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ARMADILHA DA LÍNGUA
26 Março 2019 11:01:00
Autor: Katia Zilio

Ao pensar sobre o tema do texto desta semana, deparei-me com o termo Deu branco.


(Foto: Divulgação) 

Tão comum para alunos, pois é uma desculpa clássica quando não se consegue realizar uma avaliação com bons resultados, o famoso Deu branco também circula entre as conversas por aí. 

É possível ouvir a expressão em caso de embriaguez, não lucidez, como na música de Fernando e Sorocaba:  

Deu branco que eu tava namorando

Peraí, amor, tô sarando

Nunca mais eu vou beber

Deu branco que eu tava namorando

Peraí, amor, tô lembrando

Que eu tô junto com você

O famoso 'deu branco' é um esquecimento repentino que, diferente daquele descrito na música, acontece diante de situações que geram medo como provas, vestibulares ou concursos

As experiências ruins já vivenciadas geram medo, ansiedade e aumentam as chances de ocorrência do "branco".

Como é possível amenizar essa situação?

É importante controlar a ansiedade, alimentar-se bem, dormir bem...

Além disso, exercícios de respiração auxiliam a controlar a ansiedade e estimular o cérebro para a concentração.

Não existe receita, mas quando der branco, pinte da cor que pode ajudar a sermos mais felizes e seguros de que temos fragilidades e precisamos enfrentá-las.

A Armadilha quer o mundo colorido... Se der branco, pinte. Se pintar medo, encare a vida e concentre-se para dar o seu melhor. Enfim, sejamos felizes, independentemente da cor que nos acolhe ou nos impede... Sejamos servis às cores da vida.



19 Março 2019 13:42:00

Sabe, leitor, às vezes, pensamos que podemos não ser justos conosco mesmos e com os outros...

Conviver é uma arte. Vivemos e vivemos. A vida nos exige conviver. Não basta apenas viver.


(Imagem: Divulgação) 

Não é fácil conviver com aqueles que não têm os mesmos interesses que os nossos. O diferente nos atinge pela diferença nossa. Vemos no outro nossa própria (im)possibilidade de conviver.

Conviver, aceitar, permitir a aproximação é uma forma de exercer a empatia que é a habilidade de se colocar no lugar do outro tentando compreender seus sentimentos, desejos e ações.

Mas isso não é fácil, por isso a escola se manifesta como um dos lugares para que possamos, desde cedo, conviver e respeitar os outros, principalmente aqueles que nos são estranhos.

Isso é um aprendizado constante e trabalhoso. Não se aprende a respeitar somente na teoria. É necessário que muitas situações sejam vivenciadas para que possamos exercer a empatia. Mostrar nosso lado mais humano do que animal requer prática e vivências de experiência. Sim, é preciso experimentar, discutir, observar e, acima de tudo, aceitar que somos todos humanos, mas somos diferentes e isso nos deixa ainda mais interessantes.

Assegurar a boa convivência nos ambientes de trabalho, escola e também na família é um movimento que exige esforço de todos. É necessário que todos nós nos empenhemos para garantir que todos que estão no mundo possam viver. 

O estabelecimento da empatia não é natural a muitas pessoas...

 A Armadilha da Língua quer exercer a empatia com a língua e com os sujeitos que se esforçam para CONviver. Todos, a partir da língua, podem conviver e viver melhor. As palavras, combinadas, mostram o desejo da empatia. Sejamos mais humanos...

 Respeito ao outro é um incrível movimento de CONviver. Estamos precisando, não é mesmo?



OPINIÃO
13 Março 2019 16:46:00


(Foto: Divulgação) /

Depois do carnaval dizemos que é tempo de Quaresma.

Mas o que isso significa?

Separemos, pois, o significado do sentido cristão:

Quaresma é um substantivo feminino que se refere a um período de quarenta dias depois da quarta-feira de cinzas. O tempo de quaresma termina na quinta-feira santa.

Para algumas religiões, é tempo de penitência e preparação para a ressurreição de Cristo.

Na botânica, chamam-se Flor da quaresma as árvores e arbustos pertencentes à família da melastomatáceas por apresentarem flores roxas. Por isso que, durante a Quaresma, a Igreja veste seus ministros com vestimentas de cor roxa, que simboliza tristeza e dor.

A Quaresma é uma prática presente na vida dos cristãos desde o século IV e remete aos 40 dias que Jesus passou no deserto, além de lembrar seu sofrimento na cruz.

Mas e o título do texto, Quaresmar, de onde vem?

