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Tristeza

27 Agosto 2018 16:27:00


(Foto: Divulgação)

Hoje, vou falar um pouco sobre a tristeza. E começo cheia de cuidados, pois não sou nenhuma expert dos estados da alma, sou apenas uma pessoa empática que observa as pessoas em volta, e a si mesma neste mundo. E é desse jeito que eu desejo falar sobre a tristeza.

A tristeza pode ter diferentes formatos, intensidades e matizes. Talvez, hoje, eu queira apenas devanear sobre um tipo de tristeza, uma nostalgia que me fez refletir que esse era a forma adulta de ver e viver a vida.

Todos nós experimentamos a tristeza, independente de gênero, classe, idade... Mas há um tipo de tristeza costumeira, sutil e intensa, que cria um espaço bem delimitado na nossa alma, que parece compor a nossa essência e o nosso estar no mundo. Não é que não saibamos mais sorrir, mas os nossos olhos transportam um peso que podem irromper em lágrimas ou desalento, com qualquer pequeno descuido no caminho. Desaprendemos a relaxar num momento, a ligar o "se lasque" para assuntos desnecessários, a dar risada dos pensamentos negativos. Sempre temos uma sombra de tristeza interior que, quando nota o nosso relaxamento, vem sussurrar nos nossos ouvidos "olha, não fique assim tão satisfeito, porque as pessoas te machucam... porque você ainda não resolveu isso, aquilo e aquele outro... porque o mundo é cruel e o amor não está disponível para você...".


"DESAPRENDEMOS A CAPACIDADE DE SERMOS FELIZES POR NADA"


E a tristeza nubla os nossos momentos mais simples e singelos, colocando significado nos nossos afazeres descomplicados do dia a dia e dando um toque teatral na nossa rotina.

Para mim, tristeza assim pode ser um vício. Vício de desejar colocar impressões a mais na simplicidade da vida, vício de acreditar que transportamos responsabilidades e culpas sem fim, vício de achar que não podemos relaxar os ombros e deixar que o ir e vir da vida aja silenciosamente nos nossos destinos. 

Desaprendemos a capacidade de sermos felizes por nada. Porque nos cobramos muito e medimos as consequências de tudo, porque vivemos o futuro e a vida dos outros.

Em algumas ocasiões, essa tristeza nos nocauteia, nos deixa sem ânimo pra nada, perdemos a coragem para fazer coisas que amamos, nos entregamos a esse estado de espírito. Eu sei, ele surge e, às vezes, é mesmo maior que tudo, mas precisamos começar a resgatar a nossa infância perdida, o nosso gosto por praticarmos as tarefas do dia a dia sem tantos pesos na mente e no corpo, devagar e sempre.

Podemos ligar uma música, pegar uma vassoura, sorrir para alguém que passa, dar uma volta por aí, espantar a responsabilidade de ser grande, navegar numa maré mais tranquila.

Esquecemos disso, mas é permitido seguir destinos diferentes, não termos conhecimento sobre o dia de amanhã, exigir menos de nós mesmos e das pessoas.

Podemos focar em cuidar do próprio jardim. Respirar fundo, abrir as asas e deixar a alma ser livre no mundo. Parece que, seguindo assim, mais leve no experimentar e sentir o mundo, vagarosamente, vamos modificando o tom da vida, vamos ajustando a postura da alma, vamos confiando mais na luz do sol que entra de maneira inevitável pela janela do que nos lodaçais que tomaram os nossos jardins interiores.

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