Curitibanos,
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26 Maio 2018 00:05:00


(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Um dos meus desejos quando criança, e acho que de muita gente, especialmente quando tínhamos alguma prova, um trabalho na escola, era nascer sabendo. "Por que eu não nasci sabendo?" Aí eu não precisava levantar tão cedo para estudar. Nem ficar até tarde na leitura de um livro. Aquele sonho de nascer sabendo tem uma forte marca de infantilidade. 

Nascer sabendo, mesmo que pudesse nos dar algum conforto, seria fortemente negativo na nossa história. Se nascêssemos sabendo, só poderíamos fazer aquilo que já sabíamos, portanto, entraríamos num processo de repetição, de falta de criatividade, de incapacidade de inovação. Uma das coisas que nos caracteriza como espécie humana é sermos capazes de construir e recriar outra forma de vida individual e coletiva.

Isso se dá porque, de fato, não nascemos sabendo. Embora seja uma situação boa de imaginar, nascer sabendo nos colocaria no mesmo patamar de outras espécies que apenas reproduzem, clonam aquilo que já têm. A nossa capacidade seria repetitiva, redundante, isso é, do mesmo modo que já estava.

Que bom se nascêssemos sabendo: esse foi um desejo pontual. No geral, não seria bom, de forma alguma.

A cultura, em seu verdadeiro significado, é a soma da informação com a vivência e a experiência. Não se restringe, portanto, como erroneamente se supõe, ao acúmulo de conhecimentos mal entendidos e pessimamente digeridos.

Ou mesmo que bem assimilados, não importa. Não é necessário que um indivíduo colecione diplomas, para ser verdadeiramente culto. Temos exemplos em profusão a esse respeito. O mais conhecido é o de Machado de Assis, que jamais cursou qualquer escola, e, no entanto foi, sem favor algum, o maior dos nossos escritores. Foi um aplicado autodidata que soube o que fazer com aquilo que aprendeu.

Algumas pessoas nos encontram e dizem: "Mas você não é mais o mesmo". Nem sempre isso deve ser entendido como uma ofensa. Vez ou outra pode ser olhada como um elogio, afinal de contas, a constância, de pensar e agir, não necessariamente é um indicador de coerência. Pode ser um indicador de intransigência, de intolerância, de incapacidade de pensar de outro modo.

Desse ponto de vista, há uma inconstância eventual que nos ajuda a criar, a reinventar, a refazer. Essa capacidade foi um dia reconhecida por Aldous Huxley, um britânico que produziu uma magnífica obra: Admirável mundo novo, que disse: "A constância é contrária à natureza, contrária à vida. As únicas pessoas completamente constantes são os mortos".

Frase forte, mas com um ponto de reflexão. Não se trata de simplesmente alterar o modo como se pensa ou se faz algo só porque o vento bate em outra direção, mas de não ser constante numa única direção, porque pode ser um sinal de inflexibilidade mental, e isso não é bom.

"Nascer sabendo é uma limitação, porque obriga a apenas repetir e, nunca, a criar, inovar, refazer, modificar. Quanto mais se nasce pronto, mais refém do que já se sabe e, portanto, do passado; aprender sempre é o que mais impede que nos tornemos prisioneiros de situações que, por serem inéditas, não saberíamos enfrentar." (Mario Sergio Cortella)


19 Maio 2018 09:13:00


(Foto: Divulgação)


"Há momentos em que você precisa escolher entre virar a página ou fechar o livro".

Num instante, nos são oferecidas várias escolhas: para onde ir, o que fazer, usar ou consumir. Com essa enormidade de opções, nos tornamos inseguros, inconstantes com relação às nossas opções, exigentes e intransigentes com aquilo que escolhemos e sujeitos a reclamar de tudo o que nos foi oferecido. Além disso, em nenhum momento, nos foi ensinado como escolher com mais sabedoria e segurança, porque até recentemente esse não era um grande problema: tínhamos poucas alternativas com relação a tudo e nos satisfazíamos com menos. Em outras palavras, além de ser paralisante, o excesso de opções nos deixa mais predispostos a ficar descontentes com o que escolhemos quando saímos da indecisão. Esse sentimento pode prejudicar um brilhante e feliz caminho. O mais sábio depois de ter sido feita uma escolha consciente é confiar nela.

Assim, simplifique, reduza suas opções, sem dó nem piedade. Procure manter o foco no que é importante para você. Procure mais qualidade e menos quantidade. Acredite: não se pode ter tudo na vida e toda escolha inclui perdas. Por isso, é sempre melhor ficar com o que tem mais qualidade. Esteja consciente ao tomar suas decisões. Em outras palavras, não seja impulsivo, ouça com atenção sua voz interior e esteja atento ao que é mais profundo e relevante para sua vida.

Tenha um norte, do que realmente importa para você, e escolha de acordo com ele.

Integridade, verdade, ética, consciência e generosidade são bons orientadores de rota e escolhas. Quem leva em consideração essas qualidades costuma acertar.

Enfim, escolhas podem não ser bem-sucedidas quando idealizamos quem somos e, também, quando consideramos demais o que os outros acham. Levar em conta só o externo pode nos afastar do que deseja nosso coração. Para isso, é preciso nos conhecermos mais, saber ouvir e reconhecer nossa voz interior, sem julgar.

Escolhas feitas com a cabeça quente ou num momento muito confuso são capazes de gerar más consequências. Podem ser motivadas por raiva, ciúmes, insegurança, inveja, uma grande paixão? Por isso, a primeira sugestão é simplesmente: "Pare!". Ou seja, interrompa a enxurrada que brota no seu peito e aprenda a reconhecer que esse é um mau momento para decidir alguma coisa. A segunda é: "Espere". Talvez seja melhor não decidir nada por enquanto. É possível que a noite escura que você atravessa seja apenas uma fase temporária. "Não se muda o rumo no meio do nevoeiro", escreve o suíço Bertrand Georges. Mas a perguntinha maliciosa e insistente que pode surgir é: "E se você se enganou?". Com essa questão, surgem outras inquietações: a dúvida de que nada será como antes, de que a dificuldade durará para sempre e de que existe uma só saída possível, a fuga. Isso não é verdade. Muita água ainda pode rolar debaixo dessa ponte se, como bons comandantes, tivermos a coragem de manter o leme na mesma direção durante a tempestade. "Devemos. então. aceitar não viver segundo o que vemos e sentimos, mas segundo o que cremos e com o que nos comprometemos anteriormente", prossegue Bertrand Georges. Para que essa decisão se mantenha firme, ele aconselha um mergulho profundo na vida espiritual. Ela será a fonte de nutrição e força que nos auxiliará a fazer essa travessia.



12 Maio 2018 07:00:00
Autor: Ana Paula Della Giustina

Às vezes, você tem sonhos maiores que os de seu amor

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(Foto: Divulgação)

Acredito em um grande amor. Não tenho expectativas frívolas sobre o amor. Sou uma, daquelas pessoas um pouco cínicas devido à experiência vivida, mas acredito no grande amor. O amor do tipo "não acredito que isto existe na esfera física deste planeta". 

O tipo de amor que explode em um fogo incontrolável, depois vira brasas ardentes e continua a arder quentinho e confortável por anos. O tipo de amor sobre o qual se escrevem romances e compõem sinfonias. O tipo de amor que lhe ensina mais do que você jamais pensou que pudesse aprender e lhe devolve infinitamente mais do que tira de você.

É o amor do tipo "o grande amor de sua vida". E acredite em mim, esse amor funciona assim: se você tem sorte, você conhece o amor de sua vida. Você tem a chance de ficar com ele, aprender com ele, entregar-se inteiramente a ele, e deixar que sua influência o transforme. É uma experiência diferente de qualquer outra coisa que podemos ter neste mundo.

Mas o que os contos de fadas não nos dizem é o seguinte: às vezes, conhecemos o amor de nossa vida, mas não podemos ficar com ele. Não podemos nos casar com a pessoa, passar nossa vida ao seu lado, segurar sua mão no seu leito de morte depois de uma vida bem vivida juntos.

Nem sempre conseguimos ficar com o amor de nossa vida, porque, no mundo real, o amor não conquista tudo. Ele não resolve diferenças irreparáveis, não triunfa sobre doenças, não lança uma ponte sobre divergências religiosas e não nos salva de nós mesmos quando nos corrompemos.

Nem sempre conseguimos ficar com o amor de nossa vida, porque, às vezes, o amor não é tudo que existe.

