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17 Setembro 2018 11:32:00

A vida não vem com um manual de instrução. É preciso viver cada dia com o ônus e o bônus dos erros e acertos. A vida é caminho que segue em frente... sempre! A beleza é amadurecer com sensibilidade sem enrijecer o coração. E crescer, muitas vezes, é um processo doloroso e belo.

Amadurecer é assumir as rédeas da própria vida, não como vítima ou vilão, mas como protagonista da sua história e escolhas. Não ousar viver os desafios da vida gera imaturidade e comodismo. A felicidade está no caminho e no caminhar e não no final.

Como Kell Smith nos diz em sua música: "É que a gente quer crescer, e quando cresce quer voltar do início. Porque um joelho ralado, dói bem menos que um coração partido." E nosso coração se parte por vários motivos...

Dói um pouco, mas depois passa. Não há como evitar pequenos traumas na vida, não dá para fugir de alguns joelhos ralados, do frio que cortou os lábios, do sol que queimou a pele.Somos feitos de carne e osso, mas também de remendos, de células que renascem, se restituem e se reinventam.

Nosso coração se quebra às vezes, mas, aos poucos, vai se tornando uma obra de arte mais bela e resistente. Somos um mosaico de porcelana remendado com fios coloridos. Nosso olhar, depois de tantos deslizes e tropeços, deixa de ser ingênuo, mas depois, decidimos voltar a sermos sensíveis para poder saborear bem a vida.

Nessa fase a gente se torna sábio, somamos a alegria de viver e a bondade com a firmeza nos passos. Imergimos na vida sem tantas máscaras e amarras, com intenções verdadeiras, mas filtrando o que não nos acrescenta, o que limita os voos mais altos.

Olhamos com doçura, já não evitamos quedas, não queremos viver numa bolha que nos surrupia a própria vida, já sabemos nos cuidar sozinhos. Respiramos fundo, temos paciência com o tempo de cicatrização de uma ferida, tropeçamos e levantamos de imediato, limpando a poeira do corpo e seguindo em frente. Já não temos mais medo de nos machucar, temos medo de tornar a vida menor do que poderia ser.


(Foto: Divulgação)/



Dói um pouquinho, não há como evitar.

Para aprendermos a andar de bicicleta sem rodinhas, caímos algumas vezes, nos esfolamos, choramos, mas depois, podemos voar, sermos livres e descobrirmos o mundo, o nosso mundo.

Ficam marcas na pele, emendas nos ossos, cicatrizes nos músculos. Ficam histórias na memória, aventuras e aprendizados. Fica coragem, amor e gratidão no nosso coração.

É melhor que doam um pouco alguns desses nossos passos e tropeços, é melhor que, por vezes, armemos nossa alma sobre um formigueiro, para em seguida, fecharmos o acampamento e irmos embora encontrar uma paragem em que a nossa alma possa ficar um pouco mais e se perder na imensidão de si mesma.

É melhor que erremos para depois acertar, é melhor que experimentemos antes de evitar, é melhor que amemos antes de nos transformarmos num autômato que passa pela vida sem se sujar.

Esquecemos de ser leves e nos tornamos pesados a nós mesmos e ao outro. A liquidez dos tempos atuais e das relações tão efêmeras provocam uma nostalgia do passado. Muitas vezes criamos expectativas em relação às pessoas, e elas nem imaginam que as temos. Nós mesmos não seríamos capazes de vivê-las. Transferimos a responsabilidade pelas nossas frustrções às pessoas.

Dói um pouco, mas depois passa.

"Viver dói, se não está doendo você não está vivendo". (Carpinejar)


11 Setembro 2018 11:31:33

"Sempre permanec?a aventureiro. Por nenhum momento, se esquec?a de que a vida pertence aos que investigam. Ela na?o pertence ao esta?tico; ela pertence ao que flui. Nunca se torne um reservato?rio, sempre permanec?a um rio" (Osho).

A?s vezes, nas nossas relac?o?es, temos que fingir que na?o vemos algumas coisas, temos que ser mais sile?ncio do que bravatas, manter a dista?ncia para na?o se deixar arrastar por dores que na?o sa?o nossas.

Temos o ha?bito de pensar que sermos assim e? sermos indiferentes, frios, desumanos. Achamos que se na?o participamos da dor do outro, da care?ncia, dos problemas, somos egoi?stas. Mas a verdade e? que se fechar e se preservar pode ser uma atitude bastante altrui?sta.

Ignorar falas impregnadas de maldade ou cinismo, sair de perto de provocac?o?es detesta?veis e baratas, criar sile?ncio onde havia uma enxurrada de aflic?o?es e? uma forma de romper com ci?rculos viciosos, desfazer uma energia que na?o esta? se modificando, mas apenas se alastrando.

Porque, a?s vezes, uma pessoa desabafa para receber ajuda, para se analisar de fora, para aprender e modificar sua energia. Mas, outras vezes, os desabafos na?o te?m esse tom de transformac?a?o, eles sa?o apenas apegos na dor, na vitimizac?a?o, buscando um ouvido, um corac?a?o para fazer ninho e legitimar ainda mais esse apego.

Se entrarmos na danc?a, se sorvermos as la?grimas, se nos amargarmos com as reclamac?o?es descomedidas, se nos aborrecermos com provocac?o?es sem sentido, contribui?mos para que a doenc?a se alastre e cresc?a. Ela ganha forc?a, confiabilidade e avanc?a.

"Se fechar se preservar pode ser uma atitude bastante altruísta"

A?s vezes, as pessoas querem simplesmente se nutrir dessa forma de atenc?a?o, a?s vezes esse peso que apresentam e? a forma que elas acharam para se fazer notar, sentirem-se importantes. Mas esta e? uma nutric?a?o fraca, que na?o alcanc?a os ni?veis mais profundos da alma.

Estes sa?o alimentos muito calo?ricos e pouco nutritivos para a alma. Saciam por algum tempo, ocupam os va?cuos existenciais, os buracos originados pelas dores, mas na?o trazem mudanc?a e uma paz mais profunda.

E? mais simples comermos um lanche na esquina e na?o questionarmos os pro?prios ha?bitos e vi?cios. E? mais fa?cil continuarmos encontrando um ouvido para nutrir a nossa sina. A alternativa de modificar a forma de ver o mundo, para sermos mais leves, livres emocionalmente e com uma boa reserva de amor pro?prio, demanda de aprendizado, conscie?ncia, aspirac?a?o, comprometimento e atenc?a?o constantes.

Nem todos no?s estamos dispostos a tentar esse caminhar. Mas se estamos, se sabemos nos autoconectar e sanar as pro?prias agonias, com ajuda sim, mas sem depende?ncia, acho que temos tambe?m que impor limites, temos que escolher na?o nos doar sempre, temos que nos proteger. Se no?s vemos que escutar na?o esta? auxiliando, que a troca esta? sendo desequilibrada, que o que esta? chegando ate? no?s e? apenas lixo existencial sem o intuito de ser reciclado, e? melhor sairmos do barco, porque ele esta? furado.

Algumas vezes, no?s na?o conseguimos contribuir para que as coisas se restaurem e boas energias floresc?am. Enta?o que abandonemos, mesmo que por um tempo, que sigamos em frente, que deixemos o vento levar.

Que o vento leve, que a chuva lave, que a alma brilhe, que o corac?a?o acalme, que a harmonia se instale e a felicidade permanec?a, e, se na?o houver vento, enta?o que no?s mesmos fac?amos ventar.


27 Agosto 2018 16:27:00


(Foto: Divulgação)

Hoje, vou falar um pouco sobre a tristeza. E começo cheia de cuidados, pois não sou nenhuma expert dos estados da alma, sou apenas uma pessoa empática que observa as pessoas em volta, e a si mesma neste mundo. E é desse jeito que eu desejo falar sobre a tristeza.

A tristeza pode ter diferentes formatos, intensidades e matizes. Talvez, hoje, eu queira apenas devanear sobre um tipo de tristeza, uma nostalgia que me fez refletir que esse era a forma adulta de ver e viver a vida.

Todos nós experimentamos a tristeza, independente de gênero, classe, idade... Mas há um tipo de tristeza costumeira, sutil e intensa, que cria um espaço bem delimitado na nossa alma, que parece compor a nossa essência e o nosso estar no mundo. Não é que não saibamos mais sorrir, mas os nossos olhos transportam um peso que podem irromper em lágrimas ou desalento, com qualquer pequeno descuido no caminho. Desaprendemos a relaxar num momento, a ligar o "se lasque" para assuntos desnecessários, a dar risada dos pensamentos negativos. Sempre temos uma sombra de tristeza interior que, quando nota o nosso relaxamento, vem sussurrar nos nossos ouvidos "olha, não fique assim tão satisfeito, porque as pessoas te machucam... porque você ainda não resolveu isso, aquilo e aquele outro... porque o mundo é cruel e o amor não está disponível para você...".


