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27 Novembro 2017 23:01:00

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(Foto: Divulgação)

Em tempos de concursos e vestibulares é comum ouvirmos a frase: "deu branco".

Essa expressão quer informar que a mente, no momento de sacar a resposta para alguma questão, ficou em branco como uma folha de papel que ainda não foi escrita.

Isso pode ocorrer com qualquer pessoa em situações as mais diversas possíveis...

Explico:

Numa entrevista de emprego...

Numa prova na escola ou em um concurso...

Numa conversa com alguém, que não nos é íntimo...

Isso acontece por quê?

A entrevista exige que falemos em um vocabulário que, muitas vezes, não é aquele que usamos cotidianamente.

A prova pode exigir respostas, as quais revelam que não estudamos o suficiente ou, ainda, respostas que são complexas e exigem concentração redobrada.

A conversa com pessoas que não são do nosso círculo de amizade requer um vocabulário mais apurado e, consequentemente, uma performance adequada àquele com quem falamos.

Mas o que fazer quando o branco vem?

Costumo dizer aos alunos que se deu branco, pinta...

Respirar fundo e refletir sobre o que se quer dizer, o que viu, ouviu e o que sabe ajuda bastante.

Sabemos que não sabemos tudo... E isso nem é possível...

Mas fazer o possível dentro de nossas capacidades e ter a certeza de que o que fizemos foi o máximo para aquele momento, faz-nos tranquilizar a consciência...

Porque a Armadilha está por aí... E a ela vamos todos...



07 Novembro 2017 08:40:15

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Embora o título deste texto convidar para um nome (LOLA) e avó em italiano (NONA), o que nos motiva algumas linhas aqui é o uso dos pronomes O e A que se transformam em LO e LA e em NO e NA, de acordo com algumas condições.

O uso desses pronomes oblíquos ocorre quando precisamos substituir complementos verbais ou nominais a fim, muitas vezes, de evitar a repetição.

A regra não é difícil, mas o uso na oralidade não é corrente; já na escrita, essa utilização é até esperada.

Então:

Convide ela para a festa (ela ?).

Convide-A para a festa.

A combinação O e A com o verbo conjugado é simples:

Convide-A

Abrace-O

Pegue-A

Rasgue-O

Já o uso de LO e LA depende de o verbo terminar em R, S e Z.

Portanto:

Vou buscar ela... Vou buscá-LA.

Amá-LA

Abraçá-LO

Quis o brinquedo. Qui-LO

Fez o exercício. Fê-LO

Apesar de soar estranha algumas combinações propostas aqui, são elas que favorecem o texto escrito (sim, porque na oralidade é mais do que estranha, às vezes é até pedante).

E o NO e o NA?

Esse uso é mais fácil, pois é estabelecido pelo som nasal no final do verbo.

Responderam a pergunta. Responderam-NA.

Lavaram-NO.

Língua e Armadilha: Amá-las para entendê-las...

Amaram-nas?



30 Outubro 2017 23:00:00
Autor: Katia Zilio

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(Foto: Divulgação)

Para entender alguns aspectos da concordância verbal e nominal é importante responder a questão do título... Vendem-se ou vende-se... Como usar?

Alugar, vender, elaborar, entregar, etc. são alguns verbos que admitem a partícula SE. Essa palavra pode assumir várias facetas e apresentar uma grande diversidade de funções. Abordaremos aqui algumas delas.

Olha aí:

O SE pode ser um pronome reflexivo (que reflete a pessoa que fala - assim como o espelho que é o reflexo de quem para ele olha).

Assim: o carpinteiro feriu-se com o martelo.

(o carpinteiro feriu a si mesmo).

Ela se deu um belo presente.

(ela deu a si própria um belo presente).

No entanto, quando dizemos:

 Eles abraçaram-se com respeito.

Ambos se abraçaram - é uma ação recíproca.

Carlos e Salete beijaram-se no salão.

Os dois sujeitos (Carlos e Salete) fizeram a ação em si e no outro, por isso denominamos recíproca.

Mas e os ovos? Usa-se vendem-se ou vende-se?

Calma, leitor, estamos chegando lá. Antes é bom saber que o SE pode ainda ser uma partícula expletiva ou de realce. Isto é: pode ser usado para inferir valor simbólico, não estabelecendo relação de necessidade com algum termo da oração. É um recurso de estilo, não sendo essencial à compreensão da mensagem. É utilizada como realce. Então podemos dizer:

 Os convidados foram-se embora ao amanhecer (ou foram embora).

E os ovos? Vamos a eles.

Vendem-se ovos é a frase gramaticalmente correta. É claro que se dissermos vende-se ovos, vende-se casas, os ouvintes nos entenderão, mas em uma placa indicativa fazer o plural é elegante (além de correto).

Quando se pode pluralizar?

É necessário fazer o plural do verbo quando obtemos a voz passiva: o SE é, também, um pronome apassivador e marca a voz passiva sintética.

 Vejamos:

Vendem-se ovos (voz passiva sintética).

Ovos são vendidos (voz passiva analítica).