Às vezes, você quer uma casa no campo com três filhos, e ele quer uma vida profissional agitada na cidade grande. Às vezes, você tem um mundão inteiro para explorar e ele tem medo de sair de seu próprio quintal. Às vezes, você tem sonhos maiores que os de seu amor. Às vezes, a coisa mais generosa que você pode fazer é deixar seu amor ir embora. Outras vezes, você não tem escolha.

Mas há outra coisa que as pessoas não lhe dizem sobre encontrar o grande amor de sua vida: o fato de você não passar o resto de sua vida com essa pessoa não diminui a importância dela.

Algumas pessoas, você pode amar mais em um ano do que poderia amar outras em 50 anos. Algumas pessoas podem lhe ensinar mais em um único dia que outras durante uma vida inteira. Algumas pessoas entram em nossa vida apenas por um período específico, mas têm um impacto que ninguém jamais poderá equiparar ou substituir.

E como podemos deixar de chamar essas pessoas de qualquer outra coisa senão o grande amor de nossa vida? Quem somos nós para minimizar sua importância, reescrever suas memórias, alterar as maneiras em que elas nos mudaram para melhor, apenas porque seguimos caminhos diferentes? Quem somos nós para decidir que precisamos a todo custo substituí-las, encontrar um amor maior, mais apaixonado, que possamos agarrar por toda a vida?

Quem sabe, devemos simplesmente sentir gratidão por termos conhecido essa pessoa. Por termos tido a oportunidade de amá-la e aprender com ela. Porque nossas vidas puderam crescer e florescer porque a conhecemos.

Conhecer o grande amor de sua vida e deixá-lo ir embora não precisa ser a maior tragédia de sua vida. Se você permitir, pode ser sua maior bênção. Afinal, algumas pessoas nunca chegam a conhecer seu grande amor.



05 Maio 2018 07:05:00


"Quando temos fé, o impossível começa a acontecer e transforma nosso caminho". 

Falar de religião é polêmico. Todos nós conhecemos a frase "Religião, futebol e política não se discute". Mas não deveria ser assim. Se pensarmos bem, todas as crenças levam a um objetivo comum: a conexão com Deus e a busca pela paz.

Como alicerce de vida, eu tenho minha fé e a minha relação com o Criador. Além disso, nutro profundo respeito por todas as religiões. Admiro o Papa Francisco, mas acima de tudo, minha crença está na existência de Deus.

Percebi que, quando temos fé, o impossível começa a acontecer e transforma nosso caminho. A fé do tamanho de um grão de mostarda é capaz de dissolver montanhas de obstáculos e medos.

Aprendi que a coragem não é apenas um ato de bravura diante de um perigo. Coragem é aceitar a vida como ela é. É sentir compaixão, gratidão, bondade. Coragem é aprender com as dificuldades e superá-las com aceitação e paciência.

A coragem é intrínseca a cada um de nós. Mas, por sentir medo, algumas pessoas se privam de alegrias. É preciso muita coragem e determinação para despertar a coragem que está inata dentro de nós.

Muitos de nossos medos são antigos e precisamos desfazer essas crenças e impressões de limitação e medo do mundo e do desconhecido. Portanto, são necessárias as práticas espirituais para experimentar o espaço do destemor dentro de nós. Elas nos fazem entrar em contato com esse espaço interior e nos tornam conscientes da ajuda de Deus.

Ter coragem é crer que os problemas não são maiores do que nós mesmos. É descobrir que somos capazes de encarar o que nos acontece com força interior e aceitação.


"QUANDO TEMOS FÉ, O IMPOSSÍVEL COMEÇA A ACONTECER"


É importante aprender a dizer não quando for necessário, com coragem e sem medo. E, quando for o momento de dizer sim, sentir a mesma coragem e confiança. Cultive a fé, desenvolvendo devoção a Deus e uma mente positiva, com auto-esforço e motivação. Não perca sua fé com sentimentos de medo, ciúme, raiva e orgulho. Controle seus sentidos e emoções para proteger a fé que conquistou.

Não permita que seus sentidos e emoções governem sua vida, jogando fora sua coragem e confiança. Descubra o que disse Osho: "A vida começa onde termina o medo".

Tenha a coragem de reconhecer seu próprio valor. Descubra suas qualidades e sua própria coragem. Se você persistir na jornada espiritual, buscando fé e uma mente confiante, as dificuldades não o deterão. Ore para aumentar sua fé e auto-confiança.

Muitas pessoas dizem: "É difícil orar... não consigo". Mas, a oração é tão natural como o sono. Ninguém lhe ensinou a dormir. É algo que você sabe. E assim, é a mesma coisa com a oração. Ela acontece através de sua entrega e prática constante.

Orar é voltar-se para dentro, sem lutar com os pensamentos. Aprende-se a orar, orando. Desenvolva um coração corajoso. Supere seus medos e ansiedades, descobrindo seu verdadeiro valor, conectando-se com Deus, através da oração e do poder da fé.

Refugie-se no seu próprio Ser interior e encontre abrigo dentro de você. Sempre pratiquei a oração. Todos os momentos difíceis da minha vida foram acalmados pela minha fé. Quando se entende o poder da prece, o hábito de conversar com Deus passa a ser indispensável. A fé transporta montanhas, por que não transformaria o mundo?


28 Abril 2018 10:47:00


(Foto: Divulgação)


"Não é a profissão que determina nossos caminhos, mas a motivação que nos leva até ela".

 A pergunta "o que você vai ser quando crescer?" sempre me afligia. Eu poderia ser o que escolhesse: bailarina, astronauta, médica, arqueóloga ou cientista. Todas essas profissões me habitavam. Mas, aos poucos, percebi que nenhuma delas, de fato, me representava.

 Quando comecei a escrever este texto, troquei ideias com várias pessoas. O objetivo era compreender como conseguir ser feliz naquilo que se faz. É possível unir felicidade, satisfação e trabalho? A partir deste questionamento, comecei a compreender que o problema em relação à nossa atividade profissional começa lá na nossa infância. Crescemos ouvindo: "o que você vai ser quando crescer?; qual profissão você vai escolher?; qual será o seu trabalho?". Ninguém, nem nós mesmos, fazemos a pergunta certa: "qual trabalho conversa com a nossa alma?".

Parece louco dizer que, apreciar a criança que fomos, nos ajuda a encontrar nossos caminhos profissionais. Mas creia, isso é fundamental para reconhecer um trabalho que esteja de acordo com a pessoa que você é. Do que você gostava de brincar? O que exatamente o atraía na brincadeira? Lembro que a primeira vez que fui interrogada sobre isso, estranhei muito. Entre as brincadeiras de criança e o que me motivava a gostar delas estava a tal da conversa com a alma. No meu caso, eu gostava de inventar, de elaborar histórias, de observar e perceber como cada um interagia com o outro.

A decisão de seguir este ou aquele caminho profissional não pode ser ditada apenas pelo mercado ou pelo pagamento, mas por aquilo que você quer para si.

A partir deste ponto, você também passa a entender que sua gama de possibilidades é bem maior do que imaginava. O seu caminho não é mais ditado pelo que você escolheu como profissão, o que é limitante demais, mas pelo que está por trás disso, o que o atrai, toca, conversa com você dentro daquilo que faz todos os dias.

 De acordo com a história, por exemplo, nunca tivemos tantas opções de caminhos como hoje em dia, onde as oportunidades de carreira se expandiram e as escolhas também.

 O sentido está diretamente ligado a ver algum sentido no que se faz. A questão é você ver significado onde atua, não só para você, mas para as pessoas ao redor. Outro tema tem a ver com não se acomodar diante daquilo que não lhe faz bem. Trabalhar somente para pagar as contas e se ver aprisionado a algo de que não gosta, e esperar ser feliz quando a aposentadoria chegar, pode ser uma boa forma de desperdiçar tempo e energia de vida.

 Além disso, o trabalho dos sonhos, a carreira ideal, não é algo que encontramos, mas sim que cultivamos. Nunca estará pronto, inteiramente perfeito. A vida se transforma o tempo todo, a gente amadurece, percorre caminhos, e as nossas aspirações e desejos profissionais também se alteram. É uma conquista diária, e essa é a graça maior dessa história toda. Então, não se arraste pela vida em algo que não o faz feliz. Haverá uma hora em que você vai necessitar mudar. E, quando o medo ou a dúvida apertarem, lembre-se de fazer a pergunta mais acertada: "o que o trabalho está conversando com a minha alma agora?". Trabalhar é uma das práticas que mais fazemos ao longo da vida, afinal, todos nós precisamos de uma ocupação para nos sustentar e contribuir com a sociedade, no entanto, como afirma Albert Camus "somos responsáveis por aquilo que fazemos, o que não fazemos e o que impedimos de ser feito".



