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Só permaneça onde existe reciprocidade

11 Setembro 2018 11:31:33

"Sempre permanec?a aventureiro. Por nenhum momento, se esquec?a de que a vida pertence aos que investigam. Ela na?o pertence ao esta?tico; ela pertence ao que flui. Nunca se torne um reservato?rio, sempre permanec?a um rio" (Osho).

A?s vezes, nas nossas relac?o?es, temos que fingir que na?o vemos algumas coisas, temos que ser mais sile?ncio do que bravatas, manter a dista?ncia para na?o se deixar arrastar por dores que na?o sa?o nossas.

Temos o ha?bito de pensar que sermos assim e? sermos indiferentes, frios, desumanos. Achamos que se na?o participamos da dor do outro, da care?ncia, dos problemas, somos egoi?stas. Mas a verdade e? que se fechar e se preservar pode ser uma atitude bastante altrui?sta.

Ignorar falas impregnadas de maldade ou cinismo, sair de perto de provocac?o?es detesta?veis e baratas, criar sile?ncio onde havia uma enxurrada de aflic?o?es e? uma forma de romper com ci?rculos viciosos, desfazer uma energia que na?o esta? se modificando, mas apenas se alastrando.

Porque, a?s vezes, uma pessoa desabafa para receber ajuda, para se analisar de fora, para aprender e modificar sua energia. Mas, outras vezes, os desabafos na?o te?m esse tom de transformac?a?o, eles sa?o apenas apegos na dor, na vitimizac?a?o, buscando um ouvido, um corac?a?o para fazer ninho e legitimar ainda mais esse apego.

Se entrarmos na danc?a, se sorvermos as la?grimas, se nos amargarmos com as reclamac?o?es descomedidas, se nos aborrecermos com provocac?o?es sem sentido, contribui?mos para que a doenc?a se alastre e cresc?a. Ela ganha forc?a, confiabilidade e avanc?a.

"Se fechar se preservar pode ser uma atitude bastante altruísta"

A?s vezes, as pessoas querem simplesmente se nutrir dessa forma de atenc?a?o, a?s vezes esse peso que apresentam e? a forma que elas acharam para se fazer notar, sentirem-se importantes. Mas esta e? uma nutric?a?o fraca, que na?o alcanc?a os ni?veis mais profundos da alma.

Estes sa?o alimentos muito calo?ricos e pouco nutritivos para a alma. Saciam por algum tempo, ocupam os va?cuos existenciais, os buracos originados pelas dores, mas na?o trazem mudanc?a e uma paz mais profunda.

E? mais simples comermos um lanche na esquina e na?o questionarmos os pro?prios ha?bitos e vi?cios. E? mais fa?cil continuarmos encontrando um ouvido para nutrir a nossa sina. A alternativa de modificar a forma de ver o mundo, para sermos mais leves, livres emocionalmente e com uma boa reserva de amor pro?prio, demanda de aprendizado, conscie?ncia, aspirac?a?o, comprometimento e atenc?a?o constantes.

Nem todos no?s estamos dispostos a tentar esse caminhar. Mas se estamos, se sabemos nos autoconectar e sanar as pro?prias agonias, com ajuda sim, mas sem depende?ncia, acho que temos tambe?m que impor limites, temos que escolher na?o nos doar sempre, temos que nos proteger. Se no?s vemos que escutar na?o esta? auxiliando, que a troca esta? sendo desequilibrada, que o que esta? chegando ate? no?s e? apenas lixo existencial sem o intuito de ser reciclado, e? melhor sairmos do barco, porque ele esta? furado.

Algumas vezes, no?s na?o conseguimos contribuir para que as coisas se restaurem e boas energias floresc?am. Enta?o que abandonemos, mesmo que por um tempo, que sigamos em frente, que deixemos o vento levar.

Que o vento leve, que a chuva lave, que a alma brilhe, que o corac?a?o acalme, que a harmonia se instale e a felicidade permanec?a, e, se na?o houver vento, enta?o que no?s mesmos fac?amos ventar.

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