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DITADURA

02 Junho 2018 07:00:00

Nada vale ou justifica um assalto ao poder

Murilo Machado


(Foto: Divulgação)

É que, para a perplexidade deste escriba moreno, em meio ao caos instalado com o movimento paredista dos caminhoneiros, aqui, em tupinicópolis, observei tanto em adesivos plásticos de elaboração gráfica, como no improviso do carvão, veículos ostentando chamamento a uma volta dos militares ao poder. Ficamos estarrecidos. Não foi possível identificar com precisão quem eram os proprietários dos veículos e, com isto, estabelecer a linha ideológica de tais pessoas. É de pensar-se que tal, e ensandecida ideia, parta de pessoas mais jovens que pouco ou nada sabem do que foi o regime militar instalado no Brasil em 31 de março de l964.

Este moreno escriba público, então entrante na adolescência, pouco entendendo da coisa, foi crescendo e convivendo com um regime de força, torturadores, amordaçadores do livre pensamento, da liberdade de expressão e opinião. Além das barbaridades da tortura sem medidas nos porões, das centenas de desaparecimentos, cujas ossadas agora vão, aos poucos ressurgindo, a lembrar as câmaras do DOI-CODI, as instalações negregadas da rua Tutoia. Então o desejo manifesto que observamos, repita-se, vem de muito jovens e ignorantes dos fatos do passado recente, ou, se mais velhos, dos saudosos.

Em bater continência para os quepes e inclinar a cabeça para o General de plantão no Palácio da Alvorada. A bem da verdade, diga-se, em análise de longa distância, se nos parecer que os oficiais generais da atualidade são feitos de outra matéria, profissionais, e não mais os brucutus e gorilas do passado. Mas o que vale assentar e meditar é que nada vale ou justifica um assalto ao poder, como no passado, pois se tal acontecesse, imprevisível a data do rebrotar da democracia, das liberdades plenas. A posse do poder é um veneno, um vírus de difícil combate. Quem o tem ou conquista, jamais, como os cães, soltam o osso voluntariamente.

Nos idos de 64, o falecido Marechal Castelo Branco, cabeça da primeira Junta Governativa instalada, disse, com todas as letras, que a intenção era devolver o poder à sociedade civil nos primeiros seis meses de sua ditadura. Levou quase trinta anos de sangue, suor, lágrimas, pau de arara e choque elétrico. Agora, ou por desconhecimento, ou por saudosismo tem gente querendo ver, novamente o pau cantar. Não é por aí. Militares nos quarteis, cônscios de suas obrigações constitucionais, e a sociedade como todo e os fardados dela fazem parte, busque os caminhos para reencaminhar e dar rumos ao País.


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