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Felicidade é consumir?

20 Outubro 2017 22:00:00

Ana Paula Della Giustina


"Quem tem dinheiro realiza o sonho, quem não tem lida com a frustração"


O consumismo é uma compulsão caracterizada pela busca incansável de novos objetos, sem que tenhamos necessidade dos mesmos. Após a Revolução Industrial, criou-se uma mentalidade de que, quanto mais consumimos, mais temos garantias de bem-estar, prestígio e valorização, já que, atualmente, as pessoas são avaliadas pelo que possuem e não pelo que são.

Muitos problemas seriam evitados se o ser humano limitasse seus desejos e conduzisse sua vida de acordo com suas reais aspirações. As grandes empresas, visando o lucro, espalham, através da mídia, a necessidade de incorporarmos seus produtos às nossas vidas como se fossem indispensáveis à nossa felicidade. A existência material passa a ser a única realidade possível e todos os atos e valores ficam a ela ligados. O ponto de vista estreita-se e toda fonte de energia do ser humano passa a ser utilizada em função de sua segurança, de seu bem-estar momentâneo e ilusório. Aproveitando-se da natural disposição do ser humano em se enfeitar, a vaidade, além de ser vista como algo positivo, é encorajada por estímulos de toda ordem. Beneficiando-se do cansaço físico e mental, as grandes emissoras, no fim do dia, e principalmente em sua programação noturna, repetem de forma contínua, os apelos comerciais, sem nenhum respeito ou consideração pelas nossas escolhas e opções. Se, por um lado, a Revolução Industrial proporcionou o aumento da produção, possibilitando o acesso de um mesmo produto a um grande número de pessoas, por outro, extinguiu nossas diferenças, nos tornando iguais.

A banalização do consumo nos remete a um questionamento sobre o papel da mídia na sociedade atual. No início da publicidade, os profissionais preocupavam-se somente em explicar o que era e para que servia determinado produto. Hoje, isso mudou. Rolf Jensen, em seu livro "A Sociedade do Sonho", indica um caminho que nos permite vislumbrar um horizonte, onde os produtos, no futuro, apelarão para nossos corações e não para nossas cabeças. Quando isso acontecer, o modelo que prevalecerá não será mais o da Sociedade da Informação, mas o da Sociedade dos Sonhos.

Há algo de inquietante nessa previsão. É difícil imaginar um mundo de sonhos, num planeta onde a publicidade alcança pobres e ricos (muito mais pobres do que ricos),

que são seduzidos pelos mesmos apelos de consumo, mas não respondem

a esses apelos do mesmo modo.

Em resumo: quem tem dinheiro realiza o sonho, quem não tem lida com a frustração e a angústia de viver numa sociedade de consumo que privilegia não o que se é, mas o que se tem.

Para piorar a situação, mesmo quem tem dinheiro para bancar o sonho, muitas vezes, mergulha no pesadelo de não conseguir preencher o vazio existencial que continua incomodando, mesmo com a carteira repleta de dinheiro e cartões de crédito.

Nós vivemos em um planeta que oferece o necessário para todos. Se, mesmo assim, não conseguimos ser felizes, talvez a culpa seja nossa, que ainda não conseguimos identificar e priorizar o que é importante e o que realmente faz diferença em nossas vidas ou quem sabe, que faz nossa vida diferente!


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