"DESAPRENDEMOS A CAPACIDADE DE SERMOS FELIZES POR NADA"


E a tristeza nubla os nossos momentos mais simples e singelos, colocando significado nos nossos afazeres descomplicados do dia a dia e dando um toque teatral na nossa rotina.

Para mim, tristeza assim pode ser um vício. Vício de desejar colocar impressões a mais na simplicidade da vida, vício de acreditar que transportamos responsabilidades e culpas sem fim, vício de achar que não podemos relaxar os ombros e deixar que o ir e vir da vida aja silenciosamente nos nossos destinos. 

Desaprendemos a capacidade de sermos felizes por nada. Porque nos cobramos muito e medimos as consequências de tudo, porque vivemos o futuro e a vida dos outros.

Em algumas ocasiões, essa tristeza nos nocauteia, nos deixa sem ânimo pra nada, perdemos a coragem para fazer coisas que amamos, nos entregamos a esse estado de espírito. Eu sei, ele surge e, às vezes, é mesmo maior que tudo, mas precisamos começar a resgatar a nossa infância perdida, o nosso gosto por praticarmos as tarefas do dia a dia sem tantos pesos na mente e no corpo, devagar e sempre.

Podemos ligar uma música, pegar uma vassoura, sorrir para alguém que passa, dar uma volta por aí, espantar a responsabilidade de ser grande, navegar numa maré mais tranquila.

Esquecemos disso, mas é permitido seguir destinos diferentes, não termos conhecimento sobre o dia de amanhã, exigir menos de nós mesmos e das pessoas.

Podemos focar em cuidar do próprio jardim. Respirar fundo, abrir as asas e deixar a alma ser livre no mundo. Parece que, seguindo assim, mais leve no experimentar e sentir o mundo, vagarosamente, vamos modificando o tom da vida, vamos ajustando a postura da alma, vamos confiando mais na luz do sol que entra de maneira inevitável pela janela do que nos lodaçais que tomaram os nossos jardins interiores.


18 Agosto 2018 08:30:00


(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Celulares, Internet, notebooks e tecnologias sem fio anunciam: praticamente não existe lugar em nosso planeta em que não possamos ser alcançados pelos meios de comunicação. Ficar sozinho hoje, portanto, é uma questão de escolha, e muita gente foge dessa situação como o diabo da cruz, acessando salas de bate-papo, sites de relacionamento, programas de mensagens instantâneas e tantas outras opções disponíveis. O mundo virtual nivela seus habitantes e, com isso, até os tímidos podem apresentar-se sem medo de rejeição. 

A vida eternamente online é, segundo a psicóloga norteamericana Ester Buchholz, uma tentativa de resolver o problema do tempo e das necessidades sociais, a sós. E o temor de passar algum tempo isolado ou abandonado é compreensível: para muitas pessoas, a simples ideia de ficar sozinho evoca medos, o que acarreta consequências negativas.

Porém, boa parte da vida moderna, ainda que pareça promover a conectividade, teve o efeito oposto, de fomentar o isolamento social e a solidão.

As pessoas raramente relatam suas histórias de tristeza e isolamento nas mídias sociais. Em lugar disso, os posts destacam diversão e amizade, e as pessoas que não contam com isso acabam por sentir-se acanhadas ou amedrontadas.

As comunicações eletrônicas acabam por substituir as interações interpessoais, face a face, e os sinais sutis de sofrimento, as mensagens de carinho e interesse que estas ações podem transmitir.

"FICAR SOZINHO HOJE É UMA QUESTÃO DE ESCOLHA"

Mas, o que é solidão? Podemos descrever a solidão como estar ao lado de quem não nos percebe, olhar o horizonte e não vislumbrar novos caminhos. Solidão é desamparo, tristeza, é a falta do que temos sem possuir, do que se vê sem existir. Solidão é estar acompanhado por quem não está verdadeiramente junto. Solidão é estar ao lado de quem não nos percebe, não nos valoriza, não conversa conosco nem se interessa de verdade pela nossa vida.

Solidão é passar o dia esperando, em vão, por uma mensagem de carinho e de consideração, um telefonema, um carinho qualquer. É não receber nada em troca, enquanto se doa, enquanto se dedica, enquanto se entrega por inteiro e com sinceridade, enquanto se cultiva o apego ao que fora prometido, às palavras e promessas ditas lá atrás.

Solidão é olhar o horizonte e não vislumbrar novos caminhos, é sonhar com falsas esperanças, é agarrar-se a um passado que não teve futuro, é esperar cada amanhã com desesperança, tendo os olhos marejados enquanto se enxergam somente nãos.

Solidão é ausentar-se de si mesmo, como que se afastando de tudo aquilo que fere e machuca, na tentativa de escapar de um vazio que sufoca e grita por atitudes e por mudanças que teimamos em evitar. É viver no passado que foi melhor e sobreviver a um futuro que não tem chances de se concretizar.

Todos, portanto, temos que estar bem seguros quanto ao que queremos de nossas vidas, quanto ao tipo de amor e de amizades que nos fazem bem, para que não aceitemos migalhas de quem não está nem aí para nossos sentimentos. É difícil romper definitivamente com o que nos faz mal, porém, libertar-se do que é inútil e danoso será uma das melhores maneiras de se alcançar a felicidade que todos merecemos em vida, com ou sem alguém ao nosso lado. "Solidão: um lugar bom de visitar uma vez ou outra, mas ruim de adotar como morada" (Josh Billings).


11 Agosto 2018 08:35:00

Você já percebeu que temos uma

tendência a valorizar muito mais aquilo

que não possuímos do que aquilo que

conquistamos?

Aquilo que não temos nos aborrece,

nos magoa, nos deixa amargos, enquanto

aquilo que temos não necessariamente

nos alegra.

O filósofo francês Voltaire lembrava que

"somos infelizes pelo que nos falta e não

somos felizes pelas coisas que temos".

Aquilo que nós temos não

obrigatoriamente nos dá felicidade e

alegria. Repousar, comer, dormir, brincar,

não necessariamente é felicidade; mas,

por exemplo, não dormir é insuportável.

Aquilo que possuímos nem sempre nos

deixa felizes, entretanto, aquilo que não

temos nos infelicita de uma maneira mais

intensa.

Em sua busca pela felicidade, o homem

embrenha-se em caminhos tortuosos.

É frequente o conflito entre ser feliz

e realizar suas ilusões. Para a criatura

instintiva, pode parecer imprescindível que

todos os seus sonhos se realizem, para

que ela se considere completa.

Ocorre ser a felicidade, sob esse

aspecto, uma fantasia de impossível

realização. O ser humano é ilimitado em

seus devaneios e ilusões. Concretizando

um projeto, surge logo outro, mais

audacioso.


"O SER HUMANO

É ILIMITADO EM

SEUS DEVANEIOS

E ILUSÕES"


Se for a falta da casa própria que

infelicita, após sua conquista, com

frequência, deseja-se outra melhor ou

maior. Ao desejo de ser dono de um

automóvel em bom estado, ocorre a

vontade de adquirir um carro do ano.

Quem tem casa e carro, muitas vezes,

deseja viajar ou garantir a faculdade dos

filhos.

É o desejo de destacar-se na carreira,

frequentar o melhor clube da cidade, ter

roupas luxuosas ou joias. Muitas dessas

aspirações são legítimas, mas sempre

surge algo novo a ser conquistado e nem

tudo que se almeja acontece.

Se for indispensável alcançar todos os

sonhos para o homem se sentir pleno, a

frustração será sua invariável companheira.

Por outro lado, ao desavisado, pode

parecer que tudo é legítimo para alcançar

suas metas. Talvez toda dificuldade seja

considerada uma barreira a ser removida a

qualquer preço.

Se o casamento não vai bem, pode

parecer melhor terminá-lo, para encontrar

outra pessoa que seja perfeita. O familiar

adoentado ou de difícil convívio, quem

sabe, seja alguém a ser evitado a todo

custo, sob a falsa desculpa de preservar

a própria paz. Ora, a superficialidade e

a infantilidade desse modo de viver são

óbvias demais.

O progresso é uma das leis da vida,

e o homem é sempre chamado a

aperfeiçoar-se, tornar-se melhor e mais

forte. Felicidade não é sinônimo de cofres

cheios, vaidades satisfeitas, absoluta

ausência de problemas e desafios. Os

empecilhos, os desejos não alcançados, as

limitações têm o objetivo de sensibilizar-nos.

Eles nos auxiliam a dar valor ao que

é eterno, em detrimento do transitório.

A conquistar, mediante a renúncia das

ilusões, a tão imaginada paz: o tesouro

depositado onde ninguém pode roubar.

Felicidade, pois, não é ter tudo o que

se quer, mas estar em harmonia com a

própria consciência e com as leis divinas.

