37 anos.png
37 anos.png
  
Katia.png

ARMADILHAS DA LÍNGUA
10 Dezembro 2019 09:40:00

Sabe, leitor, as palavras me encantam...

Já disse isso, não é? Mas elas são realmente lindas e nos oferecem a pluralidade de sentidos... É verdade que não só as palavras significam.

Os gestos, os olhares, a posição que ocupamos, o contexto... Tudo colabora para fazer sentido. Às vezes não é o sentido que queremos, ou objetivamos, mas é um sentido, certamente.

O entanto são as palavras que motivam este texto. Elas inserem na nossa vida o teor das liberdades do sentido (liberdade vigiada). Elas nos provocam... É pela palavra que nos apaixonamos, pelo que nos é dito... Por isso poetizar é tão importante!

As palavras podem também nos enganar, nos afastar e nos incomodar...

É sempre um desafio falar, significar com as palavras... Você já deve ter dito que lhe faltavam palavras, leitor. E, às vezes, é assim mesmo, nos faltam palavras para dizer o que desejamos, o que pensamos.

As palavras, podem também serem muito parecidas, já apontei algumas em outros textos da Armadilha.

Pensemos em vez e vês...

Cada uma com seu significado, mas com a mesma pronúncia: vês é olhas (do verbo ver) e vez , substantivo (o lugar).

Vês que a tua vez chegou...

Chegou a tua vez, vês?

Assim como cede, sede e sede...

Cede, verbo ceder (permitir), sede, necessidade de água e sede, lugar principal ...

Cede o teu lugar na fila, estou com sede, fiquei muito tempo na sede da fazenda e não tomei água...

Olha só, leitor, como a língua pode nos encantar pela palavra...

E a Armadilha? É ainda mais encantadora...



ARMADILHAS DA LÍNGUA
03 Dezembro 2019 09:57:00

Ao findar o ano, semestre, sempre há textos para revisar...[


(Imagem: Divulgação) /

Sabe, leitor, ainda não entendo como podemos concluir um texto e repetir a ideia de conclusão a partir da própria palavra.

Explico: quando fazemos um texto, uma redação, o último parágrafo se constitui obrigatoriamente na conclusão. Ele finaliza a argumentação e possibilita terminar o raciocínio de forma a por fim naquilo que se quis dizer. Então por que ainda se insiste em dizer que vai concluir?

Acontece isso também em trabalhos acadêmicos. Já está no título que é a conclusão, ou considerações finais, então por que ainda se escreve que vai concluir, para concluir ou concluindo?

Às vezes reflito sobre as redundâncias que fazemos, dizemos... Já escrevi sobre isso outro dia, mas a conclusão é um assunto que se repete em alguns textos que leio...

A Armadilha não é a redundância da palavra, mas a impossibilidade de realmente finalizar aquilo que está escrevendo.

Marcar o texto com a palavra conclusão ou seus derivados não finaliza o pensamento, a argumentação...

Então, portanto, por isso, pode ser uma opção de uso para que possamos iniciar o último e derradeiro parágrafo de um texto.

Vamos lá... Uma nova tentativa para findar, não o ano, pois ainda falta um pouco, porém o texto é sempre um convite para recomeçar...

E lá vamos nós de novo...

Para concluir, então...

Viu o que eu disse?



ARMADILHAS DA LÍNGUA
26 Novembro 2019 00:00:00

Sabe, leitor, penso que escrever sempre sobre a língua tem seus dissabores...

Hoje, por exemplo, pensei em não escrever. Isso mesmo, negar-me à escrita... Coisa que não me é comum...

Tenho sentido saudades de pensar livremente... Às vezes, pensar e escrever fundem-se na minha trajetória...

Mas afinal o que é escrever? É possível ser autor? Exercer a autoria?

Na minha tese de doutoramento escrevo, discuto e reflito sobre como um sujeito se torna autor...

Faço isso a partir de pesquisa, leitura e muita introspecção...

Escrever não é uma coisinha qualquer, mas não fazê-lo também é difícil...

Cada um de nós exerce uma ocupação neste mundo e, por isso, ao fazermos nossas ações cotidianas, muitas vezes só repetimos aquilo que outrora já foi realizado por alguém.