O verbo combinará com o sujeito paciente. Por isso:

Elaboraram-se, durante esse governo, bons planejamentos sociais.

Bons planejamentos sociais foram elaborados durante esse governo.

Destruíram-se as bases de uma sociedade igualitária.

As bases de uma sociedade igualitária foram destruídas.

Repare, leitor, que não há uso de preposição depois do verbo, pois se isso acontecer o SE transforma-se em índice de sujeito indeterminado.

Então:

Precisa-se de novos funcionários e não precisam-se...

O verbo admite a preposição, logo não permite ser apassivado nem pode ser pluralizado.

E aí, vendeu a ideia, leitor?

Venderam-se ideias.

Vendeu-se ideia.

Você comprou?



17 Outubro 2017 06:44:00
Autor: Katia Zilio

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Atendendo pedidos, vai aí mais um texto sobre o gerúndio...

Você já deve ter ouvido falar de uma epidemia que assola os ouvidos mais atentos:

VAMOS ESTAR FAZENDO...

VAMOS ESTAR LIGANDO...

PODEMOS ESTAR VENDO...

Essa epidemia verborrágica ou hemorragia de verbos pouco significa realmente, guarda a possibilidade do acontecer do vir a ser.

 Gerúndio é uma forma nominal dos verbos e, geralmente, é empregado:

 -Com valor de verbo, nas locuções verbais.

 ESTÁVAMOS SONHANDO COM UM MUNDO MELHOR.

 ESTÁ VINDO UMA FRENTE FRIA.

 -Com valor de nome, usado mais como advérbio de modo:

 O AMIGO ME PROCUROU CHORANDO

 A SAUDADE CHEGOU DOENDO MUITO.

  -Nas orações reduzidas adverbiais e adjetivas:

 ACABANDO O TREINO, SAÍRAM OS ATLETAS.

 EM SE TRATANDO DE AMORES, QUERO TODOS.

 ERA O REPÓRTER ANUNCIANDO A ENTREVISTA.

 Mas gramática à parte, aquilo que nos motivou este texto diz respeito aos dizeres que se propagam nas bocas que significam... E o que quer dizer:

 VAMOS ESTAR PLANEJANDO ou LIGANDO ou FAZENDO?

 Que sentido guarda essa construção com três verbos? Não é possível dizer apenas:

 ESTAREMOS PLANEJANDO, LIGANDO OU FAZENDO?

 É aí, leitor, que vale apena pensar... Esse estilo de dizer (se é que se pode chamar de estilo) guarda em seu interior a possibilidade do acontecer.

 Quando se diz: vamos estar ligando, é quase certo que ligaremos, tem a intenção de ligar.

 Quando se diz: estaremos ligando... A certeza é imediata e tem-se a impressão que a ação também será, então é mais comprometedor e deixa o interlocutor mais certo do que vai acontecer. Na primeira opção, tem-se que o fato ocorrerá possivelmente e aplaca a ansiedade a respeito do que acontecerá.

 É a típica linguagem de telemarketing que oferece trabalhos ou produtos e que necessita de um discurso vazio de certeza, mas que a aparenta.

 Eu, hein, em que mundo vivemos?

 Inventamos verdades ou quase verdades e jeito de dizê-las...

 Agora quando as escrevemos...

 É ARMADILHA NA CERTA.



10 Outubro 2017 16:32:00

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Quantos encontros a vida nos oferece?

As muitas oportunidades encontram, no encontro, os desencontros dos homens.

E é na linguagem que os maiores, melhores e/ ou piores encontros se fazem.

Assim como os desencontros, filhos dos azares ou desvios do destino.

É nesse contexto encontrado ou desencontrado que os discursos vão se enredando e mostrando seus significados.

Tudo isso é para falar do AO ENCONTRO que significa ir a favor, estar de acordo.

 E DE ENCONTRO que significa chocar-se, ir contra.

Então nosso interesse é ir de encontro às expectativas dos clientes? NÃO.

Nosso interesse é ir ao encontro às expectativas.

A diferença de sentido pode dificultar o entendimento daquilo que queremos dizer.

Então, DE ENCONTRO é ir contra algo e AO ENCONTRO é concordar com alguma coisa.

A ideia é essa, ir ao encontro das suas dúvidas, leitor, e impedir que dê de encontro com as ciladas da língua.

Já caiu na armadilha do encontro?



04 Outubro 2017 08:37:06
Autor: Katia Zilio

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Essa é uma conversa entre eu e você... Eu e você? O que é isso?

"Entre" é preposição e de acordo com a norma (não a Norma, prima da Lúcia), mas a regra que nos diz que quando do uso dela (a preposição) necessitamos da forma oblíqua e não da reta para compor o enunciado.

Que complicação entre mim e você, não? Não! É assim: Depende de mim e não "de eu". Quem estabelece essa combinação é a preposição "de".

