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A ÚNICA REFORMA NECESSÁRIA É A DO CARÁTER

10 Fevereiro 2018 12:53:00


(FOTO: DIVULGAÇÃO)


É que, por falta de tema melhor, voltamos a pensar nesta farsa que o Governo e o Presidente da República teimam em chamar de reforma da Previdência. Reforma que, a rigor, reforma muito pouco. Inaugurado o ano legislativo, Presidente Temer e o Presidente da Câmara dos Deputados acenderam a luz vermelha e Rodrigo Maia vaticina que se não votar no corrente mês não vota mais este ano.  

Mas a pergunta é votar o quê? Ao longo do trâmite da discussão da proposta, a tesoura corporativa foi tirando naco pelas beiradas. Conservação de um privilégio aqui, manutenção do fica como está acolá, grupos e mais grupos foram pressionando a defensiva de seus direitos, e, diga-se direitos, e o governo, fraco, foi cedendo e amolecendo para tentar salvar alguma coisa. Proclamou o dono do Projeto que a intenção é o ajuste fiscal, a contenção do fantasmagórico déficit que dizem estar a assombrar as contas públicas.

 No meio do incêndio, oportuna CPI do Senado oferece conclusão, lá em outubro do ano passado, de que na Previdência não tem rombo, não tem déficit e portanto, por óbvio, não precisa de reforma nenhuma. A grande cortina de fumaça é a extinção de privilégios. Uma ova. Equiparar aposentadorias do setor público com o privado é rematada loucura, se não piada de gosto duvidoso.

Ah pois, ora veja, um magistrado que na atualidade percebe vencimentos superiores a 20 mil reais vai aceitar a aposentadoria com o teto, atual, de coisa de menos de seis mil reais? E os generais e almirantes e caterva assemelhada, gente que sabemos ganhar bem, não que não mereçam, vão se conformar em comer o mingau da velhice com os minguados seis mil? Foi infeliz a escolha do funcionalismo público como bode expiatório para o tanto que roubaram neste país infeliz.

Infeliz até porque o estatuto geral do funcionário público federal já foi reformado há uns dois anos e tudo já foi feito. Privilégios? Não. Apenas a remuneração da competência, dedicação e zelo que se espera do servidor público. Caceta e planeta, então um ser humano, com mestrado, doutorado e diabo a quatro vai honrar o serviço público com as luzes de seu saber para se aposentar com a merreca proposta? Nem morto.

A esperança agora é que os parlamentares, de olho na eleição, e já vendo o dedo em riste do eleitor apontado para o peito, recuam, alguns pelo viés ideológico, outros pela conveniência de momento e negam os votos em número suficiente para aprovar o tal monstrengo. O governo fechou o ano findo contabilizando algo em torno de duzentos e setenta votos e a aferição desta semana mostrou apenas duzentos trinta sufrágios a favor do Palácio do Planalto. Vamos assistir agora às últimas e desesperadas cartadas, desde a chantagem emocional até a compra deslavada. Ao viralizar a proposta, e fazer dela o prato de todo o dia, se pretendo ocultar o quê?


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