É difícil criar, é difícil ser original, apenas grafamos, parafraseamos...

Se sujeitos de linguagem somos, certamente podemos dizer que, ao produzir linguagem, produzimos sentido e inscrevemo-nos autores, sendo essa uma função de todo sujeito.

Fazer sentido e responsabilizar-se pelo que disse é função de autor..

Você já pensou, leitor, quantos de nós nos responsabilizamos pelo que dizemos, seja de forma escrita ou oral?

Talvez seria um bom momento para refletir os dizeres por aí... As mídias, por exemplo, parecem não exercer autoria e, cada vez mais parafraseiam entre si e se repetem para nos convencer de que não sabemos nem quem somos...

O que acha, leitor? Você se considera autor? É responsável pelo que diz, escreve?

A Armadilha é um processo de autoria, de impulso autor, talvez...



ARMADILHAS DA LÍNGUA
26 Novembro 2019 00:00:00

Sabe, leitor, penso que escrever sempre sobre a língua tem seus dissabores...

Hoje, por exemplo, pensei em não escrever. Isso mesmo, negar-me à escrita... Coisa que não me é comum...

Tenho sentido saudades de pensar livremente... Às vezes, pensar e escrever fundem-se na minha trajetória...

Mas afinal o que é escrever? É possível ser autor? Exercer a autoria?

Na minha tese de doutoramento escrevo, discuto e reflito sobre como um sujeito se torna autor...

Faço isso a partir de pesquisa, leitura e muita introspecção...

Escrever não é uma coisinha qualquer, mas não fazê-lo também é difícil...

Cada um de nós exerce uma ocupação neste mundo e, por isso, ao fazermos nossas ações cotidianas, muitas vezes só repetimos aquilo que outrora já foi realizado por alguém.

É difícil criar, é difícil ser original, apenas grafamos, parafraseamos...

Se sujeitos de linguagem somos, certamente podemos dizer que, ao produzir linguagem, produzimos sentido e inscrevemo-nos autores, sendo essa uma função de todo sujeito.

Fazer sentido e responsabilizar-se pelo que disse é função de autor..

Você já pensou, leitor, quantos de nós nos responsabilizamos pelo que dizemos, seja de forma escrita ou oral?

Talvez seria um bom momento para refletir os dizeres por aí... As mídias, por exemplo, parecem não exercer autoria e, cada vez mais parafraseiam entre si e se repetem para nos convencer de que não sabemos nem quem somos...

O que acha, leitor? Você se considera autor? É responsável pelo que diz, escreve?

A Armadilha é um processo de autoria, de impulso autor, talvez...



ARMADILHAS DA LÍNGUA
19 Novembro 2019 10:51:00
Autor: Por Katia Zilio

Sabe, leitor, às vezes a língua parece querer que digamos reforçadamente alguma coisa...

As redundâncias estão aí para comprovar o que digo.

É comum ouvirmos que:

Houve um consenso geral...

Ora, se houve consenso a palavra já indica que a maioria entendeu e tomou tal decisão...

Outras redundâncias comuns são as expressões:

Elo de ligação... Se é um elo, ele está fazendo sua função ao ligar, não é mesmo?

Baseado em fatos reais , ora se é baseado em fatos... Eles devem ser reais, pois são fatos...

Encarar de frente é também uma expressão comum... Se eu encaro, deve ser de frente, ou não?

E a surpresa inesperada? Se é esperada não será surpresa, creio eu...

Nada como os detalhes minuciosos... Se é detalhe... Será minucioso...

Conviver junto se caracteriza por conviver? O verbo conviver já assegura que será junto...

E o sorriso nos lábios? Alguém sorri com outra parte do corpo? Talvez possamos sorrir com os olhos; mas, aí sim, é que falaríamos: sorriu com o olhar...

Um novo lançamento, será um lançamento em dobro? O lançamento sempre será novo, ou não?

Na minha opinião pessoal revela que há outra opinião que não é pessoal?

Mas a expressão campeã, nos textos por aí, é o famigerado "Há muito tempo atrás"... Se usamos o verbo haver no sentido de tempo decorrido, certamente já faz algum tempo... Por isso a palavra atrás não é necessária.