Entre concretizar uma fantasia e atender às

próprias obrigações, o homem ponderado

não pode vacilar. Se um sonho, para

realizar-se, exigir violação de compromissos

assumidos, ou não se amoldar a uma

consciência tranquila, é melhor desistir dele,

por mais atraente que seja.

Consciência pesada é algo incompatível

com a plena realização do indivíduo. Não

há felicidade sem paz e não há paz sem

deveres implacavelmente cumpridos.

Pensemos nisso!


04 Agosto 2018 09:50:00




... atropela a alma, o corpo, o tempo de amadurecimento de um experiência, de uma percepção.

Nossa vida e nosso destino, decididamente, são determinados pelas nossas escolhas. Raramente temos apenas um caminho a seguir, a não ser que seja um daqueles momentos, estilo "beco sem saída".

Todos os dias, com grandes ou pequenos atos, mas sempre com enormes decisões, determinamos o que faremos da nossa existência. A vida, porém, é cada vez mais rápida, e falta tempo para tudo, principalmente para nós mesmos.

Nos atropelamos e nos precipitamos, muito mais por cobranças sociais do que propriamente por aquilo que vivemos. Como podemos então administrar o tempo para que possamos olhar para dentro?

Atropelamos os dias, com todos os afazeres que temos, com as obrigações e coisas mais importantes, não guardamos alguns minutos para parar, sentar, respirar e pensar nos passos dados, no caminho seguido, na direção dos voos.

Não dá tempo de parar o atropelo para ponderar sobre nós mesmos.

Atropelamos os sinais do corpo, colocamos mais um antiácido no estômago, deixamos o xixi pra depois, temos que responder à urgência dos e-mails e whatsapps primeiro. Atropelamos a mastigação das refeições com digitações no celular. Atropelamos o momento de diálogo com o companheiro por coisas que temos que postar. Atropelamos um olhar, um apreciar, uma flor, um filosofar mais intenso e profundo com um vomitar nossas dores e falar sobre a vida dos outros.

Atropelamos nossos aprendizados diários com pensamentos que não vêm ao caso; atropelamos a possibilidade de outras explicações, de outros entendimentos, com a nossa fúria implantada, com a nossa dor pré-concebida, com os nossos vícios de ser o que já sabemos ser.

Atropelamos dando ouvidos demais para o que, no fim das contas, não interessa na nossa estrada. Atropelamos um olhar bonito, um cheiro bom, um momento único, com a vontade de que as coisas cresçam e vinguem no momento seguinte.

Atropelamos uma ocasião de chegada, um período de alívio, um coração rompido. Atropelamos o luto e o sentimento recém-nascido.

Atropelamos um abraço de uma criança, atropelamos tantas árvores todos os dias, atropelamos as boas ideias, a poesia.

Atropelamos as soluções com um excesso de problemas, atropelamos a maré mansa de dentro com obrigações e perspectivas.

Atropelamos quem não se atropela e senta um pouco, todos os dias, teimosamente, no meio da estrada dos atropelados.

Atropelamos os dias, a geografia, a nossa história de vida. Atropelamos o te amo da mãe no telefone, atropelamos as presenças com o nosso constante foco na falta, atropelamos os pequenos significados com expressões gigantescas que vivemos esperando pousar na nossa janela.

Atropelamos o silêncio, o nosso e o dos outros, atropelamos o futuro com nossos medos bobos, o passado, sujando com nossos apegos e desgostos, atropelamos o presente com a acidez do desconforto de não saber mais estar na própria pele.

... A gente se atropela.

"É na calma do silêncio que encontramos a paciência necessária para responder muitas perguntas que julgamos sem respostas".



28 Julho 2018 08:30:00


Gente precisa de gente, quem nunca ouviu isso? Nós necessitamos viver em sociedade, pois ninguém é capaz de viver sozinho. Quando vivemos em sociedade, colaboramos e temos a colaboração do próximo, é um relacionamento de harmonia. 

Os humanos sempre estão em dívida uns com os outros ou apenas agradecidos por um favor ou benefício que lhe foi dado. Mas saiba que as pessoas ingratas não percebem a característica da ingratidão, por vergonha ou por característica da sua personalidade.

O ingrato não reconhece que, sem ajuda, não chegaria a lugar nenhum. Esquece com facilidade as coisas boas que lhe fizeram. Vive no seu mundo, busca apenas os seus próprios interesses.

A ingratidão é falta de bom senso, de sabedoria, de visão e de humildade. O ingrato não vê o que os outros veem e nem sente o que os outros sentem, não por que não querem ou não desejam, mas por incapacidade, por fraqueza e ausência de amor. Há na cabeça do ingrato, um vazio de amor ao próximo que se manifesta permanentemente.

Outra característica da personalidade do ingrato é que ele não aceita ser repreendido, porém, adora repreender outras pessoas. Não aceita conselho de ninguém, não considera ninguém capaz de liderá-lo ou aconselhá-lo, o ingrato finge aceitar, mas, na verdade, não aceita se submeter à autoridade.


Os infelizes são ingratos; isso faz parte da infelicidade deles (Victor Hugo). 


Muitos ingratos vão aparecer nas nossas vidas? Faz parte. Mas temos que aprender a lidar com cada um deles, e não deixar que destruam a nossa capacidade de amar e de acreditar no amor verdadeiro e na mudança das pessoas.

Realmente, a ingratidão tem um sabor não muito agradável, mas não devemos permitir que ela nos abale e venha a ferir nosso caráter. A ingratidão é filha do egoísmo, pois o egoísta só pensa em si, em seus projetos e não liga para o esforço de quem o ajudou. A ingratidão é resultado de uma vida centrada em si mesmo.

A sabedoria, pelo contrário, valoriza todos os benefícios, fixa-se na sua consideração e se satisfaz em recordá-los continuamente. Os maus só têm um momento de prazer, e breve: o instante em que recebem o benefício, seja um presente ou algo para a vida toda. O sábio, por sua vez, extrai do benefício recebido uma satisfação grande e perene.

O que lhe dá prazer não é o momento de receber, mas sim o fato de ter recebido o benefício. Isto é para ele algo de imortal, de permanente. De todas as imperfeições que o ser humano pode demonstrar, a ingratidão é a mais letal, a que mais dói.

Uma pessoa ingrata nunca se satisfaz, sempre quer mais. O egoísta não quer dividir o sabor da vitória. Então nega o benfeitor, esquece-o, até pode agredi-lo e eliminá-lo simbolicamente, porque é humilhante para o seu status atual fazer referência a um estado anterior de carência. O indivíduo se envergonha de depender de quem quis ajudá-lo.

Então, faz aquilo que o ditado popular tão pitorescamente expressa: "cospe no prato que comeu". É importante, pois, que examinemos nossas ações, observando se não somos ingratos. Em especial com aqueles que estenderam à preciosidade da sua amizade, por longos e longos anos.

O coração ingrato assemelha-se ao deserto que sorve com avidez a água do céu e não produz coisa alguma (Muslah-Al-Din Saadi).


21 Julho 2018 08:55:00


 "As oportunidades são como o nascer do Sol: se você esperar demais, vai perdê-las." (William Arthur Ward) 

 Se há uma emoção que alimenta o lado bom da vida é, sem dúvida, a esperança. É importante acreditar que podemos transformar nossas vidas, amar outras pessoas, sarar nossas feridas, ter alegrias apesar das adversidades e perdas, consolidar nossos ideais.

 Ter esperança é fundamental para vivermos. Ela é fonte de ânimo para que possamos dar um significado à existência e ao futuro. A esperança é como uma estrela cujo brilho nos guia, porém sem dissolver a escuridão da vida.

 Há um ditado que comumente escutamos: "quem espera sempre alcança", embora, em uma versão italiana, haja uma nota clássica que diz: "piano, piano si va lontano, ma non si arriva mai", ou "devagar se vai longe, mas não se chega nunca".

 A ideia de que quem espera sempre alcança tem algo de arriscado: a noção de esperança como ficar aguardando. A esperança deve ser ativa, como busca ao objetivo que se realiza.

 Esse ditado de "quem espera sempre alcança" pode passar uma ideia de que basta sentarmos e aguardarmos, e as coisas seguirão seu rumo. Não é verdade. Sabemos que há muitas coisas que, se apenas esperarmos, não acontecerão.

 Abraham Lincoln disse: "As coisas podem chegar até aqueles que somente esperam, mas são apenas as sobras deixadas por aqueles que lutam".

 Para não se satisfazer apenas com o resto, é essencial ingressar para o grupo das pessoas resolvidas a serem vitoriosas, saindo da zona de conforto, com a coragem de encarar e superar os empecilhos que aparecerão pela frente.

