35anos barrra.png
35anos barrra.png
  

Viela e vi ela

20 Fevereiro 2018 11:10:00

Katia Zilio


(Foto: Divulgação) /


Este texto, hoje, quer discutir o uso do pronome átono, ou melhor, o seu não uso e suas consequências para a língua. Isso, claro, pensando em quem pensa sobre a língua, como é o caso da minha convidada deste texto, a aluna Natália Platchek de Medeiros, do segundo ano do Colégio Maria Imaculada.   

No português falado informalmente quase não existe o uso de pronomes oblíquos no lugar de pronomes átonos. Quando queremos dizer, por exemplo, que vamos buscar uma criança na escola é comum ouvirmos: vou buscar ela... Em vez de vou buscá-la. No Brasil, o uso desses pronomes encontra muita resistência.

Embora o uso de "eu vi ele", "eu vi ela" esteja mais do que sacramentado na linguagem coloquial brasileira, a regra gramatical do português padrão estabelece que o pronome pessoal do caso reto "eu" atrai o outro pronome.

 Ainda podemos dizer que a pessoa envolvida na conversa pode entender "vi ela" como uma rua estreita. Além disso, vale destacar que "ele", também pronome pessoal do caso reto, não pode vir após o verbo.

Então quando usamos: buscar ela, ver ele, escutei ela, etc, podemos nos fazer compreender, mas o uso do pronome átono evita equívocos... Segundo o padrão formal da língua, o correto é usar pronomes pessoais do caso oblíquo: "eu o vi" ou "eu a vi". Ou, ainda, vi-o, vi-a por aqui todos os dias... E pensando no duplo sentido... vi-a pode ser entendida como via? Como resolver isso? O uso do bom senso e a alteridade pode ajudar, isto é, colocar-se no lugar do outro a fim de tentar entender o que é dito, por outro ângulo, é sempre salutar...

A Armadilha entra pelas vielas da língua, talvez para dizer que ela é viva e intrigante...


JORNAL "A SEMANA"
Rua Daniel Moraes, 50, bairro Aparecida
89520-000  -  Curitibanos/SC  -  (49) 3245-1711