Do próprio substantivo quaresma, deriva o verbo Quaresmar que tem o sentido de observar os preceitos da Igreja relativos à quaresma, especialmente os jejuns e abstinência de carne.

Quaresmar hoje, é mais do que jejum e abstinência de carne ou comida e bebida.

É importante em tempos de fome refletir a Quaresma como um momento de olhar para o outro e ressignificar nossa presença na terra. 

Quaresmar é hoje o ato de viver a dor de muitos e lutar para sermos dignos não só da Páscoa de Cristo, mas também da Páscoa do renascer da caridade, da humildade, da fraternidade.

A Armadilha convida você, leitor, para quaresmar...

Quaresmando talvez consigamos, com a língua e a partir dela, conviver melhor...

Afinal, a Páscoa não é momento de renascimento?

Renasçamos todos pela Quaresma... Sem armadilhas, mas usando a língua... A boa língua!

  



OPINIÃO
06 Março 2019 09:45:00


(Foto: Divulgação) /

Sim, caro, leitor, é tempo de falar disso...

Mulheres e homens povoam o planeta e carecem de refletir sobre seu espaço e seu jeito de ser...

As notícias povoam os jornais: o mundo dos homens é mais violento com as mulheres...

As mortes anunciadas contra as mulheres pelo fato de o serem são denominadas FEMINICÍDIO. As palavras femicídio ou feminicídio podem ser utilizadas, mas a segunda é a que apresenta origem mais erudita...

Essa palavra é composta pelos termos feminino e homicídio... Assim como as palavras infanticídio, fraticídio, matricídio, etc... Os assassinatos parecem ser denominados pela vítima: matar criança, irmão, mãe... 

Alguns podem dizer que Homicídio seria o assassinato de homem, como ser humano... É verdade, no entanto o feminicídio se difere exatamente por caracterizar um ato contra o ser humano por ser mulher. Geralmente é um crime de ódio que atinge as mulheres, já Homicídio" é o termo genérico que designa o crime de assassinato. 

Penso que a morte de uma mulher pelo fato de ser mulher nos incomoda... Para onde caminhamos como humanidade?

O crime aparece como estatística... A mulher assassinada também vira um número diante dos índices cruéis dos crimes contra a vida...

O feminicídio se refere, principalmente a um conjunto de elementos que parecem permitir que o empurrão, o grito, o soco, a ameaça culmine na morte...

Quantas de nós, mulheres, evitamos ruas mais desertas? Quantas de nós fomos ensinadas a não provocarmos o homem?

Quantas ainda são submissas aos namorados, companheiros e maridos em nome de um suposto amor?

Que amor é esse que apaga a individualidade e impede a mulher de ser mulher?

Que amor é esse que prolifera o ódio às mulheres, ou perpetua a crença de que somos inferiores?

Lutar contra o feminicídio é uma luta contra o abandono, contra o silêncio, a negligência, o preconceito...a violência, enfim.

Afinal, erradicar esse tipo de crime cabe à educação de homens e mulheres para que compreendam o que somos na terra e, acima de tudo, que respeitemos o que cada um deseja ser...

O feminicídio é a morte anunciada, previsível de uma mulher, pois nenhum crime contra a mulher acontece sem os anúncios de violência psicológica, física, verbal, de negligência, ou qualquer outra...

Não há mais espaço para a violência na sociedade do século XXI. É necessário ações sérias e importantes para criar e intensificar políticas públicas de valorização da mulher e combate à violência. O apoio às vítimas de violência e a intensificação da canais de denúncia são ações importantes nessa caminhada. 

A Armadilha não é caminho de morte... É caminho de denúncia e reflexão... Ensinemos o respeito a homens e mulheres, Assumamos o risco de ser HUMANO...A língua é caminho para o diálogo e a valorização da vida...

Viver como homem ou como mulher... Viver sem cair nas armadilhas do preconceito.


OPINIÃO
26 Fevereiro 2019 09:49:00




(Imagem: Divulgação) 

O texto de hoje, leitor, quer mostrar um plural não muito comum: Gravidez, gravidezes.

Sim, há plural para a palavra gravidez, assim como capaz, capazes; feliz, felizes; rapaz, rapazes; avestruz, avestruzes; giz, gizes.

As palavras que terminam em Z fazem o plural com o acréscimo em ES.

O título deste texto, no entanto, quer ainda lembrar que rapazes e moças são responsáveis pelas gravidezes. 

Diferente da crença popular que somente a mulher é responsável pelas gravidezes, hoje entendemos que a concepção não é um trabalho solitário.