21 Abril 2018 08:00:00
Autor: Ana Paula Della Giustina

Sabor e cheiro são fortes testemunhos do passado

Quase toda família guarda um. Rasgado, com páginas amareladas e letra manuscrita. Dentro, verdadeiras relíquias culinárias, os cadernos de receita são verdadeiros tesouros da nossa memória familiar. 

Quem nunca passeou os olhos por um caderno de receitas antigo? Dependendo da família, eles ficam guardados na cozinha, em meio aos livros de receitas ou ganham destaque na decoração da casa. Mais que guardar modos de preparo, eles guardam a história da família.

Afinal, poucos são aqueles que não guardam cheiros e sabores na memória, vindos das panelas de mães, avós, tias, madrinhas ou vizinhas habilidosas. O preparo de um bolo não é só a mistura do ovo, da farinha e do leite, mas narra a trajetória de uma família, suas tradições, seus caminhos. O cheiro que sai da cozinha não nos avisa apenas que haverá carne ensopada, o barulho agudo da panela de pressão, não alerta só que o feijão está pronto. Ele nos lembra do tempero especial da mãe, da tia, da avó e todas as lembranças construídas e conversas ligadas ao longo das intermináveis refeições que habitam nossas memórias mais queridas.

Muito do que somos é definido por essa trajetória culinária. Alguns preservam tais memórias fora da cabeça, em cadernos de receitas antigos, com segredinhos escritos à mão e páginas amareladas, verdadeiras relíquias de família. Muito mais do que simples anotações, esses cadernos são documentos de um tempo. Pelo seu conteúdo é possível conhecer questões de gênero (numa época em que o poder da mulher era exercido através da culinária, com segredos passados de geração em geração), econômicas (tempos de fartura implicavam muito ingredientes, de recessão, modéstia nos pratos) e culturais (indícios de núcleos familiares numerosos, que exigiam receitas com grande quantidade de ingredientes).

Um tesouro rico em afeto e amor, escrito há muitos anos, já que as receitas, na sua maioria, vinham com o nome de quem criou ou de quem ensinou. Tem a bolacha da Maria, o bolo da D. Elma, a cuca da nona.

O caderno guarda além das lembranças escritas, marcas de gordura, leite, temperos e farinha. Se analisarmos essas receitas, podemos até perceber a evolução do hábito alimentar: quantidade de ovos, açúcar ou banha de porco das receitas. Mas o que me chama mais a atenção é o "código de unidade de medidas" usado: um copo pela risca, um prato fundo menos um dedo e por aí vai. Mesmo com essa imprecisão de detalhes, esses registros simbólicos recontam momentos vividos em volta da mesa, onde a convivência possibilitava ricas trocas.

Com o tempo, notei que foi se perdendo esse hábito de registrar as receitas de família. Quando converso com outras pessoas sobre isso, vejo que essa dificuldade é generalizada. Muita gente sente falta das receitas passadas de geração pra geração, um lugar real pra anotar os 'pulos do gato', os truques da nona, para aquele bolo ficar fofinho. Um lugar pra gente deixar de presente pra posteridade.

É que sabor e cheiro são fortes testemunhos do passado. E afirmam que esse passado a cada dia mais distante pode, a qualquer momento, se fazer presente através do poder de sentidos como paladar e olfato.

Sim, cadernos de receitas representam tudo isso. São ferramentas para se observar a vida cotidiana do nosso passado e presente. Isso já faz dos escritos culinários, por si só, narrativas preciosas. "Um patrimônio". Escritas que nos permitem olhar a comida antes de ela existir e acariciar a ideia de saboreá-la.

"Cozinha é também um lugar de memórias, de experiências, de conversas. Nem só de pão vive o homem".



14 Abril 2018 10:19:00

Tentar descobrir o lado bom das coisas dá trabalho


(Divulgação)

 Dizem que, na vida, quem perde o telhado ganha as estrelas. Às vezes, perdemos o que não queríamos, mas conquistamos o que nunca imaginamos. Nem tudo depende de tempo, mas sim, de atitude.

 Se analisarmos cuidadosamente, quando perdemos também ganhamos. Mesmo que esse ganho seja somente experiência, que é o que nos constrói e nos aprimora a cada momento.

 Em nossa vida, tudo tem dois lados. Por mais contrária que possa parecer uma situação, há sempre um lado bom. Tentar descobrir o lado bom das coisas dá trabalho, mas gera resultados admiráveis.

 Todos nós passamos por perdas, dores, desamores? É natural. O que não é normal é a competição com a dor do outro. É saudável falarmos sobre nossos problemas, desabafarmos com familiares, amigos, terapeutas... Mas é altamente prejudicial tornarmos a reclamação um vício, que nutre diariamente nossas angústias.

 Todos nós temos momentos de altos e baixos, mas os baixos só se tornam constantes quando desenvolvemos o costume de reclamar. Já os momentos altos prevalecem na nossa vida quando passamos a cultivar o costume de agradecer; assim, mesmo nos baixos não nos falta amparo. Por mais que passemos por uma dificuldade, o fôlego nunca acaba totalmente antes de voltarmos à superfície.

 Às vezes, perdemos o nosso telhado, as nossas certezas, mas como já aprendemos a contemplar as estrelas, elas nos guiam para outro lar ainda melhor que o anterior. Com certeza, perdemos sempre para ganhar. Pelo fato de muitas vezes sermos imediatistas, cremos que perda significa sofrimento e não merecimento. É a partir de uma perda que, muitas vezes, nos libertamos de nossa limitação/comodismo e partimos em busca do verdadeiro sonho, ficamos encantados com todo o Universo e ganhamos as mais lindas estrelas: sonhos alcançados, um verdadeiro amor, autoestima, novo emprego e amigos.

 Sou curitibanense. Tenho um orgulho enorme e amo ser daqui. Sou feliz e acredito que o melhor da vida é a família, a que temos e a que construímos. Otimista por natureza, creio que esta vida tem mais coisas boas que ruins e que, se formos bons, a vida retribui, mais cedo ou mais tarde. Tenho fé, muita. Acredito que o melhor ainda está para vir.

 Sou muito abençoada. Tenho um coração grato. Aqui, neste espaço semanal, tanto registro situações importantes do cotidiano, como dou a minha opinião sobre as coisas mais insignificantes. O meu objetivo é ser sempre íntegra no que escrevo, nas minhas crenças e nas minhas dúvidas. Sou apaixonada pela vida.

 Sou chorona, falo o que penso e sinto. Abro o meu coração e sigo os meus anseios. Muitas vezes, aventurando excessivamente. Não desisto facilmente das pessoas e daquilo que amo. Quando quero, persisto até ao meu limite, vou até o fim. Tenho muitas falhas. Não acredito em relações perfeitas. Acredito em relações felizes, com momentos perfeitos. Sejam elas familiares, amorosas ou de amizade. 

 Acredito que a felicidade está em muitas coisas, coisas pequenas, detalhes. Mas nem todos os veem. Já o amor, este está em todo o lado. O amor pelas pessoas, pela vida, pelos animais, pela profissão, pela natureza. Não creio que possamos ser felizes sem amor. Nos últimos meses, muitas certezas transformaram-se em incertezas e vice-versa. Mas a certeza de que ninguém vive sem amor, continua. Perdi o telhado, mas ganhei estrelas. Há coisas que Deus nos dá para aprendermos e há coisas que Deus nos dá quando nós aprendemos.



07 Abril 2018 12:29:00


(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Sempre que sento para escrever um texto, penso na pessoa que o lerá. Meu objetivo é ajudar esta pessoa, mas um tema como este, imagino o quanto seria provável que uma pessoa sem comprometimento vá se interessar, pois esta é uma característica que nem sempre é admitida. Então escrevo para aqueles corajosos que o lerão e refletirão sobre o assunto. 

A inspiração para o tema "falta de comprometimento" surgiu há alguns dias quando eu estava em um supermercado, em um dia de grande movimento. Havia duas moças fazendo compras quando a primeira, que estava com bebê de colo, virou para outra e perguntou "Cadê o Pedrinho?" - estava claro que se tratava de uma criança. A outra respondeu "Ele não está comigo". Até aí nada demais, certo? Não, não está certo, pois a expressão de rosto de cada uma delas era totalmente oposta. A que perguntou traduzia clara apreensão, a que respondeu demonstrava expressão de "estou nem aí". Precisou que a primeira dissesse "Eu fico com as compras e o bebê e você vai pra lá e procura por ele". Aí sim a outra saiu e foi atrás. Confesso que até eu passei a olhar para os lados procurando o Pedrinho - mesmo sem ter conhecimento de qualquer característica deste garoto.