 Contudo, a esperança não precisa ser um afastamento da realidade, pois isso nos traria desilusões, mais cedo ou mais tarde. É irônico, mas, às vezes, a excessiva esperança em coisas ou em pessoas faz com que acabemos perdendo a esperança, devido às frustrações vividas.

 Como tudo nessa vida possui dois lados, viver de esperança pode resultar em resultados negativos e improdutivos. A fé cega, que não contém nenhuma ação, não nos ajudará a realizar o que ansiamos. Paralisados, ficaremos esperando que a vida, outra pessoa ou algo externo a nós se apresentem como solucionadores de nossos problemas, em lugar de assumirmos a responsabilidade por nossas vidas.

 A esperança nos permite ver num ponto de vista mais amplo, tirando-nos do medo paralisante do problema visivelmente insolúvel. Ela nos lança no horizonte distante, além de tudo que hoje não tem jeito, e que amanhã será visto como necessário para novos desafios que virão. Por isso, a esperança nos torna inventivos e competentes de erguer as bases para a concretização de nossos sonhos, evitando que entremos no colapso do desespero. Essa sabedoria muda o ritmo de nosso ser e inspira a cura, baseada na certeza de que, se já passamos por tantas outras coisas, porque não iremos passar por mais essa? Ela é um antídoto contra o veneno do medo e do caos.

 Ao abrirmos mão da esperança, acabamos por cumprir nossas previsões mais terríveis, ao passo que, com ela, somos levados a nos aplicar e dar o máximo de nós, descobrindo que podemos passar o limite que nos colocaram ou nos impusemos.

 A esperança sempre venceu o medo, antes mesmo da utilização política dessa verdade, mas esse medo só é vencido quando depositamos em nós, e não nos outros, as possibilidades do futuro.

 "A esperança é o único bem comum a todos os homens; aqueles que nada mais têm - ainda a possuem". (Tales de Mileto)



14 Julho 2018 09:25:00


(Ilustração: Divulgação)


"Um sonho escrito com um prazo se torna uma meta. Uma meta dividida em passos se torna um plano. Um plano suportado por ações faz seus sonhos se tornarem realidade" (Greg S. Reid).

É comum as pessoas dizerem "eu estava esperando uma inspiração para fazer esse texto, para começar essa obra, para refletir sobre um projeto?". Ora, existe um esforço imenso para ser criativo e para que a inspiração possa ter o seu lugar.

Vale citar aqui Igor Stravinsky, um compositor russo que, com seus balés e peças, deixou um legado muito criativo. Ele dizia: "Um leigo pensaria que, para criar, é preciso aguardar a inspiração. É um erro. Não que eu queira negar a importância da inspiração. Pelo contrário, considero-a uma força motriz, que encontramos em toda a atividade humana e que, portanto, não é apenas um monopólio dos artistas. Essa força, porém, só desabrocha quando algum esforço a põe em movimento".

O que Stravinsky chamava de trabalho é o esforço a ser feito para que a inspiração seja colocada em movimento. A capacidade de fazer a inspiração surgir não é sentar e aguardar, e então, sermos possuídos por um momento de grande movimento cerebral, é colocar-se no esforço.

Nenhuma ideia brilhante surge do nada. Por trás de um "Eureka!", há muito esforço envolvido.

Mesmo que pareça que a solução tenha surgido espontaneamente, na verdade, ela é fruto do repertório que você tem acumulado ao longo do tempo, de todo o esforço que realizou para adquirir determinado conhecimento.

Acredito que a criatividade é uma competência e não um dom. O ponto de partida de grandes ideias tem origem no "querer fazer". No entanto, independente de ser aplicada ou não, a maioria das soluções foi pensada por quem se debruçou sobre um problema e, com isso, renunciou a um tempo valioso de sua vida, tendo como objetivo enxergar um fato novo. Esse é o ponto central desse texto: a valorização do esforço criativo.

Steven Johnson, um estudioso de criatividade, nos ensina que muitas soluções costumam ser geradas a partir de pequenas ideias inacabadas, que vão se acrescentando e, juntas, podem ganhar consistência. Sabemos que a criatividade não acaba, você a alimenta e exercita, vai além dos limites para que ela se fortaleça cada vez mais. Se você a deixar quietinha, ela se atrofia e enfraquece.

Tudo contribui para fortalecer o processo criativo. Quanto mais você absorver do mundo à sua volta e quanto mais conexões interessantes você fizer, mais criativo você se torna.

Se a criatividade não pudesse ser trabalhada todos os dias, não existiriam artistas, escritores, YouTubers ou empreendedores. Essas pessoas incorporam o processo de criatividade em seus estilos de vida. Elas vivem do processo de criação de ideias todos os dias, entretanto, ter uma ideia não é tudo. O processo de criação não termina quando você começa a executar. Buckminster Fuller disse "Eu não sou um gênio. Eu sou apenas um punhado enorme de experiência".

Com esforços abundantes, específicos e sustentáveis durante um tempo, você pode fazer a maior parte das coisas que tem dificuldade. Uma pessoa criativa costuma ser identificada pela persistência, concentração, motivação, e foco naquilo que fazem bem. Dedicação em um nível incomum é requisito para alcançar a maestria.

A grande diferença entre você e Picasso ou Einstein, ou as mentes mais criativas do nosso tempo, é que eles abraçaram a longa estrada até a maestria, eles passaram muito tempo aplicando suas mentes e almas na única coisa que queriam fazer. Resumidamente, a genialidade é resultado de um desenvolvimento contínuo, portanto, trabalhe duro, seja esperto e persistente, e você vai encontrar sua brecha.



07 Julho 2018 13:50:00


"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar" (Nelson Mandela). 

É impressionante como, em pleno século XXI, o preconceito continua a ser algo presente em nossa sociedade. Todos os tipos de preconceito nos fazem refletir que, talvez, a mente humana não esteja acompanhando a evolução tecnológica que hoje vemos.

Diferenças são normais, indiscutíveis, inegáveis, e lidar com elas nem sempre é tão fácil como esperamos. O convívio em grupo já é, por si só, uma tarefa difícil.

Muitas vezes, temos que engolir palavras, respirar fundo e pensar duas vezes antes de falar ou fazer algo: são passos básicos para uma vida harmônica e relativamente equilibrada. Mas, infelizmente, muitos ainda não aprenderam a superar e respeitar as diferenças, abrindo, assim, caminhos para o preconceito, a discriminação e as atrocidades que deixaram e deixam marcas absurdas em todos os tipos de sociedade.

São as diferenças que tornam a vida mais interessante, a diversidade nos ensina o conhecimento. Uma pessoa não é igual a outra, mas isto não significa que uma seja melhor ou pior que a outra, as diferenças existem e precisam ser respeitadas. O preconceito nada mais é que um juízo preconcebido fruto da ignorância, um desconhecimento pejorativo referente a pessoas ou lugares e só pode ser vencido pelo conhecimento e instrução. É a pessoa preconceituosa quem precisa melhorar como pessoa e como ser humano e não a pessoa vítima da discriminação.

O PRECONCEITO NADA MAIS É QUE UM JUÍZO PRECONCEBIDO FRUTO DA IGNORÂNCIA 

Uma personalidade intolerante, autoritária, agressiva, limitada, arrogante, despreza qualquer ideia ou situação que ultrapasse a realidade preconcebida daquilo que considera normal. São muitos os tipos de preconceito e fica difícil acreditar que eles ainda existam. São erros passados de geração para geração, até que uma geração perceba que os conceitos associados à discriminação e às diferenças não revelam verdades e já não cabem no mundo de hoje.

Há uma frase clássica, que alguns atribuem a Albert Einstein, é até provável que a frase seja dele, embora não se tenha um registro tão fiel em relação à autoria, que diz: "Época triste a nossa em que é mais difícil quebrar um preconceito do que um átomo".

Einstein, sabia muito bem do que estava falando, até por ter sido expatriado da Alemanha. Ele, que tinha ascendência judaica, se lá permanecesse, teria tido problemas durante a ocupação nazista.

Todos os tipos de preconceito geram hostilidade e violência. Cada vez mais, nós entendemos que é preciso aceitar as diferenças de pensamento, as diferenças de postura, isto é, numa convivência cidadã saudável, o fato de as pessoas serem como são.

Quem quer que conheça um pouco de história, sabe que sempre existiram preconceitos nefastos e que mesmo quando alguns deles chegam a ser superados, outros tantos surgem quase que imediatamente.

Apenas posso dizer que os preconceitos nascem na cabeça do ser humano. Por isso, é preciso combatê-los em suas cabeças, isto é, com o desenvolvimento das consciências e, portanto, com a Educação, mediante a luta incessante contra toda forma de sectarismo.


30 Junho 2018 07:00:00
Autor: Ana Paula Della Giustina


(Imagem: Divulgação)

"Se você encontrar um caminho sem obstáculos, ele provavelmente não leva a lugar nenhum". (Frank Clark) 

De repente tudo anda uma bagunça, são livros pra ler, matérias pra estudar, coisas pra fazer e organizar, pessoas para suportar, rotina em cima de rotina.

