Curitibanos,
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16 Junho 2018 14:37:03

É que, a despeito de estarmos a viver as coisas da Copa do Mundo da Fifa, ou seja, comendo, bebendo e respirando futebol, esperançosos e sedentos de um bom desempenho de nossa Seleção, algo que faça por apagar aquela mancha dos sete a um de quatro anos atrás, trauma que não há congresso de psiquiatria que dê jeito, nem o próprio Freud seria capaz de nos devolver a paz perdida ou recuperar o orgulho que sangra, verdadeiro crime de lesa-Pátria, porém entre um escanteio e a comemoração de mais um gol, este escriba moreno volta o pensamento para tema menos palpitante para o momento, mas que se reveste de importância capital, mais que a conquista do hexa. Penso e solidarizo com os nossos produtores de alho. 

Fomos, ou ainda somos, o maior produtor nacional de alhos nobres e a safra colhida recentemente está a murchar nos galpões, a perder peso e qualidade enquanto os mercados recusam adquirir, face as facilidades e preços atraentes dos similares da Argentina e da China. E como fica? Pior é que não fica. Semana passada um parlamentar federal, eleito por Santa Catarina, usava a Imprensa falada para anunciar vitória parcial de suas gestões junto ao agente financeiro, obtendo dilação de prazo para o pagamento de financiamentos feitos aos produtores de alho.

Mas a moratória atinge somente os contratos feitos para ações de investimentos ou imobilização e nada se obteve, na ocasião, sobre as dívidas geradas pelo custeio. Pois aí reside o grande problema. O dinheiro usado no custeio fez exatamente por proporcionar a safra que agora está encalhada.

É de cortar o coração até do mais insensível, encontrar um alhicultor em nossas ruas, olhar perdido no horizonte sem horizonte, dedos afundados na cabeleira, a coçar o bestunto e a cavoucar solução que não encontra. Dívidas pesadas no Banco, pregos tortos pelas notas penduradas em fornecedores, os juros abusivos e o alho...secando . Vale aqui reflexão de quem não é especialista, nem em alho nem em mercados, mas com percepção suficiente para dizer que argentinos e chineses que se danem.

Os tais acordos comerciais são necessários, vivemos a globalização, mas, caceta e planeta, tais acordos não podem colidir com o interesse nacional. A balança comercial entre nós e os platinos inclina para cá é verdade, mas vamos achar lá o que comprar que nos sirva ou que precisamos e não o que temos aqui com fartura. Quanto aos chineses então deveria existir pesada sobre taxa para se comprar alho de lá, alho estatal, produzido com trabalho semiescravo. O Presidente dos Estados Unidos, Mr. Trump, acusado de meio matusquela por alguns, de bobo não tem nada, chutou o penico e pesou a mão nos impostos de importação de produtos que eles fabricam lá.

Tem gente chiando, ameaçando guerra, mas o Presidente da nação mais rica e poderosa segue o que, dizem alguns, está na bíblia, ou seja Mateus primeiro os meus. Que sirva de exemplo e nos unamos agora para ajudar os nossos produtores a sair deste talo que não foi eles que provocaram.



09 Junho 2018 08:25:00


   É que, até pela sazonalidade da data, estando nós a festejar os 149 anos de emancipação político/administrativa, valendo então lançar vista d'olhos sobre o passado e, movimentar lentamente o pensamento para os tempos presentes. Este escriba moreno foi adotado por esta terra e respira o ar destes campos já há cinquenta anos. Aqui chegado em 1968, então nos é possível evocar lembranças e comemorar nosso inegável progresso. O quanto mudou. Em nossa chegada, recordo de um depósito de madeira em pleno centro cujo solo agora suporta belo edifício.

   Ruas, à época, de chão batido, alguns lamaceirais, hoje cobertas de lâmina asfáltica. Terrenos baldios, vassourais e robustos pés de guanxuma, hoje ocupados com edifícios de inegável gosto arquitetônico ou residências térreas de estilo contemporâneo. Ainda alcancei as últimas ripas de uma cerca de madeira que separava o Colégio Casimiro de Abreu da rua lamacenta, agora um educandário que nada deve a nenhum outro. Cada administrador que governou esta terra até então, o fez com as concepções e sofrendo as influências de seu tempo e a bagagem cultural que abrigou. À sua maneira, em maior ou menor grau, todos contribuíram para trazer Curitibanos até aqui. Somos -lhes devedores, tanto pelo bons serviços como pelos nem tanto. Quando abeberamos a

  Água da carioca da Benvinda pela vez primeira, a nosso aeródromo uma pista de chão batido usada com mais frequência pelo Piper teco-teco do Valdemar, hoje quase não nos chama a atenção o rugir das turbinas dos jatos executivos que aqui aterrissam com frequência, utilizando confortável pista asfáltica. Mas tenhamos em mente que o aeroporto de hoje existe graças ao aeroporto de ontem.

  Ao festejarmos mais um aniversário creio que basta para nos orgulhar o fato de sermos sede de dois centros universitários, um deles federal e outro fundacional. Resultados, ambos, da existência de nossa velha Faculdade de Ciências Contábeis, o embrião que gerou ótimos frutos. Na atualidade, boas e inovadoras práticas de gestão pública, bom trato na administração e uso dos recursos municipais nos fazem ver e ouvir o anúncio, quase diário de novas conquistas e avanços.

Parabéns para nós todos.



02 Junho 2018 07:00:00
Autor: Murilo Machado

Nada vale ou justifica um assalto ao poder

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(Foto: Divulgação)

É que, para a perplexidade deste escriba moreno, em meio ao caos instalado com o movimento paredista dos caminhoneiros, aqui, em tupinicópolis, observei tanto em adesivos plásticos de elaboração gráfica, como no improviso do carvão, veículos ostentando chamamento a uma volta dos militares ao poder. Ficamos estarrecidos. Não foi possível identificar com precisão quem eram os proprietários dos veículos e, com isto, estabelecer a linha ideológica de tais pessoas. É de pensar-se que tal, e ensandecida ideia, parta de pessoas mais jovens que pouco ou nada sabem do que foi o regime militar instalado no Brasil em 31 de março de l964.

Este moreno escriba público, então entrante na adolescência, pouco entendendo da coisa, foi crescendo e convivendo com um regime de força, torturadores, amordaçadores do livre pensamento, da liberdade de expressão e opinião. Além das barbaridades da tortura sem medidas nos porões, das centenas de desaparecimentos, cujas ossadas agora vão, aos poucos ressurgindo, a lembrar as câmaras do DOI-CODI, as instalações negregadas da rua Tutoia. Então o desejo manifesto que observamos, repita-se, vem de muito jovens e ignorantes dos fatos do passado recente, ou, se mais velhos, dos saudosos.