Essa cena me fez lembrar muitas outras cenas presenciadas nos mais diversos locais. Por muitas e muitas vezes, vi e ouvi colaboradores dizendo "perdemos o cliente", sem muita expressão, como se a perda de um cliente não tivesse definitivamente nada a ver com ele. Será que não tem? Será que clientes a menos não significam uma empresa fragilizada e empregos em risco?

Nas empresas, a falta de comprometimento se manifesta, por exemplo, com não cumprir com o combinado numa reunião, com prazos acertados, com cláusulas contratuais, com normas e procedimentos. Quem está acostumado a cumprir aquilo que prometeu, geralmente sofre com pessoas que não agem com igual empenho, pelos mais variados motivos. Tem gente que é meio desligada com prazo, que não se importa muito em cumprir uma data ou horário com o qual se comprometeu. Outros fazem isso de forma intencional. Nós vivemos numa sociedade de interdependências e o não cumprimento de uma parte implica em atrasos no projeto inteiro ou em alguém ter que "dar o sangue" para assegurar o cumprimento de um prazo final comprometido.

De forma equivalente, na sua função, você é responsável por executar um trabalho, que posteriormente seguirá para outro colega ou área, caminhando como numa linha de produção até que o produto seja entregue ao consumidor final. Portanto, cabe a você executar a sua atividade dentro do prazo e da melhor maneira possível para que não comprometa a sequência do processo.

Mas nem sempre é isso que acontece! Se existe uma coisa que me deixa extremamente irritada, é a falta de comprometimento das pessoas com o produto final.

É comum ouvirmos: Já fiz a minha parte, agora a "bucha" está com "fulano", portanto o problema é dele. Será mesmo? Não! O problema também é seu.

A falta de comprometimento gera desperdício de tempo, trabalho e consome muito mais recursos do que o necessário, sem contar que o produto final poderá não ter a mesma qualidade. Estabeleça prioridades, respeite os prazos e acordos, cumpra-os.

Pense que a empresa depende daquilo que produz e vende, seja uma mercadoria ou um serviço. Se o custo do produto ou serviço for superior ao do concorrente, fatalmente o seu ficará na prateleira.

Lembre-se: o barco não afunda só do lado do seu colega!



31 Março 2018 00:00:00
Autor: Ana Paula Della Giustina


(Arte: Divulgação)

"E se você descobrisse que tudo em que você acreditou até hoje não passa de uma grande farsa? Que a roupa que você veste todos os dias, assim como o carro que você dirige não são escolhas suas? Que o governante que você elegeu na última eleição também não depende de você? E se chegasse à conclusão de que toda autonomia e livre-arbítrio que você julga ter, na verdade, atendem a um outro comando que não as suas ideias e a sua própria vontade?"(Glenn Beck) .

 Todos temos ciência de que, em algum ponto, somos manipulados ou manipulamos algo. Ou seja, não há limite para esse ciclo. Este texto, porém, vem pra levar a discussão sobre manipulação a outro nível, o da manipulação de sonhos das pessoas, através dos discursos. Se você na hora pensou em mídia e política, parabéns! Esse texto é sobre isso, e a Janela de Overton diz sobre como manipular a opinião pública. Em tempos políticos de crise, compreender como funciona o discurso é sobrevivência.

 O termo "Janela de Overton" é uma homenagem a Joseph Overton, que criou um modelo para demonstrar como um pequeno grupo de pensadores pode mudar intencional e gradualmente a opinião pública. A Janela de Overton é o leque de ideias "aceitáveis" na sociedade.

 Se alguém quiser cozinhar um sapo vivo não deverá jogá-lo na água fervente.

A maneira correta será a de colocá-lo num recipiente com a água com a qual está habituado. No entanto, o cozinheiro irá cautelosamente colocar um pequeno fogo sob a panela e lentamente o irá aumentando até o ponto de fervura. Como a mudança é lenta, o sapo irá vagarosamente se acostumando a ela e, quando ele menos esperar, estará cozido. Esta história só serve para ilustrar que há certas tarefas que devem ser feitas aos poucos para que tenham sucesso.

 Foi o que pensou Joseph Overton, um executivo americano dedicado a atender grupos de interesse com o objetivo de transformação social. Na verdade, Overton, não criou algo novo. Ele simplesmente racionalizou uma percepção intuitiva que existe há bastante tempo: alterações na opinião pública devem ser feitas aos poucos, com sutileza, e não contestando frontalmente a mentalidade estabelecida.

 O pulo do gato é o seguinte: artistas, comunicadores, jornalistas, cientistas, institutos de pesquisa, defendem ou atacam, conforme o curso que se deseja tomar, um tema relacionado ao principal, mas, que não é exatamente aquele a que se deseja chegar. Quando a opinião pública aceita a nova situação, se vai adiante, com outras demandas, sempre tendo como alvo o destino final, que é a mudança total da opinião pública.

 Portanto, quando todos os programas de televisão, os políticos, os jornais, as pesquisas, os especialistas, ativistas e outros, atacam ou defendem unanimemente este ou aquele comportamento ou costume, pode ser que seja só uma coincidência, mas também, que seja o fogo que está lentamente cozinhando os miolos das pessoas para que elas abandonem suas opiniões e preferências. Pode ser que seja o sapo sendo cozido. Pois, de acordo com esta teoria, "se as pessoas forem simplesmente enganadas, há sempre a chance de um dia acordarem e se rebelarem contra o crime. Por isso, nós não as fazemos mudar de ideia. Nós mudamos a verdade."

 Perceber, portanto, que as batalhas começam a ser travadas no campo do discurso, nos faz treinar um olhar mais amplo sobre as transformações pelas quais estamos passando.

Fica evidente, que a Janela de Overton, é um conceito que pode ser igualmente utilizado para o bem ou para o mal. Conhecê-lo não rende nenhuma garantia de se tornar "imanipulável", mas como gosto de dizer, conhecer as regras do jogo torna ele muito mais fácil de jogar.

  "A verdade é um artigo de luxo que não está em exposição".



24 Março 2018 08:00:00
Autor: Ana Paula Della Giustina

Todos têm diariamente inúmeras chances de fazerem algo novo


(Imagem: Divulgação) /


"Toda vez que pensamos num obstáculo e o consideramos intransponível, ele nos paralisa. Ficamos engessados pelo medo. Pensar com lucidez é necessário, mas pensar excessivamente nas dificuldades que atravessamos trava a inteligência e rouba a esperança" (Augusto Cury). 

Se eu perguntar a você, que está lendo este artigo, se já sentiu medo certa vez, possivelmente a sua resposta seja sim. O medo nasce quando as nossas fantasias nos parecem reais. Ele não é real, mas, para nós, parece ser.

O medo nem sempre tem algo de palpável que o justifique. São pensamentos e suposições. Avaliamos o medo como sendo nosso grande inimigo. Há, porém a possibilidade de o descobrirmos como nosso amigo.

O medo, visto como inimigo, é aquele que nos entorpece. Ele impede que realizemos alguma coisa na direção de nossos objetivos. Faz com que permaneçamos no mesmo lugar, sem progresso e sem mudanças expressivas em nossa vida. Tudo fica do jeito que está.

Quando o consideramos como nosso amigo, compreendemos que, se por um lado, nos impede de aprender a lidar com o objeto do medo, por outro lado, não admite que nos exponhamos ao perigo. Ele nos resguarda do perigo. É, portanto, dúbio e limitante. Tem duas funções: o lado bom e o lado que nos prejudica.

Esse amparo que ele nos dá pode não ser tão importante que valha a pena mantê-lo conosco. Talvez não seja suficiente para contrabalançar o mal estar que provoca. O mais adequado talvez seja extinguirmos o medo de nossas vidas e colocarmos algo melhor no lugar.

Devemos compreender que é normal ter medo, e que ele pode ser eliminado da nossa mente, da nossa vida, dos nossos comportamentos.

Uma das formas de se fazer isso é exercitando a alteração de pensamentos e guiando a nossa atenção para o lado contrário. Para o lado positivo do medo. Por exemplo: se alguém tem medo de elevador, não poderá trabalhar nem morar em prédios altos ou, se o fizer, poderá tornar-se um atleta, de tanto subir e descer escadas. Se perder esse medo, ele poderá ganhar tempo, facilitar sua vida, porém corre o risco de, talvez, perder a forma física. Depende de sua escolha. Nem sempre é conveniente perder-se alguns medos.

