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A palavra e o que se quer dizer

26 Setembro 2017 11:44:00

Katia Zilio

Hoje, leitor, não quero falar de regras e dar-me-ei o direito de dizer, dizer e dizer.

Quem é essa língua a quem devemos tanto?

Devemos, pois, a nossa identidade às palavras que usamos.

O jeito que dizemos, aquilo que dizemos faz parte do aglomerado de certezas e incertezas das quais fazemos parte.

Explico: para sermos o que somos usamos a língua, essa linguagem nos torna sujeito dos dizeres... E achamos que quando o dizemos, estamos dizendo por nós mesmos...

Quem dera, somos repetidores dos discursos que nos atravessam e nos constituem... Alguém já disse e, por isso, faz sentido e nós nos apropriamos disso para que também possamos dizer e significar.

Nem sempre dizemos aquilo que queremos. As convenções nos obrigam a pensar e repensar aquilo que pretendemos dizer. As verdades (nunca o são) não podem ser ditas de qualquer forma e isso é nos ensinado logo que compreendemos os ditames sociais.

Como dizer àquela tia que nos aperta as bochechas que não gostamos desse comportamento?

De que maneira podemos falar que alguém está feio ou desajeitado com tal roupa?

A sinceridade infantil (aquela que todos já vivenciaram) é censurada até que aprendemos a dizer diferente, ou não dizer, ou ainda... mentir.

É, mentir faz parte do código de aceite social.

A língua nos permite dizer, mas igualmente permite calar ou dizer de outra forma para que o convívio social não seja abalado ou o seja o menos possível.

As armadilhas não são só da língua, elas existem em outros encontros e desencontros sociais que, às vezes, fazem-nos refletir:

Quem sou eu e o que quero realmente dizer faz sentido para quem?

Essa pode ser a pior das ARMADILHAS DA LÍNGUA: A DO DIZER OU A DO CALAR.

E você, leitor, por qual delas pretende lutar?


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