As redundâncias são muitas e as armadilhas também, mas refletir sobre o que dizemos e escrevemos pertence a poucos...



12 Novembro 2019 09:36:00

A língua, leitor, apresenta muitas palavras que são diferentes de acordo com os lugares onde elas são ditas ou usadas.

Aqui na Armadilha já tratamos disso em outro texto.

Vamos lembrar que já conhecemos muitas delas...

Assim como macaxeira, mandioca e aipim que depende do lugar onde o falante está, a fruta vergamota, bergamota, mexerica, tangerina, mimosa, laranja- cravo, mandarina, poncan, manjerica tem todos esses nomes pelo país afora.

A palavra biscoito ou bolacha também depende do lugar onde é dita. As duas palavras são equivalentes em sentido e em muitos lugares coexistem.

O pão francês também possui variações: carequinha, cacetinho, pão de sal.

O Geladinho também é chamado de Sacolé, Chup-chup, Laranjinha, ju-ju din-din e tem o sentido de um saquinho com um líquido congelado, refrescante alimento no verão.

A muriçoca, o pernilongo, o carapanã ou o mosquito podem nos picar... O nome pode ser diferente, mas a picada, não.

E você, leitor, sabe algum vocábulo que é usado de forma diferente ou curiosa em alguma região?

A Armadilha é assim, procura pela palavra, pela frase, pelo texto... Procura pela vida intensa que é a língua que falamos.



29 Outubro 2019 11:54:00


Sabe, leitor, quando concursos e vestibulares se anunciam no horizonte do calendário anual, muitos candidatos pensam que é somente uma questão de estudar e responder perguntas...

Em muitas ocasiões é isso mesmo, mas em outras é necessário pensar sobre a vida, a sociedade e a própria língua.

Isso requer repertório de leitura e uma dose de interpretação de texto.

O candidato nem sempre possui um bom histórico de leituras e, muitas vezes, acredita ainda que a própria língua é sua inimiga:

 "O português é difícil"

"Há muitas exceções para cada regra".

E esses discursos vão ganhando adeptos e seguidores pra além da escola...

Usa a língua é prerrogativa de nossa interação com outros sujeitos. Pensar a linguagem na perspectiva da interação nos oferece a oportunidade de usufruir daquilo que ela tem de melhor: a própria linguagem...

O homem é um ser de linguagem. O tempo todo tentamos estabelecer contatos que nos favoreçam a interação.

Então como a língua pode ser inimiga?

Como a linguagem não pode nos auxiliar?

Esse é um dilema para o qual não tenho resposta exata, mas tenho refletido sobre isso a cada Armadilha da Língua que, na verdade, não é bem uma armadilha, e sim uma das possíveis saídas para as quais vale a pena ver, viver, e refletir a linguagem. E aí? Vamos?



15 Outubro 2019 10:04:00

Quando criança, achava estranho pensar que havia dois gêneros nas palavras: ou elas eram femininas ou masculinas. Muitos me perguntam se há regras ou dicas de como fazer o masculino e feminino das palavras. A língua sempre leva em consideração o masculino e, a parir dele, faz-se o feminino

Como se faz o feminino e o masculino nas palavras, afinal? Eis então:

Substantivos masculinos terminados em "o" substitui por "a": Ex.: piloto por pilota

Substantivos masculinos terminados em "ão" substitui por "ã": Ex.: o Anão por a anã ou o capitão por a capitã.

Substantivos masculinos terminados em "r" acrescenta a letra "a":Ex.: o cantor por a cantora

Pode acontecer em que substantivos masculinos terminados em "or" substitui por "eira": Ex.: O arrumador por a arrumadeira.

Tem substantivo que terminado em "e" mudam para "a" no feminino Ex.: Elefante por elefanta

Substantivo terminado com "ês", "L" ou "z" acrescenta o "a" no feminino. Ex.: Freguês freguesa; juiz juíza; cônsul consulesa

Mais tarde, entendi que havia outras possibilidades:

EPICENO diz respeito a animais com um gênero (gramatical). Quando a língua precisa se referir ao sexo desses animais usa a expressão macho ou fêmea Ex.: onça jacaré onça macho, onça fêmea

 COMUM DE DOIS GÊNEROS é um substantivo que tem dois valores de gênero possíveis, diferenciando-se pelo uso do artigo. Ex.: a paciente, o paciente.