Quando precisamos de um tempo para arrumar as coisas, seja a mesa de trabalho, o quarto, o guarda-roupa, aproveitamos nosso tempo de folga para essa finalidade.

 Arrumação é algo importante para nos organizar, mas há outra coisa que nos ajuda bastante, que é a capacidade de refletirmos, de desarrumar algumas certezas de vez em quando.

Jean Rostand, filósofo francês, dizia que "refletir é desarrumar os pensamentos". Imaginamos que a reflexão teria a capacidade de organizar os pensamentos, mas essa organização se dá depois que conseguimos desarrumá-los. Porque refletir é abrir a mente para outras compreensões, é desarrumar os pensamentos, não para deixá-los desarrumados, mas para sermos capazes depois de colocá-los em ordem, mais ou menos como fazemos com um armário ou um guarda-roupa. Tiramos tudo de dentro, colocamos no chão e depois arrumamos de volta, organizando de maneira que possamos localizar facilmente aquilo que usaremos.

Refletir é pensar sobre as coisas, mas será que temos dado espaço para que sejamos capazes de refletir? Ou apenas caminhamos tão repletos de certezas, que não resta espaço para mais nada?

 O ser humano, em sua essência, é imperfeito. O que o permite ter conhecimento para se aperfeiçoar, alinhar seu prumo, aprender, reconhecer seus erros e comemorar seus acertos é sua capacidade de reflexão.

A reflexão leva a evolução. Consente que lancemos um olhar sobre quem somos, sobre circunstâncias que podem nos desafiar e, principalmente, nos levem a uma mudança. Matamos o velho e damos lugar ao novo.

Quanto mais pensamos, mais somos transformados. Mais obtemos conhecimento com a simplicidade de quem acaba de obter um dos maiores tesouros que se pode descobrir: a sabedoria.

O saber é fruto desta busca incessante por conhecimento, sobre si, sobre o outro, sobre a vida. Este é o princípio de uma longa jornada que começa quando somos abertos a refletir.

A correria do dia a dia, muitas vezes, nos impede de fazer diversas coisas importantes para o nosso desenvolvimento pessoal. Entre essas coisas que estão sendo deixadas de lado, está o hábito de parar para pensar. Pode ser para pensar no sentido do seu momento de vida, nos seus sonhos, ou nos seus problemas atuais. O que importa é a intenção de buscar entender o que está se passando com você.

Se cada pessoa pensasse antes de tomar qualquer decisão, ou seja, antes de agir, muita coisa seria diferente e muitas coisas ruins seguramente, seriam evitadas. Portanto, vemos que, pensar e refletir faz muita falta no dia-a-dia das pessoas.

No entanto, refletir nem sempre é fácil, porque às vezes escancaramos respostas que não gostaríamos de enxergar. Por isso, é um hábito que pode ser encarado de maneira ameaçadora. Mas busque reverter isso: não é o ato de pensar que faz com que sua vida não seja da maneira que você espera. Você já está vivendo essa vida, só está evitando pensar nela porque tem medo de agir para mudar essa situação.



23 Junho 2018 09:59:00


 "Só fazemos melhor aquilo que repetidamente insistimos em melhorar.

A busca pela excelência não deve ser um objetivo,

e sim um hábito." ( Pitágoras)


Nossos dias se resumem a cumprir dezenas de pequenas obrigações. E nós, como temos realizado essas obrigações? Com capricho e esmero?

Um dos significados da palavra esmero é "cuidado para produzir uma qualidade máxima no feitio de algo." Tenho pensado sobre isso, sobre a qualidade com que realizamos nossos serviços.

Venho pontuar o impasse entre algo insignificante e algo excelente em períodos de tanto corre-corre em que temos soluções tecnológicas que mudaram impiedosa nossa rotina e o modo de realizarmos as coisas. O desinteresse está associado ao desleixo e a negligência, refletindo uma falta de valorização pelo trabalho ou pela pessoa a quem é oferecido. A excelência é algo que merece atenção, pois reflete o contrário. Valorizamos essa coragem por dar-nos segurança de melhor qualidade e apreço, pois, para atingi-la, alguém teve um olhar especial e investiu tempo e energia para realizar ou produzir alguma coisa.

Fazer algo extraordinário ou alcançar a excelência demanda de empenho e não se alcança o esmero sem sacrificar-se para isso.

Você já parou para pensar por que coisas realizadas com esmero e cuidado ficam diferentes? Estas coisas são realizadas por pessoas comuns, porém, com toques de querer dar soluções aos problemas, querendo não só limpar, mas brilhar, querendo não só administrar um paliativo, mas curar. Sim, há uma diferença, que é a de não estar somente de corpo presente, mas fazer valer a pena acontecer, no sentido de realizar e sentir-se realizado.

Aliás, isso não é um conselho profissional, é um conselho de vida. Se algo vale a pena ser feito, vale a pena ser bem feito. Viva com essa finalidade. Você poderá não ficar rico, mas será feliz. Possivelmente, nada lhe faltará, porque se paga melhor àqueles que fazem o trabalho bem feito do que àqueles que fazem o mínimo necessário.

Tenho uma história recente sobre isso. Eu nunca lavei meu carro várias vezes em um mesmo lava-rápido, até que encontrei um em especial. Surpreendi-me quando fui retirar o carro no horário tratado e me deparei com tudo perfeito, mesmo sendo uma lavagem simples. Ao entrar no carro verifiquei um checklist pendurado com os vários itens que mereciam atenção, como limpar o cinto de segurança, verificar se as borrachas foram limpas e devolver os pertences ao console do carro! Fiquei encantada, muito disso pela lição que recebi: por mais simples que seja sua tarefa, ela merece ser feita com muita atenção e dedicação.

A maior parte das pessoas pensa muito na quantidade e pouco na qualidade de seu trabalho. Tentam fazer excessivamente e acabam fazendo malfeito.

É tão desonesto enganar através do trabalho malfeito, quanto deixar uma inverdade sair da própria boca. Muitos não compreendem que se pode realizar mentiras ao invés de dizê-las, sendo, talvez, o primeiro caso pior que o segundo.

Cada parte de seu esforço deve carregar sua marca de excelência impressa, cada etapa de trabalho que termina como algo que não precisa ter retoques! Esta é exatamente a diferença entre o bom e o melhor que existe.

O mundo exige que faça de maneira bem feita a sua atividade e que a realize com todo o poder e habilidade que tiver. A meticulosidade é característica de todos com sucesso. Grandes realizações têm a característica do cuidado, até o último detalhe.

Como revolucionaria nossa cultura da qualidade se todos a adotassem e usassem. Não importa o que se faça, só o melhor seria o suficiente para satisfazer! Pense nisso!



16 Junho 2018 15:43:00


(FOTO: DIVULGAÇÃO)

A leitura é uma fonte inesgotável de prazer, mas, por incrível que pareça, a quase totalidade não sente esta sede... (Carlos Drummond de Andrade). 

Até algumas décadas atrás, era comum que as pessoas, quando ganhavam algum dinheiro, se tornassem aquilo que se chamava de "novo rico" e comprassem livros por metro. Chamavam o decorador e, para dar a impressão de casa de uma família letrada, encomendavam livros por metro: "Eu preciso de tantos metros de livros nesta estante".

No Brasil, um novo estilo de vida tem levado as pessoas a esbanjarem na hora das compras, desfilando pelas ruas com roupas de marca, joias e carros de luxo. Isso é conhecido como ostentação, que tem como finalidade exibir os bens materiais em busca de status, respeito e manifestar seu valor diante de um grupo.

Outro dia, uma pessoa me perguntou o que eu achava do Funk Ostentação; respondi que sou de outra moda, do Livro Ostentação! Depois, me perguntei como seria o Brasil, se o livro se tornasse objeto de cobiça e motivo para ostentar: "Querida, pode babar, olha o livro que chegou aqui em casa. Querida, isso porque você não viu o meu, um luxoooooo!".

Temos, hoje, pessoas inteiramente voltadas em mostrar enormes colares de ouro, fotos em iates, roupas caras, bebidas na mão, carros último tipo, final de semana do bom e do melhor. Muitas ostentam no final de semana, mas, na rotina diária, estão andando de ônibus, comendo pão com ovo e alimentando dentro de si sentimentos fúteis e inúteis.

Não acho que seja crime mostrar as coisas boas da vida. Eu mesma adoro postar foto de uma comida saborosa, de um dia especial, uma boa viagem ou o encontro com os amigos, mas não faço disso uma busca pessoal. Nenhuma dessas fotos pode ser a definição de nossa identidade ou a base das nossas vidas.

