35anos barrra.png
35anos barrra.png
  
Paula.png
Pensando bem

PARÊNCIAS, NADA MAIS...

29 Outubro 2018 11:42:00


(Foto: Divulgação) /

Quando se educa ou se é educado por alguém, é necessário cautela para não nos contentar com as aparências ou com a superficialidade. Vivemos em um mundo marcado pela rapidez das mudanças em várias situações. Uma vida frenética nos leva, em diversos momentos, a ter concepções, ponderações ou opiniões apressadas, e isso traz consigo um nível de superficialidade muito grande. 

Há várias pessoas que se satisfazem com as aparências, seja aparência em relação à própria imagem ou aparência em relação àquilo que ostentam. A ostentação da propriedade, o consumismo, o desespero de viver algo que aparenta, mas que, de fato, não se é. 

Agostinho de Hipona, um dos grandes filósofos e teólogos da história, proferiu a frase: "Não sacia a fome quem lambe pão pintado", ou seja, é preciso ir até ele. 

E quantas pessoas hoje não se satisfazem com um mundo ilusório, em que se procura saciedade a partir daquilo que é mera representação, somente uma simulação do que seria a realidade? A educação tem a função de nos tirar da superficialidade, mas, para isso, precisamos ser humildes. No entanto, muitos confundem humildade com humilhação. Ser humilde não é ser servil ou amedrontado. 

A palavra "humildade" tem sua raiz em "humus", que significa "o solo sob nós",?isso é, estamos todos no mesmo patamar. Humildade intelectual é a capacidade de sabermos que nós estamos no mesmo nível como fonte de conhecimento para outra pessoa. Eu sei que ensino e sei que aprendo. Só é um bom ensinante quem for um bom aprendente. 

A pessoa que possui humildade intelectual não é arrogante. É aquela que, por conhecer algo, não acha que domina tudo que pode ser conhecido. Humildade intelectual é compreender que ninguém sabe tudo o tempo todo, de todos os modos. 

No entanto, ao evoluirmos, ao nos aperfeiçoarmos constantemente, enfrentamos um grande perigo, que é a bajulação. E é um perigo para o bajulado. Porque a pessoa que bajula, que faz um elogio exagerado, nos impede de ter uma visão crítica sobre o que estou pensando. Ela faz com que exista uma diminuição da capacidade de correção de rota. 

Como ninguém é capaz de fazer tudo certo, o tempo todo, de todos os jeitos, o bajulador é um inimigo poderoso. O pensador Tácito dizia que os bajuladores são o pior tipo?de inimigo, porque eles reduzem nossa capacidade de rever, de reinventar, de refazer. 

O bajulador, ao dizer que aquilo que?eu fiz, escrevi, cantei, mostrei é o melhor, aquele que fica o tempo todo me adulando, danifica a minha habilidade de reinterpretar, de aprimorar, de me alçar a um patamar superior. 

Ainda que todo elogio, quando merecido, nos faça bem, é preciso distinguir o que é elogio do que é adulação, aquilo que nos deixa de olhos vendados. 

"Pessoas, muito mais que coisas, devem ser restauradas, revividas, resgatadas e redimidas: jamais jogue alguém fora". (Audrey Hepburn ) 

JORNAL "A SEMANA"
Rua Daniel Moraes, 50, bairro Aparecida
89520-000  -  Curitibanos/SC  -  (49) 3245-1711