SOBRECOMUM não admite contrastes de gênero, apesar de referir entidades de um e outro sexo. Ex.: a pessoa, a criança, o indivíduo, o cônjuge, a testemunha.

A língua é linda e é feminina, não é?

Pensar o gênero das palavras extrapola e ideia de que tudo pode ser uniformizado. Pensar em gênero é pensar nas diferenças que todos temos, as palavras, inclusive. No feminino ou no masculino, que sejamos felizes, sem armadilhas...



ARMADILHAS DA LÍNGUA
01 Outubro 2019 11:10:00
Autor: Por Kátia Zílio


(Imagem: Divulgação) /

O título deste texto aborda um acontecimento na minha vida profissional: lanço, semana que vem, a obra A PESQUISA NA INTERNET; AUTORIA E ESCOLA, fruto do meu trabalho durante o doutoramento em Ciências da Linguagem.

A segunda parte do título diz respeito à gestação de dizeres os quais quem escreve sabe como é, assemelha-se a um filho, gestado e esperado...

Escrever é, muitas vezes, senão quase sempre, um ato solitário. Ver nascer a obra é um desejo de que escreve, afinal queremos que o texto seja lido.

Por isso dividir essa alegria com você, leitor, é muito importante.

Não estou interessada, assim como muitos autores que conheço, em ter lucro com a venda da obra.

Interessa-me sinceramente contribuir com a educação, visto que a obra trata de uma pesquisa realizada aqui em Curitibanos, nas escolas e na universidade e compreende, principalmente, a busca na internet, ato tão comum ultimamente.

O convite fica então, leitor, para aproveitar a obra, ler, comparecer no lançamento para um papo legal sobre as descobertas que tive durante essa escritura.

Dia 08 de outubro, às vinte horas, no Colégio Maria Imaculada, espero você, leitor...

Afinal a Armadilha da Língua não só escreve e descreve a língua, ela também possibilita o dizer...

Que seja então dito: Venha conhecer a obra "A pesquisa na internet: autoria e escola".



ARMADILHAS DA LÍNGUA
17 Setembro 2019 09:53:00
Autor: Por Kátia Zilio

O título deste texto foi uma pergunta acerca do uso do hífen e o acordo ortográfico. Desde a assinatura do acordo muitas dúvidas ainda persistem.


Vamos a elas então:

O hífen não será mais utilizado em palavras formadas de prefixos (ou falsos prefixos) terminados em vogal mais palavras iniciadas por 'r' ou 's.

ANTESSALA

ARQUIRRIVAL

AUTORRETRATO

ULTRASSONOGRAFIA

Nos prefixos terminados em 'r' permanecerá o hífen se a palavra seguinte for iniciada com a mesma letra.

INTER-RACIAL

SUPER-RACIONAL

O hífen também não será mais utilizado em palavras

formadas por prefixos (ou falsos prefixos) terminados em vogal e palavras iniciadas por outra vogal.

AUTOAFIRMAÇÃO

SEMIABERTO

ULTRAELEVADO

MAS quando a palavra seguinte começar com 'h', o hífen será mantido. exceção: subumano (com o prefixo sub, a palavra humano perde o h).

ANT-HIGIÊNICO

ANTI-HERÓI

A partir de agora usaremos hífen quando a palavra é formada por um prefixo (ou falso prefixo) terminado em vogal mais uma palavra iniciada pela mesma vogal.

ARQUI-INIMIGO

MICRO-ONDAS

MICRO-ÔNIBUS

Então, leitor, o hífen existe e está sendo usado. A Armadilha da Língua fez hoje as apresentações. Digamos muito prazer em conhecer aquele que separa e une... Eis o hífen.



ARMADILHAS DA LÍNGUA
10 Setembro 2019 10:07:00
Autor: Kátia Zílio

A nossa língua é realmente muito bonita...