Em bater continência para os quepes e inclinar a cabeça para o General de plantão no Palácio da Alvorada. A bem da verdade, diga-se, em análise de longa distância, se nos parecer que os oficiais generais da atualidade são feitos de outra matéria, profissionais, e não mais os brucutus e gorilas do passado. Mas o que vale assentar e meditar é que nada vale ou justifica um assalto ao poder, como no passado, pois se tal acontecesse, imprevisível a data do rebrotar da democracia, das liberdades plenas. A posse do poder é um veneno, um vírus de difícil combate. Quem o tem ou conquista, jamais, como os cães, soltam o osso voluntariamente.

Nos idos de 64, o falecido Marechal Castelo Branco, cabeça da primeira Junta Governativa instalada, disse, com todas as letras, que a intenção era devolver o poder à sociedade civil nos primeiros seis meses de sua ditadura. Levou quase trinta anos de sangue, suor, lágrimas, pau de arara e choque elétrico. Agora, ou por desconhecimento, ou por saudosismo tem gente querendo ver, novamente o pau cantar. Não é por aí. Militares nos quarteis, cônscios de suas obrigações constitucionais, e a sociedade como todo e os fardados dela fazem parte, busque os caminhos para reencaminhar e dar rumos ao País.



26 Maio 2018 00:05:00


(FOTO: DIVULGAÇÃO)

É que, nestes tempos do pós-moderno, da alta tecnologia, dos tais gigabits e terabites, aplicativos e o escambáu, é importante que o educador também se prepare para tais didáticas.  

Todavia, é inútil toda a vontade e disposição do propedeuta se não conta ele com o interesse das esferas de comando. Esta introdução remete a uma comissão, liderada pelo nosso prefeito, fazendo-se acompanhar pelo secretário municipal de Educação, indo a capital paulista para participar, percorrer e aprender em uma feira tecnológica de padrão latinoamericano, coisa grande.

Com o prefeito Dudão e o secretário prof. Kleberson, também técnicos da municipalidade encarregados de aprender e memorizar a montanha de informações e decorar a parafernália tecnológica lá exposta.

Tudo isto para que? Exatamente para adiantar o expediente e inserir a educação municipal neste contexto de modernidade, e preparar docentes para o salto de qualidade, a mudança de técnica, as novas abordagens didáticas que em curto prazo estarão em uso. Este o truque e segredo. Não esperar.

O enfoque pedagógico, a metodologia de ensino está a transformar-se

É visível pelas nossas ruas a inserção da juventude neste mundo novo. Todos a manejar iphones, notebooks, e mais traquitanas do gênero com um traquejo e desenvoltura, com uma naturalidade a deixar basbasque este escriba moreno, o mais perfeito dinossauro arcaico quando o assunto é este mundinho-mundão dos Apps.

É obvio que a educação institucional, a responsabilidade pública também deve estar atenta a estes novos conceitos.

Pelo que ouvi dizer é o adeus definitivo ao quadro negro, a lousa, o giz e o apagador. Chegam as tais lousas digitais e suas infinitas possibilidades. O enfoque pedagógico, a metodologia de ensino está a transformar-se. Oportuna então a ida da comitiva de alto nível, comandada pelo prefeito para exatamente inteirarem-se do que acontece e como fica. Já no curto prazo a vida moderna, as relações de mercado, as relações sociais, o trabalho e o emprego passam exatamente por este processo.

Assim, já na base, na dita tenra infância, no começo do processo de aprendizagem formal é importante que se dê atenção a este viés tecnológico. Definitivamente não ficaremos para trás, não estaremos absorvendo conhecimento atrasado ou superado. Ao contrário, a atualização acontece exatamente quando acontecem as coisas. São tempos novos, pensamentos novos, coisas novas que, ao menos se espera, produza um ser humano novo. Este escriba espera que este novo homem, seja também mais humano e não mecânico como as máquinas que domina. Que seja capaz de abominar e expurgar o mal.


19 Maio 2018 09:13:00


(Foto: Ivan Pacheco/VEJA)


É que, estamos a viver um período sui generis da malfadada história brasileira. Vejamos: Em tempos de dantes, a Copa do Mundo de Futebol tinha o condão e poder de nos absorver de tal maneira que todo o resto se tornava meio que secundário. Por interesses mais que conhecidos, a emissora de televisão detentora dos direitos sobre a Seleção Brasileira, como de resto sobre todo o futebol brasileiro, desde o ano passado vem pulsiando-nos, com mensagens diretas ou subliminares para nos colocar no clima. Que esperança.

Na segunda-feira que passou, o técnico Tite publicou a lista de jogadores a serem inscritos no mundial da Rússia. Ah pois, em outros tempos tal anúncio galvanizava a nação. Suscitava as maiores discussões, aprovações e desaprovações, o torcedor fazia peneira de malha muito fina em cima, ou em baixo, de cada nome, aprovando ou desaprovando acaloradamente. Mesas de bar, rodas de café e aperitivos a abrigarem as centenas ou milhares de técnicos, discussões acaloradas, não raro tendência de vias de fato, troca de pontapés e sopapos tamanha a veemência com que cada qual defendia seus preferidos ou detraia um ou uns que constavam da chamada oficial. Pois e agora? Quase nada, pouco muito pouco ante o que está para acontecer.

Copa do Mundo era evento esperado tanto quanto o nascimento de um filho. Este moreno escriba pública jamais teve a pretensão, por menor que seja, em arvorar-se de psicólogo, conhecedor de comportamento humano, meandros da psique, o tal inconsciente coletivo e outras finuras tais que dizem ser ciência. Então somos limitados ao mero observar do comportamento humano e tirar, talvez, errôneas, conclusões.

Penso que a maré de desânimo que nos domina, e que nem a Copa do Mundo afasta, é por conta do quadro geral desolador que nos domina.

O desencanto é tamanho que nada consegue vencer. É como se nos escondêssemos em uma redoma qualquer, em escura caverna, e nos recusamos a absorver mais do que vem ou está lá fora. O abatimento do espírito, o abandonar da combatividade, a letargia ou o psicológico anestésico do cérebro que se recusa a absorver mais. Que se passa conosco? É o estarrecimento diante do quadro dantesco posto diante de nossos olhos. Ao repente, personalidades, autoridades da mais alta ressonância e coturnos são colocados diante de sisudos delegados de polícia e, sem a maior cerimônia ou deferência, interrogados como qualquer mero ladrão de galinhas.

Não estamos, óbvio, defendendo deferências e rapapés, pois tal não merecem e se igualam exatamente ao mencionado ladrão de galinhas. Sabedores que estamos dos incontabilhões de reais, dólares e euros sorvetidos em um lamaçal escuro enquanto assistimos a falta de melhores serviços na Saúde, Educação de qualidade, serviços públicos de primeira, compromissos dos governantes com os governados, o cabal e integral cumprimento do juramento solene pronunciado na investidura ou posse. Gente que até admirávamos, tínhamos como patriotas, zelosos homens públicos, agora desnudados como ladrões, canalhas e patifes. Na paralela, até exatamente por conta da roubalheira desenfreada, o avanço das quadrilhas, a violência a deplorar vidas como frangos em um abatedouro. Tudo isto, penso, é a razão pela nossa sisudez, pela falta de empolgação e ânimo como as coisas, como o futebol e a Seleção Canarinho. Meu estimado e (im)paciente leitor franze o cenho e diz que ainda estamos traumatizados pelo 7X1 e agora vemos tudo com o pé atrás. Pode, pois aquele placar nunca existiu nem em nossos piores pesadelos e se ao invés da Alemanha fosse a Argentina o planeta testemunharia o maior suicídio coletivo que jamais existiu. Creio que quando a bola rolar lá nos gramados soviéticos nós despertaremos e voltaremos a ter a atenção e carinho com os nossos craques. Já a política e os políticos...não sei.