É por isso que existem construções assim: Esse pacote é para mim abrir. Ora se a preposição determina o uso de EU ou MIM acreditamos ter feito a escolha correta quando optamos por "mim". Ledo engano: após o mim há um verbo que se constitui num vocábulo mais expressivo do que a preposição. Então: Esse pacote é para eu abrir. O livro é para eu ler. O casaco é para eu vestir.

Mas: O livro é para mim?

 Esse pacote é para mim?

 O casaco é para mim?

Na ausência do verbo, chega aí a preposição mostrando sua autoridade e convidando o MIM para se fazer presente.

Entre mim e você há a língua viva e perspicaz, nunca o erro inútil e preconceituoso.

Então MIM e EU concorrem com verbo e preposição nas frases que eu faço para ti e tu o fazes para mim!

E a armadilha? Caiu?



26 Setembro 2017 11:44:00
Autor: Katia Zilio

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Hoje, leitor, não quero falar de regras e dar-me-ei o direito de dizer, dizer e dizer.

Quem é essa língua a quem devemos tanto?

Devemos, pois, a nossa identidade às palavras que usamos.

O jeito que dizemos, aquilo que dizemos faz parte do aglomerado de certezas e incertezas das quais fazemos parte.

Explico: para sermos o que somos usamos a língua, essa linguagem nos torna sujeito dos dizeres... E achamos que quando o dizemos, estamos dizendo por nós mesmos...

Quem dera, somos repetidores dos discursos que nos atravessam e nos constituem... Alguém já disse e, por isso, faz sentido e nós nos apropriamos disso para que também possamos dizer e significar.

Nem sempre dizemos aquilo que queremos. As convenções nos obrigam a pensar e repensar aquilo que pretendemos dizer. As verdades (nunca o são) não podem ser ditas de qualquer forma e isso é nos ensinado logo que compreendemos os ditames sociais.

Como dizer àquela tia que nos aperta as bochechas que não gostamos desse comportamento?

De que maneira podemos falar que alguém está feio ou desajeitado com tal roupa?

A sinceridade infantil (aquela que todos já vivenciaram) é censurada até que aprendemos a dizer diferente, ou não dizer, ou ainda... mentir.

É, mentir faz parte do código de aceite social.

A língua nos permite dizer, mas igualmente permite calar ou dizer de outra forma para que o convívio social não seja abalado ou o seja o menos possível.

As armadilhas não são só da língua, elas existem em outros encontros e desencontros sociais que, às vezes, fazem-nos refletir:

Quem sou eu e o que quero realmente dizer faz sentido para quem?

Essa pode ser a pior das ARMADILHAS DA LÍNGUA: A DO DIZER OU A DO CALAR.

E você, leitor, por qual delas pretende lutar?



19 Setembro 2017 14:13:00
Autor: Katia Zilio

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Nossa, parece música portuguesa, aquela do Leoberto Leal (será ele?): vira, vira, vira....

Mas é isto mesmo, leitor: o verbo ver numa certa conjugação (mais precisamente no Presente do Subjuntivo) será conjugado assim:

Quando eu vir você.

E não:

Quando eu ver você.

Nesse tempo, o verbo adquire formas parecidas com o infinitivo:

Quando eu falar...

Quando eu escrever...

Quando eu dormir...

No entanto, o verbo ver e seus derivados (prever, rever, entrever e antever), no Futuro do Subjuntivo, apresentam-se desta forma:

Vir

Vires

Vir

Virmos

Virdes

Virem

Nessa conjugação, perceba, leitor, a forma vires e virem que é homônima (igual) a do verbo virar, mas em tempo verbal distinto - Presente do Subjuntivo.

Vire

Vires

Vire

Viremos

Vireis

Virem

Já o verbo vir e seus derivados (intervir, advir, convir, etc.) é conjugado também no Futuro do Subjuntivo de forma peculiar:

Vier

Vieres

Vier

Viermos

Vierdes

Vierem

Então dizemos:

Quando ele vier a minha casa, será uma boa visita (e não, ele vir).

Quando eu vir você amanhã, ficarei feliz (e não, quando eu ver).

Por que confundimos?

Porque, pela lógica dos verbos regulares, nesse tempo (Futuro do Subjuntivo) é comum o estabelecimento da conjugação usando como parâmetro o infinitivo do próprio verbo, isto é: ar, er, ir.

Nos verbos como ver e vir essa analogia não funciona, pois não são considerados regulares.

Por isso é comum ouvirmos:

Quando eu te ver na rua, cumprimentarei com um sorriso (seria vir).

Quando você vir à festa verá a animação da turma (seria vier).

Portanto:

Quando vir a coluna, leia, pois quando vier a dúvida...



13 Setembro 2017 08:36:07
Autor: Katia Zilio

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Hoje nos deparamos com a expressão TIPO ASSIM já popularizada e divulgada em diversas camadas sociais e adotada por todos (quase todos) como um bordão. Mas o que ela significa realmente? No dicionário oficial ela ainda não está descrita, mas a internet já possui significado ou explicação para TIPO ASSIM. Diz o dicionário informal:

"Expressão utilizada quando se tenta conseguir tempo para raciocinar, montar um pensamento ou mesmo concluir o pensamento, para depois falar."http://www.dicionarioinformal.com.br/tipo%20assim/

Esse dicionário assinala que essa expressão também é utilizada quando não dominamos o assunto que vamos falar, caracterizando uma enrolação, embromação.

