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Que venha a moda do livro como ostentação

16 Junho 2018 15:43:00


(FOTO: DIVULGAÇÃO)

A leitura é uma fonte inesgotável de prazer, mas, por incrível que pareça, a quase totalidade não sente esta sede... (Carlos Drummond de Andrade). 

Até algumas décadas atrás, era comum que as pessoas, quando ganhavam algum dinheiro, se tornassem aquilo que se chamava de "novo rico" e comprassem livros por metro. Chamavam o decorador e, para dar a impressão de casa de uma família letrada, encomendavam livros por metro: "Eu preciso de tantos metros de livros nesta estante".

No Brasil, um novo estilo de vida tem levado as pessoas a esbanjarem na hora das compras, desfilando pelas ruas com roupas de marca, joias e carros de luxo. Isso é conhecido como ostentação, que tem como finalidade exibir os bens materiais em busca de status, respeito e manifestar seu valor diante de um grupo.

Outro dia, uma pessoa me perguntou o que eu achava do Funk Ostentação; respondi que sou de outra moda, do Livro Ostentação! Depois, me perguntei como seria o Brasil, se o livro se tornasse objeto de cobiça e motivo para ostentar: "Querida, pode babar, olha o livro que chegou aqui em casa. Querida, isso porque você não viu o meu, um luxoooooo!".

Temos, hoje, pessoas inteiramente voltadas em mostrar enormes colares de ouro, fotos em iates, roupas caras, bebidas na mão, carros último tipo, final de semana do bom e do melhor. Muitas ostentam no final de semana, mas, na rotina diária, estão andando de ônibus, comendo pão com ovo e alimentando dentro de si sentimentos fúteis e inúteis.

Não acho que seja crime mostrar as coisas boas da vida. Eu mesma adoro postar foto de uma comida saborosa, de um dia especial, uma boa viagem ou o encontro com os amigos, mas não faço disso uma busca pessoal. Nenhuma dessas fotos pode ser a definição de nossa identidade ou a base das nossas vidas.

Aí, volto a me perguntar: quem seríamos hoje se, ao invés do Funk Ostentação, tivéssemos alimentado a onda do Livro Ostentação? A leitura abre possibilidade para o leitor compreender o mundo em que vive; amplia seus conhecimentos e o transforma no ator principal de sua história e da sociedade à qual pertence.

Os livros desvendam os mistérios do mundo, do cosmo, do planeta, da história das civilizações, da cultura e dos comportamentos. Aprofunda o conhecimento das pessoas e amplia seus horizontes.

O livro é a ponte que une o ser integral às diversas formas de cultura, diminuindo a distância entre os povos, sem contar com o desenvolvimento da imaginação e criatividade do leitor. O livro ainda é a melhor forma de lazer e cultura! Descobrem-se diversas histórias lindas e mágicas quando se adquire o hábito de ler. Ler faz bem à alma e liberta da alienação.

A leitura desenvolve no leitor uma consciência crítica do ambiente em que habita. Aqueles que têm o prazer de ler vivem em processo contínuo de transformação, tanto quanto pessoa, como ser político, social e agente participativo nos destinos da sociedade.

Não é possível ser simpatizante da leitura e estar alheio aos acontecimentos trágicos da sociedade, como violação dos direitos fundamentais da cidadania, exploração do homem pelo homem, exclusão, agressão e degradação do ecossistema.

A leitura desenvolve a capacidade de indignação do indivíduo comprometido com a sociedade. O gosto pela leitura deveria ser tão importante quanto o ar que se respira, a água que se bebe e o alimento que sustenta o corpo. O prazer de ler e o gosto pelas aventuras contidos nos livros alimentam a alma e o intelecto humano. A leitura é um ato de sabedoria!

Um público comprometido com a leitura é crítico, rebelde, inquieto, pouco manipulável e não crê em lemas que alguns fazem passar por ideias. (Mário Vargas Llosa)

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