Os homônimos são palavras muito iguais na pronúncia ou na escrita que apresentam significados diferentes: 

Ascender a um cargo e acender a luz...

Todo acento marca a sílaba tônica e o assento marca o lugar onde se senta...

Apreçar é ajustar o preço e apressar é tornar ligeiro...

Quem tem cavalo sela, coloca arreio, mas é na cela que vivem os criminosos...

Eu conserto portas enquanto ouço o concerto de Mozart...

Caçar animais parece ato bruto e cassar é tornar sem efeito...

Podemos cegar ou segar, o primeiro é deixar cego, o segundo quer dizer cortar...

Assim como serração é ato de serrar e cerração é nevoeiro...

Entre cervo e servo, além da letra inicial pensemos que um é veado e o outro é criado...

Para coser, linha e agulha, para cozer alho e sal...

Esses e outros vocábulos nos animam a dizer que a armadilha não é da língua, mas do bem querer da palavras que queremos dizer!





ARMADILHAS DA LÍNGUA
03 Setembro 2019 10:37:00
Autor: Por Kátia Zilio

Sabe, leitor, o título deste texto diz respeito a como nos sentimos quando precisamos escrever.

Estive diante de situações assim esta semana... Escrever não é um movimento de dedos no teclado ou da mão com a tinta da caneta. Não é, definitivamente, um movimento involuntário ou até mesmo fácil de ser realizado.

No entanto, é impertinente constatar que a ilusão de que escrever bem pertence a poucos é tão compartilhada por aí.

Em tempo de redes sociais, parece que todos o podem fazê-lo, então por que ainda temos a percepção de que poucos conseguem fazer isso?

A escrita não depende só do movimento das mãos...

É importante ter o que dizer e para isso é imprescindível que a leitura e a análise de textos componham repertório a fim de auxiliar o ato da escrita.

Muitos dizem que não escrevem porque o texto não flui, ou porque apresentam muitos erros gramaticais...

Diria, talvez, que os problemas gramaticais só carecem de uma revisão apurada, mas se o texto não flui é motivo para investigarmos o repertório, o jeito de ler e entender o mundo...

Mas penso ainda, leitor, que o ato da escrita passa também pela vontade de dizer o que se quer dizer pela escrita... Você já desejou escrever, leitor?

É aí que o título do texto faz sentido: agruras, empecilhos, aflições...

As armadilhas da língua são poucas comparadas as agruras de quem deseja escrever, tenta escrever e se vê diante do branco da tela ou da folha, em agonia sentida e armadilha armada...

Diante do famoso branco, aconselho doses homeopáticas de leitura e reflexão sobre a realidade, a vida e a si próprio...

Quem sabe podemos pintar com palavras o branco da tela com a vivacidade da vida?



ARMADILHAS DA LÍNGUA
20 Agosto 2019 13:41:00
Autor: Kátia Zílio


(Foto: Eduardo Monteiro/Rosane Moura Eventos) /

Sabe, leitor, ao ver as fotos e sorrisos (autênticos e merecidos) da equipe do A Semana por ocasião do Prêmio ADJORI, fiquei refletindo sobre a presença...

De acordo com os dicionários, PRESENÇA é um substantivo feminino que indica que algo ou alguém existe, está em algum lugar.

Reflito sobre presença para além do dicionário. Quero pensar o que nos faz estar presente em algum lugar. A presença não se resume a uma forma física que se instala em algum lugar físico. Como assim, diria, você leitor?

Quando dizemos "estava presente no evento" e "marcou presença no evento" podemos perceber que indicam diferentes formas de estar em algum lugar. Talvez a primeira expressão pode inferir que alguém ou alguma coisa (empresa, por exemplo) somente estava no evento, mas o fato de marcar a presença pode indicar que estava presente e se fez ver.

A língua é mesmo maravilhosa... A presença da linguagem nos faz perceber que somos discurso... Falamos e dizemos de formas diferentes o que queremos significar.

Mas afinal o que motivou este texto?

Certamente foi a presença da equipe do A SEMANA no Prêmio ADJORI , pois não foi apenas para marcar presença, serem vistos. A equipe do AS foi presença marcante e inspiradora para outros jornais e para nós, curitibanenses.

