aguardar para ver se o Judiciário, nas cortes superiores, vai validar a calhordice pallociana. Coisa feia, um homem chegar a este ponto.

Esmiuçar as safadezas urdidas nos corredores e gabinetes do Planalto, quantificar valores e indicar beneficiários e sócios. Um horror. A juízo pessoal deste escriba moreno ainda é de valorizar-se outro safado, o tal de Zé Dirceu, pois este, ainda que tenha botado a mão no jarro com força, ao menos tem pudor.

Está escorando tudo no osso do peito e nada de soprar nomes, valores ou datas, nada de dizer quem pagou e muito menos quem recebeu. Valorizo isto, um safardana com algum caráter.

A que ponto chegamos Deus meu. Gente, até bom pouco, cheia de pose, colarinho engomado, a arrotar arroz com tirivas, e agora enterrados no monturo do lixo humano. Gente que mandou e desmandou nesta malfadada república, república bananeira, panamá sul americano. Oscar para o Zé Dirceu.

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