As pessoas não têm somente um medo. Podem possuir diversos ao mesmo tempo, e há até algumas pessoas que dizem ter medo de tudo. Mesmo as pessoas que dizem não ter medo de nada, talvez, até tenham medo de pensar em ter medo.

Alguns medos vêm do instinto de sobrevivência e eliminá-lo pode ser um risco à segurança da pessoa. É conveniente, deste modo, mantê-lo sob domínio e não se tornar escravo dele.

Há pessoas que têm medo até da felicidade. Não acreditam no próprio merecimento. Seu medo é de que a felicidade finde e traga sofrimento. Optam por deixar as coisas como estão, que assim, pelo menos, elas sabem o que está acontecendo e sabem administrar.

Todos têm diariamente inúmeras chances de fazerem algo novo. O processo evolutivo, de desenvolvimento individual, é baseado nas mudanças e nos novos aprendizados.

E você, como lida com seus medos? Seu medo paralisa você ou suas necessidades o impulsionam?

"Os covardes morrem várias vezes antes da sua morte, mas o homem corajoso experimenta a morte apenas uma vez"( William Shakespeare).



17 Março 2018 08:15:00

Por que estou aqui? Qual é o meu valor? Tenho algum valor essencial? Tenho algum objetivo? Essas são questões fundamentais para nossa sobrevivência. Elas são as "grandes questões" da vida. Como você responde a estas perguntas decide como você vê e trata o mundo. Visto que você é uma parte do mundo e como você vê o mundo também determina como você vê e cuida de si. Assim, é importante que resolvamos estas questões. Respostas erradas à perguntas importantes não são úteis.

Nós nascemos diariamente neste mundo, acordamos e damos início a um novo dia. Assim que acordamos, nossa mente começa a nos dizer o que fazer.

Na primeira aula de administração que eu fiz na vida, um grande e sábio professor disse: "Vocês estão aqui para aprender e tirar uma nota boa; eu estou aqui para fazer vocês pensarem como administradores". Não entendi direito o que ele tentou dizer; Imaginei, como seguramente muitos de vocês imaginarão agora, que a administração é uma área do conhecimento humano que lida com pessoas, dinheiro, informações, taxas de juro, mercado nacional e internacional, inflação, etc. Não é. Administração é uma forma de ler o mundo. Assim como a história explica o presente pelo que aconteceu no passado. Assim como a sociologia clarifica o mundo pelo comportamento de sociedades. Assim como a psicologia nos revela o mundo considerando as motivações inconscientes que motivam o comportamento de indivíduos. A administração lê o mundo através de algumas ferramentas que nos auxiliam na sua descoberta e compreensão.

Algumas pessoas veem administradores falando sobre outras áreas do conhecimento e se ressentem da impertinência desse progresso sobre outras áreas do saber. Não percebem justamente que as hipóteses que norteiam a criação do novo homem moderno e a caixa de ferramentas estatísticas que são normalmente usadas para decifrar índices, taxas de juro ou de retorno de investimento podem ser também aplicadas a qualquer situação. Assim como se pode falar de história, psicologia ou sociologia da educação, também se pode falar da administração da educação.

Mas o que faz a administração da educação? Basicamente, duas coisas. Primeiro, analisa o impacto da educação sobre questões econômicas (renda, crescimento econômico, desenvolvimento econômico e social, qualidade de vida, desigualdade social, ...) e vice-versa. E, segundo, utiliza-se de suas ferramentas, as análises estatísticas e de cenários, para analisar a própria educação, determinando quais variáveis são, relevantes ou significativas, para determinado resultado.

Um sociólogo pode apresentar amplas teorias sobre, por exemplo, a relação entre educação e criminalidade. Um administrador pegará uma variedade de dados como taxas de escolaridade, renda, idade, índices de homicídio, por exemplo, e atrelará a outras incontáveis variáveis que podem influenciar sua relação e analisará todas elas, buscando compreender se há ou não uma relação entre educação e crime, educação e baixo desenvolvimento econômico, ou quanto um explica o outro e quais são as outras questões relevantes.

"Ser administrador é vivenciar, a cada dia, a possibilidade de ser um agente de mudança, um ser protagonista na vida de organizações, pessoas e sociedades".



10 Março 2018 17:02:21

Não seja igualmente diferente, seja raro!

PRENDA O SABOTADOR E JOGUE A CHAVE FORA!

O mercado produz cada vez mais profissionais igualmente diferentes e de alto nível. Mas e agora, o que fazer para ser visto como destaque e trilhar o caminho rumo aos seus sonhos?

 Hoje vamos falar sobre escassez. Em tempos de crise, encontramos vários exemplos fáceis, como falta de vagas de emprego ou daquela graninha extra no final do mês para comprar algo que é puro desejo consumista.

Durante esse momento, cada vez mais os consultores de carreira aparecem na mídia, falando que é o momento de se qualificar, ou seja, sair de onde você está e ir a um novo patamar!

 Se repararmos com alguma atenção, o mercado produz cada vez mais profissionais igualmente diferentes e de alto nível. "Mas o que é isso?", você me pergunta! É aquela pessoa que tenta se diferenciar ainda que dentro das opções escolhidas por todos.

Ainda não pegou? É aquele currículo que vai seguir somente a ordem: ensino médio, graduação, MBA. Tudo nas melhores instituições de ensino, com os cursos mais atualizados do momento e mais fluente em inglês do que um morador dos EUA. Mas o que tem de errado nisso? Está sendo diferente, mas dentro do caminho que todo mundo escolhe.

Se você quer estar no topo, preocupe-se, sim, em sempre buscar ser a melhor versão de si mesmo, se desafiar, mas busque também sempre se tornar uma raridade.

Um exemplo prático disso é o futebol brasileiro. Segundo relatório de 2016, divulgado pela CBF, um total de 82,40% de jogadores brasileiros ganham até R$1.000 de salário. E se, basicamente o esporte é o mesmo, variando as posições, qual o motivo disso? A raridade. O jogador de meio milhão em salário tem algo incrivelmente único e destacado!

E você, o quanto você é raro no seu mercado? O quanto, ao ler o seu currículo, você vai olhar e perceber: além de ser bom, eu sou raro. Eu tive experiências que poucos tiveram. Eu busquei resultados alcançados por poucos. Eu criei oportunidades, que olha, duvido outro também ter.

E nessa hora em que você está tão empolgado, aparece o ladrão de sonho. Ele se chama sabotador, e está gritando que isso não é pra você, que isso é pra quem está bem empregado, ou pior, precisa ter dinheiro para essas coisas! Pare! Chame a polícia da sua mente, prenda o sabotador e jogue a chave fora!

Quer ver alguns exemplos rápidos de coisas a fazer que te tornam raro? Envolva-se em um voluntariado que tem a ver com a sua linha de trabalho, empenhe-se com o seu conselho regional, comprometa-se com um projeto que resolva os problemas da sua universidade ou sociedade, sugira e execute projetos que melhorarão sua empresa. Pegue a ideia que vai revolucionar a sua empresa e que custará apenas o seu tempo e toque-a!

Só realmente não ache que será fácil ser raro, senão todos seriam. Os melhores batedores de faltas do futebol treinavam por horas, sozinhos, depois dos treinos, quando o time todo já tinha ido embora. Não era obrigação, mas viraram referência naquilo e alcançaram sucesso mundial.

Você pode ser diferente e único dentro do senso comum e chegar ao máximo onde todos chegam, ou ser raro, e chegar aonde você quer chegar e só você pode alcançar: o seu sonho.


03 Março 2018 12:10:00


(Foto: Divulgação)


"Através dos passos alternados de perda e ganho, silêncio e atividade, nascimento e morte, eu trilho o caminho da imortalidade" (Deepak Chopra).

Um amigo tem uma ideia peculiar sobre o que é ser imortal: se você deixou uma obra que irá durar para sempre, será imortal. Você pode ser um escritor, um pintor, um escultor, um cantor... Enfim, um artista que, mesmo depois de morto, será lembrado por suas obras e, portanto, será imortal.

Partindo desse conceito, será que só os artistas são imortais? Penso que não. Afinal, posso deixar meu legado através de exemplos, de ideias, de atitudes. E mesmo não tendo deixado uma obra física para ser lembrada, posso alimentar um ideal, que poderá ser imortal.

