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A falta que infelicita

11 Agosto 2018 08:35:00

Você já percebeu que temos uma

tendência a valorizar muito mais aquilo

que não possuímos do que aquilo que

conquistamos?

Aquilo que não temos nos aborrece,

nos magoa, nos deixa amargos, enquanto

aquilo que temos não necessariamente

nos alegra.

O filósofo francês Voltaire lembrava que

"somos infelizes pelo que nos falta e não

somos felizes pelas coisas que temos".

Aquilo que nós temos não

obrigatoriamente nos dá felicidade e

alegria. Repousar, comer, dormir, brincar,

não necessariamente é felicidade; mas,

por exemplo, não dormir é insuportável.

Aquilo que possuímos nem sempre nos

deixa felizes, entretanto, aquilo que não

temos nos infelicita de uma maneira mais

intensa.

Em sua busca pela felicidade, o homem

embrenha-se em caminhos tortuosos.

É frequente o conflito entre ser feliz

e realizar suas ilusões. Para a criatura

instintiva, pode parecer imprescindível que

todos os seus sonhos se realizem, para

que ela se considere completa.

Ocorre ser a felicidade, sob esse

aspecto, uma fantasia de impossível

realização. O ser humano é ilimitado em

seus devaneios e ilusões. Concretizando

um projeto, surge logo outro, mais

audacioso.


"O SER HUMANO

É ILIMITADO EM

SEUS DEVANEIOS

E ILUSÕES"


Se for a falta da casa própria que

infelicita, após sua conquista, com

frequência, deseja-se outra melhor ou

maior. Ao desejo de ser dono de um

automóvel em bom estado, ocorre a

vontade de adquirir um carro do ano.

Quem tem casa e carro, muitas vezes,

deseja viajar ou garantir a faculdade dos

filhos.

É o desejo de destacar-se na carreira,

frequentar o melhor clube da cidade, ter

roupas luxuosas ou joias. Muitas dessas

aspirações são legítimas, mas sempre

surge algo novo a ser conquistado e nem

tudo que se almeja acontece.

Se for indispensável alcançar todos os

sonhos para o homem se sentir pleno, a

frustração será sua invariável companheira.

Por outro lado, ao desavisado, pode

parecer que tudo é legítimo para alcançar

suas metas. Talvez toda dificuldade seja

considerada uma barreira a ser removida a

qualquer preço.

Se o casamento não vai bem, pode

parecer melhor terminá-lo, para encontrar

outra pessoa que seja perfeita. O familiar

adoentado ou de difícil convívio, quem

sabe, seja alguém a ser evitado a todo

custo, sob a falsa desculpa de preservar

a própria paz. Ora, a superficialidade e

a infantilidade desse modo de viver são

óbvias demais.

O progresso é uma das leis da vida,

e o homem é sempre chamado a

aperfeiçoar-se, tornar-se melhor e mais

forte. Felicidade não é sinônimo de cofres

cheios, vaidades satisfeitas, absoluta

ausência de problemas e desafios. Os

empecilhos, os desejos não alcançados, as

limitações têm o objetivo de sensibilizar-nos.

Eles nos auxiliam a dar valor ao que

é eterno, em detrimento do transitório.

A conquistar, mediante a renúncia das

ilusões, a tão imaginada paz: o tesouro

depositado onde ninguém pode roubar.

Felicidade, pois, não é ter tudo o que

se quer, mas estar em harmonia com a

própria consciência e com as leis divinas.

Entre concretizar uma fantasia e atender às

próprias obrigações, o homem ponderado

não pode vacilar. Se um sonho, para

realizar-se, exigir violação de compromissos

assumidos, ou não se amoldar a uma

consciência tranquila, é melhor desistir dele,

por mais atraente que seja.

Consciência pesada é algo incompatível

com a plena realização do indivíduo. Não

há felicidade sem paz e não há paz sem

deveres implacavelmente cumpridos.

Pensemos nisso!

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