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A INDÚSTRIA DA MORTE

18 Novembro 2017 23:05:00

É que, cabe vista d'olhos sobre o panorama de violência que grassa como peste em nosso meio, no Brasil e no mundo. Desde que Caim matou Abel, no alvorecer da humanidade, sempre convivemos com a violência e sua funesta consequência, o crime e a morte.  


(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Todavia, nos tempos que correm, nunca se viu o sangue escorrer com tanta força, em cascata, às catadupas, a vida se esvaindo como se fosse apenas o desaparecer de uma simples ameba. Vemos a morte ceifar em larga messe, colhendo vidas como se colhe grão maduro. Óbvio que não nascemos para a eternidade aqui, mas a vida e o ser humano nunca valeram tão pouco.

As guerras, especialmente as informais ou não declaradas, o terrorismo infame a usar as bombas como arma política e punindo inocentes, mas, de forma especial, em nosso meio e no Brasil, o tráfico a abater vidas com uma gratuidade assustadora, matando tanto pelas armas como pela disseminação do vício. A guerra dos narcos nas favelas e bairros pobres das grandes cidades, o aliciamento daqueles que se veem impotentes diante da fome, da miséria, da ignorância e da omissão também criminosa do Estado-Patrão.


A gratuidade com que se mata, a banalização da violência e do crime em todas as suas modalidades e facetas nos fazem olhar com sombrio pessimismo para o futuro. O que restará? Quem vai ficar para enterrar os mortos?


A ameaça de uma conflagração nuclear está presente e mais viva que nunca. Dois líderes de nações, ambos balofos e falastrões, destemperados e chegados a uma guerrinha, nos fazem temer ante a possibilidade de vermos, ao vivo e a cores, o levantar do cogumelo atômico, a rosa de Hiroshima. Mas não nos iludamos: desta vez, pegaremos as sobras, não tenham dúvidas.

Nas curvas mais suaves, ainda resta o imenso açougue das rodovias e vias de trânsito, a morte dita culposa, mas que os números mostram que também o trânsito, a condução de veículos, tornou-se um ato de ensandecidos, veículos potentes nas mãos e fezes na cabeça. Rodovias concebidas nos tempos do Wemaguete, do Gordini e do fusquinha agora superlotadas ante a produção massiva de automóveis e grande número de fábricas. Nada disso contribui para a segurança, para o nosso conforto, ao contrário apenas apressa o nosso inglório fim.

De quando em vez, ao ouvir um pregador - e como tem - a gritar em altos brados que o fim está próximo, quedo pensando se o tal não tem lá sua dose de razão. Se os tais profetas do apocalipse não estão falando a verdade e nós que teimamos em não querer ouvir, ou os reputamos como malucos ou aproveitadores da fé e ingenuidade dos incautos. Não matarás, diz o mandamento da Lei de Moisés, mas ele próprio homicida. Assim caminha a humanidade. Para onde?


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