Curitibanos,
35anos barrra.png
35anos barrra.png
  
Paula.png

Nem sempre ficamos com o grande amor de nossas vidas

12 Maio 2018 07:00:00

Às vezes, você tem sonhos maiores que os de seu amor

Ana Paula Della Giustina


(Foto: Divulgação)

Acredito em um grande amor. Não tenho expectativas frívolas sobre o amor. Sou uma, daquelas pessoas um pouco cínicas devido à experiência vivida, mas acredito no grande amor. O amor do tipo "não acredito que isto existe na esfera física deste planeta". 

O tipo de amor que explode em um fogo incontrolável, depois vira brasas ardentes e continua a arder quentinho e confortável por anos. O tipo de amor sobre o qual se escrevem romances e compõem sinfonias. O tipo de amor que lhe ensina mais do que você jamais pensou que pudesse aprender e lhe devolve infinitamente mais do que tira de você.

É o amor do tipo "o grande amor de sua vida". E acredite em mim, esse amor funciona assim: se você tem sorte, você conhece o amor de sua vida. Você tem a chance de ficar com ele, aprender com ele, entregar-se inteiramente a ele, e deixar que sua influência o transforme. É uma experiência diferente de qualquer outra coisa que podemos ter neste mundo.

Mas o que os contos de fadas não nos dizem é o seguinte: às vezes, conhecemos o amor de nossa vida, mas não podemos ficar com ele. Não podemos nos casar com a pessoa, passar nossa vida ao seu lado, segurar sua mão no seu leito de morte depois de uma vida bem vivida juntos.

Nem sempre conseguimos ficar com o amor de nossa vida, porque, no mundo real, o amor não conquista tudo. Ele não resolve diferenças irreparáveis, não triunfa sobre doenças, não lança uma ponte sobre divergências religiosas e não nos salva de nós mesmos quando nos corrompemos.

Nem sempre conseguimos ficar com o amor de nossa vida, porque, às vezes, o amor não é tudo que existe.

Às vezes, você quer uma casa no campo com três filhos, e ele quer uma vida profissional agitada na cidade grande. Às vezes, você tem um mundão inteiro para explorar e ele tem medo de sair de seu próprio quintal. Às vezes, você tem sonhos maiores que os de seu amor. Às vezes, a coisa mais generosa que você pode fazer é deixar seu amor ir embora. Outras vezes, você não tem escolha.

Mas há outra coisa que as pessoas não lhe dizem sobre encontrar o grande amor de sua vida: o fato de você não passar o resto de sua vida com essa pessoa não diminui a importância dela.

Algumas pessoas, você pode amar mais em um ano do que poderia amar outras em 50 anos. Algumas pessoas podem lhe ensinar mais em um único dia que outras durante uma vida inteira. Algumas pessoas entram em nossa vida apenas por um período específico, mas têm um impacto que ninguém jamais poderá equiparar ou substituir.

E como podemos deixar de chamar essas pessoas de qualquer outra coisa senão o grande amor de nossa vida? Quem somos nós para minimizar sua importância, reescrever suas memórias, alterar as maneiras em que elas nos mudaram para melhor, apenas porque seguimos caminhos diferentes? Quem somos nós para decidir que precisamos a todo custo substituí-las, encontrar um amor maior, mais apaixonado, que possamos agarrar por toda a vida?

Quem sabe, devemos simplesmente sentir gratidão por termos conhecido essa pessoa. Por termos tido a oportunidade de amá-la e aprender com ela. Porque nossas vidas puderam crescer e florescer porque a conhecemos.

Conhecer o grande amor de sua vida e deixá-lo ir embora não precisa ser a maior tragédia de sua vida. Se você permitir, pode ser sua maior bênção. Afinal, algumas pessoas nunca chegam a conhecer seu grande amor.


JORNAL "A SEMANA"
Rua Daniel Moraes, 50, bairro Aparecida
89520-000  -  Curitibanos/SC  -  (49) 3245-1711