12 Maio 2018 07:00:00
Autor: Murilo Machado

A Expocentro, como instituição nossa, está bem encaminhada



É que, quando meu (im)paciente leitor estiver compulsando esta humilde coluna, estará também prelibando a abertura de mais uma Expocentro, a 26ª. Festa sempre aguardada e, às vésperas de sua realização, constitui gostoso nervosismo. Nervosismo a começar pelo público feminino, consultando guias de moda, espichando o olho para as vitrines do nosso comércio, a selecionar looks a serem estreados nos dias da festa.

Isto é bom, pois movimenta dinheiro, o comércio de vestuário e adereços. Nas curvas mais densas, alguma preocupação com a crise financeira, crise local, da cultura do alho, empregadora de mão de obra sazonal e avulsa e que sempre põe nas mãos de nossa gente algum dinheiro, grana também destinada à consumação no Pouso do Tropeiro. Mas, e sempre tem um mas, para festa sempre se dá jeito.

Os preparativos foram cuidadosos e o atual formato terceirizado deu fôlego à Administração Municipal isentando-a do trabalho mais grosso e também evitando dispêndios do Tesouro Municipal sempre com recursos contados e destinados. Se fez bem em a municipalidade ser a banca. Os poucos recursos devem ser utilizados, como o são, em atividades fim, de vantagens duradouras. A programação deste ano pode ser classificada até de luxuosa, tendo a Comissão Organizadora dedicado a fazer voltar às origens os pavilhões de exposição para indústria, comércio e prestadores de serviços, evitando e quase banindo aquela mini mostra do Paraguai, feira de quinquilhas.

Temos as mais saudáveis esperanças que a partir de agora as exposições voltarão a viver dias de maior brilho. Para não dizer que não falamos de flores, ainda não foi perfeitamente deglutido a retirada do concurso da Rainha da Expocentro de espaço maior, do ginásio de esportes. Isto impediu a participação popular, tirou um pouco do brilho do certame. Verdade que contingências, inclusive de prazos, obrigaram a medidas rápidas, porém, fica a esperança de que este importante item da festa também seja devolvido, na próxima edição, também a seu legítimo senhor que é o povo.

Os shows musicais são de ótimo nível e diversificados para satisfazer a maioria. Ponto favorável, a atitude de abrir o parque e, aplauda-se, também a baixa do ônus com espetáculos de nível e gratuitos. A Expocentro, como instituição nossa está bem encaminhada.



05 Maio 2018 07:00:00


(FOTO: DIVULGAÇÃO)

É que, creio já haver grafado aqui, a respeito de um filme antigo, estrelado pelo falecido Paul Newmann, com o título de "criminosos não merecem prêmio". Pois, contrariando a proposta da película cinematográfica, no tempo presente, o crime é premiado. 

Premiado se o criminoso possuir língua frouxa, boca mole, e beiçar para o Ministério Público ou à Polícia Federal o pacote de mal feitos e, no centro do pacote, os detalhes, valores e, especialmente, nomes, todos os nomes dos comparsas. Nos bons, velhos e saudosos tempos idos, criminoso, ladrão, com ou sem colarinho branco, tinha um senso de honra, um pingo de caráter, e a deduração não passava pela cabeça de ninguém, mesmo porque crime sem perdão e sujeito à morte na primeira oportunidade.

Nestes tempos do pós-moderno, tudo muda, um safado instituto jurídico, leizinha para lá de cachorra, premia safados, mitiga ou dispensa castigos, bastando e tão somente entregar.


"NO TEMPO PRESENTE, O CRIME É PREMIADO"


Na semana que passou, o ex-Ministro Pallocci, o companheiro Palocci, cantado em prosa e verso pelo PT como uma de suas mais gloriosas cabeças pensantes, ele, depois de rastejar meses, a pagar vale podre para o Juiz Sergio Moro, a implorar por uma chance, finalmente conseguiu arregar com a Federal e vai colocar no câmbio oficial aquilo que já vendeu no paralelo.

Corre riscos, pois o tal acordo de deduração premiada celebrado com os Federais tem degrau inferior ao que fosse acertado com os Procuradores do Ministério Público, restando aguardar para ver se o Judiciário, nas cortes superiores, vai validar a calhordice pallociana. Coisa feia, um homem chegar a este ponto.

Esmiuçar as safadezas urdidas nos corredores e gabinetes do Planalto, quantificar valores e indicar beneficiários e sócios. Um horror. A juízo pessoal deste escriba moreno ainda é de valorizar-se outro safado, o tal de Zé Dirceu, pois este, ainda que tenha botado a mão no jarro com força, ao menos tem pudor.

Está escorando tudo no osso do peito e nada de soprar nomes, valores ou datas, nada de dizer quem pagou e muito menos quem recebeu. Valorizo isto, um safardana com algum caráter.

A que ponto chegamos Deus meu. Gente, até bom pouco, cheia de pose, colarinho engomado, a arrotar arroz com tirivas, e agora enterrados no monturo do lixo humano. Gente que mandou e desmandou nesta malfadada república, república bananeira, panamá sul americano. Oscar para o Zé Dirceu.


28 Abril 2018 10:45:00


(Foto: Franciele Gasparini)


É que, no meio da crise, se instala a nossa crise. Mais uma crise para os nossos produtores de alho. Volta a repetir-se, com a mesma força e os mesmos danos, o que já vimos lá pelos meados dos anos 80 do século passado.

Um dos setores mais importantes da nossa economia regional sofre duro golpe. Uma safra de alhos nobres, de boa qualidade, semeada e conduzida porque abriga mais de 30 anos de conhecimento e desenvolvimento, agora pendurada ou amontoada nos galpões por questão menor, que deveria ser maior, o Deus-mercado. 

É velho como o mundo que as relações comerciais de troca de produtos se regula pela velha lei de oferta e procura. No nosso caso temos uma boa oferta, mas com a procura sofrendo limitações pela oferta de produto alienígena. Sempre sofremos a mais desleal das concorrências neste setor, a começar pela Espanha, depois a Argentina e, por fim, a avalanche chinesa. 

É claro que as boas relações internacionais impõem também as trocas de produtos e serviços, mas tais trocas devem existir sempre em um ambiente de lealdade, de justiça.

A deslealdade não é dos argentinos, ou dos chineses. A deslealdade vem exatamente de quem tem a obrigação legal e moral de nos proteger. 

