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Alteridade: lugar do outro

15 Maio 2018 13:32:00


(Foto: Divulgação)

Sabe, leitor, às vezes, fico pensando como podemos ser mais humanos a partir da língua.

O dizer e o sentir estão, para mim, intimamente ligados...

Quando nos solidarizamos com alguém é como se sentíssemos o que a pessoa a nosso lado sente. Fazer isso é um exercício de alteridade... E como exercício, precisa ser feito e refeito, até fazer parte de nós.

Exercer a alteridade para com os outros é uma possibilidade de melhorar o mundo.

Sabe aquele ditado: "Não faça aos outros o que não quer que façam a você"?

Ou ainda: "Faça aos outros aquilo que deseja que seja feito para você"?

A variação do ditado não nos impede de encontrar o sentido daquilo que entendemos por alteridade. Por isso exercitar o sentimento do outro é importante para nos tornarmos mais humanos.

Ao nascer somos um filhote mamífero, indefeso. Somos da raça humana, ou ainda, somos seres humanos, mas ainda não somos e fomos humanizados.

Precisamos, ao longo da vida nos tornarmos humanos, ou humanizados.

Como nos tornamos humanos?

Pela educação, pelo conhecimento das coisas e pelo relacionamento com o mundo.

Pelas artes, pelo estremecer e enternecer diante do belo e do feio, seja pela obra plástica ou pela ativação da memória em linguagem fílmica.

Explico melhor: quando choramos diante de uma cena de um filme, estamos vivenciando a cena, exercício de alteridade. Ao nos colocarmos no lugar da personagem, tentamos, a partir da memória, compreender os sentimentos evocados na cena.

 Podemos pensar na cena do filme "O menino do pijama listrado" quando o menino troca de roupa para experienciar o que o outro vivia. Você lembra, leitor? E fica triste?

Pensar no outro é um exercício não só do dizer, mas também do sentir. É pensar experenciando que nos torna mais humanos.

A Armadilha não deseja capturar as feras de cada um, mas os humanos que desejamos nos tornar.


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