Talvez, leitor, você já tenha falado um TIPO ASSIM em alguma oportunidade, ou seja fã de carteirinha dessa expressão, utilizando-se dela em muitas ocasiões durante a sua explanação. Quero ressaltar aqui o quanto essas expressões são contagiosas e como "pegam" na linguagem cotidiana. Às vezes, fica difícil se livrar delas. Você deve se lembrar de uma personagem de Heloísa Perissé, a Tati, uma adolescente, que popularizou essa expressão, em programa de humor da Rede Globo.

Sou, é verdade, uma aficionada por linguagem, mas, às vezes, tenho que reconhecer que só isso não convence o aluno a refletir sobre a língua que fala e a que ouve. E a popularização de uma expressão é a prova de que carecemos de um vocabulário mais efetivo.

A TV colabora com a expansão de falácias que domesticam e uniformizam os falares, a internet, hoje, também age na linguagem e, por isso, ler constantemente pode ajudar a não ser refém de palavras ou expressões que pouco ou nada dizem.

É tipo assim

Eu tipo assim acho que

Ela é tipo

Então tipo assim

É uma amostra do que se pratica com a expressão aqui abordada.

Ler Armadilha da Língua é, tipo assim, um caminho para, tipo assim, conseguir, tipo, um jeito de, tipo assim, pensar a linguagem.

TIPO ASSIM, entendeu?



30 Agosto 2017 08:55:18
Autor: Katia Zilio

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 A reforma ortográfica teve o objetivo de unificar a ortografia dos países que falam a Língua Portuguesa: Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissau, São Tomé Príncipe, Timor Leste, Brasil e Portugal.

 O acordo ortográfico modificou em torno de 0,45% das palavras, já em Portugal houve mudança em 1,6% das palavras. A modificação ortográfica não é suficiente para unificar a língua desses países. Há diferenças semânticas e sintáticas que transcendem a ortografia.

O uso do hífen, com a reforma ortográfica, apresentou poucas modificações...

Lembremos que com:

Pós, pré e pró (monossílabos tônicos) há sempre hífen.

 Pré-escola, pró-reitor, pós-graduação.

Os demais casos são escritos sem hífen: predeterminar, preexistir, preestabelecer (e derivados).

Além, aquém, ex, recém, sem, soto e vice há sempre hífen.

 Além-túmulo, ex-aluno, recém-nascido, sem-número, vice-prefeito.

Não se usa mais hífen nas palavras compostas que deixam de ser compostas (hoje a regra não dá conta desse item).

Como: mandachuva, parabrisa, paraquedas.

Como saber? Seria bom consultar dicionário.

Há palavras que apresentam uma grafia no Brasil e outra em Portugal. É o que chamamos de dupla grafia. Um exemplo disso:

Fêmur e fémur

Pônei e pónei

Fato e facto

Matinê e matiné

Gênio e génio

A segunda palavra apresentada acima é sempre a possibilidade de Portugal.

Pensando que Armadilha pode ser em qualquer língua, o génio da matiné é facto que se explica em Português (do Brasil ou de Portugal).



22 Agosto 2017 09:00:45
Autor: Katia Zilio

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O que origina este texto, hoje, já repetindo um tema anterior, é a dúvida de um leitor acerca do uso do LHE.

Cabe então um retorno ao assunto, visto que os exemplos convidam à reflexão. Vamos lá:

Caro leitor, no exemplo:

 (...) os invejosos lhe veem como uma" coisa" pode lhe ajudar a se desligar (...),

 As duas manifestações do pronome oblíquo LHE contrariam as normas gramaticais (mas é claro, não impedem o entendimento do texto), pois o verbo VER pede objeto direto e o pronome LHE sempre guarda em si uma preposição (equivale a A VOCÊ). Quem vê, vê alguma coisa e não a alguma coisa. Assim também o verbo ajudar: pode ajudá-lo (la), ou pode o/a ajudar. Há que se utilizar de pronome oblíquo que corresponda a objeto direto.

Os pronomes oblíquos O, A, LO, LA, NO, NA, seguidos ou não de S são considerados objetos diretos, isto é, não se apresentam com uso de preposição.

 O pronome LHE (s) é considerado objeto indireto, pois equivale, como já dissemos, a A VOCÊ.

Então:

Ofereceu-lhe (a ele) um jantar.

Ofereceu-o (um jantar) a ele.

Ou ainda,

Ofereceu-lhe.

  Mas isso já é assunto para outro texto...

Já os pronomes ME, TE, SE, NOS, VOS podem exercer tanto a função de objeto direto quanto de objeto indireto. Por isso:

Ela nos indicou o caminho.

Ela indicou o caminho a nós.

Ela nos levou às compras.

Ela levou nós às compras. (Essa forma só é utilizada na língua informal).

