35anos barrra.png
35anos barrra.png
  
Paula.png
PENSANDO BEM

A morte e a dor da saudade

05 Novembro 2018 17:54:00


(Foto: Renata Westphal) /

"Não sei porque você se foi, quantas saudades eu senti? E de tristezas vou viver, e aquele adeus não pude dar...?Você marcou na minha vida, viveu, morreu na minha história?Chego a ter medo do futuro e da solidão que em minha porta bate...". 

(Tim Maia) 

A dor vira tristeza, a tristeza vira saudade e a saudade fica guardada no coração. 

Nesta de semana, celebramos o Dia de Finados. Dia que a tradição católica dedica especialmente àqueles que já partiram desta para outra vida. Morte. 

A palavra, por si só, já carrega um peso, uma história. É a única certeza que temos na vida, a de que todos nós morreremos um dia. Mas é difícil se preparar para perder alguém. Algumas pessoas conseguem lidar melhor com as perdas, mas acredito que a maioria das pessoas não está preparada para ver retirado bruscamente de sua vida alguém que ama. A gente sente uma saudade diferente.?É uma saudade atrelada à certeza de que?isso nunca vai passar. É uma saudade que parece ser para sempre, eterna. Apenas nos habituamos a coexistir com a falta, mas não esquecemos, não deixamos de sentir falta... As memórias perpetuam-se, o peito aperta em cada lembrança, e só o tempo pode apaziguar o coração... 

A compreensão da morte depende da crença religiosa de cada um. Cada um interpreta o ato de morrer de uma forma distinta. Para alguns, voltaremos em uma nova vida; para outros, ali acaba a vida; teorias não faltam para tentar elucidar a morte... Mas o fato é que é difícil perder alguém. Um vazio parece alastrar-se em nosso peito, a sensação de que você não está vivendo aquilo, uma vontade de que seja tudo um sonho, um desespero que a gente não consegue explicar... O descontrole inicial passa, e você cai na real: a pessoa já não está em sua vida, não daquele jeito a que você estava habituado. 

Aquela rotina que vocês tinham já não existe. Você espera a pessoa chegar na hora de costume, mas ninguém bate à porta... Espera ouvir a voz dando bom dia, contando histórias, relembrando fatos, falando qualquer coisa... As fotos trazem lágrimas, você pensa que podia ter feito tanta coisa mais, pensa que podia ter feito algo diferente, pensa?que podia ter falado tanto mais, ainda que não tenha feito nada de errado... Enfrentar a morte é um processo que exige tempo para que consigamos lidar melhor com a situação, com a ausência em si...?Mas a vida segue seu rumo, dura, cruel impiedosa. Os dias vão passando e o resto de sua vida caminha a passos largos, ainda que você precise dar um tempo de tudo. Afinal,?é impossível desvincular o emocional das nossas rotinas diárias. 

A fase de luto não é fácil. Machuca,?dói... Nossas lembranças se voltam contra nós, porque trazem à tona imagens que gostaríamos de esquecer. Sinto falta de termos mais tempo para nós mesmos, porque um dia nós é que vamos morrer... e a perda me fez pensar no quanto é importante se preocupar com o que andamos fazendo de nossas vidas. 

As lágrimas ainda caem, mas o riso já estampa meu rosto... Um dia seremos nós deixando esse mundo. Mas enquanto eu estiver nele, decidi que vou fazer o melhor para ser feliz e viver. 

oda perda nos faz refletir... Eu quero aproveitar cada momento que eu posso?ter ao lado das pessoas que amo. Quero aproveitar cada segundo ao lado delas... Chorarei pela perda de cada um que amo, mas farei brilhar no rosto um sorriso, por ter podido compartilhar tudo o que foi possível enquanto estavam ao meu lado. "A saudade eterniza a presença de quem se foi..." (Padre Fábio de Melo). 

JORNAL "A SEMANA"
Rua Daniel Moraes, 50, bairro Aparecida
89520-000  -  Curitibanos/SC  -  (49) 3245-1711