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Quantas vezes nessa vida a gente se atropela...

04 Agosto 2018 09:50:00




... atropela a alma, o corpo, o tempo de amadurecimento de um experiência, de uma percepção.

Nossa vida e nosso destino, decididamente, são determinados pelas nossas escolhas. Raramente temos apenas um caminho a seguir, a não ser que seja um daqueles momentos, estilo "beco sem saída".

Todos os dias, com grandes ou pequenos atos, mas sempre com enormes decisões, determinamos o que faremos da nossa existência. A vida, porém, é cada vez mais rápida, e falta tempo para tudo, principalmente para nós mesmos.

Nos atropelamos e nos precipitamos, muito mais por cobranças sociais do que propriamente por aquilo que vivemos. Como podemos então administrar o tempo para que possamos olhar para dentro?

Atropelamos os dias, com todos os afazeres que temos, com as obrigações e coisas mais importantes, não guardamos alguns minutos para parar, sentar, respirar e pensar nos passos dados, no caminho seguido, na direção dos voos.

Não dá tempo de parar o atropelo para ponderar sobre nós mesmos.

Atropelamos os sinais do corpo, colocamos mais um antiácido no estômago, deixamos o xixi pra depois, temos que responder à urgência dos e-mails e whatsapps primeiro. Atropelamos a mastigação das refeições com digitações no celular. Atropelamos o momento de diálogo com o companheiro por coisas que temos que postar. Atropelamos um olhar, um apreciar, uma flor, um filosofar mais intenso e profundo com um vomitar nossas dores e falar sobre a vida dos outros.

Atropelamos nossos aprendizados diários com pensamentos que não vêm ao caso; atropelamos a possibilidade de outras explicações, de outros entendimentos, com a nossa fúria implantada, com a nossa dor pré-concebida, com os nossos vícios de ser o que já sabemos ser.

Atropelamos dando ouvidos demais para o que, no fim das contas, não interessa na nossa estrada. Atropelamos um olhar bonito, um cheiro bom, um momento único, com a vontade de que as coisas cresçam e vinguem no momento seguinte.

Atropelamos uma ocasião de chegada, um período de alívio, um coração rompido. Atropelamos o luto e o sentimento recém-nascido.

Atropelamos um abraço de uma criança, atropelamos tantas árvores todos os dias, atropelamos as boas ideias, a poesia.

Atropelamos as soluções com um excesso de problemas, atropelamos a maré mansa de dentro com obrigações e perspectivas.

Atropelamos quem não se atropela e senta um pouco, todos os dias, teimosamente, no meio da estrada dos atropelados.

Atropelamos os dias, a geografia, a nossa história de vida. Atropelamos o te amo da mãe no telefone, atropelamos as presenças com o nosso constante foco na falta, atropelamos os pequenos significados com expressões gigantescas que vivemos esperando pousar na nossa janela.

Atropelamos o silêncio, o nosso e o dos outros, atropelamos o futuro com nossos medos bobos, o passado, sujando com nossos apegos e desgostos, atropelamos o presente com a acidez do desconforto de não saber mais estar na própria pele.

... A gente se atropela.

"É na calma do silêncio que encontramos a paciência necessária para responder muitas perguntas que julgamos sem respostas".


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