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PENSANDO BEM

Um olhar sobre a compaixão

27 Novembro 2018 10:25:00


(Foto: Divulgação) /

Alguma vez você já sentiu compaixão por alguém? Para responder a essa pergunta,?é importante conhecer o significado desse sentimento, que é uma das ferramentas mais poderosas que temos para transformar o mundo. Muitos relacionam compaixão com pena, entretanto, não é isso, pois se trata de algo que vai além de apenas se sensibilizar com o sofrimento do outro. Trata-se de uma emoção que envolve fazer a diferença na vida de alguém e na sua. 

Para entender o que é compaixão, é imprescindível considerar que se trata de um sentimento que é gerado dentro de cada um de nós, como acontece com qualquer outro, porém que se distingue porque leva à ação. Nesse sentido, quando alguém se compadece por um indivíduo, não está sentindo pena, mas sim, mostrando respeito pela sua dor e tomando alguma atitude?para abrandar a angústia que ele sente. É justamente aí que está sua beleza, no desejo de querer ajudar pura e simplesmente para fazer o bem. 

O olhar da compaixão pode ser perfeitamente exercitado em nosso dia a dia e nos garante, a longo prazo, uma profunda mudança de ponto de vista. Ao introduzirmos o viés da compaixão por nós mesmos, podemos nos perdoar pelos erros cometidos e renovar as atitudes sob novas bases. O resultado é menos julgamento e mais harmonia em nossa vida. 

Ter compaixão por alguém envolve mais do que se colocar em seu lugar e querer compreendê-lo ou mesmo ajudá-lo. Envolve começar a ter uma perspectiva diferente quando se trata de como você percebe os outros. 

Com o passar de nossa vida, vamos desenvolvendo relações cada vez mais viciadas e acabamos esquecendo de reconhecer o outro como um ser livre e complexo, tão único e cheio de experiências como nós. 

Ter compaixão é justamente criar empatia pelas vivências das pessoas e buscar maneiras de ajudá-las. 

A palavra compaixão tem origem no latim compassionis, que significa "sentimento comum" ou "união de sentimentos". A compaixão, essa junção nossa com o sentimento do outro, leva automaticamente à solidariedade, ao desprendimento, ações fundamentais para a existência e sobrevivência da humanidade. 

Isso independe das condições, não se trata de gostar ou não de alguém. Não é preciso passar a gostar de alguém para ter compaixão. É preciso sentir e fazer o bem com todos, mesmo com aqueles que nos trazem sentimentos negativos. 

Quando construímos relações a partir do desejo que o outro seja feliz, independente de suas ações ou de meus sentimentos sobre a pessoa, libertamos o outro das prisões de nosso julgamento e, consequentemente, nos libertamos de ser uma prisão. Apoiar e ser apoiado por outras pessoas é um dos caminhos para a felicidade. 

A alegria que vem dessa intenção altruísta de compaixão é um remédio poderoso para nossas aflições, nossas dores. Ver o outro como igual e tão complexo como nós gera a sensação de não estarmos sozinhos, de não nos fecharmos em nossos problemas particulares, de entendermos que somos parte de um meio e podemos agir a favor disso para o nosso bem e de todos. 

"A compaixão é que nos torna verdadeiramente humanos e impede que nos transformemos em pedra, como os monstros impiedosos das lendas" ( Anatole France). 

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