Cuidar das mulheres, cuidar das meninas a fim de que gravidezes indesejáveis e, principalmente, precoces não sejam mais tão comuns.

Essa é uma luta de todos.

De rapazes responsáveis a homens de responsabilidade.

De gravidezes indesejáveis a mães que se responsabilizam pela missão maternal.

Cada coisa a seu tempo...

O valor do plural é o plural dos valores...

Pensar o plural é também pensar de forma plural e entender rapazes e moças responsáveis pelo plural de si e de gravidezes. 

Na teoria da língua, realizar o plural é mais fácil do que viver muitas gravidezes...

Então pensemos na Armadilha da Língua como um texto capaz de refletir o plural e a condição de ser mãe e pai...

Sem gravidezes precoces...

Mas refletindo a pluralidade das relações...



19 Fevereiro 2019 09:41:00


Bem-vindo 2019! Bem-vindo? Parece que não.

Diante de tantos desalentos deste início de ano: Rompimento da barragem de Brumadinho; As fortes chuvas no Rio de Janeiro ou em Santa Catarina; Meninos do Flamengo mortos em incêndio... Esse começo foi desanimador...

Não foram poucas as notícias que abalaram o país.

Diante desse quadro de tragédias, a proliferação das palavras perda e perca foi intensa. Já abordei essa diferença e retorno ao tema...

Meus olhos e ouvidos presenciaram muitos equívocos nos últimos dias...

Mas como se usa PERDA? E PERCA?

Saiba, leitor que essas palavras não são sinônimas...

O vocábulo PERDA é um substantivo.

É, provavelmente, a que você, leitor, mais usaria:

Foram tantas perdas este ano de 2019.

As perdas humanas são irreparáveis.

O carro deu perda total.

Já o vocábulo PERCA é um verbo:

Não quero que ele perca a esperança.

Desejo que você não se perca pelos caminhos obscuros da vida.

Então quando alguém diz:

Estou com perca de cabelos, quer dizer, na verdade perda de cabelos.

A Armadilha é um ganho... Jamais uma PERDA! 

Queiramos menos perdas... Mais bondade, amor e muita alegria.

Reiniciemos 2019... Vem ano novo... A Armadilha deseja que ninguém perca a esperança.


ARMADILHAS DA LÍNGUA
20 Novembro 2018 17:21:00


(Imagem: Divulgação) /

Em tempos de pressa e rapidez... De comida fast food e trânsito congestionado (mesmo por aqui) de olhares baixos para telas pequenas e coloridas, de relações superficiais e momentâneas (encerradas, às vezes, via whatsApp), há uma corrente ganhando adeptos por todo o mundo que orienta para uma vida mais simples.

Não estou falando da simplicidade por falta ou precariedade, mas sim aquele por escolha... Pensar em economizar o planeta, em reutilizar e em curtir os momentos são práticas que, cada vez mais, vemos incluídas nos textos publicitários que querem nos vender viagens, carros e produtos que nos deixariam com mais tempo para curtir as coisas boas da vida (segundo a publicidade).

Nesses tempos de reutilizar, não é difícil conversarmos com alguém que já fez algum objeto ou reforma baseado em vídeos e dicas da internet. A popularização do "faça você mesmo" ganhou status de ser simples e econômico, mesmo que não o seja.

O prefixo latino RE cabe bem nessa nossa conversa: 

Reinventar reerguer repaginar

Reabastecer reestruturar repensar

Reapresentar reaver rebuscar

Ressignificar reidratar retornar

Reequilibrar rever reiniciar

Esse prefixo indica a ação de repetição ou retroativa (ainda com RE, percebeu, leitor?).

Nessa onda, muitas vezes nos sentimos como peixe fora d'água... 

Como assim me reinventar? Como assim ressignificar a minha vida? 

E de RE em RE vamos fazendo aquilo que a sociedade nos impõe como verdade.

Já não somos nós. Somo nossa reinvenção, repaginada, reidratada, ressignificada, revista, repensada... Enfim, um novo EU que não é novo, mas que se apresenta entre os Res de repetição...

A Armadilha significa, inventa, busca, vê pensa... A Armadilha também é RE: ressignifica, reinventa rebusca, revê, repensa, Mas, acima de tudo, a Armadilha REencontra na língua o dizer e o discurso...




ARMADILHAS DALÍNGUA
06 Novembro 2018 11:23:00

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(Foto: Divulgação) /

O que move este texto hoje é a satisfação de compreender a poesia como arte e manifestação humana.