Ele te levou para casa.

Ele levou tu para casa. (Combinação realizada em algumas regiões do Brasil).

Eu te dei esse presente.

Eu dei para ti esse presente.

Quanto ao uso de LHE ou TE que foi um dos questionamentos do leitor, entende-se que o pronome TE e o uso da 2º pessoa aproxima, demonstra maior intimidade. Já o uso da 3º pessoa e do LHE indica maior formalidade (usa-se o LHE se o verbo admitir preposição).

A língua portuguesa falada em Portugal é, sem dúvida, mais formal do que o português falado aqui no Brasil, mas ambas propiciam nossa interação com o outro e com o mundo.

E aí, a armadilha? Caiu-lhe como uma luva?

(Caso outros leitores tenham dúvida sobre alguma questão pertinente à língua o nosso e-mail katiazilio@bol.com.br está à disposição)



22 Agosto 2017 09:00:00
Autor: Katia Zilio

O que origina este texto, hoje, já repetindo um tema anterior, é a dúvida de um leitor acerca do uso do LHE.

Cabe então um retorno ao assunto, visto que os exemplos convidam à reflexão. Vamos lá:

Caro leitor, no exemplo:

 (...) os invejosos lhe veem como uma" coisa" pode lhe ajudar a se desligar (...),

 As duas manifestações do pronome oblíquo LHE contrariam as normas gramaticais (mas é claro, não impedem o entendimento do texto), pois o verbo VER pede objeto direto e o pronome LHE sempre guarda em si uma preposição (equivale a A VOCÊ). Quem vê, vê alguma coisa e não a alguma coisa. Assim também o verbo ajudar: pode ajudá-lo (la), ou pode o/a ajudar. Há que se utilizar de pronome oblíquo que corresponda a objeto direto.

Os pronomes oblíquos O, A, LO, LA, NO, NA, seguidos ou não de S são considerados objetos diretos, isto é, não se apresentam com uso de preposição.

 O pronome LHE (s) é considerado objeto indireto, pois equivale, como já dissemos, a A VOCÊ.

Então:

Ofereceu-lhe (a ele) um jantar.

Ofereceu-o (um jantar) a ele.

Ou ainda,

Ofereceu-lhe.

  Mas isso já é assunto para outro texto...

Já os pronomes ME, TE, SE, NOS, VOS podem exercer tanto a função de objeto direto quanto de objeto indireto. Por isso:

Ela nos indicou o caminho.

Ela indicou o caminho a nós.

Ela nos levou às compras.

Ela levou nós às compras. (Essa forma só é utilizada na língua informal).

Ele te levou para casa.

Ele levou tu para casa. (Combinação realizada em algumas regiões do Brasil).

Eu te dei esse presente.

Eu dei para ti esse presente.

Quanto ao uso de LHE ou TE que foi um dos questionamentos do leitor, entende-se que o pronome TE e o uso da 2º pessoa aproxima, demonstra maior intimidade. Já o uso da 3º pessoa e do LHE indica maior formalidade (usa-se o LHE se o verbo admitir preposição).

A língua portuguesa falada em Portugal é, sem dúvida, mais formal do que o português falado aqui no Brasil, mas ambas propiciam nossa interação com o outro e com o mundo.

E aí, a armadilha? Caiu-lhe como uma luva?

(Caso outros leitores tenham dúvida sobre alguma questão pertinente à língua o nosso e-mail katiazilio@bol.com.br está à disposição)



01 Agosto 2017 10:31:50
Autor: Katia Zilio

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O título deste texto, leitor, anuncia como a língua é cheia de atrevimentos. Podemos usar o exemplo do título para pensarmos sobre advérbios e sua escrita. Entre eles, aí vai:

ABAIXO

DEBAIXO

EMBAIXO

POR BAIXO

Segue, então, um contexto para cada palavra:

O barco seguia rio abaixo.

Escondia a poeira debaixo do tapete.

Durante o jantar, observava o cachorro que estava embaixo da mesa.

Fazia trabalhos ilícitos e, por baixo dos panos, previa o futuro do cliente.

Para usar ABAIXO separando o A só em casos mais raros:

A parede rachou de alto a baixo.

Isso também se aplica com a palavra debaixo:

Pintou a casa de baixo para cima.

O EM também pode ser deslocado:

João vive em baixo astral crônico.

Mas não é só o vocábulo BAIXO que apresenta essas particularidades. Observe as palavras:

ACIMA

DE CIMA

EM CIMA

POR CIMA

Navegava rio acima todo dia.

Olhava o homem de cima do prédio com olhos de predador.

Largou o objeto em cima do balcão.

Passou por cima de tudo para que eles se reconciliassem.

A ortografia que nos perdoe, mas a confusão é geral...

Já pensamos muitas vezes por que tudo é tão complicado, no entanto cabe dizer que de cima, acima ou em cima nem sempre fica por cima.

É embaixo do por baixo que abaixo o debaixo.

 Entendeu, leitor?

Nem eu...

E dá-lhe armadilha.