É na presença firme e delicada, autêntica e competente e, principalmente, na presença de ser feliz com o que faz... Esse segredo que se revela no sorriso que as fotos estampam...

Estar presente, ser presente é ser presença de força de foco e de vida, assim como o foi a equipe do AS.

Que sejamos presença inspiradora para outros, que sejamos vida e oportunidade para o lugar onde vivemos. Que sejamos linguagem pura e acolhedora... Sem armadilhas



ARMADILHAS DA LÍNGUA
13 Agosto 2019 09:09:00
Autor: Por Kátia Zilio


(Foto: Divulgação) /

O que é metaforizar a vida?

Metáfora é a possibilidade do dizer ampliado em sentido... É ambicionar o polissêmico... É querer a arte no dizer...

Sabe, leitor, a possibilidade da linguagem humana faz a arte de poetizar um processo de encantamento único...

Todos os seres vivos podem se utilizar do olhar, do movimento, do som, do jeito de estabelecer relacionamentos, e nos deixar surpresos com a semelhança conosco.

Mas é certo dizer que as palavras, a poesia são prerrogativas humanas...

Fazer sentir pela palavra, emocionar e encantar cabe a nós, humanos.

Vamos fazer isso juntos: pensar a vida como presente, como problema e como brincadeira...

O que é a vida? Regalo, percalço ou folguedo? 

Nos regalos da vida

O enlace do texto

O sabor da palavra

O desejo e contexto

Nos percalços da vida

É reinado do medo

É incrível a partida

É pecado e segredo

Nos folguedos da vida

Tudo em volta é desejo

Abraço, olhares e beijo

Sentimento e embate

De almas é brinquedo.

E é assim, leitor, que ensejamos a vida: entre regalos a que todos têm direito; percalços a que todos estão sujeitos; e folguedos, porque, enfim, somos humanos e precisamos a vida gozar...

A Armadilha da Língua é vida, é regalo, aponta percalço e, principalmente, é folguedo que a palavra pode mostrar...

E você, leitor, que parte da vida deseja ampliar?



ARMADILHAS DA LÍNGUA
06 Agosto 2019 13:43:00
Autor: Por Kátia Zílio

Palavra tem poder... Você já deve ter ouvido isso em algum lugar, não é leitor?

As escolhas das palavras que dizemos podem motivar ou desmotivar alguém...

É sempre bom ouvir um elogio, mas quando isso não é possível, quando o objetivo não foi atingido ou mesmo quando erramos, é imprescindível que as pessoas que estão perto de nós tenham sensibilidade e usem as palavras de modo a não nos deixar ainda mais tristes.

Essa é uma das funções do líder, aquele que motiva e impulsiona para que sejamos sempre melhores, mesmo quando estamos com dificuldade para fazer aquilo que esperam de nós.

Dizer que alguém errou, não soube fazer, foi incompetente, ou qualquer coisa parecida com isso faz mal para quem ouve e também para quem diz.

As palavras têm energia e espalham os sentidos, porém não o fazem sozinhas... O sentido não advém só das palavras que dizemos... Há o discurso...

O discurso é efeito de sentido entre interlocutores, então não é possível dizer uma coisa boa com um olhar reprovador... O olhar será mais significativo do que as palavras.

Nosso corpo todo fala junto conosco, por isso é difícil mentir por inteiro... Sempre há um olhar, um rosto corado, uma mão nervosa que pode denunciar aquilo que não queremos dizer, mas o fazemos pelo sentido construído além das palavras.

É preciso dizer, e dizer é preciso, hoje e sempre, mas é preciso fazê-lo por inteiro...

Será isso possível?

Temos tanto a dizer e quando o fizermos que queiramos fazer sentido... Que possamos, com palavras, olhares, mãos, corpo e mente, dizer o que motiva, o que impulsiona, o que inspira, o que ajuda, o que estabelece novas e profícuas frequência do bem.

Afinal, de armadilhas, bastam as da língua...

  Que palavras e gestos sejam para novas, velhas e profundas relações humanas.