Produto parado, perdendo peso e qualidade, enquanto as lideranças do setor correm, a exemplo de Jesus Cristo, de Herodes a Pilatos, depois a Caifaz, e nada de solução. A solução, ao menos aos olhos leigos deste escriba moreno, está no estancamento imediato destas impatrióticas importações. A manifestação pública, o tratoraço, serve para chamar a atenção, faz o produtor esvaziar, por alguns momentos, sua justa cólera. Porém, como nas crises anteriores, a solução está nos acarpetados e climatizados gabinetes da Capital Federal. 

Talvez agora possa contar a nosso favor o fato de o Ministro da Agricultura ser do ramo. S. Excelência tem mostrado sensibilidade. Mas a questão também passa pelo Ministro da Fazenda, das Relações Exteriores, os acordos internacionais e a caterva de contrabandistas que povoa o setor. Agora é hora de mobilização. Nossas Autoridades, a classe política, lideranças de todos os setores. É necessário pressionar. 

Mais do que pressionar ou sensibilizar, exigir. Nossa economia regional é dependente de bom êxito nas safras agrícolas. O alho é responsável por centenas de empregos temporários, de pão na mesa de milhares. Não podemos deixar entregue à sorte este grupo de bravos que, a cada ano, arrisca com coragem. Abracemos a causa. Ela é justa e é muito nossa. De todos. 



21 Abril 2018 08:00:00
Autor: Murilo Machado

O recolocar do brasil nos trilhos depende primeiro de achar os trilhos

É que, vale voltar às vistas para as pesquisas eleitorais recentemente divulgadas. Não exatamente para os números atribuídos à este ou àquele nome, mas o dado mais complexo e estarrecedor.

O levantamento identificou, no universo pesquisado, quantitativo bem maior que a metade, a revelar um sentimento que toma de assalto a todos nós. A falta de esperança. O dado estarreceu este moreno escriba público, pois que comunguei com o pensamento.

O sentimento resulta da visão pessimista oferecida exatamente pela totalidade dos nomes colocados diante do eleitorado propondo-se eles a virem ser o Chefe da Nação. Este o problema capital. A nominata proposta não atende, nem de longe, os anseios do povo brasileiro. E não atende exatamente porque, em sua absoluta maioria, quase totalidade, do mesmo meio, surgidos da mesma massa apodrecida que nos conduziu até aqui.

Fomos tomados pelo medo, pela desesperança. Havia e há o desejo de algo novo, de mulher ou homem isento dos vícios, dos costumes e defeitos vistos até aqui. Nossos dirigentes políticos, nem todos desonestos é claro, a maioria foi se acomodando, aceitando como veio, lavando as mãos ou, como o avestruz, escondendo a cabeça no buraco.

Exatamente o lixo instalado nos núcleos de poder da República fez por impedir o surgimento de novo pensamento, nomes novos, e os ditos honestos e sérios acabaram por afastarem-se, cuidar de suas próprias vidas e negócios, permitindo que a malta de vilões se assenhorasse do poder e dos cofres. Agora que seria o momento de transformar se nos falta exatamente alguém com vontade e sangue nas veias, patriotismo e brasilidade capaz de fazer os sacrifícios necessários para pedir que também os façamos.

As pesquisas recém-reveladas mostram um povo estarrecido e sem qualquer apetite para participar, o que deverá favorecer exatamente a manutenção do status quo, a recondução dos mesmos, pouca renovação, nada de ideias novas e deveremos ter um próximo período de governo pleno da mesmice.

As mudanças de orientação, o justo repartir da renda e dos tesouros da nação serão apenas o objeto da retórica balofa dos palanques de onde virão as mesmas doses de demagogia barata a que já estamos acostumados, ou então as mirabolâncias dos Sassá Mutema, salvadores da pátria e milagreiros com soluções mágicas para tudo. O recolocar do Brasil nos trilhos depende primeiro de achar os trilhos. Ainda temos algum tempo, curto, mas temos. Talvez surja alguém.



14 Abril 2018 10:30:00


É que, neste mar de desencantos, decepções e tempestades sociais e políticas que se abatem sobre nós, aqui na terrinha do Monge, cuja praga se nos parece definitivamente esconjurada, o mar de bonança em que vivemos acaba de nos proporcionar duas notícias de excepcional valor trazidas a público pelo senhor Prefeito Municipal. A primeira diz respeito ao Mercado Público, projeto antigo e sempre adiado ante a escassez de recursos para sustentar uma obra de tamanho vulto.

Pois bem, após gestões junto aos agentes financeiros públicos, o Prefeito acaba de anunciar que, finalmente, os valores foram aprovados e liberados e agora é só cumprir os trâmites necessários, acelerar os papéis, lançar e julgar a concorrência pública e executar a obra. Para este segundo mandato, concluído este projeto ambicioso e outros em andamento, especialmente na área delicada da educação, já bastaria para consagrar o atual Prefeito como vencedor e realizador.

Porém, a colocar cereja lá no alto do bolo administrativo já bonito, o Chefe do Executivo Municipal anuncia o fim de suas quase infindáveis gestões para obter recursos a executar, talvez, a mais importante obra de seus dois períodos de governo. Eis que, num repente, vozes chegam da capital da República anunciando recursos substanciais para a obra de galerias pluviais a partir do bairro Aparecida.

"POIS A AÇÃO E A PERSISTÊNCIA VENCERAM "

O homem já foi ousado, peitudo mesmo, quando iniciou os trabalhos por conta própria, com recursos do tesouro municipal, economizados à duras penas e cuja existência e destino pouca gente sabia. Mas seria uma pedrinha incômoda no sapato do prefeito deixar a obra incompleta. Muitas foram a idas a Brasília, solas de sapato gastas nos corredores e antessalas de Ministros e Parlamentares, persistência, gota d'água em pedra duríssima. Recursos escassos, crise econômica, caos político, administradores provisórios, uma lista infindável de motivos e desculpas para negar o sonhado e quase mendigado dinheiro.

Pois a ação e a persistência venceram. Vem a grana de uma área quase improvável, de vez que o pleito foi inscrito em muitas mesas da administração federal, Ministério das Cidades, da Ação social, Interior, só não foi para a ONU e a Cruz Vermelha. Veio da Defesa Civil. Pouco importa a mão que vai segurar o carimbo. Agora é concluir a primeira etapa e lançar a segunda. Grandes esperanças de que talvez no Verão do ano que vem, suas chuvas rápidas e tempestuosas já não causem dano a ninguém. Uma vitória que não é só do Prefeito e de sua habilidade política e elevado tirocínio administrativo, um prêmio que a todos nós pertence, pois torna Curitibanos vencedora.



07 Abril 2018 12:04:00


(FOTO: DIVULGAÇÃO)

É que, semana findando, voltamos as vistas para o início dela. Na segunda-feira transata um terremoto de nível médio sacudiu o Sul da Bolívia, até então novidade pouca, de vez que o espinhaço da cordilheira dos Andes repousa sobre uma grande placa geológica cujas falhas e a liberação dos gases abaixo dela motivaram o sismo.  