Somos humanos e, por isso, a vida nos faz sentido na arte.

E a arte da palavra sempre encantou os povos. Não importa o grau de escolaridade, nem a idade e, muito menos, onde vivemos.

Certamente, em algum momento de nossas vidas, já fomos seduzidos pela poesia.

Você, leitor, pode pensar: Eu? Eu nunca. Nem gosto de poesia.

Mas eu te direi, a exemplo de Bilac, que sim, você, leitor, já curtiu uma música que, além da melodia, dizia na letra o que calava o coração.

Somos arte!

Somos linguagem e por isso ouvimos música, assistimos a filmes e ouvimos histórias. Sentimos o outro suas dores e alegrias na linguagem e a partir da linguagem.

Às vezes nem estamos sofrendo por amor, no entanto choramos à beira de um bom drama no cinema.

Sim, leitor, o cinema é arte e, muitas vezes, a história é considerada um belo poema... 

Há poesia em tudo...

Poesia é o sentimento que nos move...

É o brilho no olho num lampejo de esperança...

É o nó na garganta à espera de lágrimas...

É a natureza e seu esplendor...

É a possibilidade do sentir... E por isso dizemos que a arte e, sobretudo a poesia, é coisa de gente, é pedaço de vida , é encanto que seduz, é também sofrimento diante das agruras da vida.

A Armadilha de hoje quer homenagear a poesia...

Amanhã é o momento, hoje é o instante e o ontem?

O ontem é história que desejo esquecer, comemorar e até reviver...

Brindemos à poesia hoje ontem e sempre!


ARMADILHAS DA LÍNGUA
16 Outubro 2018 11:47:00

Sabe, leitor, muitos me perguntam sobre o uso do acento grave: a crase.

Como já falei sobre esse tema em outro texto, resolvi abordá-lo de outra forma:


É isso mesmo, leitor, o nome do acento é grave. Crase é o que denominamos como fenômeno da união de duas letras "A".



A tira acima trata principalmente da principal regra de uso do acento grave: só podemos usar na frente de palavras femininas... Por isso: à praia e ao campo, a primeira é feminina e a segunda, masculina.


O uso do acento muda o sentido: Chegou a primavera é como dizer que chegou alguém...

Cheguei à primavera é como dizer que cheguei a algum lugar. Cheguei à escola, por exemplo... E com palavra masculina se usa ao: Cheguei ao colégio.


Isso mesmo, leitor, a palavra distância não determinada não ocorre crase.

Meu neto estuda a distância.

Com distância determinada ocorre...

A loja fica à distância de duzentos metros daqui.


Anime-se leitor, espero que a Armadilha tenha ajudado...

Às vezes, basta olhar e reparar...Obedecer à língua e às suas exigências nem sempre é fácil...


Fonte. Acessado em 15/10/18.






ARMADILHAS DA LÍNGUA
25 Setembro 2018 11:09:00


(Imagem: Divulgação) /


Pensar o dia a dia naturalmente nos impele à rotina.

Nem sempre o que vivenciamos é sempre igual, no entanto o ser humano precisa de rotina a fim de se sentir seguro. A rotina é necessária, por exemplo, para as crianças que veem no cotidiano regrado uma forma de saber o que vai acontecer.

Em tempos de inseguranças econômica e política, o ser humano, animal social, tende a mostrar-se arredio a mudanças bruscas, pois a ele parece que aquilo que não o faz pensar como sempre o fez, pode incidir em problemas.

A rotina do trabalho, dos relacionamentos, do lazer e quaisquer outra pode ser interrompida, visto que não podemos contar com um cotidiano eterno. Mas o que nos incomoda é não saber se a mudança será boa.

Ora, podemos dizer que mudar, à primeira vista, nunca parece muito bom. Tudo que foge ao nosso controle nos faz negar o novo e o desconhecido.

Assim, pensar o tempo de relações líquidas e fluidas é admitir que não podemos deixar de mudar, de oferecer a nós mesmos a graça da novidade o princípio da fé no novo e naquilo que ainda não nos parece familiar.

Esse é o segredo para não paralisar diante daquilo que não conhecemos, é também a oportunidade de experimentar...

Viver é admitir que o sangue corre nas veias e não é para fugir de nada nem de ninguém. Ele corre por que a vida urge, o tempo é curto e a vontade de saborear os prazeres é imensa.

Viver, sem armadilhas, mas na companhia da Armadilha que te quer bem e deseja que o novo não te imobilize, mas sim impulsione a renovar sempre.



