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Você é uma raridade

03 Fevereiro 2018 17:33:00


(Foto: Os Operários, 1933, Tarsila do Amaral )

Você já parou para prestar atenção às pessoas? Olhe ao redor e vai perceber como todas as pessoas são diferentes. Rostos, corpos, comportamentos e personalidades, todos são únicos e especiais. Por mais que nasçam novos habitantes no nosso planeta, cada um tem sua fisionomia particular, com características que os distinguem uns dos outros.

Certamente, isso nos sugere que não há seres iguais por aqui. Não somos robôs criados em série, mas personalidades complexas e com características singulares que nos permitem ter impressões digitais que não são nunca idênticas.

Agora, pense na humanidade como um todo. Somos aproximadamente, sete bilhões de pessoas, mas estimativas sugerem que 100 bilhões de pessoas viveram e morreram nos últimos 50 mil anos. Até onde sabemos, todas elas são, ou foram, totalmente únicas.

Por que, então, somos influenciados a viver fazendo o que os outros fazem e a pensar como a maioria?

Sermos únicos, obras-primas sem cópia, torna-nos responsáveis por desempenhar um papel importante nesta assombrosa multidão espalhada pelo planeta.

Sendo cada um de nós uma criação exclusiva, precisamos nos mostrar como somos para que tenha valido a pena a nossa passagem por aqui.

Mas o que vemos é exatamente o contrário. Há uma pressão muito grande da máquina social para que todos nos vistamos de forma mais ou menos igual, falemos palavras semelhantes, desejemos as mesmas coisas; enfim, uma tentativa muito poderosa de nos fazer parecidos uns com os outros. Talvez, para que a vida em sociedade fique mais simples.

O problema é que mesmo procurando nos parecer, somos, na verdade, intrinsecamente, muito diferentes.

Quando alguém tem a ousadia de se mostrar imune a essas pressões sociais para que aja como a massa, é classificado de estranho ou esquisito, e se torna rejeitado pela maioria que procura obedecer aos padrões vigentes.

Para que o nosso mundo pudesse contar com a participação de todos os que aqui vivem, seria imprescindível que cada um tivesse a liberdade de se expressar usando todo o seu potencial, e isso está muito longe de acontecer.

Aliás, com o desenvolvimento formidável da tecnologia da informação, a tendência de se equiparar cada pessoa aos hábitos da maioria vai crescendo.

O que estou tentando dizer é que a aceitação das diferenças precisa acontecer no nosso dia a dia, partindo do pressuposto verdadeiro de que somos diferentes uns dos outros.

Uma grande humildade precisa ser cultivada em nós, por reconhecermos que o que cada um consegue saber ou conhecer é uma partícula ínfima da verdade e, portanto, o outro, que nos parece no caminho errado, pode apenas estar olhando a realidade de outra perspectiva, que é sua, e que poderia enriquecer a minha, se eu me permitisse ponderar sobre ela.

Somos, na verdade, cooperadores de uma mesma obra, a vida neste planeta, e todos dependentes de cada um. Não somos melhores nem piores do que ninguém, apenas diferentes dos outros, e aí reside a nossa verdadeira importância.

A proposta para todos nós é que lutemos para sermos a obra-prima, e não apenas uma cópia sem muito valor e sem razão de existir.


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