30 Julho 2019 11:40:00


(magem: Divulgação) /

Sabe, leitor, tenho pensado em trabalho ultimamente, e nas relações que temos com o trabalho, por consequência...

Tenho refletido, já faz um tempo, sobre a palavra colaborador...

Quando alguém estabelece uma relação empregatícia com outrem é chamado de empregado, não é mesmo?

 Mas, hoje, tem-se que cada um dos funcionários, empregados, servos, serviçais são colaboradores...

As relações de e no trabalho mostram muito do que somos como sociedade e como seres humanos.

Explico melhor:

Quando nos apresentamos a alguém a pergunta sobre o que fazemos é natural. Como também o é dizermos onde trabalhamos, o que fazemos para sobreviver.

O trabalho não foi sempre um denominador de nossas características pessoais. É só lembrar dos filmes a que assistimos nos quais as personagens precisavam de ajuda para se banhar e para se vestir. Trabalho não era nobre... Era sobrevivência...

A sociedade industrial nos fez encarar o trabalho como progresso e, atualmente, vemos o trabalho como marca pessoal.

Talvez por isso não somos mais chamados de servos, serviçais, termo comum na idade média, assim como das lutas da sociedade industrial o termo usado era operário. Também os vocábulos "empregado e funcionário" parecem em desuso, somos agora "colaboradores".

O termos colaborador supõe ajudar, envolver-se, associar-se... Termo útil para as relações de trabalho atuais em que empresa e funcionários precisam trabalhar para continuar trabalhando... Isto é: sobreviver.

Suavizamos o termo, mas continuamos sendo o que somos: trabalhadores, operários, funcionários, empregados...

Na língua e na vida as armadilhas são muitas... E no trabalho? Alguém aí para me dizer?



09 Julho 2019 10:10:00


(Imagem: Divulgação) /

Certamente você, leitor, já ouviu falar sobre Feminismo. Quando se pensa em papel da mulher na sociedade contemporânea, é sempre previsível essa palavra. Mas afinal o que é feminismo?

O conjunto de ações e movimentos sociais, políticos, filosofias e ideologias que objetivam discutir e empoderar as mulheres, bem como libertá-las de padrões e amarras patriarcais baseados em superioridade masculina. O feminismo é hoje um movimento necessário à vida cosmopolita e contemporânea. Historicamente a mulher sofreu e sofre discriminação pelo fato de ser mulher. É ainda sério o problema da violência que as mulheres sofrem muitas vezes em sua própria casa.

Deixar de depender do pai e do marido, conseguir a sua independência e, acima de tudo, gostar de ser mulher e exercer os seus direitos empoderando-se da sua condição é entender-se como capaz e única... Como toda mulher o é...

Existe também o Femismo que é o contrário de machismo. Assim como o machismo considera a mulher inferior ao homem, o femismo considera o homem inferior à mulher. A criação desse vocábulo foi uma forma das feministas denominar àquelas que tinham preconceitos acerca do sexo masculino.

Em tempos de igualdade, equidade, oportunidades e lutas por direitos, a mulher hoje tem o compromisso de colocar-se diante da sociedade como aquela que conquista o que deseja. É claro que as lutas ainda serão constantes e que é necessário sermos feministas (todos nós, homens e mulheres) a fim de tentarmos eliminar as injustiças e empoderarmos as meninas que vem por aí.

A Armadilha não é da língua hoje... A armadilha é da sociedade femista..

Queiramos a feminista...Sem armadilhas, mas com lutas e conquistas!



02 Julho 2019 10:05:00


(Foto: Divulgação) 

Em tempos de frio e temperaturas abaixo de zero, há a popularização da palavra friaca.

Esse vocábulo existe?

Quando pensamos na família da palavra Frio, vemos em friaca resquícios da primeira.

Friaca é hoje uma palavra considerada informal, em alguns contextos aparece como uma gíria, outros como um neologismo, mas uma coisa é certa: todos sabemos o que ela significa.

A onda de frio que assola a semana foi até desejada, no entanto, enfrentá-la é sempre um desafio.

A propósito, leitor, você já reparou no uso da palavra onda? Onda de frio, onda de calor...

Por que onda?