18 Julho 2017 08:52:20
Autor: Katia Zilio

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Gostaria de propor, nesse texto, leitor, um jogo de fonemas. Sei bem eu e o leitor também que retratar os fonemas aqui pode parecer tarefa estranha, no entanto iremos abordar o plural metafônico.

Algumas palavras do gênero masculino apresentam na sílaba tônica o fonema /o/ com timbre fechado (ô) no singular e, no plural, esse fonema sofre mudança de timbre tornando-se aberto (ó). Plural metafônico é isso.

Falei em jogo e o que fiz até agora parece aula de português...

Proponho a você, leitor, ler as palavras abaixo e observar em quais delas há o plural metafônico:

AEROPORTO   BOLO

CAROÇO          BOLSO

FOGO               COLOSSO

ESFORÇO        DORSO

FOSSO            ENCOSTO

IMPOSTO        REPOLHO

Se você, leitor, fez o plural da primeira coluna com timbre aberto: FOGOS (FÓ); e a segunda com timbre fechado: COLOSSOS (LÔ)...

Você acertou!

É claro que nem sempre ouvimos o plural metafônico (na escrita ele inexiste). Cabe, leitor, pensar que marcamos na fala o plural de tal forma que possamos ser compreendidos.

Mas reflitamos...

Qual a regra do plural metafônico?

As gramáticas só o apontam ...

A proposta abaixo é ler, em voz alta, no plural, observando o plural metafônico ou não...

NO AEROPORTO, O CORPO... (Ô)

ADORNO CAOLHO (Ô)

COLOSSO DO DORSO (Ô) TORTO (Ó)

ESGOTO DO GOZO DO GOSTO (Ô)

FOSSO (Ó)

CORVO DO POVO (Ó)

REFORÇO DO ESFORÇO (Ó)

ARROTO, ALVOROÇO (Ô)

O JOGO? (Ó)

JOGUEI, PERDI

O OSSO? (Ó)

LOGRO DO QUE VI?(Ô)

E OS ESFORÇOS

VALERAM OS GOSTOS?

ARMADILHA POSTA...



04 Julho 2017 16:50:55
Autor: Katia Zilio

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As competições sempre suscitam o sentimento de competição e vitória. Nada é tão saboroso quanto saber que somos campeões. Isso pode se dar a partir de satisfação pelo feito realizado, como também pelo reconhecimento. Desejados e almejados, frutos de lutas e competições um troféu sempre guarda a glória do vitorioso é a representação da vitória em algum evento de caráter competitivo.

Os troféus têm sua origem na conquista de um objeto de um adversário, A palavra "troféu" vem do grego tropaion e seu significado era associado ao ritual de premiação da vitória de algum feito. Hoje ainda podemos atribuir o sentido de mudança, transformação.

E é isso que a prata recebida no último sábado representa: vitória, transformação, pois pensar um jornal moderno, dinâmico e que atenda às expectativas de um leitor, cada dia mais exigente, não é fácil em tempos de informação veloz e virtual. A confiança na equipe e os desafios que se impuseram pelo caminho foram, certamente, o que motivou essa trupe de artistas, atletas e principalmente sonhadores...,,

Sim, é preciso sonhar com a vitória, é preciso querê-la...

Em muitas oportunidades o que realizamos é vitorioso dentre outros que também o fizeram, aí vale a pena...

Vale sempre a pena, não é A SEMANA?

Em tempos de prêmio ADJORI, saborear vitória com a pena de prata é uma realização de poucos. Competição acirrada e qualidade em jornal, fez nossos atletas/artistas/sonhadores suarem durante o ano de 2016. Colheitas feitas: a PRATA é nossa!



06 Junho 2017 15:53:28
Autor: Katia Zilio

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A língua é um paraíso a ser decifrado... Convencer os falantes de que o idioma que falamos não é difícil é sempre difícil (a repetição é proposital).

O dizer (seja ele escrito ou oralizado) esconde e mostra, ao mesmo tempo, de que são feitas as palavras: de dizeres outros que já foram ditos e que já fizeram sentido em outro texto, num determinado momento, por este ou aquele falante.

Nas construções textuais orais não percebemos a diferença entre A e HÁ, mas quando escrevemos...

O uso de HÁ indica (entre outras coisas a que já me referi em outro texto) tempo decorrido e pode ser substituído por FAZ.

CHEGUEI HÁ (faz) POUCO DE SÃO PAULO.

ESTIVE EM RIBEIRÃO PRETO HÁ (faz) MUITO TEMPO.

ESTE CHEQUE FOI DESCONTADO HÁ (faz) DOIS DIAS.

ISSO ACONTECEU HÁ (faz) CERCA DE TRÊS ANOS.

Em todos os casos, o uso do verbo fazer com sentido de tempo decorrido é possível.

É sempre bom pensar que quando usamos o verbo haver com o sentido de tempo decorrido não é necessária a palavra atrás, apesar de comum entre muitos por aí.

Então em: "Há muito tempo atrás"..., pode-se suprimir o vocábulo "atrás", visto que o "Há" já indica tempo decorrido.

