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Boca fechada não entra mosca

É que, segundo adágio antigo, não se cutuca onça com vara curta ou, nos tempos modernos, não se cutuca vara com onça curta. Que temos e onde vamos? 

Lancemos vista d'olhos sobre a recém-encerrada visita do Presidente do Brasil ao Estado de Israel. Claro que sempre é bom manter ativa a relação próxima com as dita nações amigas, pois para isto, o Rei D. João VI abriu nossos portos. Os portos, o comércio e o mais que nele se implica. Aí é que a porca torce o rabo. Convenha-se de que S. Exa. não é exatamente um diplomata, habituada às finuras, rapapés e zubumbaias que a diplomacia exige, pois 

o Presidente é mais afeito e habituado às armas, às cargas de cavalaria. A visita deveria ser protocolar, limitada aos banquetes oficiais, declarações de efeito, mas de nenhum concretismo, sorrisos e basta. 

O homem se passou. Seus gestos e afagos aos judeus enfureceram o mundo árabe. E daí? Daí, que o povo do turbante compra frango aqui em quantidades montanhosas, além de outros produtos. E Israel o que compra? Claro que os ganidos oficiais são para constar, mas, e sempre tem um mas, no mundo dos negócios 

e do dinheiro a música é outra. Outros produtores e comerciantes vão tirar proveito e jogar mais areia e fumaça para puxar as brasas para seus assados. 

Para coroar a visita, o homem ainda disparou a besteira universal do momento ao insistir que o nazismo foi movimento das esquerdas, coisa que os sábios e doutos classificam de disparate e heresia. A cereja do bolo ficou por conta do senador Bolsonaro, com a pose de filho do homem, ao lançar baita impropério contra os palestinos. Um absurdo que nem o falecido Idi Amin Dada seria capaz. Tudo para puxar o saco do Donald Trump.

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