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Falar e ser ouvido

22 Maio 2018 13:32:00

Katia Zilio


(Imagem: Divulgação) /


A exemplo do que vemos todos os dias por aí, quero refletir, hoje, leitor, sobre como alguém é ouvido... 

É, leitor, ouvido. Talvez escutado... Sim porque em muitas ocasiões as pessoas falam e não são ouvidas, ou não se dá a atenção para elas.

Pense, leitor, você já não foi a uma reunião seja de condomínio, de moradores do bairro ou até mesmo na escola, onde havia possibilidade de opinar de se manifestar com a palavra e algumas pessoas fizeram isso?

Nessa mesma reunião, talvez em momento mais caloroso de discussão ou de levantamento de ideias, você deve ter percebido, mesmo que rapidamente, que algumas pessoas ao falar pareciam fazer com que muitas ouvissem realmente o que era dito, enquanto outras não tinham a mesma sorte.

Isso não é uma questão de sorte, e sim de cetro da palavra, para usar uma expressão cunhada por Bourdieu, um sociólogo francês que apresenta em sua teoria a explicação sobre isso.

Nesse texto, a exemplo de Bourdieu, gostaria de pensar o motivo de sermos ou não escutados quando falamos. Há ocasiões que o sucesso daquilo que vamos dizer depende da quantidade de ouvintes que nos dão atenção... Não gostamos de falar para as paredes! Lembra, leitor, desse ditado?

 Não gostamos de falar para ninguém, ou melhor, para que ninguém ouça.

Ser ouvido é, pois, um objetivo a ser perseguido pelo ser humano. Falamos para ser ouvidos.

As relações sociais são influenciadas pelos jogos de linguagem... As nossas falas são influenciadas pelo que somos e pelo que representamos, no lugar onde vivemos.

Por isso, é possível que sejamos ouvidos por aqui, onde nos conhecem e ignorados em um lugar onde somos apenas mais um.

A questão que fica é queremos ser alguém para ser ouvido? A Armadilha reflete que ser ouvido é também responsabilidade para com o outro e para com a representação que os outros tem de nós.

Fica então o impasse: Ser ouvido, ou não?


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