11 Setembro 2018 15:56:00


(Imagem: Divulgação)


Sabe, leitor, tenho acompanhado de longe as discussões de opiniões divergentes sobre assuntos diversos (a política, principalmente).

Entender o outro não é tarefa fácil e, por vezes, penso até, que seja impossível. Exercitar a empatia é uma prática pouco comum entre alguns.

Nossas opiniões sobre quaisquer assuntos podem ser tão acirradas que inibem outras que, talvez, fossem interessantes.

Importar-se com o outro de maneira a tentar colocar-se no lugar dele não é uma tarefa fácil.

Fácil mesmo é criticar, banalizar e discutir impondo aquilo que é nossa crença.

Como podemos dizer que uma coisa é melhor ou pior do que outra? 

Pela experiência, diriam alguns...

Por convicção, diriam outros...

Ou simplesmente porque sempre foi assim...

As possibilidades de ampliar horizontes e conhecimentos se dão na perspectiva da abertura do olhar...

Sem os limites que as viseiras do preconceito impõem, sem as amarras que as crenças entoam...

É possível discutir para entender, para crescer, para pensar sob a égide do ser liberto.

Liberdade para dizer o que se quer (ou escrever) significa também responsabilidade para ouvir o que, às vezes, não está de acordo como que pensamos.

Num ambiente virtual isso está cada vez mais comum... As relações humanas líquidas e voláteis são o combustível para a disseminação da intolerância.

Crescer como ser humano é perceber-se no mundo com todos aqueles que também divergem de nós e, nem por isso, são menos importantes, ou inteligentes, ou perspicazes, ou....

Convido você, leitor, para o exercício da alteridade, o exercício do dizer cuidadoso, sem armadilhas... O exercitar de um discurso de tolerância e respeito... Vamos lá?



21 Agosto 2018 09:28:00


(Foto: Divulgação)

Hoje, leitor, quero dividir a experiência do dizer e da autoridade de quem o diz...Explico: quem diz, o jeito que o faz e como é interpretado...

Quando algo é dito por alguém pode impactar de forma diferente a partir da posição de quem o faz. Pense, leitor, que você pede uma informação em um lugar que não conhece...Se quem informa é somente um transeunte, há, às vezes, uma certa dúvida sobre a veracidade daquilo que foi dito. Se, no entanto, a informação é dada por alguém que trabalha no setor de turismo da cidade essa dúvida pode se dissipar por conta da credibilidade de quem forneceu a informação.

Isso se refere àquilo que Bourdieu indica sobre o "cetro da palavra", pois a relação do que é dito com o sujeito que o diz está na posição de quem o faz. Ter o cetro da palavra é estar autorizado a dizer e ser reconhecido, validado para esse dizer.

Então podemos afirmar que o desejo de cada um de nós é ser autorizado a dizer, ser reconhecido naquilo que falamos para enfim possamos ser ouvidos. Afinal, quem fala objetiva ser ouvido (compreendido, talvez).

Você, leitor, já deve ter vivido situações nas quais ter autoridade na posição ocupada (da profissão, por exemplo) favorece o diálogo e o sentido, pois quando falamos daquilo que sabemos e do que os outros reconhecem que sabemos, falamos de uma posição que favorece sermos ouvidos.

Para dizer não basta fazê-lo,é preciso estar autorizado para isso. E aí é que pensamos: e osentido?Ele também está vinculado à posição do sujeito quando fala.

É mais do que falar e ser ouvido, é saber que o sentido depende disso também, aís está o mérito da Armadilha: pensar sobre o dizer e o sujeito.



14 Agosto 2018 11:14:00


Divulgação/


Sei que serei insistente sobre o tema deste texto, mas a semana tem sido pródiga em exemplos sobre o uso do verbo PÔR.

Explico, leitor, tenho me deparado com um uso constante de formas que não correspondem ao verbo, mas que, confesso fazem sentido se considerarmos que esse verbo apresenta uma conjugação nada regular.

Penso que a região também pode influenciar o uso pela repetição das conjugações. Nós aprendemos muitas coisas pela repetição e, com a língua, não é diferente.

Portanto se ouvimos a forma ponhar,ponhei, acreditamos que ela existe.

Tenho alertado, principalmente, àqueles que precisam do uso de uma linguagem mais formal, que, na dúvida, a troca da palavra por um sinônimo é uma alternativa interessante. Isso vale para qualquer palavra, não só para o caso do verbo pôr.