Na sociedade em que vivemos, podemos deixar o exemplo da imortalidade pela nossa conduta.

Se nunca passamos no sinal vermelho, se não insultamos as pessoas no dia a dia, se buscamos ser mais justos e corretos, será que não estamos deixando um exemplo para sempre?

Se lutarmos por um ideal que se traduz em nossas ações, não seria esse ideal imortalizado por nós e por todas as pessoas que também o seguem? Se tivermos coragem de rever nossas atitudes, de reformular nossas ideias, de admitir nossos erros e louvar nossos acertos, não seriamos imortais na lembrança de todos que conviveram conosco?

Se da vida nada se leva, posso concluir que deixamos algo. E obviamente não é de matéria que estou falando. Deixamos afeto, carinho, ideias, exemplos, lembranças, valores e uma infinidade de coisas que nos fazem especiais, simplesmente por sermos únicos.

Todos somos substituíveis em nossas funções, mas somos insubstituíveis por sermos nós. Ficar com aquela sensação de inferioridade, sempre se comparando a alguém de nosso convívio, pode ser altamente prejudicial à nossa inteligência emocional. Seja essa pessoa do seu trabalho, algum vizinho, um parente que seja mais bem sucedido que você.

É importante nos conhecermos melhor, para podermos nos amar sempre mais e mais. Aceitar-nos da maneira como somos e a forma como pensamos faz parte do autoconhecimento, do amadurecimento e de sua evolução como ser humano, pois, a partir do momento em que nos conhecemos melhor, somos capazes de compreender melhor quem está ao nosso redor, o que torna todos os tipos de relações que temos com os demais muito mais saudáveis.

Conforme seu autoconhecimento aumenta, sua vida também melhora.

É possível parar de se comparar com as outras pessoas e, com a ausência de comparação diária, nossa vida passa a ter muito respeito próprio, leveza, liberdade, alegria, saúde mental e, consequentemente, a tão sonhada felicidade.

Não há nada mais autodestrutivo do que ficar comparando-se com os outros. Isso é um grande atraso de vida, é algo que pode lhe causar dor e uma angustiante sensação de pequenez diante do próximo, pois, enquanto você se ocupa olhando o que está acontecendo na vida do outro, não dá a devida atenção para a sua própria vida, logo, não coloca seus planos em andamento. Pense nisso!



24 Fevereiro 2018 10:20:00
Autor: Ana Paula Della Giustina


(Foto: Divulgação)

Ser alguém é um grande desafio. Ser abrange algo mais profundo, conectado com a nossa essência. Ser, é algo que liga a nossa subjetividade a todos os fatores externos que influencia quem somos. 

Percebo que muitas pessoas estão vivendo suas vidas no piloto automático. Trabalham para pagar por coisas que muitas vezes nem desejam, mas que precisam ter para sentirem-se incluídas na sociedade. Tantas pessoas deixam de viver suas vidas, seus sonhos, seus projetos e planos, para viver a vida que disseram a elas que deveriam viver. E aí que entra o desafio de ser. Ser autêntico, ser você mesmo, assumir suas falhas e suas dificuldades, reconhecer e ser reconhecido pelas suas qualidades, assumir seus desejos, assumir quem você é de verdade. E, para viver uma vida plena, para ser de verdade, é preciso autoconhecimento.

Se você não se conhece, como sabe o que quer ser ou o que quer fazer da sua vida nos próximos anos? É preciso saber onde se está pra saber aonde se quer chegar. Parece simples, mas é bem mais complicado do que pensamos. Muita gente empurra pra baixo do tapete tudo àquilo que lhes aflige, ao invés de analisar a situação de todos os ângulos possíveis e tentar resolvê-la. É como uma bola de neve, que quanto mais desce morro abaixo, mais neve vai acumulando. Você percebe que quanto mais adiamos para resolver determinadas situações em nossas vidas, mais insustentáveis elas se tornam?

Acredito que se todo mundo aceitasse a consciência da brevidade e da raridade da vida, se preocuparia muito mais em ser e fazer valer a pena a sua existência. Quantas pessoas apenas existem, vivem suas vidas de forma automática... É importante que sejamos inteiros naquilo que estamos fazendo.

Ser não é fácil. É preciso coragem pra sermos verdadeiros. E se nossa passagem aqui na Terra é tão curta, o que estamos esperando para ser?

A maioria das pessoas cresce num meio onde ninguém os motiva a nada. Ouvimos, desde a infância, que somos pobres, que não podemos, que não somos capazes, que não vamos conseguir... Que somos irresponsáveis, que somos gordos, que somos magros demais, que somos feios, que somos narigudos, que somos orelhudos, que somos fracos, que somos uma infinidade de rótulos que nos enfiam goela abaixo. Eu te digo o seguinte: nós não somos o que os outros pensam a nosso respeito!

 Somos seres únicos, cada qual com a sua personalidade, capacidade e propósito de vida. Somos alma, essência, somos amor, luz e tudo que há de melhor... E quando nos dermos conta dessa verdade, com certeza, as coisas mudam.

Vivemos aceitando rótulos, fazendo coisas só para agradar outros, tendo crenças limitadoras, pensamentos negativos baseados em fatos e experiências que já vivemos e vivemos uma vida de que não gostamos.

 Temos medo do que os outros irão pensar e falar, temos medo de nos abrirmos para inúmeras oportunidades, medo de dizer não, medo de sofrer... Sempre terá pessoas criticando, julgando e falando mal pelas costas, não dê ouvidos e perdoe, porque o ser que faz isso só precisa de luz, e lembre-se de que a vida está em constante movimento, tudo muda. Então, não perca seu tempo tentando se justificar e mostrar pra quem quer que seja que você não é do jeito que te enxergam.

Viva um dia de cada vez... E agradeça por todo o bem que vem te acontecendo; não busque perfeição, busque qualidade de vida.

 Quanto aos outro, deseje amor, deseje luz, deseje que um dia encontrem paz de espírito e sinceramente. A vida é feita de escolhas e devemos escolher sempre sermos mais felizes.



17 Fevereiro 2018 09:20:00


(Foto: Divulgação)/

Vamos falar sobre o quanto as nossas fantasias, ou seja, as coisas que criamos na nossa cabeça podem ser reais.

Viver de forma prática todo o tempo, deixando a lógica te guiar sempre, é chato. Faz com que só acreditemos nas coisas que já vimos tomar forma.

E, às vezes, escolhemos um caminho que só nós vemos, e aí, se só acreditamos nas coisas que vemos e o nosso caminho ainda não foi trilhado por ninguém, ou seja, não existe fora da nossa cabeça, adivinha só: ficamos paralisados. Paramos porque o nosso cérebro não consegue assimilar que aquilo é possível, afinal, não tem a quem seguir. Ou tem, mas é algo muito distante.

Na maioria das vezes, é assim e, às vezes, o seu 'diferente' pode nem existir na sua cidade, ainda. E aí, tudo vai ter que partir de você, das suas ideias, ou seja: da sua maluquice.

Mas o que é maluquice? Maluquice é uma coisa que, para você, existe e, para o resto do mundo, não. Uma coisa que, para você, faz sentido e, para o resto do mundo, não. Maluquice é decidir não seguir o fluxo, se isso não faz sentido pra você, mesmo que todos estejam fazendo. É decidir não ser padrão.

Olha eu aqui de novo falando sobre seguir multidões. Um exemplo claro de seguir multidões está no tempo que demora pra uma pessoa encontrar o seu próprio estilo, por exemplo. Estes dias, estava assistindo a um vídeo onde a pessoa falava a respeito da personalidade dela e dizia, inclusive, que ela demorou pra se encontrar em um estilo, mas que, quando isso aconteceu, ela experimentou a sensação de ser plenamente feliz.

E é assim que acontece conosco, na maior parte das vezes, somos como diamantes. Entendemos que este tem um valor único, mas precisa-se lapidar e ter a coragem de trazer esse valor à flor da pele. E até lá, somos uma bagunça ambulante, que segue por aí.

Só nós sabemos qual é a nossa verdadeira forma. Esse trabalho de lapidar é suor nosso. E o primeiro passo para que isso aconteça tem que ser a conscientização. Entender que o que os outros falam é só o que os outros falam. Às vezes, o que é maluquice para os outros é a sua essência, ésua auto compreensão, é o seu legado pro mundo. E você vai ignorar isso? Só por que só faz sentido pra você? Só por que para os outros parece maluquice?