Aí, volto a me perguntar: quem seríamos hoje se, ao invés do Funk Ostentação, tivéssemos alimentado a onda do Livro Ostentação? A leitura abre possibilidade para o leitor compreender o mundo em que vive; amplia seus conhecimentos e o transforma no ator principal de sua história e da sociedade à qual pertence.

Os livros desvendam os mistérios do mundo, do cosmo, do planeta, da história das civilizações, da cultura e dos comportamentos. Aprofunda o conhecimento das pessoas e amplia seus horizontes.

O livro é a ponte que une o ser integral às diversas formas de cultura, diminuindo a distância entre os povos, sem contar com o desenvolvimento da imaginação e criatividade do leitor. O livro ainda é a melhor forma de lazer e cultura! Descobrem-se diversas histórias lindas e mágicas quando se adquire o hábito de ler. Ler faz bem à alma e liberta da alienação.

A leitura desenvolve no leitor uma consciência crítica do ambiente em que habita. Aqueles que têm o prazer de ler vivem em processo contínuo de transformação, tanto quanto pessoa, como ser político, social e agente participativo nos destinos da sociedade.

Não é possível ser simpatizante da leitura e estar alheio aos acontecimentos trágicos da sociedade, como violação dos direitos fundamentais da cidadania, exploração do homem pelo homem, exclusão, agressão e degradação do ecossistema.

A leitura desenvolve a capacidade de indignação do indivíduo comprometido com a sociedade. O gosto pela leitura deveria ser tão importante quanto o ar que se respira, a água que se bebe e o alimento que sustenta o corpo. O prazer de ler e o gosto pelas aventuras contidos nos livros alimentam a alma e o intelecto humano. A leitura é um ato de sabedoria!

Um público comprometido com a leitura é crítico, rebelde, inquieto, pouco manipulável e não crê em lemas que alguns fazem passar por ideias. (Mário Vargas Llosa)


09 Junho 2018 08:15:00



 "Não existe nada de completamente errado no mundo, mesmo um relógio parado, consegue estar certo duas vezes por dia." (Paulo Coelho)

 Erro não é para ser punido, é para ser corrigido. O que deve ser punida é a negligência, a desatenção e o descuido. O erro faz parte do processo de acerto, da tentativa de inovação, da procura de construir algo melhor. Ninguém é imune ao erro. A clássica frase "errar é humano" não é uma justificativa, é uma explicação. Ela significa, entre outras coisas, que nós somos, sim, passíveis de errar. Corrige-se erro de modo que quem errou faça direito da próxima vez.

 Não haveria inovação na vida humana se o erro não tivesse o seu lugar. Aí se diria: "Nós aprendemos com os erros?" Não, aprendemos com a correção dos erros. Se aprendêssemos com os erros, o melhor método pedagógico seria errar bastante, e há erros que são fatais, que são terminais.

 Na escola, com frequência colocam no acerto um sinal pequenininho no trabalho ou na prova; quando se erra, os professores colocam um X em vermelho, bem grande, valorizando algo que deve ser corrigido e não punido.

 O físico Albert Einstein (1879-1955) dizia algo que nos ajuda a refletir: "Tolo é aquele que faz as coisas sempre do mesmo jeito e espera resultados diferentes".

 Algumas pessoas rejeitam o lugar do erro. Urge relativizar essa postura, e isso não é querer elogiar o erro, mas admiti-lo no dia a dia.

 É difícil mesmo aceitar que a gente falhou. Um misto de culpa, angústia, baixa auto-estima, insegurança e medo surgem como uma forma de punição. Depois, a tendência é passarmos a agir numa zona de conforto, deixando de correr riscos para não fracassar novamente. Mas como diz o ditado: Quem não arrisca não petisca! Errar no trabalho, nos relacionamentos ou com os filhos, por exemplo, tomando consciência do engano, faz parte do crescimento pessoal, da evolução e do sucesso. Refletir sobre a situação, pensar em como ela poderia ter sido diferente e seguir em frente, partindo para outras soluções, traz confiança, coragem e oportunidades. "O ideal é não ficar lamentando. No primeiro momento pode parecer cômodo, mas a médio ou longo prazo não vai além da estagnação e apatia", diz a escritora americana Alina Tugend em seu livro Sem Medo de Errar. "Não devemos pensar que temos que fazer tudo com perfeição e que se não fizermos somos fracassadas. Essa mentalidade cria relacionamentos nos quais os envolvidos passam a maior parte do tempo se censurando mutuamente ou repassando a culpa em vez de procurar a solução.

 Para superar os erros e obter sucesso é preciso estar disposta a admiti-los, receber críticas, confiar em si mesma e em quem está dando o feedback. "A pessoa deve aceitar esse retorno como algo benéfico. Se enxergá-lo como ameaça, não mudará as atitudes nem aprenderá com os erros.

 O problema é que algumas pessoas não conseguem mudar o rumo, porque já têm hábitos arraigados. Quem fuma, por exemplo, sente apenas o prazer do cigarro e não é capaz de admitir que o vício faz mal. A pessoa vê o abandono como algo penoso. Só nos transformamos quando a situação causa um desconforto muito grande, como dor, angústia ou perda. Por isso, é fundamental enxergar os benefícios da mudança de curso e, assim, caminhar para o acerto. Vamos lá, aprenda a ver o lado positivo do erro e torne-se mais produtiva e realizada!

Eu erro, errei, e com toda certeza errarei mais, mas sei que é por meio da conjugação desse verbo que posso entender como conjugar outros tantos verbos mais? acertar, compreender, evoluir, experimentar, perdoar, amar e, principalmente, viver.



02 Junho 2018 07:00:00
Autor: Ana Paula Della Giustina

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(Foto: Divulgação)/


Eis uma verdade para você, caro leitor: você vai perder algo ou alguém que ama. Vai falhar. Vai cair. Talvez você supere, talvez não. Talvez seja tudo em vão. Alguém precisa te lembrar das possibilidades negativas. 

Geralmente as pessoas dão conselhos baseados na superação. Desejam o bem ao próximo superficialmente com frases como "vocês são vencedores, vão conseguir". Repetem mantras da positividade, mas poucos realmente se importam com os problemas alheios e em ajudar a solucioná-los.

Adoram ver aquelas histórias bonitas e comoventes de superação de alguém que tinha tudo para falhar e conseguiu atingir seus objetivos. Realmente é motivador saber que alguém conseguiu cobiçar o que desejava, mas, e quando o caminho é inverso? E quando a pessoa falha? Quem se importa com quem perde? É só tentar de novo ou é melhor desistir? Não há lugar para perdedores. Como motivar? O que dizer?

Estamos uma sociedade onde vencer é fundamental, quem vence é quem inspira, é quem dita às regras. São exemplos que temos a seguir. Mas não aprendemos a perder, a cair, a sermos rejeitados e não realizar nossos sonhos. Não aprendemos a encarar os dias ruins. Não nos dizem que iremos morrer e que tudo pode dar errado. E se der? Como estaremos preparados? Por que as histórias de quem fracassou não são interessantes para aprender como as de quem conseguiu?

Pensar no pior também pode te fazer melhor, entender que a vida não é só feita de bons momentos e de diversão. É necessário se adequar, planejar, arriscar e reconhecer que não se pode ter tudo.

Desde pequenos devemos aprender que vamos perder na vida. Perderemos nosso tempo fazendo o que não queremos, com pessoas que não gostamos, e o pior, perderemos as pessoas que amamos. Perderemos amigos, namorada(os) e parentes. Vamos cair e nem todos vão se levantar. Podemos chegar até o fundo do poço e nunca sair de lá. Vamos falhar, cometer muitos erros tentando nos encontrar e encontrar alguém que possa nos ajudar em nossa jornada, tentando achar um espaço na sociedade para se inserir porque o medo de falhar e estar só nos consome. Dividimos vitórias, mas ocultamos derrotas. Temos vergonha de admitir que não fomos capazes. É somente quando falhamos que percebemos nossa pequenez no mundo. É através da percepção da nossa fragilidade que podemos nos conhecer de verdade. A vida é uma seqüência de fatos e ciclos. É experiência, tentativa e erro. O sucesso nada mais é que a persistência após vários fracassos. Mas quantas vezes precisamos fracassar para vencer?

O quanto de dor podemos suportar até que a cicatriz de um grande corte profundo de perda e de vergonha se cure? Não há resposta, não há conselho de auto-ajuda como em muitos livros que lucram com soluções programadas para pessoas que precisam de alguma resposta que as satisfaça para essa pergunta. Não teremos todas as respostas. Apenas vivendo podemos saber, a experiência e conhecimento de cada um é o que determina como vencer e como encarar a perda. Não há fórmulas porque cada história de vida é única.