Refletir o uso de formas como:

 Vou ponhar? Vou pôr...

Ponhei? Pus...

Quando eu pôr? Quando eu puser...

Eu ponho? Sim, eu ponho...

Talvez eu ponha? Sim, que eu ponha...

Então, como já disse em outras oportunidades, é necessário um olhar sobre o que se diz e como se diz.

Se você, leitor, está entre amigos, na intimidade do lar, pode usar da linguagem como lhe aprouver, mas caso precise sacar de outra, é bom que tenhamos a Armadilha da Língua para sanar as dúvidas ou para refletirmos a língua sob o ponto de vista de quem é mais que um usuário da língua e, sim, um sujeito que faz sentido na e pela linguagem.



31 Julho 2018 11:30:00
Autor: Katia Zilio

O motivo deste texto hoje, leitor, é discutir os percalços quando escrevemos um texto. Às vezes, parece que tudo está na nossa cabeça, parece até fácil dizer aquilo que queremos, que já idealizamos tão bonito. 

Mas o que nos impede então?

Primeiro precisamos entender que a linguagem pode ser manifestação de desejo de ímpetos de fraquezas de sentimentos os mais diversos... Por isso também que não é fácil fazê-lo, pois tratar daquilo que sentimos não é muito tranquilo para todos.

No entanto podemos pensar que escrever textos, sejam quais forem, envolve mais do que somente saber ler e escrever. Não estamos tratando aqui de talento, mas sim de autoria, de responsabilidade sobre o que se escreve.

Muitas pessoas depois de deixar a escola ou o curso superior não estabelecem mais contato com a escrita de alguns gêneros textuais (como a poesia, por exemplo) e algumas manifestações literárias não são lidas constantemente pela população.

"A gente não quer só comida ..."

Lembram?

Ler e escrever são atividades cotidianas em muitas profissões e, por isso, tentamos aprendê-las durante nosso percurso escolar.

Aprender a escrever é um exercício cotidiano, pois não basta escrever respeitando a ortografia (a maior vítima da escrita, segundo a cultura popular). É preciso querer dizer e encontrar a melhor forma de fazê-lo...

Cabe o exercício de ler e escrever sempre, cabe a vontade de tentar e recomeçar constantemente...

Cabe pensar nas armadilhas da língua, mas não ser imobilizado por elas...



17 Julho 2018 08:32:00



O texto de hoje, leitor, pensa em valorizar o período em que podemos não trabalhar e, mesmo assim, sermos remunerados. Sim, estou falando das férias...

Férias é uma palavra engraçada. É um substantivo feminino plural que significa a época de repouso após um ano de trabalho.

Férias hoje não existe no singular, mas há muito tempo nasceu do nome dos dias da semana e sua significação de folga era somente de um dia, por isso se dizia Féria.

Era um dia da semana de descanso, de féria ou, como dizemos hoje, de folga.

Alguns séculos depois, associou-se a essa folga semanal, uma mais longa, anual o que hoje conhecemos como Férias.

Assim como férias, há outras palavras em português que hoje só existem no plural. Em algum momento da história já tiveram singular, mas o sentido hoje só se faz no plural

Alguns exemplos:

as condolências (alguém deseja condolência, só uma?)

as costas (nunca vi dizerem costa, só como sobrenome: João da Costa)

as fezes (como direi? Não digo...)

as núpcias (não deve ser no singular, aliás deve ser para a vida inteira)

os arredores (um arredor?)

os parabéns (como não desejar muitos?)

os pêsames (como desejar pouco?)

os picles (bom, se é picles é sempre plural, misturado)

Então, que as férias sejam sempre plurais de experiências, cheias de aventura e novidade para que a energia do trabalho seja recomposta e o desejo de vida seja revigorado.



19 Junho 2018 11:23:31
Autor: Katia Zilio

Este texto, leitor, foi motivado por pronúncias ouvidas durante muito tempo, mas que culminaram na impossibilidade de algumas pessoas em se livrar de uma pronúncia não condizente com os fonemas que a palavra apresenta. 

Explico melhor com a presença de uma das palavras do título, bem comum em nosso cotidiano: GRATUITO.

Essa palavra é escrita sem acento e sua sílaba tônica é TUI. Isso quer dizer que não pronunciaremos somente o I como tônico, como se ele estivesse acentuado. Então GRATUÍTO, com acento ou pronunciado com sílaba tônica somente na letra I não é adequado.

Gratuíto, com acento, é um erro de prosódia, isto é uma inadequação de pronúncia que, às vezes, é também transferida para a escrita.