Maluquice não é ruim. É você se descobrindo. Está tudo bem, desde que estas sejam as tuas regras e que esse seja o caminho pra você se lapidar e se mostrar inteiro pro mundo, com alicerces fortes. Porque o mundo vai te engolir se você não souber o que quer ou o que você é. Precisamos nos desprender da paranoia dos outros. Problema deles o que eles acham, o que eles fazem, o que eles acreditam, o que eles falam e usam. Você precisa ser você, você precisa se achar aí dentro dessa bagunça, entender qual é a sua forma e se fazer feliz. A forma que você quer levar a vida, que é aquela que te faz ser feliz o tempo todo e não sóàs vezes. É aquela que te dá confiança pra resolver seus problemas do seu jeito.

Talvez você precise meditar de manhã, talvez você só tenha que dançar lambada pela casa? Tem gente que precisa viajar pra se achar, tem gente que só precisa lutar pra conseguir morar na mesma casa que a própria família, sem pirar? Não importa! Você precisa descobrir o que traz a sua melhor versão. Não espere a aprovação alheia pra se tornar o que você nasceu pra ser. Por que ela não virá.



10 Fevereiro 2018 12:59:00


(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Temos a tendência de ser ingratos. Ficamos chateados com pormenores. Se as coisas não acontecem conforme planejamos, ficamos aborrecidos, reagimos com excessiva sensibilidade, resmungamos, reclamamos, ficamos ofendidos e descontentes. Mas nem nos damos conta como nossa vida é boa. 

Nossa vida acontece sempre de acordo com as crenças que temos. Todos nós habitamos nas nossas crenças e serão nelas que tambéQual é o nosso valor? m habitaremos no futuro. Ninguém jamais viveu nem aquém ou além daquilo que acredita. Tudo acontece como cremos. Como disse um sábio: "Se você acredita que pode, você está certo. Se você acredita que não pode, você está certo também"; você é o que acredita, nada mais, nada menos.

Por que acreditamos da forma que acreditamos?

Aquilo em que acreditamos não é genético, vem dos ambientes que nos formaram e das interpretações que demos a eles. Vem dos relacionamentos, mais próximos ou não, que nos tocaram de muitas formas apontando uma maneira de ver. Vem da cultura, das nossas escolhas e dos acontecimentos e comportamentos que nos foram impostos e dos olhares pra tudo isso que fizemos. Ninguém nasce com a capacidade completa de discernir e determinar suas crenças, nem com uma maneira determinada de pensar. Isso vai se desenvolvendo, de forma muito particular em cada um de nós, ao mesmo tempo em que tudo vai acontecendo.

A boa notícia é que nada é determinante em nós, nem mesmo as nossas crenças. Temos a capacidade de mudar nosso pensamento, nossos hábitos e, também, as nossas crenças. Se o que cremos é algo que aprendemos, podemos aprender diferente. Se o que cremos é uma interpretação que fizemos, tudo pode ser reinterpretado.

Ter a coragem de olhar de outra maneira faz qualquer situação ganhar novas formas e outras cores. De onde você olha para sua vida não é o único ponto para se olhar. Se você tiver a coragem de mover-se, irá perceber que todo beco tem uma saída, todo caminho não leva necessariamente a um único lugar, nenhum inimigo ou problema é invencível. Cada noite, por mais escura e solitária, tem um caminho para o dia claro. Sei que algumas coisas simplesmente não podem ser mudadas, mas todas podem ser re-significadas. Nada na sua vida está determinado, é muito pequeno e muito triste pensar assim.

Bom, a verdade é que nada determina sua vida a não ser você mesmo. O lápis que escreve a sua história não está nas mãos do universo, do tempo, das circunstâncias ou de outras pessoas. Como acreditava Nelson Mandela, "você é o capitão da sua alma". A tua vida está nas tuas mãos e será o que você crer. Por isso, antes de esperar que acreditem em você, acredite você mesmo. Antes de mendigar migalhas de valor que os outros deem a você, estabeleça você o seu valor e, como raridade, como único, jogue alto. Lá na frente, quando estiver subindo a montanha da sua vida, descobrirá que, por mais generoso que foi consigo mesmo, julgando para si mesmo um valor, ele não chega nem perto do quanto você realmente vale.



03 Fevereiro 2018 17:33:00

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(Foto: Os Operários, 1933, Tarsila do Amaral )

Você já parou para prestar atenção às pessoas? Olhe ao redor e vai perceber como todas as pessoas são diferentes. Rostos, corpos, comportamentos e personalidades, todos são únicos e especiais. Por mais que nasçam novos habitantes no nosso planeta, cada um tem sua fisionomia particular, com características que os distinguem uns dos outros.

Certamente, isso nos sugere que não há seres iguais por aqui. Não somos robôs criados em série, mas personalidades complexas e com características singulares que nos permitem ter impressões digitais que não são nunca idênticas.

Agora, pense na humanidade como um todo. Somos aproximadamente, sete bilhões de pessoas, mas estimativas sugerem que 100 bilhões de pessoas viveram e morreram nos últimos 50 mil anos. Até onde sabemos, todas elas são, ou foram, totalmente únicas.

Por que, então, somos influenciados a viver fazendo o que os outros fazem e a pensar como a maioria?

Sermos únicos, obras-primas sem cópia, torna-nos responsáveis por desempenhar um papel importante nesta assombrosa multidão espalhada pelo planeta.

Sendo cada um de nós uma criação exclusiva, precisamos nos mostrar como somos para que tenha valido a pena a nossa passagem por aqui.

Mas o que vemos é exatamente o contrário. Há uma pressão muito grande da máquina social para que todos nos vistamos de forma mais ou menos igual, falemos palavras semelhantes, desejemos as mesmas coisas; enfim, uma tentativa muito poderosa de nos fazer parecidos uns com os outros. Talvez, para que a vida em sociedade fique mais simples.

O problema é que mesmo procurando nos parecer, somos, na verdade, intrinsecamente, muito diferentes.

Quando alguém tem a ousadia de se mostrar imune a essas pressões sociais para que aja como a massa, é classificado de estranho ou esquisito, e se torna rejeitado pela maioria que procura obedecer aos padrões vigentes.

Para que o nosso mundo pudesse contar com a participação de todos os que aqui vivem, seria imprescindível que cada um tivesse a liberdade de se expressar usando todo o seu potencial, e isso está muito longe de acontecer.

Aliás, com o desenvolvimento formidável da tecnologia da informação, a tendência de se equiparar cada pessoa aos hábitos da maioria vai crescendo.

O que estou tentando dizer é que a aceitação das diferenças precisa acontecer no nosso dia a dia, partindo do pressuposto verdadeiro de que somos diferentes uns dos outros.

Uma grande humildade precisa ser cultivada em nós, por reconhecermos que o que cada um consegue saber ou conhecer é uma partícula ínfima da verdade e, portanto, o outro, que nos parece no caminho errado, pode apenas estar olhando a realidade de outra perspectiva, que é sua, e que poderia enriquecer a minha, se eu me permitisse ponderar sobre ela.

Somos, na verdade, cooperadores de uma mesma obra, a vida neste planeta, e todos dependentes de cada um. Não somos melhores nem piores do que ninguém, apenas diferentes dos outros, e aí reside a nossa verdadeira importância.

A proposta para todos nós é que lutemos para sermos a obra-prima, e não apenas uma cópia sem muito valor e sem razão de existir.



27 Janeiro 2018 08:51:00
Autor: Ana Paula Della Giustina

'Relembre o que vale a pena lembrar. Ignore o resto'. (John Katzenbach)

 

(Foto: Divulgação)/


Você está exausto e sabe que transporta uma carga muito pesada, apesar de visivelmente não existir nada sobre o seu corpo que o confirme. Esse peso é tão real quanto invisível e circunda você, empurra, reprime, provoca angústia. Às vezes, falta até o ar nos seus pulmões e você sente que o tempo vai embora enquanto você permanece ali, tentando fugir do que o angústia. 

 Chamamos de carga ou fardo uma massa que exerce um peso sobre nós, uma força que age como um alicerce contra o movimento que fazemos com o corpo e a mente, de forma voluntária. Por isso, também chamamos de carga as vivências e acontecimentos que nos encurralam e nos obrigam a administrá-las emocionalmente.

 Hoje, as pessoas não sonham mais com revolução, elas sonham com uma vida mais leve, mais tranquila e equilibrada, menos conflituosa. Isso é infinitamente mais difícil, porque se trata da busca eterna pela felicidade.