O que nos surpreendeu foi a liberação da energia correspondente que atingiu e sacudiu boa parte do Brasil. Diversos estados, em regiões distintas, de Norte a Sul, viram prédios, lustres, candelabros e paredes se mexerem, estremecerem, colocando temor e pavor em muita gente que, desatinada correu para as ruas. Claro que, em outras ocasiões, já pegamos as sobras destes estertores da crosta terrestre, porém não com tal magnitude e em tamanha extensão.

O fenômeno natural, adverso, nos remeteu à meditação sobre a fragilidade deste pobre e desgastado planeta, nossa habitação. Fiquei pensando em cousas ouvidas e lidas no passado e que, à época, julgava como sandices, delírios de aves do mau agouro, devaneios de arautos do fim do mundo, sinistrólogos de plantão a aproveitar a oportunidade. Outros, ao menos com a beca de cientistas sérios, proclamavam e ainda proclamam que o planeta Terra, como tudo o que é essência em matéria, tem prazo de validade e, no nosso caso, o prazo está a expirar.


"VAMOS MASSACRANDO O PLANETA EM NOME DO LUCRO IMEDIATO"


Alguns destes, estribados em cálculos matemáticos que só um doido pode conceber, já proclamam que a nossa galáxia se aproxima do fim e, também nesta semana, li um destes cientistas a empostar a voz para afirmar que o universo inteiro vai pro beleléu. Coisas só para os iniciados na alta ciência ou para malucos de pedra. Mas, deixemos a galáxia e o universo de lado, pois que muito grandes para gente miúda como este escriba moreno, e fiquemos com os pés aqui. Pés aqui. Pois a conclusão que estamos a chegar é exatamente de que já estamos pisando em falso, um fosso sem fundo que escancara a goela imensa para nos engolir. Tais constatações brotam da simples visão de que a velha terra que um dia já abrigou o paraíso, o Jardim do Éden, já não é mais a mesma.

O peso de uns milhares de anos de história conhecida faz por mostrar seus efeitos, e nós, pouco dados a tais observações, contribuímos, e no tempo presente ainda com mais pressa e furor, vamos massacrando o planeta em nome do lucro imediato. É a mesma coisa que incendiar a própria casa. Os fenômenos naturais se multiplicam, surgem novos, como as tais tsunamis, as geleiras e os polos derretem enquanto permanecemos sentados a dar milho aos pombos. Sinistro e sombrio. Que futuro aguarda a humanidade. Minha geração não estará aqui para ouvir ou ver a resposta.



02 Abril 2018 10:18:06

 É que, entre o abestalhado e a cólera quase incontida, ainda estamos a ruminar sobre a covarde e estúpida agressão sofrida pelo Núcleo Municipal Prof. Alírio Luiz de Almeida do bairro São José. O fato, bestialógico, agora perfaz a meia dúzia de vezes que aquele modelar estabelecimento de ensino é vilipendiado pela canalha que, infelizmente, habita ou transita por aquele bairro que nos é tão querido.

 Este ataque recente causou dano de tal monta que obrigou a Secretaria Municipal de Educação a suspender as atividades propedêuticas para providenciar reparos e reposições de emergência que proporcionem um minimo de condições para que educadores e educandos possam ali conviver e aprender. De imediato vamos afastar o olho torvo sobre os moradores do bairro, núcleo habitacional de trabalhadores, na média de baixa renda, mas, de ordinário, pessoas boas e ordeiras.

 Entretanto as estatísticas policiais e os noticiosos midiáticos mostram que ainda ali reside ou transita uma minoria de vagabundos, desocupados e canalhas que devem receber atenção das autoridades em geral, da autoridade policial em particular e dos bons moradores do São José, destes últimos uma atenção permanente para se poder identificar, prender e punir com severidade os autores do injustificado vandalismo. É inconcebível que um ser pensante, com forma e cromossomas humanos, possa pensar em fazer o que lá foi feito.

 A solução existe e esta ali mesmo. Começa que os autores são largamente conhecidos por ali. Então aquela comunidade precisa se organizar melhor, fazer brotar e crescer o verdadeiro senso comunitário. Damos como exemplo o que já existe por aqui, no centro e em outros bairros com o nome de rede de vizinhos. No São José, como no resto do mundo, as pessoas, notadamente as de bem, são ocupadas, mas não tanto que não possam, comunitária e individualmente, manter um olho mais vigilante tanto no patrimônio público, que são bens de todos, como no que pertence a cada um. Ajudar a ajudar-se é a palavra.

 A Administração Municipal, zelosa com o bem-estar de todos e com a educação, especialmente dos mais pequenos, anunciou e se dispõe a realizar ali investimentos de vulto, exatamente para valorizar e prestigiar a educação. Temos certeza que o ato monstruoso recém-praticado não vai servir de desestímulo à Administração Municipal que, ao contrário, vai dispender ainda mais em educação e serviços de elevação social para aquela comunidade exatamente para responder a esta minoria das minorias que não respeita o que se está fazendo por seus irmãozinhos, primos e sobrinhos, pois o delírio demoníaco das drogas só impele em destruir. A comunidade sabe, conhece. Então que faça por si. Vá as autoridades e aponte estes vagabundos, pois se não protegerem a si próprios, nem a polícia nem ninguém poderá fazê-lo.



24 Março 2018 08:00:00
Autor: Murilo Machado

Quase dois séculos de incúria, de incompetência, de descaso

É que, fato consumado, moramos no Pais da piada pronta, único onde traficante se vicia e cafetão se apaixona pela mercadoria. Ah pois, onde vamos e o que temos. Temos um índice de mortes violentas cujos números rivalizam e até superam zonas de guerra e áreas de conflito.

A interrogação que surge é os porquês, a razão e a origem deste estado de coisas, desta situação catastrófica quase apocalíptica. Quase dois séculos de incúria, de incompetência, de descaso e abandono das maiorias, representada pelo povo pobre e mestiço.

Governos sucessivos, crápulas e conservadores, preocupados mais com o seu bem-estar, com o encher dos próprios bolsos e burras, fixados e manter o status de classe dominante e dominadora, cuja existência dependa exatamente da existência e manutenção da classe dominada e espoliada. De nada adianta ser rico e importante se não houver miseráveis e chagásicos para quem exibir a riqueza.

As cidades incharam, esparramaram-se em periferias longínquas, fora das vistas e dos pruridos estéticos dos imbecis dominadores, cujos olfatos sensíveis e gostos exíticos seriam maculados pela visão horrenda dos farrapos, dos molambos, chagas e ranhos. A desordem e a imprevisão, o culto do belo e aprazível cegou e impediu o ver que a tal distante periferia fez emenda com o centro aristocrata e os morros, antes paisagem bucólica e poética, agora borrada pela profusão de cortiços nele pendurados. Aconteceu que, no repetente, a populaça resolveu descer e tomar o que entende lhe pertencer, tomar na mão grande, na base da munição sofisticada de armas modernas.