 Sempre que não conseguir, lembre-se: Você vai perder algo ou alguém que ama. Vai falhar. Vai cair. Talvez você supere, talvez não. Talvez seja tudo em vão. Alguém precisa te lembrar das possibilidades negativas. Mas lembre-se também: Viver é saber o que fazer dos erros, é aprender todos os dias algo. Não há erros sem acertos, valorize os erros, valorize a derrota, os derrotados, aprenda com eles, por que são eles que te farão acertar.

 "A vida não tece apenas uma teia de perdas, mas nos proporciona uma sucessão de ganhos. O equilíbrio da balança depende muito do que soubermos e quisermos enxergar." (Lya Luft)



26 Maio 2018 00:05:00


(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Um dos meus desejos quando criança, e acho que de muita gente, especialmente quando tínhamos alguma prova, um trabalho na escola, era nascer sabendo. "Por que eu não nasci sabendo?" Aí eu não precisava levantar tão cedo para estudar. Nem ficar até tarde na leitura de um livro. Aquele sonho de nascer sabendo tem uma forte marca de infantilidade. 

Nascer sabendo, mesmo que pudesse nos dar algum conforto, seria fortemente negativo na nossa história. Se nascêssemos sabendo, só poderíamos fazer aquilo que já sabíamos, portanto, entraríamos num processo de repetição, de falta de criatividade, de incapacidade de inovação. Uma das coisas que nos caracteriza como espécie humana é sermos capazes de construir e recriar outra forma de vida individual e coletiva.

Isso se dá porque, de fato, não nascemos sabendo. Embora seja uma situação boa de imaginar, nascer sabendo nos colocaria no mesmo patamar de outras espécies que apenas reproduzem, clonam aquilo que já têm. A nossa capacidade seria repetitiva, redundante, isso é, do mesmo modo que já estava.

Que bom se nascêssemos sabendo: esse foi um desejo pontual. No geral, não seria bom, de forma alguma.

A cultura, em seu verdadeiro significado, é a soma da informação com a vivência e a experiência. Não se restringe, portanto, como erroneamente se supõe, ao acúmulo de conhecimentos mal entendidos e pessimamente digeridos.

Ou mesmo que bem assimilados, não importa. Não é necessário que um indivíduo colecione diplomas, para ser verdadeiramente culto. Temos exemplos em profusão a esse respeito. O mais conhecido é o de Machado de Assis, que jamais cursou qualquer escola, e, no entanto foi, sem favor algum, o maior dos nossos escritores. Foi um aplicado autodidata que soube o que fazer com aquilo que aprendeu.

Algumas pessoas nos encontram e dizem: "Mas você não é mais o mesmo". Nem sempre isso deve ser entendido como uma ofensa. Vez ou outra pode ser olhada como um elogio, afinal de contas, a constância, de pensar e agir, não necessariamente é um indicador de coerência. Pode ser um indicador de intransigência, de intolerância, de incapacidade de pensar de outro modo.

Desse ponto de vista, há uma inconstância eventual que nos ajuda a criar, a reinventar, a refazer. Essa capacidade foi um dia reconhecida por Aldous Huxley, um britânico que produziu uma magnífica obra: Admirável mundo novo, que disse: "A constância é contrária à natureza, contrária à vida. As únicas pessoas completamente constantes são os mortos".

Frase forte, mas com um ponto de reflexão. Não se trata de simplesmente alterar o modo como se pensa ou se faz algo só porque o vento bate em outra direção, mas de não ser constante numa única direção, porque pode ser um sinal de inflexibilidade mental, e isso não é bom.

"Nascer sabendo é uma limitação, porque obriga a apenas repetir e, nunca, a criar, inovar, refazer, modificar. Quanto mais se nasce pronto, mais refém do que já se sabe e, portanto, do passado; aprender sempre é o que mais impede que nos tornemos prisioneiros de situações que, por serem inéditas, não saberíamos enfrentar." (Mario Sergio Cortella)


19 Maio 2018 09:13:00


(Foto: Divulgação)


"Há momentos em que você precisa escolher entre virar a página ou fechar o livro".

Num instante, nos são oferecidas várias escolhas: para onde ir, o que fazer, usar ou consumir. Com essa enormidade de opções, nos tornamos inseguros, inconstantes com relação às nossas opções, exigentes e intransigentes com aquilo que escolhemos e sujeitos a reclamar de tudo o que nos foi oferecido. Além disso, em nenhum momento, nos foi ensinado como escolher com mais sabedoria e segurança, porque até recentemente esse não era um grande problema: tínhamos poucas alternativas com relação a tudo e nos satisfazíamos com menos. Em outras palavras, além de ser paralisante, o excesso de opções nos deixa mais predispostos a ficar descontentes com o que escolhemos quando saímos da indecisão. Esse sentimento pode prejudicar um brilhante e feliz caminho. O mais sábio depois de ter sido feita uma escolha consciente é confiar nela.

Assim, simplifique, reduza suas opções, sem dó nem piedade. Procure manter o foco no que é importante para você. Procure mais qualidade e menos quantidade. Acredite: não se pode ter tudo na vida e toda escolha inclui perdas. Por isso, é sempre melhor ficar com o que tem mais qualidade. Esteja consciente ao tomar suas decisões. Em outras palavras, não seja impulsivo, ouça com atenção sua voz interior e esteja atento ao que é mais profundo e relevante para sua vida.

Tenha um norte, do que realmente importa para você, e escolha de acordo com ele.

Integridade, verdade, ética, consciência e generosidade são bons orientadores de rota e escolhas. Quem leva em consideração essas qualidades costuma acertar.

Enfim, escolhas podem não ser bem-sucedidas quando idealizamos quem somos e, também, quando consideramos demais o que os outros acham. Levar em conta só o externo pode nos afastar do que deseja nosso coração. Para isso, é preciso nos conhecermos mais, saber ouvir e reconhecer nossa voz interior, sem julgar.

Escolhas feitas com a cabeça quente ou num momento muito confuso são capazes de gerar más consequências. Podem ser motivadas por raiva, ciúmes, insegurança, inveja, uma grande paixão? Por isso, a primeira sugestão é simplesmente: "Pare!". Ou seja, interrompa a enxurrada que brota no seu peito e aprenda a reconhecer que esse é um mau momento para decidir alguma coisa. A segunda é: "Espere". Talvez seja melhor não decidir nada por enquanto. É possível que a noite escura que você atravessa seja apenas uma fase temporária. "Não se muda o rumo no meio do nevoeiro", escreve o suíço Bertrand Georges. Mas a perguntinha maliciosa e insistente que pode surgir é: "E se você se enganou?". Com essa questão, surgem outras inquietações: a dúvida de que nada será como antes, de que a dificuldade durará para sempre e de que existe uma só saída possível, a fuga. Isso não é verdade. Muita água ainda pode rolar debaixo dessa ponte se, como bons comandantes, tivermos a coragem de manter o leme na mesma direção durante a tempestade. "Devemos. então. aceitar não viver segundo o que vemos e sentimos, mas segundo o que cremos e com o que nos comprometemos anteriormente", prossegue Bertrand Georges. Para que essa decisão se mantenha firme, ele aconselha um mergulho profundo na vida espiritual. Ela será a fonte de nutrição e força que nos auxiliará a fazer essa travessia.



12 Maio 2018 07:00:00
Autor: Ana Paula Della Giustina

Às vezes, você tem sonhos maiores que os de seu amor

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(Foto: Divulgação)

Acredito em um grande amor. Não tenho expectativas frívolas sobre o amor. Sou uma, daquelas pessoas um pouco cínicas devido à experiência vivida, mas acredito no grande amor. O amor do tipo "não acredito que isto existe na esfera física deste planeta". 

O tipo de amor que explode em um fogo incontrolável, depois vira brasas ardentes e continua a arder quentinho e confortável por anos. O tipo de amor sobre o qual se escrevem romances e compõem sinfonias. O tipo de amor que lhe ensina mais do que você jamais pensou que pudesse aprender e lhe devolve infinitamente mais do que tira de você.

É o amor do tipo "o grande amor de sua vida". E acredite em mim, esse amor funciona assim: se você tem sorte, você conhece o amor de sua vida. Você tem a chance de ficar com ele, aprender com ele, entregar-se inteiramente a ele, e deixar que sua influência o transforme. É uma experiência diferente de qualquer outra coisa que podemos ter neste mundo.

Mas o que os contos de fadas não nos dizem é o seguinte: às vezes, conhecemos o amor de nossa vida, mas não podemos ficar com ele. Não podemos nos casar com a pessoa, passar nossa vida ao seu lado, segurar sua mão no seu leito de morte depois de uma vida bem vivida juntos.

Nem sempre conseguimos ficar com o amor de nossa vida, porque, no mundo real, o amor não conquista tudo. Ele não resolve diferenças irreparáveis, não triunfa sobre doenças, não lança uma ponte sobre divergências religiosas e não nos salva de nós mesmos quando nos corrompemos.