 A civilização do leve aprecia o prazer, o consumo, o lazer e o entretenimento. Precisamos dessa leveza, mas ela necessita ter limites. É preciso dar às pessoas ferramentas para que elas edifiquem uma leveza rica, não uma leveza pobre.

 Este é um assunto real: a vida não é tão fácil como parece, e nos cobra um preço que fatalmente teremos que saldar. Um deles é não consentir vivermos emoções, tanto boas quanto ruins, com as quais muitas vezes é difícil nos relacionarmos. Estamos diariamente expostos à provações e muitas delas são, às vezes, complicadas de assimilar. Estes fardos podem ser pequenos e leves, ou grandes e traumáticos.

 Uma das chaves desta aprendizagem é trabalharmos com ferramentas que nos ajudam a melhorar o contato com aquilo que nos toca a alma: os acontecimentos negativos farão parte de nós para sempre, mas não necessitam se transformar em alicerces sólidos.

 Basicamente, é a habilidade que temos de perceber, entender, avaliar e administrar nossas próprias emoções e também as emoções dos outros, de maneira positiva. Administrar as próprias emoções, não é a tarefa mais simples do mundo. É preciso autocrítica, reflexão, meditação e empatia. Isso tudo afeta a maneira como nos comportamos, tomamos decisões e interagimos socialmente.

 Quando vamos fazer uma viagem para a qual precisamos levar uma grande bagagem, precisamos de malas para carregar e, principalmente, organização para se informar daquilo que é mais importante e o que é menos importante levar. Com as experiências que colhemos na vida ocorre a mesma coisa: se temos a intenção de continuar em frente, com a alma cheia de peso, não conseguiremos continuar.

 De fato, na hora em que tivermos nos livrado dos nossos fardos e colhido o aprendizado inerente ao fato de tê-los carregado, poderemos perceber que do mesmo jeito que fazemos uma mala de viagem, seremos capazes de selecionar quais emoções precisamos levar conosco e como deveremos carregá-las.

 Então, veremos que a condição é que a mente se sinta leve, que nem as emoções, nem os pensamentos pesem, mas que sejam esse vento que dá velocidade aos barcos à vela.

 Em resumo, o jeito como levamos a nossa carga emocional é um sinal de amadurecimento interior: lembremo-nos de que ela está ali para nos ensinar alguma coisa e a sentiremos mais ou menos pesada na mesma medida em que aprendermos com ela.

 "Tire o fardo da alma, leve o aprendizado como bagagem".



20 Janeiro 2018 10:09:00

É na simplicidade das escolhas que mora a magia da vida...

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(Foto: Divulgação)

Quantas vezes ouvimos que Albert Einstein, Leonardo da Vinci ou Emmy Noether foram gênios? Ou que o trabalho feito por grandes mulheres e homens da nossa história foram geniais? Qual a fonte da genialidade? De maneira geral, as pessoas que conhecemos como gênios são dedicadas, aplicadas, trabalham com obstinação e tenacidade naquilo que fazem. Portanto, não são apenas pessoas que nasceram com competências prontas. A fonte da genialidade é estar aberto ao novo.

Autoridades, gestores ou lideranças que têm algum tipo de força, poder, riqueza ou comando, muitas vezes, são admiradas pela simplicidade. Elas vivem de forma simples, sem carregar qualquer ostentação inútil.

Os grandes feitos são criados em pequenos passos. Qualquer coisa que vale a pena ser manifestada na vida começa com um pensamento, seguido de uma ação específica, de pouco em pouco. Os trabalhos notáveis não são concebidos e produzidos como que por milagre; todos resultam de determinação, perseverança e paciência.

Todos os trabalhos geniais são criados na simplicidade. Sobrecarregar-nos com a complexidade e com tarefas desnecessárias é a forma mais fácil de cair na estagnação. Qualquer tarefa, seja ela trivial ou não, consiste em passos simples do começo ao fim.

De infinitas senhas e dietas cheias de restrições, passando por formulários, manuais eletrônicos e contas a pagar, encaramos, todos os dias, múltiplos desafios, que muitas vezes nos sobrecarregam.

A vida tende a ficar mais rápida a cada dia que passa. O objetivo mais comum da sociedade é terminar as coisas o mais rápido possível e depois passar para a próxima tarefa, igualmente monótona e sem sentido. Corremos de um lado para o outro fazendo, fazendo e fazendo. A vida não se resume a terminar as coisas o mais rápido possível e riscar itens da nossa interminável lista de coisas para fazer, pois, tudo o que escolhemos fazer gera consequências para nós e abrange as pessoas do nosso convívio. A grande lição do poder da escolha é exatamente isso: o que fazemos não passa despercebido, nos atinge e atinge aos outros. Então, nosso posicionamento adia ou abrevia o caminho para vivermos felizes.

Tudo o que acontece na nossa vida são respostas fiéis às nossas atitudes. Temos que parar para considerar o que realmente queremos da vida. É importante que façamos essa pergunta ao nosso coração e não ao nosso ego. Nosso ego sempre responderá: "Eu quero mais. Eu preciso de mais". Silenciosamente, devemos escutar e absorver a resposta da nossa alma. Dentro de nós, está a capacidade de alcançarmos todos os desejos reais da alma; porém, antes devemos escolher entre tentar fazer o que o nosso ego exige ou realizarmos os desejos da alma.

"Quanto mais simplicidade, melhor o nascer do dia?" (Simplicidade - PatoFu).



13 Janeiro 2018 15:37:00

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Pedras no caminho? Guardo todas. Um dia, construirei um castelo! 

(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Começo esse texto com uma frase atribuída a Sartre que diz: "Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você". Essa frase é uma verdadeira lição de vida.

Em resumo, percebi que a maioria dos nossos medos nos foi entregue por outras pessoas. Pessoas que não queriam que crescêssemos, sonhássemos ou vivêssemos de forma completa. As razões pelas quais elas queriam podar nossas asas? Não sei e não me interesso em saber; importa é que tenhamos nos libertado das crenças aniquiladoras que nos entregaram um dia.

Concordo com esse pensamento porque todos nós passamos por arranhões e quedas na vida. Durante nossa existência, torna-se praticamente impossível sairmos ilesos por mais que sejamos protegidos. Seria o mundo um lugar cruel? Não essencialmente. Depende da concepção, da personalidade e da composição familiar de cada um de nós. Esses são os pilares básicos para construirmos aos poucos a consciência indispensável para nos adaptarmos às circunstâncias da vida. E como lidar com isso? Como lidar com essa série de episódios que nos afetam e não dependem de nós. Fugirmos dela ou não?

Somado a esses pensamentos, diríamos que todos somos vítimas? Claro que não. Afinal, uns utilizam-se da desgraça para tornarem-se pessoas melhores e servirem de modelo ao mundo, de como é possível ser feliz mesmo com restrições, enquanto outros se utilizam das mesmas dificuldades para revoltar-se contra o destino e contra as pessoas.

A ideia dessa reflexão não é mostrar como cada um deve agir diante das dificuldades da vida, mas sim uma nuance de como as pessoas reagem de forma diferente diante de situações parecidas.

O que fazemos com aquilo que fizeram conosco? A incrível frase inicial de Sartre me lembra outra frase atribuída a Fernando Pessoa: "Pedras no caminho? Guardo todas. Um dia, construirei um castelo!".

E são de pedras em pedras que vamos decidindo o que fazer com elas... Não importa qual é o nosso trabalho, onde vivemos ou se temos um diploma. A forma como nos relacionamos com os outros é que diz tudo sobre nós.

É comum procurarmos um responsável para as coisas ruins que nos acontecem. Mantemos a mente tão ocupada em culpar e julgar o outro que, muitas vezes, deixamos de analisar a nossa conduta, de nos autorresponsabilizar.

Tudo o que nos acontece é responsabilidade nossa. Devemos nos importar mais em focar na solução de um problema do que descobrir e punir um culpado.

O mais importante da autorresponsabilização é criar meios de seguir em frente o mais rápido possível, se perdoando e ajustando as engrenagens para decisões melhores. Para isso, é fundamental deixar o ego, o orgulho e a vaidade de lado.

A vida é feita de escolhas e temos que assumir a absoluta responsabilidade pelos caminhos que resolvemos trilhar. Culpar o outro pelas nossas decisões ou pelos nossos sofrimentos é fugir da verdade.

"Aquele que for capaz de perder uma corrida, sem culpar os outros pela sua derrota, tem grandes possibilidades de algum dia ser bem- sucedido" (Napoleon Hill).

É libertador assumirmos o leme das nossas vidas, certos de que somos nós os senhores do nosso destino e criadores da nossa realidade.


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