A partir da palavra GRATUITO podemos pensar em outras que apresentam a mesma sílaba:

Fortuito: o que acontece por acaso, eventual, imprevisto.

Circuito: um espaço, um contorno.

Intuito: objetivo, fim que se deseja.

Fluido: que se expande como líquido.

Essas palavras mantêm a sílaba tônica na sílaba em que aparece o encontro vocálico UI.

O jeito de dizer cada uma das palavras acima é o mesmo no que diz respeito à sílaba que apresenta o UI: FortUito, CircUito, IntUito, FlUido.

"Pensemos que a vida é fluida e os circuitos que nos circundam oferecem oportunidades fortuitas com o intuito de nos seduzir. Sejamos fortes, pois a vida não é uma experiência gratuita, mas sim um desejo intenso de experimentar"

Que a Armadilha seja mais do que uma gratuita e fortuita experiência de língua...

 Que ela seja companheira do dizer e do compreender a língua.



12 Junho 2018 11:55:00
Autor: Katia Zilio

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É tempo de render graças e agradecer... 

Afinal, três penas não são para qualquer jornal, não é mesmo?

O jornal A Semana é campeão de novo...

E ainda não nos acostumamos à vitória?

É porque vencer não é apenas a vitória...

Como assim?

Explico:

A vitória é o substantivo de quem vence, mas vencer... Ah, vencer é admitir ter feito o possível e mais um pouco para alcançar a vitória, para ser o melhor.

E ser o melhor é mesmo com o A Semana, pois fazer jornalismo de qualidade, ser premiado... Isso é realmente vencer.

Vencer é para o A Semana mais do que obter vitória ou triunfo (sobre outros jornais).

Aliás, torcemos pelos outros jornais fazerem um bom trabalho, pois vencer assim é ainda mais vitorioso.

Conquistar e alcançar são alguns vocábulos que estão relacionados à vitória. A conquista da pena de ouro, da pena de prata e da pena de bronze em 2018 desvela o nosso êxito em desejar fazer sempre o melhor para o leitor, para Curitibanos e também para o jornal.

Servir como jornalismo de excelência é uma das nossas metas. Entendemos, então, que a obtenção dos troféus é consequência de um trabalho sério e comprometido com a notícia, com a comunidade e conosco mesmos.

O verbo vencer quando conjugado no presente do indicativo nos oferece:

Venço, vences, vence,

Vencemos, venceis, vencem.

Queremos conjugar esse verbo somente na primeira pessoa do plural: Nós vencemos.

Jamais desejamos conjuga-lo na terceira pessoa do plural: eles vencem, apesar de entendermos que a competição prevê essa possibilidade.

Vencer e triunfar são aparentemente vocábulos sinônimos, mas acreditamos que nesse jornal durante a semana de aniversário de Curitibanos, fomos presenteados e presenteamos com a vitória esse município que é o berço de um jornal sério e cheio de valores em pessoas e penas...

Ficou para a história: ao comemorar 149 anos, Curitibanos parabeniza o A Semana que, por sua vez, comemora o aniversário do município sendo presentado e presenteando com três penas.

Não é uma pena? Não! É a vitória! É o triunfo!



29 Maio 2018 09:35:00
Autor: Katia Zilio



Sabe, leitor, quero pensar em como viemos parar nessa crise caminhoneira... 

Penso que seja por causa dos caminhões? Talvez nem saibamos...

Afinal caminhoneiro ou caminhoeiro? Tanto faz...

Em português daqui é caminhão...

Em Portugal se diz camião...

Na França e na Itália se diz camion...

Na Espanha camión...

Para nós, a palavra lembra caminho, os caminhões rodam por caminhos.

E quem dirige o caminhão?

Camionero, na Espanha; camionista, na Itália e também em Portugal; camionneur, na França.

Podemos observar que as línguas latinas se assemelham na pronúncia e na escrita da palavra, mas, certamente, não há semelhança entre as experiências vividas por nós, brasileiros, nesses últimos dias.

Entre redução de preço de combustível e de abastecimento há um olhar para a nação, como ente organizador de um povo; para a classe dos motoristas, como profissão importante e digna; e para o mar de manifestações apoiadoras....

Pegamos carona?

Parece que sim, pegamos carona nos caminhões e convocamos nossas reivindicações junto daquelas dos caminhoneiros.

Mas é preciso pensar além da língua, além da palavra e além das nossas necessidades: somos uma nação que não aguenta mais a manipulação da mídia e dos poderes que nos cercam...