O uso do A preposição não possibilita essa substituição.

O TREM SAIRÁ DAQUI A POUCO.

CAMPINAS FICA A UMA HORA DE SÃO PAULO.

ESTAMOS A DOIS MINUTOS DO ENCERRAMENTO DA PARTIDA.

AS FÉRIAS COMEÇARÃO A 20 DE MAIO.

A 200 METROS HÁ RESTAURANTE.

Diz-se que HÁ indica passado (tempo que já se foi) e A, o futuro, o que está por vir.

Há algum tempo caio na armadilha.

 Se não caiu...

 Está a pouco de cair...



02 Maio 2017 14:13:15
Autor: Katia Zilio

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O texto que você vai ler agora, leitor, nasce de um pedido: entender o uso do gerúndio!

O gerúndio é uma das formas verbais usadas para indicar ação em processo, com certa duração. O gerúndio, o particípio e o infinitivo são chamados de formas nominais porque podem desempenhar funções típicas de adjetivos, substantivos e advérbios e dependem principalmente do contexto pra comunicarem o que desejam ou ensejam.

Talvez pelos motivos descritos acima, é que o gerúndio tem se tornado tão popular entre nós. Exagerar no uso da forma gerúndio pode comprometer textos sérios...

Compreendendo desse modo, o problema vai se constituindo numa perspectiva mais clara, ficando, portanto, mais objetivo.

Percebeu o exagero, leitor? Essas construções podem acontecer principalmente com a escrita de textos acadêmicos que, às vezes, numa tentativa de impessoalizar evitam o uso do sujeito na frase.

Há também uma proliferação da linguagem chamada "de telemarketing", que popularizou o excesso de gerúndio. Quem já não se deparou com construções assim:

Vamos estar remetendo o documento amanhã.

A intenção de remeter confunde-se com o futuro que é um tempo o qual o gerúndio não indica. O que é condenado, em muitos casos, é o exagero, pois usar o gerúndio não é proibido. Como tudo na vida, o uso indiscriminado é que prejudica. Em muitas situações, é uma forma polida de dizer que não se vai realizar tal coisa: Vamos estar tentando resolver (já viu disso?).

Então haverá tentativa de resolver (ou não), mas a linguagem quer fazer pensar que isso vai acontecer.

 De acordo com as gramáticas o gerúndio indica uma ação prolongada ou em curso.

O professor está aprimorando os conhecimentos constantemente. (ação prolongada)

Calma, estamos conversando ao telefone agora. (processo em curso)

O gerúndio pode, ainda, exprimir passado quando vai apresentar um processo já concluído durante a conversação e/ou a escrita.

Tendo terminado a leitura, tentou dormir.

E você, leitor, vai estar lendo a coluna e vai estar caindo na armadilha?

Podendo cair... Seja bem vindo.



25 Abril 2017 13:24:00
Autor: Katia Zilio

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Muito se tem questionado acerca do uso dos demonstrativos ESTE/ESSE quando da escrita do texto. A utilização desses pronomes (DESSES por quê? - explicarei ao término do texto) contribuem para o estabelecimento de relações espaciais, temporais ou textuais.

 Vamos a cada uma delas para melhor compreender o uso dos vocábulos chamados

Pronomes Demonstrativos:

Espacial
Indica proximidade entre aquilo que determinam e a pessoa que fala.

ESTA MINHA ATITUDE É BENÉFICA A TODOS.
ESTE QUARTO ONDE ESTOU ESTÁ ABAFADO.

Cada oração acima usa o pronome este (a) para indicar proximidade do objeto com quem está falando, que é a primeira pessoa.
Quando indica a proximidade com a segunda pessoa, a que ouve, usa-se:

ESSE RELATÓRIO AINDA ESTÁ COM VOCÊ?
COMO ESTÁ A TEMPERATURA NESSA SALA ONDE VOCÊ ESTÁ?

Na indicação de distância da primeira e segunda pessoas, usa-se:

AQUELE RELATÓRIO JÁ FOI ENTREGUE?

Usualmente os pronomes AQUELE, AQUELA E AQUILO e suas variações de número não causam estranheza cotidianamente.

Temporal
Com relação ao tempo, utiliza-se ESTE para indicar tempo presente ou futuro.

A HORA DE RECLAMAR NÃO É ESTA.
ESTA NOITE IREI AO CINEMA.

O ESSE indica um tempo não muito próximo do momento em que se fala.

NESSA SEMANA PASSADA FUI ATÉ O RIO DE JANEIRO.

Ou para indicar algo que se deseja distância.

NÃO QUERO NEM PENSAR NISSO.

Textual
Tomando como referência o texto escrito, a situação também é distinta: 
ESTE anuncia uma informação para depois desenvolvê-la.

MEU MAIOR PROBLEMA É ESTE: FALTA DE TEMPO.

ESSE retoma algo que já foi mencionado.

TEMPO? ESSE É O MEU GRANDE PROBLEMA.
TER VOCÊ COMIGO: ESSE É O MEU MAIOR DESEJO.