A ausência do Estado acabou por fazer nascer ou vir a furo uma hierarquia nebulosa, sombria, uma liderança forte e violenta, imposta tanto pelos agrados e fortalecimentos do chefão, a distribuir dinheiro, remédios e berloques bem como tiros e facadas aos renitentes e desobedientes.

Tudo sob o olhar dorminhoco do Estado-Patrão ou que pensa que é patrão. Paralelamente, as deficiências estatais, o descaso com o funcionário público, os barnabés, inclusive a Polícia Militar, fez surgir famigeradas milicias, grupos com as armas do Estado, também a ameaçar, a extorquir, a achacar para vender, nas favelas, uma proteção que estão muito longe de proporcionar. A cidade maravilhosa tornou-se a capital do caos, o domínio do crime, a pátria dos quadrilheiros.

Enquanto isto, a tal Autoridade, os governos a vomitar discursos balofos, retórica bufa e para inglês ver, mostram cada vez mais sua incompetência em lidar com a questão que impõe, por um lado, combate duro e sem trégua ao crime desorganizado e bagunceiro, e pela adoção de políticas públicas que resgatem o povo da penúria e abandono em que se encontra.



17 Março 2018 08:10:00



É que, por sazonalidade, voltamos o pensamento para o ano político em curso e as expectativas por ele geradas. No início desta semana, em programa de rádio, ouvi, e meditei, sobre o que disse voz ponderada quando afirmou que recolocar nosso Brasil nos eixos é tarefa que exige, no mínimo, três períodos de governo, ou seja, os doze próximos anos, afora este.

O primeiro período, segundo o atilado analista, deverá ser usado para propor implementar as mais profundas e corajosas reformas vistas como necessárias. Reformas que exigem coragem, desprendimento, abandono de vaidades. O segundo período deverá ser utilizado na consolidação das reformas realizadas, aperfeiçoamentos e correções. O terceiro tempo então para iniciar a colheita dos frutos. Ao ver do analista, ao que sentimos, a próxima dúzia de anos se prenunciariam como de penúria e extensos e intensos sacrifícios. Mas a ideia esbarra, já de cara, em obstáculos vistos por nós como intransponíveis.

 Onde está este homem, ou mulher, pleno de coragem e despido de vaidades, capaz de sacrificar-se para pedir o sacrifício e despendimento de todos nós? A safra que se apresenta ou propõe-se a pedir o sufrágio é exatamente a mesma, eivada dos mesmos vícios, fruto de um meio político vencido e carcomido, apodrecido pelo uso e fracasso. Assim, não se vislumbra dentro do quadro visível alguém com as qualificações exigidas para nos guiar por sobre as brasas do altar da Pátria.

A quantificação de uma dúzia de anos pressupõe também um tempo de pouco ou insignificante progresso real até que as tais reformas comecem a produzir os efeitos pretendidos. Para que tal se consiga, ao que conseguimos entender, começa por estancar a sede insaciável dos banqueiros e sua voracidade. Ora, os tais banqueiros formam aqui uma casta colocada muita acima de qualquer prateleira e ninguém pode ter a pretensão de eleger-se Presidente desta malfadada e bananeira república sem, antes, ir pedir as bênçãos dos donos do dinheiro, com eles assumir compromissos de respeito às suas inviolabilidades, ou seja, manter tudo exatamente como está.

A segunda reforma nos parece também inviável, pois passa pelo tal novo pacto federativo com a equitativa repartição dos tributos e rendas entre os entes federados, precedida ela de uma reformulação dos tributos, simplificando-os e tornando-os justos. Isto é pura utopia. A reforma do Estado e de sua concepção administrativa tirando esta legião imensa de funcionários públicos e alguns penduricalhos de elevada remuneração e pouco fazer. Para tanto também seria necessário sangue absolutamente novo nas casas do Congresso.



10 Março 2018 14:18:00

É que, em meio a tanta bagunça, frustração e desesperança, eis que, ao repetente, surge notícia, a ser vista e deglutida com absoluta cautela. Anuncia-se, já para abril próximo vindouro, auspiciosa reunião de cúpula entre as duas Koreias.  

O regime de Pyongyang vem de demonstrar algum interesse em conversações, posição oposta à vista em meses anteriores quando todos apostavam em nosso mergulho apocalíptico em uma guerra nuclear. Sucessivamente e a curtos intervalos, o controverso ditador norte-coreano efetuou disparos de mísseis de alta potência e grosso calibre, inclusive com alguns deles sobrevoando o território japonês, seu fidagal inimigo, em flagrante quebra do direito internacional e ofensa à soberania nipônica pela abusada invasão de seu espaço aéreo e mar territorial.

O grande xerife norte-americano a blasonar diariamente suas sandices de ópera bufa, fazia por empilhar doses elefantinas de lenha na fogueira já superaquecida e chapa incandecente. Ah pois, não há de se ver que os belicosos esfriaram a cabeça, as armas silenciaram e foram recolhidas e passa-se a ver as mais promissoras atitudes de restabelecimento do diálogo tão necessário à descoberta e ampliação de pontos comuns.

Há poucos dias, durante a realização da olimpíada de Inverno,em território sul-coreano, o vizinho do norte não só enviou atletas de seu pais, como, para a nossa surpresa e de muitos, fez seus desportistas desfilarem e competir integrados ao time do sul, como foi o caso do jogo de hockey sobre patins, onde a equipe mista foi fragorosamente derrotada e retumbantemente aplaudida. Ainda durante as ocasiões protocolares daquele magno evento esportivo, o governo de Pyongyang se fez representar por dignatários e funcionários do mais alto escalão, demonstrando assim o seu desejo de realmente prestigiar.  

Pois, encerrados os jogos, quase que na sequência a fronteira foi aberta e uma delegação sul-coreana foi ao norte para uma primeira rodada de conversações - conversações ainda frias e distantes, com as partes apalpando-se mutuamente e medindo a febre. Entretanto, as reuniões produziram efeito e, agora, as partes anunciam rodada de conversa de alto nível, envolvendo, possivelmente, os dois chefes de governo. Em conclusão, isto é quase briga de casal, então, nenhum peru de fora deve meter a colher torta. É uma esperança de paz que pode concretizar se ambos cederem e interesses estranhos e escusos não mexerem os tais pauzinhos para jogar areia e fazer melar.

Obviamente que o controverso governante do norte, apesar de dar pinta de meio desequilibrado, não é maluco o suficiente para fazer explodir uma bomba atômica em cima de uma cidade. Ele também é alvo fácil. Vamos acompanhar, torcer e rezar para que esta gente reencontre o equilíbrio e o bom senso.  


03 Março 2018 12:11:00

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(Foto: Divulgação)

É que, voltamos as vistas e a atenção, com satisfação diga-se, para eventos do agronegócio em curso na nossa região, os ditos dias de campo, promovidos por cooperativas e que se destinam a congregar seus associados e produtores rurais para as demonstrações.

