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Violência

12 Junho 2019 16:59:15


(Foto: Divulgação) 


Preocupantes são os números da violência no Brasil, tomando-se apenas os casos de morte, homicídio e feminicídio, sem falar das outras violências que também são graves.

   Noticia a imprensa o aumento de mortes por arma de fogo, mesmo com a proibição de porte de arma para a maioria das pessoas. Esta é uma das razões dos defensores da liberação das armas à população, ao argumento de que, pela situação atual, apenas as pessoas fora da lei, delinquentes, é que possuem armas e amedrontam as pessoas de bem, estas privadas desses meios de defesa.

   É um posicionamento respeitável e que, num primeiro momento, sem séria reflexão, pode ser acolhido. Entretanto, a partir de um estudo sobre o fenômeno da criminalidade, desponta a conclusão de que a violência não se combate com a violência. Se o marginal, de índole violenta, utiliza-se de arma de fogo, o cidadão consciente não deve partir para o enfrentamento com esse mesmo recurso, porque a arma, por paradoxal que possa parecer, deixa a pessoa mais vulnerável e sujeita a um fim trágico.

   Com efeito, a defesa com arma de fogo coloca a pessoa numa situação concreta de matar ou morrer, ambas as ocorrências destruidoras de vidas. Perder a vida, muita vez por banalidades, ou manchar as mãos com sangue fratricida, são hipóteses de grande perda pessoal e familiar, que deve ser evitada. Pudesse a pessoa assim envolvida retroceder a momento anterior à tragédia, por certo faria a opção pela não violência, dispensaria a arma de fogo, e armaria-se de um novo pensar em ralação à vida de relação.

   Também a exacerbação das leis penais, pelo aumento de pena e maior rigidez no seu cumprimento, não produzem o resultado esperado da diminuição da violência, o que está a indicar que a peçonha da violência combate-se com seu antídoto que é a paz.

   Deste modo, não parece acertada a medida governamental de liberação das armas de fogo, possibilitando o acesso a armas a um maior número de pessoas, situação que gera potencial violência.

Em nossa região, basta lembrar de sua fama de utilização de armas e mortes causadas por essas armas. Mercê de uma elevação cultural e da proibição do porte de armas, houve uma ascensão social, desanuviando-se a psicosfera desses sentimentos bélicos primários. Nos últimos tempos, a luz do entendimento superior, da cultura da paz, venceu a treva produzida pela violência e pela ignorância, clareando-se o horizonte, franqueando o desenvolvimento social, econômico e político desta parte central do Estado.

   Essa conquista, que demandou décadas de trabalho por todos os de boa vontade, não pode periclitar pela facilitação das armas, expondo o risco de retorno do status anterior de região violenta, com elevado índice de homicídios por arma de fogo.

   Independentemente da ordem legal, o mais importante é a consciência de rechaçar todas as formas de violência, de recusar o acesso a armas de fogo, entendimento que deve ser mantido, sempre lembrado nas salas de aula, nos templos religiosos, nos ambientes sociais e nas famílias.


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