Nem sempre conseguimos ficar com o amor de nossa vida, porque, às vezes, o amor não é tudo que existe.

Às vezes, você quer uma casa no campo com três filhos, e ele quer uma vida profissional agitada na cidade grande. Às vezes, você tem um mundão inteiro para explorar e ele tem medo de sair de seu próprio quintal. Às vezes, você tem sonhos maiores que os de seu amor. Às vezes, a coisa mais generosa que você pode fazer é deixar seu amor ir embora. Outras vezes, você não tem escolha.

Mas há outra coisa que as pessoas não lhe dizem sobre encontrar o grande amor de sua vida: o fato de você não passar o resto de sua vida com essa pessoa não diminui a importância dela.

Algumas pessoas, você pode amar mais em um ano do que poderia amar outras em 50 anos. Algumas pessoas podem lhe ensinar mais em um único dia que outras durante uma vida inteira. Algumas pessoas entram em nossa vida apenas por um período específico, mas têm um impacto que ninguém jamais poderá equiparar ou substituir.

E como podemos deixar de chamar essas pessoas de qualquer outra coisa senão o grande amor de nossa vida? Quem somos nós para minimizar sua importância, reescrever suas memórias, alterar as maneiras em que elas nos mudaram para melhor, apenas porque seguimos caminhos diferentes? Quem somos nós para decidir que precisamos a todo custo substituí-las, encontrar um amor maior, mais apaixonado, que possamos agarrar por toda a vida?

Quem sabe, devemos simplesmente sentir gratidão por termos conhecido essa pessoa. Por termos tido a oportunidade de amá-la e aprender com ela. Porque nossas vidas puderam crescer e florescer porque a conhecemos.

Conhecer o grande amor de sua vida e deixá-lo ir embora não precisa ser a maior tragédia de sua vida. Se você permitir, pode ser sua maior bênção. Afinal, algumas pessoas nunca chegam a conhecer seu grande amor.



05 Maio 2018 07:05:00


"Quando temos fé, o impossível começa a acontecer e transforma nosso caminho". 

Falar de religião é polêmico. Todos nós conhecemos a frase "Religião, futebol e política não se discute". Mas não deveria ser assim. Se pensarmos bem, todas as crenças levam a um objetivo comum: a conexão com Deus e a busca pela paz.

Como alicerce de vida, eu tenho minha fé e a minha relação com o Criador. Além disso, nutro profundo respeito por todas as religiões. Admiro o Papa Francisco, mas acima de tudo, minha crença está na existência de Deus.

Percebi que, quando temos fé, o impossível começa a acontecer e transforma nosso caminho. A fé do tamanho de um grão de mostarda é capaz de dissolver montanhas de obstáculos e medos.

Aprendi que a coragem não é apenas um ato de bravura diante de um perigo. Coragem é aceitar a vida como ela é. É sentir compaixão, gratidão, bondade. Coragem é aprender com as dificuldades e superá-las com aceitação e paciência.

A coragem é intrínseca a cada um de nós. Mas, por sentir medo, algumas pessoas se privam de alegrias. É preciso muita coragem e determinação para despertar a coragem que está inata dentro de nós.

Muitos de nossos medos são antigos e precisamos desfazer essas crenças e impressões de limitação e medo do mundo e do desconhecido. Portanto, são necessárias as práticas espirituais para experimentar o espaço do destemor dentro de nós. Elas nos fazem entrar em contato com esse espaço interior e nos tornam conscientes da ajuda de Deus.

Ter coragem é crer que os problemas não são maiores do que nós mesmos. É descobrir que somos capazes de encarar o que nos acontece com força interior e aceitação.


"QUANDO TEMOS FÉ, O IMPOSSÍVEL COMEÇA A ACONTECER"


É importante aprender a dizer não quando for necessário, com coragem e sem medo. E, quando for o momento de dizer sim, sentir a mesma coragem e confiança. Cultive a fé, desenvolvendo devoção a Deus e uma mente positiva, com auto-esforço e motivação. Não perca sua fé com sentimentos de medo, ciúme, raiva e orgulho. Controle seus sentidos e emoções para proteger a fé que conquistou.

Não permita que seus sentidos e emoções governem sua vida, jogando fora sua coragem e confiança. Descubra o que disse Osho: "A vida começa onde termina o medo".

Tenha a coragem de reconhecer seu próprio valor. Descubra suas qualidades e sua própria coragem. Se você persistir na jornada espiritual, buscando fé e uma mente confiante, as dificuldades não o deterão. Ore para aumentar sua fé e auto-confiança.

Muitas pessoas dizem: "É difícil orar... não consigo". Mas, a oração é tão natural como o sono. Ninguém lhe ensinou a dormir. É algo que você sabe. E assim, é a mesma coisa com a oração. Ela acontece através de sua entrega e prática constante.

Orar é voltar-se para dentro, sem lutar com os pensamentos. Aprende-se a orar, orando. Desenvolva um coração corajoso. Supere seus medos e ansiedades, descobrindo seu verdadeiro valor, conectando-se com Deus, através da oração e do poder da fé.

Refugie-se no seu próprio Ser interior e encontre abrigo dentro de você. Sempre pratiquei a oração. Todos os momentos difíceis da minha vida foram acalmados pela minha fé. Quando se entende o poder da prece, o hábito de conversar com Deus passa a ser indispensável. A fé transporta montanhas, por que não transformaria o mundo?


28 Abril 2018 10:47:00


(Foto: Divulgação)


"Não é a profissão que determina nossos caminhos, mas a motivação que nos leva até ela".

 A pergunta "o que você vai ser quando crescer?" sempre me afligia. Eu poderia ser o que escolhesse: bailarina, astronauta, médica, arqueóloga ou cientista. Todas essas profissões me habitavam. Mas, aos poucos, percebi que nenhuma delas, de fato, me representava.

 Quando comecei a escrever este texto, troquei ideias com várias pessoas. O objetivo era compreender como conseguir ser feliz naquilo que se faz. É possível unir felicidade, satisfação e trabalho? A partir deste questionamento, comecei a compreender que o problema em relação à nossa atividade profissional começa lá na nossa infância. Crescemos ouvindo: "o que você vai ser quando crescer?; qual profissão você vai escolher?; qual será o seu trabalho?". Ninguém, nem nós mesmos, fazemos a pergunta certa: "qual trabalho conversa com a nossa alma?".

Parece louco dizer que, apreciar a criança que fomos, nos ajuda a encontrar nossos caminhos profissionais. Mas creia, isso é fundamental para reconhecer um trabalho que esteja de acordo com a pessoa que você é. Do que você gostava de brincar? O que exatamente o atraía na brincadeira? Lembro que a primeira vez que fui interrogada sobre isso, estranhei muito. Entre as brincadeiras de criança e o que me motivava a gostar delas estava a tal da conversa com a alma. No meu caso, eu gostava de inventar, de elaborar histórias, de observar e perceber como cada um interagia com o outro.

A decisão de seguir este ou aquele caminho profissional não pode ser ditada apenas pelo mercado ou pelo pagamento, mas por aquilo que você quer para si.

A partir deste ponto, você também passa a entender que sua gama de possibilidades é bem maior do que imaginava. O seu caminho não é mais ditado pelo que você escolheu como profissão, o que é limitante demais, mas pelo que está por trás disso, o que o atrai, toca, conversa com você dentro daquilo que faz todos os dias.

 De acordo com a história, por exemplo, nunca tivemos tantas opções de caminhos como hoje em dia, onde as oportunidades de carreira se expandiram e as escolhas também.

 O sentido está diretamente ligado a ver algum sentido no que se faz. A questão é você ver significado onde atua, não só para você, mas para as pessoas ao redor. Outro tema tem a ver com não se acomodar diante daquilo que não lhe faz bem. Trabalhar somente para pagar as contas e se ver aprisionado a algo de que não gosta, e esperar ser feliz quando a aposentadoria chegar, pode ser uma boa forma de desperdiçar tempo e energia de vida.

 Além disso, o trabalho dos sonhos, a carreira ideal, não é algo que encontramos, mas sim que cultivamos. Nunca estará pronto, inteiramente perfeito. A vida se transforma o tempo todo, a gente amadurece, percorre caminhos, e as nossas aspirações e desejos profissionais também se alteram. É uma conquista diária, e essa é a graça maior dessa história toda. Então, não se arraste pela vida em algo que não o faz feliz. Haverá uma hora em que você vai necessitar mudar. E, quando o medo ou a dúvida apertarem, lembre-se de fazer a pergunta mais acertada: "o que o trabalho está conversando com a minha alma agora?". Trabalhar é uma das práticas que mais fazemos ao longo da vida, afinal, todos nós precisamos de uma ocupação para nos sustentar e contribuir com a sociedade, no entanto, como afirma Albert Camus "somos responsáveis por aquilo que fazemos, o que não fazemos e o que impedimos de ser feito".



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