Demonstrações que publicam as conquistas e avanços no campo da tecnologia, do melhoramento genético, das possibilidades de produzir mais e melhor com menor custo. Nunca é demasiado dizer, até para homenagear, que o agronegócio, a atividade produtiva rural, o campo sustentou o Brasil nestes tempos agudos de crise econômica, responsável que foi pela manutenção em níveis aceitáveis os valores de nossa balança comercial, evitando-se a devolução dos dólares com as importações de bens e serviços que necessitamos e cuja produção nacional foi interrompida abrupta e brutalmente pela forçada estagnação ante os custos estratosféricos do dinheiro. Mas voltemos à lavoura.  

Decididamente ultrapassamos o tempo do plantio com o velho saraquá, do lançamento manual da semente às covas abertas com sacrifício.

Estes tempos do dito pós-moderno têm sido pródigos em oferta de conhecimento e meios para impulsionar a produção agrícola.

A pesquisa genética constante vem oferecendo sementes cada vez mais resistentes às pragas, evolutivamente com maior desempenho no ciclo de brotação e crescimento, resultando em produto final com índices de produtividade superior ao obtido com sementes comuns. Isto leva a concluir em lucros maiores em menores áreas de plantio.  

Bem verdade que ainda precisamos avançar mais, pois somos recordistas no uso de inseticidas e pesticidas e, estes, por sua vez, também favorecem o surgimento de pragas com maior dose de resistência aos tais remédios. É o preço a pagar. Todavia, a promoção das reuniões que chamam a atenção deste escriba moreno, é exatamente esta quebra de isolamentos e de iniciativas individuais.  

O repartir do conhecimento é exatamente a fórmula de chegar ao sucesso. O campo é vasto celeiro de experimentos que fazem surgir e consolidar a tecnologia aplicada. Há alguns anos seria utopia pensar-se em uma máquina para colher cana de açúcar ou café. Elas estão aí.

A tecnologia também obriga ao trabalhador do campo em estudar, especializar-se.  

Temos visto na televisão o surgimento de tratores, plantadeiras e colheitadeiras eletrônicas, coisa que obriga ao trabalhador em abandonar a condição de mero tratorista para contemplar contatos estreitos com a Nasa e o MIT. Para nosso orgulho, os ditos dias de campo realizados pelas cooperativas ultrapassam as nossas fronteiras, deixam de ser eventos domésticos para constituírem-se em festas nacionais, ante o renome de técnicos, cientistas e pesquisadores que trazem para perto de nós. Parabenizamos e compartilhamos das esperanças que trazem. 



24 Fevereiro 2018 10:23:19
Autor: Murilo Machado

A crise de segurança ultrapassa as fronteiras do Estado carioca

É que, carnaval findo, exceto em Salvador onde sempre é, voltemos as vistas para o tempo presente. A crer-se nos analistas de plantão, o Presidente da República sepultou a tal reforma da Previdência sob o túmulo da proibição constitucional que veda ao Congresso a votação de Emendas à Constituição enquanto vigente uma intervenção federal em Estado da Federação. Velha música gaúcha, composição de Kleidir e Cleiton, interpretada por Kleiton e Cleidir (Maria Fumaça) canta em um dos versos que "é sempre bom e aconselhável unir o útil ao agradável".

Útil ao Presidente que conseguiu desmontar da onça onde subiu e útil a nós todos que, ao menos por algum tempo, nos livramos daquele monstrengo. Assim voltemos a atenção para o Rio de Janeiro e a oportuna intervenção. Entrando no varejo da oportunidade ou desnecessidade, de há muito já se percebia a absoluta impotência do governo carioca em lidar com a marginália que infelicita a cidade maravilhosa agora nem tão maravilhosa assim.

É o cúmulo, o Estado Organizado, o Governo estabelecido revelar-se incapaz de combater e exterminar os grupelhos de vagabundos que la pululam, pois é flagrante exagero chamar aquilo de crime organizado ante a vista e absoluta desorganização, sem entendimento corporativo e cooperativo, exterminando-se entre si, o que, ao nosso modesto sentir deve ser estimulado e incentivado ao máximo, inclusive com apoio logístico e financeiro.

Tal estado de coisas chegou onde está exatamente pela maldita corrupção que atinge a Polícia Militar carioca, onde estrelados oficiais convivem e mamam nas tetas sangrentas dos bandos e milícias que teimam em existir nas barbas da Lei. Agora as atenções se voltam para o General Braga Neto, designado Comandante em Chefe da Segurança do Estado do Rio de Janeiro, cabendo ao competente soldado dar combate e extermínio ao rebotalho humano que polui a vida fluminense.

 Resta saber se vai conseguir, se receberá os recursos materiais, humanos e logísticos de que carece para cumprir a espinhosa missão. A crise de segurança ultrapassa as fronteiras do estado carioca, é de dimensão nacional e, forçosamente, deverá ocupar parte ponderável dos debates e discursos nos palanques eleitorais que começam a ser montados. Voltando à vaca fria, o Governo livrou-se de acachapante derrota se teimasse em votar a emenda previdenciária, substituindo-a por medidas econômicas mornas e de pouco impacto. Os mercados reagiram bem à tal medida intervencionista e a estabilidade das Bolsas demonstra que já esperavam tudo o que aconteceu.



10 Fevereiro 2018 12:53:00


(FOTO: DIVULGAÇÃO)


É que, por falta de tema melhor, voltamos a pensar nesta farsa que o Governo e o Presidente da República teimam em chamar de reforma da Previdência. Reforma que, a rigor, reforma muito pouco. Inaugurado o ano legislativo, Presidente Temer e o Presidente da Câmara dos Deputados acenderam a luz vermelha e Rodrigo Maia vaticina que se não votar no corrente mês não vota mais este ano.  

Mas a pergunta é votar o quê? Ao longo do trâmite da discussão da proposta, a tesoura corporativa foi tirando naco pelas beiradas. Conservação de um privilégio aqui, manutenção do fica como está acolá, grupos e mais grupos foram pressionando a defensiva de seus direitos, e, diga-se direitos, e o governo, fraco, foi cedendo e amolecendo para tentar salvar alguma coisa. Proclamou o dono do Projeto que a intenção é o ajuste fiscal, a contenção do fantasmagórico déficit que dizem estar a assombrar as contas públicas.

 No meio do incêndio, oportuna CPI do Senado oferece conclusão, lá em outubro do ano passado, de que na Previdência não tem rombo, não tem déficit e portanto, por óbvio, não precisa de reforma nenhuma. A grande cortina de fumaça é a extinção de privilégios. Uma ova. Equiparar aposentadorias do setor público com o privado é rematada loucura, se não piada de gosto duvidoso.