Como sujeitos assujeitados e esmagados pela sujeição. Somos, talvez, caminheiros (sim, aqueles que caminham) de uma jornada para a qual não vislumbramos saída ou alento.

Caminhoneiros e caminheiros... Sujeitos do mercado... Marcados pela língua e pelo sofrimento de se pensar livre. Armadilha do dizer, e também do pensar!



22 Maio 2018 13:32:00
Autor: Katia Zilio


(Imagem: Divulgação) /


A exemplo do que vemos todos os dias por aí, quero refletir, hoje, leitor, sobre como alguém é ouvido... 

É, leitor, ouvido. Talvez escutado... Sim porque em muitas ocasiões as pessoas falam e não são ouvidas, ou não se dá a atenção para elas.

Pense, leitor, você já não foi a uma reunião seja de condomínio, de moradores do bairro ou até mesmo na escola, onde havia possibilidade de opinar de se manifestar com a palavra e algumas pessoas fizeram isso?

Nessa mesma reunião, talvez em momento mais caloroso de discussão ou de levantamento de ideias, você deve ter percebido, mesmo que rapidamente, que algumas pessoas ao falar pareciam fazer com que muitas ouvissem realmente o que era dito, enquanto outras não tinham a mesma sorte.

Isso não é uma questão de sorte, e sim de cetro da palavra, para usar uma expressão cunhada por Bourdieu, um sociólogo francês que apresenta em sua teoria a explicação sobre isso.

Nesse texto, a exemplo de Bourdieu, gostaria de pensar o motivo de sermos ou não escutados quando falamos. Há ocasiões que o sucesso daquilo que vamos dizer depende da quantidade de ouvintes que nos dão atenção... Não gostamos de falar para as paredes! Lembra, leitor, desse ditado?

 Não gostamos de falar para ninguém, ou melhor, para que ninguém ouça.

Ser ouvido é, pois, um objetivo a ser perseguido pelo ser humano. Falamos para ser ouvidos.

As relações sociais são influenciadas pelos jogos de linguagem... As nossas falas são influenciadas pelo que somos e pelo que representamos, no lugar onde vivemos.

Por isso, é possível que sejamos ouvidos por aqui, onde nos conhecem e ignorados em um lugar onde somos apenas mais um.

A questão que fica é queremos ser alguém para ser ouvido? A Armadilha reflete que ser ouvido é também responsabilidade para com o outro e para com a representação que os outros tem de nós.

Fica então o impasse: Ser ouvido, ou não?



15 Maio 2018 13:32:00


(Foto: Divulgação)

Sabe, leitor, às vezes, fico pensando como podemos ser mais humanos a partir da língua.

O dizer e o sentir estão, para mim, intimamente ligados...

Quando nos solidarizamos com alguém é como se sentíssemos o que a pessoa a nosso lado sente. Fazer isso é um exercício de alteridade... E como exercício, precisa ser feito e refeito, até fazer parte de nós.

Exercer a alteridade para com os outros é uma possibilidade de melhorar o mundo.

Sabe aquele ditado: "Não faça aos outros o que não quer que façam a você"?

Ou ainda: "Faça aos outros aquilo que deseja que seja feito para você"?

A variação do ditado não nos impede de encontrar o sentido daquilo que entendemos por alteridade. Por isso exercitar o sentimento do outro é importante para nos tornarmos mais humanos.

Ao nascer somos um filhote mamífero, indefeso. Somos da raça humana, ou ainda, somos seres humanos, mas ainda não somos e fomos humanizados.

Precisamos, ao longo da vida nos tornarmos humanos, ou humanizados.

Como nos tornamos humanos?

Pela educação, pelo conhecimento das coisas e pelo relacionamento com o mundo.

Pelas artes, pelo estremecer e enternecer diante do belo e do feio, seja pela obra plástica ou pela ativação da memória em linguagem fílmica.

Explico melhor: quando choramos diante de uma cena de um filme, estamos vivenciando a cena, exercício de alteridade. Ao nos colocarmos no lugar da personagem, tentamos, a partir da memória, compreender os sentimentos evocados na cena.

 Podemos pensar na cena do filme "O menino do pijama listrado" quando o menino troca de roupa para experienciar o que o outro vivia. Você lembra, leitor? E fica triste?

Pensar no outro é um exercício não só do dizer, mas também do sentir. É pensar experenciando que nos torna mais humanos.

A Armadilha não deseja capturar as feras de cada um, mas os humanos que desejamos nos tornar.



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