Onda é a ondulação da superfície do mar que é resultado da ação do vento, é ainda sinônimo de vaga (não aquela de emprego).

Já em física, onda é entendida como uma perturbação oscilante de alguma grandeza física no espaço e periódica no tempo.

Além desses significados, a onda simboliza a potência da natureza, poder e mudança, representa também renovação.

Por isso, podemos dizer que uma onda de frio ou calor é uma perturbação de ordem do vestuário, dos hábitos, da vida...

Representa renovação de maneiras de ver e sentir o mundo.

Que venham as ondas...

Que sejamos fortes para senti-las e vivenciá-las...

Na alegria e na doença, ou melhor, no frio ou no calor que sejamos felizes, sem armadilhas da vida, só a Armadilha da Língua.



25 Junho 2019 09:53:00

Fico, às vezes intrigada com algumas expressões que usamos e que, muitas vezes, nem percebemos como são peculiares.

A palavra MÃO é uma delas, pois tem como significado primeiro uma parte do corpo. Além disso, também apresenta outros significados em contextos com outras palavras, assumindo sentido novo a cada nova inserção.

Vamos a algumas delas:

De mão em mão

É passar por muitos

Estar nas mãos

Ficar preso e indefeso

Molhar a mão

Subornar

Ficar na mão

Ser prejudicado

Mão de vaca

O popular pão duro (outra expressão interessante).


Que de mão em mão possamos ser amigos procurar a mão que acolhe e vibra sem esquecer que de mão em mão conseguimos mais  sem abrir mão daquilo que acreditamos estar nas mãos de alguém nem sempre é ruim olhe ao seu redor e pense: para quem preciso dar a mão? 

Na armadilha de mãos que nos impedem de sentir o mundo e o outro, que sejamos capazes de dar as mãos e trafegar pelo mundo com mãos que oferecem rosas, assim como diz o canto de louvor à Santa Terezinha.

Mão leve

Aquele que é ladrão

Mão de ferro

Quem é tirano

Mão aberta

Aquele que gasta bem

Abrir mão

Renunciar a algo

Mãos de fada

Mão leves

Mão boba

Mãos libidinosas





19 Junho 2019 11:39:00


(Foto: Divulgação)

A vida é inexplicável, não é mesmo, leitor?

O jogo da vida lança a sorte todos os dias e nós, os jogadores, não sabemos exatamente como o jogo vai acabar...

Vive-se para um propósito, dizem alguns...

Outros afirmam que cada um tem seu destino...

Outros ainda dizem que cada ser humano faz o seu destino...

É ainda possível ouvir por aí que a vida não é nada mais que um sopro...

Mas, afinal, o que pode ser a vida?

Muitos dicionários afirmam que vida é o período de tempo entre a concepção e a morte.

Mediante a morte, sempre desejamos a vida...

Há momentos, no entanto, em que o sofrimento é tão intenso que a morte também passa a ser desejada. Essa morte não é oposição à vida, mas sim ao sofrimento...

Desejar saúde, alegria, vitória é sempre um desejo de vida...

Pensamos e vivemos, muitas vezes, como se não fôssemos morrer...

A morte é certa e, quase sempre, não desejada, mas é acontecimento de vida que acompanha a morte. Termos antagônicos e opostos, revelam também nosso desejo por momentos saudáveis, alegres e eternos...

Por isso essa busca desenfreada pela felicidade... Felicidade na vida... Felicidade a qualquer preço, muitas vezes colabora com vivências nem tão felizes...

É no sofrimento que conhecemos os amigos, mas é na vida que os fazemos. Viver bem e feliz com aquilo que conquistou, olhar a vida de forma leve e acreditar que está fazendo história... A sua história!

Viver bem com a família, fazer amigos, ser gentil com todos, não discriminar e crer na vida, não eterna, mas eternizada em momentos de sorrisos. Isso é viver.

Que a armadilha da vida não seja impedimento para que a língua ajude a viver bem. Saúde e vida para você e para mim, leitor, para nós, enfim...



Jornal "A Semana" | Rua Daniel Moraes, 50, bairro Aparecida | 89520-000 | Curitibanos | (49) 3245-1711