Ah pois, ora veja, um magistrado que na atualidade percebe vencimentos superiores a 20 mil reais vai aceitar a aposentadoria com o teto, atual, de coisa de menos de seis mil reais? E os generais e almirantes e caterva assemelhada, gente que sabemos ganhar bem, não que não mereçam, vão se conformar em comer o mingau da velhice com os minguados seis mil? Foi infeliz a escolha do funcionalismo público como bode expiatório para o tanto que roubaram neste país infeliz.

Infeliz até porque o estatuto geral do funcionário público federal já foi reformado há uns dois anos e tudo já foi feito. Privilégios? Não. Apenas a remuneração da competência, dedicação e zelo que se espera do servidor público. Caceta e planeta, então um ser humano, com mestrado, doutorado e diabo a quatro vai honrar o serviço público com as luzes de seu saber para se aposentar com a merreca proposta? Nem morto.

A esperança agora é que os parlamentares, de olho na eleição, e já vendo o dedo em riste do eleitor apontado para o peito, recuam, alguns pelo viés ideológico, outros pela conveniência de momento e negam os votos em número suficiente para aprovar o tal monstrengo. O governo fechou o ano findo contabilizando algo em torno de duzentos e setenta votos e a aferição desta semana mostrou apenas duzentos trinta sufrágios a favor do Palácio do Planalto. Vamos assistir agora às últimas e desesperadas cartadas, desde a chantagem emocional até a compra deslavada. Ao viralizar a proposta, e fazer dela o prato de todo o dia, se pretendo ocultar o quê?



03 Fevereiro 2018 17:10:00

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Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação

É que, no oceano de desgraças e incertezas que nos domina, ouvi com atenção e apreço, notícia que diz respeito ao próprio oceano. Não exatamente ao oceano, mas a uma parcela de pessoas que dele se tornaram usuários. Explico. Oficial do nosso Corpo de Bombeiros Militar, em entrevista de rádio, clareava sobre serviço disponibilizado nas praias. Um serviço aos paraplégicos ou os ditos portadores de necessidades especiais que, por óbvio, se viam impedidos de gozar as delícias do banho de mar. Ah, pois, com o uso de uma cadeira especialmente arquitetada e a presença de um guarda-vidas especialmente treinado, estas pessoas podem agora adentrar ao mar e nele banharem-se sem riscos ou sobressaltos.

A começar pela dita cadeira funcional, assento que é capaz de acomodar o usuário especial com conforto e segurança. A ideia e sua aplicação se nos parece genial. Nestes tempos do pós-moderno fala-se muito da inclusão. Observando-se à distância, tem-se que somente se fala muito mas, a rigor se faz muito pouco.

Fica no discurso, na demagogia, na filosofia de desocupados quando a prática exige ação.

Não basta reconhecer, e legislar, para entregar direitos a este grupo de pessoas. A efetividade da coisa é o que importa.

Ainda estamos longe de realmente podermos proporcionar aos deficientes ou portadores de necessidades especiais aquilo que necessitam para ter uma vida que mais se aproxime do comum, das atividades a todos permitidas. Em termos de mobilidade urbana, por exemplo, ainda vemos, aqui mesmo em nossa cidade, calçadas, os ditos passeios, com ressaltos e rebaixamentos que dificultam a movimentação de pessoas que se locomovem com muletas, bengalas e andadores, mesmo o idoso, ainda com alguma agilidade, não raro é vitimado por quedas e escorregões causados exatamente pelos defeitos que apontamos. Mesmo que a legislação e as ditas posturas municipais se refinem, a questão ainda passa pela nossa disposição mental e cultural. Somos seres individualistas e entranhados de um egoísmo atroz. Sempre nos colocamos em primeiro lugar, nosso conforto e bem estar primeiro, os demais que se danem.

Agimos como se a velhice e demais vicissitudes da vida não nos fossem atingir. Tais reflexões brotaram exatamente ao saber da existência da tal cadeira para banhistas. E mais, revelou-se que o belo equipamento não foi disponibilizado ou inaugurado neste verão. Ao que consta já existe de algum tempo. A pouca divulgação foi responsável pela nossa grata surpresa. São coisas assim que mantêm o tênue fio de nossa esperança e crença no ser humano. Ainda há pessoas com capacidade e coração para pensar nos outros. Que bom.



27 Janeiro 2018 09:50:00
Autor: Murilo Machado

É visível esta ameaça ao livre pensar do cidadão e eleitor


(Foto: Divulgação)/


É que, por indução, meto a colher na questão que vem ocupando diariamente os tais especialistas e os nem tanto, leigos como este moreno escriba. As tais fakenews. A expressão, colhida do colonialismo externo que nos escraviza, fala da notícia falsa, ou do uso, ou do mau uso do mesquinho expediente. A preocupação, especialmente das autoridades, vai por conta do ano político/eleitoral e do uso maciço e massivo da nefasta fórmula.

A preocupação é tão maior pela existência e uso quase que universal da Internet e, de maneira especial, as tais redes sociais. Bem verdade que o uso da notícia falsa, da divulgação de calúnias e fatos desabonadores contra políticos e candidatos não exatamente coisa nova. Só o meio é que mudou, tornou-se mais ágil e de infinito alcance.

Até bem pouco, mesmo aqui na terrinha, vimos circular o folheto pasquineiro e anônimo divulgando inverdades e denegrindo candidatos, atribuindo-lhe atos e práticas desabonadoras, acusando de roubo, malversação de dinheiro público, além de notas do tipo social mencionando e denunciando a vida conjugal e social da vítima, atribuindo-lhe amantes, filhos e tantas outras sandices. A questão é que os tais folhetins, jogados na via pública, introduzidos à socapa e na calada da noite em caixas de correspondência postal ou por debaixo das portas.

Logo, alcance limitado. No tempo presente as tais redes sociais têm efeito multiplicador na enésima potência e velocidade da luz. Daí o justificado receio das autoridades e políticos com a propagação de infâmias, a política negativa, a atribuição de fatos a pessoas, enfim o oceano de possibilidades de influir e influenciar o eleitor. Pior é que são buscados profissionais, contratados psicólogos, jornalistas e outros experts para fazer o trabalho sujo.

Anunciam-se métodos, sistemas eletrônicos, aplicativos, meios de vigilância para coibir a campanha rasteira. Resta saber se vai dar certo, se vai se conseguir colocar freios em línguas frouxas e despudorados ou, pior ainda, manietar os tais profissionais da maledicência. Coisas deste tempo do dito pós-moderno, da parafernália eletrônica, coisa vista, a princípio como inocente, tipo vídeogame melhorado, mas que agora assume proporções gigantescas e, ao que se vê, quase que incontrolável.

Assim, é visível esta ameaça ao livre pensar do cidadão e eleitor que, obviamente, deve ter ou receber um mínimo de informações sobre os candidatos e, também e por que não, informações que procedam de fontes neutras ou desvinculadas de candidaturas. Isso possibilita a formação de juízo de valor sobre os postulantes à função pública. Entretanto tal deve se estribar em credibilidade, verdade, respeito. Se a coisa descambar, como se teme, então salve-se quem puder.



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