Então voltemos ao início do texto: O USO DESSES PRONOMES... justifica-se o uso de (d) ESSES por já terem sido mencionados os pronomes. Quando retomados cabe a utilização de ESSE, ESSA e ISSO.

Caiu nessa armadilha?
 


25 Abril 2017 11:24:49
Autor: Katia Zilio

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Muito se tem questionado acerca do uso dos demonstrativos ESTE/ESSE quando da escrita do texto. A utilização desses pronomes (DESSES por quê? - explicarei ao término do texto) contribuem para o estabelecimento de relações espaciais, temporais ou textuais.

 Vamos a cada uma delas para melhor compreender o uso dos vocábulos chamados

Pronomes Demonstrativos:

Espacial
Indica proximidade entre aquilo que determinam e a pessoa que fala.

ESTA MINHA ATITUDE É BENÉFICA A TODOS.
ESTE QUARTO ONDE ESTOU ESTÁ ABAFADO.

Cada oração acima usa o pronome este (a) para indicar proximidade do objeto com quem está falando, que é a primeira pessoa.
Quando indica a proximidade com a segunda pessoa, a que ouve, usa-se:

ESSE RELATÓRIO AINDA ESTÁ COM VOCÊ?
COMO ESTÁ A TEMPERATURA NESSA SALA ONDE VOCÊ ESTÁ?

Na indicação de distância da primeira e segunda pessoas, usa-se:

AQUELE RELATÓRIO JÁ FOI ENTREGUE?

Usualmente os pronomes AQUELE, AQUELA E AQUILO e suas variações de número não causam estranheza cotidianamente.

Temporal
Com relação ao tempo, utiliza-se ESTE para indicar tempo presente ou futuro.

A HORA DE RECLAMAR NÃO É ESTA.
ESTA NOITE IREI AO CINEMA.

O ESSE indica um tempo não muito próximo do momento em que se fala.

NESSA SEMANA PASSADA FUI ATÉ O RIO DE JANEIRO.

Ou para indicar algo que se deseja distância.

NÃO QUERO NEM PENSAR NISSO.

Textual
Tomando como referência o texto escrito, a situação também é distinta: 
ESTE anuncia uma informação para depois desenvolvê-la.

MEU MAIOR PROBLEMA É ESTE: FALTA DE TEMPO.

ESSE retoma algo que já foi mencionado.

TEMPO? ESSE É O MEU GRANDE PROBLEMA.
TER VOCÊ COMIGO: ESSE É O MEU MAIOR DESEJO.

Então voltemos ao início do texto: O USO DESSES PRONOMES... justifica-se o uso de (d) ESSES por já terem sido mencionados os pronomes. Quando retomados cabe a utilização de ESSE, ESSA e ISSO.

Caiu nessa armadilha?
 


18 Abril 2017 10:42:22
Autor: Katia Zilio

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Na Bíblia, João capítulo I, versículo 1 a 5 já mencionava que no princípio era o Verbo e ele se fez carne e habitou entre nós...

E "ponhou" a fé... Ponhou - vou ponhar - ponhei são conjugações verbais que, às vezes, ouvimos por aí (e lemos também).

O verbo PÔR - que não se fez carne, mas habita entre nós - estabelece uma conjugação um pouco diferente de outros verbos exatamente por que sua terminação não é AR - (primeira conjugação) e sim OR - historicamente ele seria POER, por isso se diz que ele pertence à segunda conjugação assim como vender e escrever.

No entanto, ele se estrutura de forma única e PONHO, PÕE, PUS, PÔS, PUNHA, POREI, PORIA são variações dos tempos verbais a que esse verbo se submete.

Eu ponho a toalha na mesa.

Ele põe...

Eu pus (não é a secreção amarela) não ponhei. Essa variação só existe popularmente.

Ele pôs...

Eu punha (não punho de camisa).

Eu porei ou poria, cada qual do jeito que se escreveria.

Na nossa região é comum ouvirmos variações do verbo PÔR, a começar por alcunhá-lo de PONHAR.

No pretérito perfeito (ou passado) frases como: já ponhei a panela no fogo (gramaticalmente seria PUS) são ícones de diálogos vivos e impertinentes.

No futuro, temos o hábito de usar um verbo auxiliar: vou amar, vou escrever, vou dormir. E, quanto ao verbo PÔR, quantos leitores já não devem ter ouvido vou ponhar.

Saiba, leitor, que a língua é organismo vivo e, já dissemos aqui, se a comunicação se deu... Houve sucesso.

É claro que, na dúvida, o verbo que atua como coringa e é difícil que dele não saibamos alguma conjugação é o COLOCAR. Esse é sempre fácil de usar e difícil de errar (erro aqui, constituído no aspecto gramatical).

Eu pus a armadilha. Você a transpôs? A ela se opôs? Com ela compôs o que desejaria dizer?

Cabe lembrar que os verbos derivados de PÔR - opor - compor - repor - transpor, etc, são conjugados como ele: o PÔR.



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